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sábado, 14 de abril de 2007

O raciocínio entre ciência e dogma

Qual é a ligação entre ciência e dogma? Que relação há entre a ciência, que se baseia em fatos e o dogma, que se baseia na revelação vinculada à fé? A ciência não exclue o dogma e o dogma não exclue a ciência?
Uma idéia que se passa em todo o mundo é que existe uma guerra inconciliável entre a ciência e a fé. Na mídia, no ensino, nas conversas e debates é comum colocar o conhecimento científico oposto ao teológico. Mas sempre existiu uma guerra entre ciência e dogma? Se essa pergunta fosse feita a Issac Newton, Galileu Galilei, Copérnico etc, eles responderiam que é possível uma integração entre fé e ciência, pois a motivação para o estudo científico desses cientistas foi a defesa( apologia) da fé cristã. Issac Newton disse que o assunto da ciência é "de deduzir a partir dos efeitos, até que cheguemos à primeira causa, que certamente não é mecânica", pode se verficar que o salto científico de Newton, o pai da física, foi motivado pelo dogma. A educadora Nancy Pearcey e o filósofo Charles Colson nos dizem que "Issac Newton... era um cristão devoto, cuja procura pela ciência era fortemente motivada pelo seu desejo de defender a fé"(1). Newton e outros cientistas são exemplos do raciocínio entre ciência e fé.
Apesar da ligação ser possível, há diferenças entre ciência e dogma( doutrina, teologia...). Os filósofos J. P. Moreland e William Craig argumentam que " a ciência e a teologia se concentram em duas áreas de pesquisa distintas e que não se sobrepôem, a saber, a natural e a sobrenatural"(2), essa é a mesma reflexação do cientista Francis Collins, diretor do projeto genoma: "As sociedades precisam tanto de ciência como da religião , elas não são incompatíveis, mas complementares. A ciência investiga o mundo natural. Deus pertence a outra esfera. Ele está fora do mundo natural . Usar as ferramentas da ciência para discutir religiâo é uma atitude imprópia e equivocada"(3). A ciência tem o seu papel distinto do dogma, mas não significa que precisam ser rivais. Cada um desempenha uma importante missão na sociedade. Mas as diferenças nos papeis, também, não significa falta de opinião em assuntos ligados a ciência por parte dos dogmáticos.
Há duas filosofias que prejudicam a integração entre ciência e dogma, são elas o cientificismo e o fideísmo. O cientifísmo diz que a ciência é o próprio princípio da verdade, enquanto o fideísmo argumenta que a humanidade precisa viver de modo transcedental sem se importar para questões científicas. Na sociedade pós-moderna o cientifismo é o mais aceito, pois a ciência desfruta de um certo prestígio na busca de respostas, mas ela não é infalível nem está isenta de valores pessoais dos cientistas que muitas vezes tem uma filosofia impregnada em suas mentes que determina o seu método de pesquisa científica. Nancy Pearcey lembra que "as pessoas comuns mantém uma imagem idealizada da ciência, como uma investigação empírica imparcial e equânime que se aplica estritamente a evidências... o problema é que a cìência é cooptada nos campos... filosóficos"(4). Isso mostra que a ciência muitas vezes se comporta como um dogma incontestável, baseados em filosofia e não em evidências. Marilena Chaui diz que no cientifismo " a sociedade deve ser dirigida e comandada pelos que 'sabem' e os demais executa as tarefas que lhes são ordenadas"(5). Um forte exemplo de cientifismo é a atual campanha pró-ateísta do cientista Richard Darwkins, que considera a religião um grande mal a humanidade , isso também não deixa de ser fidéismo, um apego exagerado a "fé ateísta" cujo deus é o materialismo.
O professor Abimar Oliveira de Moraes do departamento de teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro(PUC), lembra que "toda forma de radicalismo, seja ele de fé(fideísmo), da ciência(cientifísmo) ou da razão (racionalismo), é nocivo para a sociedade". Para que haja um raciocício entre ciência e dogma é preciso vencer toda forma de radicalismo, que hoje está crescendo para