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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Um download legal...


É apenas um dos títulos. 

A Editora Fiel e site Satisfação em Deus, a versão portuguesa do site Desiring God, estão disponibilizando alguns livros escritos pelo pastor John Piper. O pastor Piper já tem esse interessante costume de disponibilizar livros gratuitos em seu site, mas eram somente em língua inglesa. Com essa parceria com a Editora Fiel algumas traduções interessantes, como o livro Penetrado pela Palavra, estão disponíveis, legalmente, para download.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Lição 06 - A prosperidade dos bem-aventurados

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

SERMÃO DO MONTE

As passagens em Mateus 5.1 – 7.29 e Lucas 6.20 – 7.1 receberam esta designação desde o início do século IV d.C., dada por Agostinho em seu comentário (De Sermone domini in monte). O discurso foi feito em alguma colina, provavelmente no planalto elevado da Galileia. Uma tradição do século XIII considera o episódio como ocorrido em um local conhecido como “chifres de Hattin”. A importância do prefácio consiste na expressão “vendo a multidão”. Percy C. Ainsworth observa: “O grande comentário sobre o Sermão do Monte é a vida – a vida como todos nós devemos viver – o pão cotidiano, a simples comunhão, a fadiga trazida pelo próximo, e as lágrimas”.

O Sermão começa com as Beatitudes (Mt 5.3-12) nas quais o Senhor Jesus mostra que conhece bem o significado da vida e como ela deve ser vivida, mostrando que a resposta para a busca universal pela felicidade só pode ser encontrada à medida que os homens se identificarem com o reino de Deus [...].

Neste sermão – que Lord Acton definiu como a verdadeira revelação de uma sociedade moralmente nova – o Senhor Jesus contrasta ideias espirituais que sustentam a conduta moral adequada, com as exigências meramente exteriores da lei. Ele ensina que a ira que traz como fruto o assassinato é errada; que a reconciliação com um irmão é mais essencial do que o desempenho de atos exteriores de adoração; que o cultivo de pensamentos lascivos tornam as pessoas tão culpadas quanto a prática do próprio adultério; que seus seguidores devem ser extremamente comprometidos com a verdade, a ponto de os juramentos tornarem-se desnecessário; que a vingança é maligna; que os inimigos, assim como os amigos e benfeitores, devem receber nosso amor; que destacar os defeitos da vida dos outros, e tentar remodelar a vida destes de forma intrometida, e tudo isto através de uma atitude de censura, são repreensíveis; que o exercício da piedade como a doação de esmolas, as orações, e o jejum devem ser destituídos de ostentação; que o cristão só pode ter um Senhor.

Muitas passagens notáveis podem ser destacadas neste sermão. Existem as parábolas que falam da luz interior (Mt 6.22,23), e das duas casas (Mt 7.24-27). A oração do Senhor, citada por Mateus, em sua primeira seção trata dos deveres para com Deus, e, na sua segunda, trata dos deveres para com o próximo. O Senhor Jesus preparou este modelo a partir de um contexto judaico, dando um exemplo de como a alma, mesmo com poucas palavras, pode falar com Deus [...].

A “regra áurea” (Mt 7.12) foi assim chamada no século XVIII por Richard Godfrey e Isaac Watts. Willian Dean Howells em seu romance Silas Lapham (1985) usou esta frase que agora nos é familiar. Este princípio de reciprocidade, que de acordo com Wesley é recomendado pela própria consciência humana, tornou-se a base do sistema ético de John Stuart Mill. Este princípio também é refletido na afirmação de Kant de que a pessoa deve agir como se sua regra de conduta estivesse destinada – pela força de sua vontade – a se tornar uma lei universal da natureza. A diferença entre a ordem categórica de Kant e a “regra áurea” de Cristo é que a ordem de Kant não tem conteúdo, enquanto Cristo resume o conteúdo da segunda tábua da lei moral de Deus. O Senhor Jesus Cristo exemplificou a “regra áurea” na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25ss.).

Texto extraído do “Dicionário Bíblico Wycliffe”, editado pela CPAD.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Se a vida fosse tão simples como a soma de dois mais dois...

Será que essa conta bate?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O cartaz acima foi compartilhado por milhares de evangélicos no Facebook. Mas eu resumiria a mensagem do cartaz em uma única palavra: ingenuidade.

Bem, se eu interpretei direito o cartaz, então temos o seguinte: a) Uma vida devassa e regada a baladas e “mundanidades” resulta em solidão no final da vida. b) O namoro casto e crente resulta em um casamento duradouro e, sendo o melhor, uma garantia de companhia no final da vida.

É verdade? Eu respondo: nem sempre!

A vida não é uma soma simples. A nossa vida é mais complicada do que admitimos. Não é uma mera lei de “causa e efeito”.

Mas você pode argumentar que a minha frase acima contradiz Gálatas 6.7-9, que diz:

Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos.

Opa, a leitura atenta do texto paulino não ensina uma “lei de causa e efeito”. O que Paulo nos ensina é a “lei da semeadura”. Se a “lei da semeadura” fosse uma simples “causa e efeito” a semente jogada na terra sempre geraria frutos, mas sabemos que a semeadura não é tão simples assim (cf. Marcos 4. 1-9).

O êxito de uma semeadura depende de uma semente plantada, é óbvio, mas também de uma terra boa, limpa, regada etc. E tudo isso na medida certa, ou seja, nem mais nem menos. O agricultor sofre com a seca e com a chuva demasiada e sofre com a terra com pedras ou excessivamente adubada.

Portanto, achar que um simples namoro cristão resultará em uma velhice equilibrada é pura ingenuidade. Alguns até pensam que o “sacrifício da virgindade” resultará em bênçãos contínuas de Deus sobre o casal “fiel”. O namoro casto e cristão é só o primeiro desafio desse casal, mas não o único. A velhice sossegada dependerá de vários percalços vencidos no decorrer da vida em casal. E, muitas vezes, até o nascimento de um filho pode gerar crise em um casamento.

Veja que é justamente isso que Paulo fala no contexto: “E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos”. Portanto, de nada adianta começar um namoro cristão e terminar com um casamento pagão. É semente jogada em terra estéril, como diz a parábola do semeador, cujo contexto é a pregação do Evangelho, quando escreve: “Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz” (Marcos 4. 5-6).

Eu, pessoalmente, conheci dois casais que todos adjetivavam como “abençoados” e eram frutos de “namoros exemplos”. Mas, infelizmente, são dois divórcios que aumentaram as estatísticas de “separações não amigáveis”. E foram divórcios dolorosos. E ambos foram escolhas erradas de um dos pares. O par que foi vítima certamente pensava que o seu casamento cristão seria todo esse sofrimento? É claro que não, mas a escolha errada do cônjuge foi como a contingência de uma chuva forte que destrói toda a plantação que uma primeira chuva, na medida, ajudara a regar.

A vida humana é batalha contínua. A semeadura precisa destruir inúmeras barreiras. Não é um processo como a soma de dois mais dois.

E o casal “baladeiro” acabará na solidão? Depende. A vida de arrependimento e a misericórdia do Senhor vivem de quebrar a lei da semeadura, pois uma semente podre é substituída por uma semente sadia. É a graça trazendo vida onde havia colheita de morte (cf. Efésios 2. 1-9). Não é à toa que Jesus escreveu: "Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos” (Mateus 20. 16).

Semeadura contínua? Sim. Ingenuidade com a complexidade da vida? Nunca!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Citações (6)

‎"O amor, de fato, é capaz de amar a amada quando sua beleza se perdeu: mas não porque a beleza se perdeu. O Amor pode perdoar todas as fraquezas e assim mesmo amar, a despeito delas, mas não pode deixar de querer que elas sejam eliminadas. O Amor é mais sensível que o próprio ódio a cada imperfeição no ser amado".

C. S. Lewis em "O Problema do Sofrimento".

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade são gêmeos fraternos!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

[OBS: Recomendo a impressão deste texto, pois o tamanho é cansativo para leitura em tela]

Os gêmeos fraternos são aqueles formados a partir de óvulos e espermatozoides diferentes, mas que se desenvolvem no mesmo período. Esses gêmeos, normalmente, possuem sexo e tipo sanguíneo divergente. Como a Teologia da Libertação e a Teologia da Prosperidade podem ser gêmeos fraternos como sugerido no título? Ora, ambas seguem tendências diferenciadas (comunismo versus consumismo), mas o tronco e a origem são comuns. Ambas são filhas da modernidade.

Talvez a doutrina que mais aproxime as duas teologias é a própria antropologia. A forma como as teologias da libertação e os evangelistas da prosperidade veem o homem mostra o foco antropocêntrico dos modernos. A autoajuda popular dos megatemplos e o “bom selvagem” dos tratados teológicos “progressistas” são tão próximos quanto os adeptos gostariam de admitir.

A graça divina e a maldade humana

Nesse mundo-cão o cristão é exortado a ser generoso para com os mais necessitados. Como fazê-lo? Somente pela graça generosa de Deus. É assim que a história da teologia cristã, baseada nas Escrituras, ensina. Aliás, tudo na vida é graça de Deus. Quão enganados somos quando pensamos que os nossos méritos são capazes de expressar verdadeira generosidade. Há uma síndrome contemporânea onde todos acreditam que são bons, tolerantes, generosos, sem-preconceitos etc. Assim como descreveu C. S. Lewis:

Todos se sentem benevolentes quando nada os está aborrecendo. Dessa forma, o ser humano facilmente vem a se consolar de todos os seus outros vícios com a convicção de que “seu coração está no lugar certo” e de que “ele não faria mal a uma mosca”, embora nunca tenha feito o menor sacrifício pelo próximo. Julgamo-nos benevolentes quando estamos apenas contentes. Não é tão fácil, com os mesmo parâmetros, imaginarmo-nos comedidos, castos e humildes.

O maior símbolo desse autoengano moderno é o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, o pai dos autointitulados “progressistas” e politicamente-corretos do século XXI. O francês abandonou os seus cinco filhos que teve com a serviçal ThérèseleVasseu na “roda dos enjeitados”, uma pequena porta de madeira que existia na Igreja Católica para receber crianças rejeitadas. O homem que acreditava no “bom selvagem” jogou para a igreja a responsabilidade e o amor que lhe cabia como pai. O próprio autor é uma antítese de sua tese.

Não quero dizer com isso que o homem seja mal sobre mal. Além da maldade, há beleza e bondade no ser humano, independente se essa pessoa professa a fé cristã ou não, mas por mais bela que essa bondade seja ela é insuficiente para a salvação. E, como dito acima, a bondade e generosidade do homem é fruto da graça. Como escreveu Matthew Henry: “A graça de Deus deve ser reconhecida como a raiz e a fonte de tudo que é bom em nós, em todos os momentos. Quando somos úteis para os outros e realizarmos alguma boa obra, devemos nos conscientizar de que isso foi em decorrência da graça e do favor de Deus” [2].

As virtudes não estão ligadas à religião. Ser religioso não significa ser virtuoso, mas a virtude é graça divina, seja a graça comum ou a graça como dom. A graça de Deus, o presente divino, nos faz generosos contra a nossa própria natureza corrompida. A graça se recebe. A graça é uma ação divina doada na regeneração, mas possui resultados continuados. A graça uma vez recebida muda a relação com o mundo de maneira continuada.

Essa ideia, obviamente, bate contra toda a crença moderna (e/ou pós-moderna) na “capacidade da natureza humana”. É um incômodo ouvir que somos pecadores e que dependemos de Deus e de sua graça (graça comum) para sermos um pouco mais humanos e generosos.

Uma das doutrinas mais combatidas pelos modernos da autoajuda ou da academia é a idéia do pecado e da responsabilidade pessoal.

A fantasia do antropocentrismo

O filho bastardo do humanismo do Iluminismo é a fantasia da autoajuda contemporânea. No “acredite em seu potencial” e “você é um vencedor” nada mais é do que uma versão popular do antropocentrismo das Luzes. Em sua antropologia positiva, ou seja, quando os filhos de Rousseau acreditam na bondade nata do ser humano, eles expressam a mesma convicção infantil e desconectada da vida real. O homem das Luzes e da autoajuda não precisa se preocupar com pecado, insuficiência ou mesmo com a dependência de Deus. Esse homem só precisa acreditar em sua bondade e no seu potencial. Esse é o momento que as Teologias da Libertação (comunista) e a Teologia da Prosperidade (consumista) casam em um estranho matrimônio. A Teologia da Libertação é autoajuda disfarçada.

Talvez você não ligasse as duas teologias no mesmo tronco, mas podemos ver que ambas são filhas da modernidade. Ambas olham o homem desprovido de suas responsabilidades e o infantilizam, pois ambas deslocam o mal para fora do homem, quando este está diretamente ligado ao coração humano.

A Teologia da Prosperidade e a sua fantasia de negação do sofrimento e a exaltação do sucesso mostram que falta a clara noção do pecado. Comentando Eclesiastes, o filósofo Luiz Felipe Pondé observa:

A tarefa humana consiste, em primeiro lugar, em tomar conhecimento de que “tudo é vento que passa”. Peca, portanto, aquele que nega esse estado de coisas, fugindo à dor necessária e inevitável e escondendo-se dela atrás de uma barreira de coisas contingentes (sucesso, dinheiro, prazer pelo prazer): “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido” Eclesiastes 5.10. [3]

Na Teologia da Libertação todo o fracasso do homem é fruto de uma conspiração do “sistema”, ou seja, a culpa é sempre de um grande ser abstrato [4]. Você é sempre vítima e nunca parte do processo. Exemplo é o pensamento de um dos principais expoentes da Teologia da Libertação no meio evangélico, o leigo católico Jung MoSung, que afirmou:

A culpabilização das vítimas, os excluídos, se dá por um mecanismo ideológico muito importante. A sociedade capitalista prega que todos têm a liberdade de fazer o que quer e que querer é poder. Dizem: “basta ter competência e fora de vontade”! Segundo essa lógica, se o pobre não pode comprar é porque, no fundo, ele não quer de verdade, não tem força de vontade, e não tem competência. Daí, concluem que os fracos de vontade e incompetentes merecem seu sofrimento e sua frustração [5].

É claro que uma “vida melhor” não depende somente da nossa força de vontade. Quem nasce em um país miserável e envolto em guerras civis é provável que morra miserável. Isso não dependeu de sua vontade e da falta dela. É uma terrível contingência. E um acidente? Uma doença na família? Uma crise econômica que resulte em amplo desemprego? Agora, a grande questão é a ideia por traz desse discurso piedoso e social: o homem sempre é vítima. Sim, é extremo dizer que o homem é dono de seu destino, mas é igualmente pensar que é isento totalmente de responsabilidades.

Veja o exemplo da escravidão. Aprendemos na escola que os escravos negros foram explorados pelos portugueses brancos e ricos no Brasil. Isso é um fato histórico. Mas a escola esquecia-se de dizer que os escravos africanos eram vendidos por outros africanos. O que quero trazer com esse exemplo? Ora, sempre víamos os africanos como vítimas e os portugueses como algozes. Só que o mundo é mais complicado do que esse maniqueísmo “progressista”. Entre os algozes estavam, também, outros africanos que vendiam seres humanos para portugueses. Isso justifica a escravidão dos portugueses? É claro que não. A escravidão é uma das principais violações dos direitos humanos praticadas pelas gerações passadas. Mas o exemplo mostra que “mocinhos e vilões” é coisa de Hollywood.

Outro exemplo é o debate sobre drogas. O usuário de crack é vítima? Sim e não. Sim, quando já dominado pelo vício o drogado é um completo dominado, ou seja, um caso de saúde pública. Agora, a primeira “tragada” foi fruto de uma escolha individual. Ah, mas a miséria o levou a isso, dizem os adeptos da antropologia positiva. Ora, se todo pobre (classe E) fosse usar drogas para “esquecer os problemas” já teríamos 16 milhões de usuários e a maior cracolândia do país estaria nos rincões do interior. No fundo é uma visão preconceituosa contra os pobres.

Mais um exemplo é o debate sobre a violência urbana. Na tese “progressista” o combate à violência passa por melhorias sociais, ou seja, a causa da violência é a pobreza. Mais uma vez volta aquela visão piedoso-preconceituosa. Se miséria produzisse violência urbana de maneira automática, logo a cidade do Rio de Janeiro seria infinitamente mais segura do que Lima, capital do Peru. E Mumbai, uma das cidades com as maiores favelas do mundo e com um dos menores índices de homicídios do mundo. E o que falar da Nova York da década de 1980? Era uma cidade riquíssima (e ainda é) e extremamente violenta (já não é mais).

Todas essas teses tentam jogar fora a responsabilidade individual.

A visão infantil

Na Teologia da Prosperidade também não há responsabilidade individual, pois o sucesso é saber os segredos de Deus, ou seja, é uma cabala de resultados práticos e a responsabilidade pela miséria ou prosperidade está em soluções mágicas. O homem de sucesso, no Movimento da Fé, é aquele sujeito que manipula o divino e é bom o suficiente para exigir de Deus. Ele faz por merecer suas bênçãos pelos sacrifícios da fé. Em ambas, a responsabilidade do homem nada conta. O escritor inglês G. K. Chesterton, escrevendo sobre livros que ensinavam o sucesso, afirmou:

Esperemos que vivamos todos para ver esses livros absurdos sobre o Sucesso cobertos propriamente de escárnio e abandono. Eles não ensinam as pessoas a obterem o sucesso, mas ensinam-nas a serem esnobes; eles realmente difundem um tipo de má poesia do materialismo. Os puritanos estão sempre denunciando livros que inflamam a luxúria; o que diremos dos livros que inflamam as mais vis paixões da avareza e do orgulho? Cem anos atrás, tínhamos o ideal do Aprendiz Diligente; era ensinado aos garotos que com parcimônia e trabalho eles todos se tornariam LordMayors. Isso era falacioso, mas era viril, e continha um mínimo de verdade moral. Em nossa sociedade, temperança não evitará que um pobre enriqueça, mas pode ajudá-lo a se respeitar. Trabalho duro não o fará um homem rico, mas fá-lo-á um bom trabalhador. O Aprendiz Diligente sobe por meio de poucas e limitadas virtudes, mas ainda assim virtudes. Mas o que dizer do evangelho pregado pelo novo Aprendiz Diligente; o aprendiz que sobe não pelas suas virtudes, mas abertamente pelos seus vícios [6].

A graça de Deus é a fonte de tudo, portanto, a graça de Deus é a fonte da generosidade para o coração corrompido. Como os modernos acreditam em si mesmo, logo o exercício da graça fica difícil. O teólogo da libertação vê sempre bondade no homem e o teólogo da prosperidade sempre vê triunfo no ser humano. A visão infantilizante impede de enxergar os limites do humano. Quando se enxerga os limites do homem se começa a ver a operação de Deus.

Quando o evangelicalismo brasileiro não estava contaminado pelas versões de Teologia da Libertação e Teologia da Prosperidade a assistência e a dignidade dos pobres eram mais bem trabalhadas, não em discursos piedosos, mas na prática evangelística. Que possamos voltar a essa realidade.

Referências Bibliográficas:


[1] LEWIS, Clive Staples. O Problema do Sofrimento. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 67.

[2] HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Mattew Henry. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 530

[3] PONDÉ, Luiz Felipe. Um punhado de pó. Dicta e Contradicta. Número 01. São Paulo: Junho, 2008, p 37.

[4] Talvez os teólogos da libertação devessem ler a famosa frase de George Bernard Shaw, escritor irlandês e Nobel de Literatura em 1925, que disse: "As pessoas sempre põem a culpa nas circunstâncias por serem quem são. Não acredito em circunstância: os indivíduos de sucesso são aqueles que saem e procuram as condições que desejam; e, se não as encontram, criam-nas”. A Teologia da Libertação sofre a síndrome de Adão: a culpa é sempre do outro.

[5] SUNG, Jung Mo. Se Deus existe, por que há pobreza?1 ed. São Paulo: Editora Reflexão, 2008. p 88.

[6] CHESTERTON, Gilbert Keith. A falácia do sucesso. Blog do Angueth: traduções, comentários e algumas relíquias do passado. Belo Horizonte, 2009. Em: <http://angueth.blogspot.com/2009/08/falacio-do-sucesso.html> Acesso: 22/01/2012.

Leia também: 

domingo, 29 de janeiro de 2012

O lado liberal da proibição...

"A verdade é, claramente, que a rigidez dos Dez Mandamentos é uma evidência, não da obscuridade e estreiteza da religião, mas, ao contrário, da sua liberalidade e humanidade. É mais econômico afirmar as coisas proibidas do que as permitidas: precisamente porque muitas coisas são permitidas e apenas poucas proibidas". [G. K. Chesterton]
Chesterton foi um grande frasista!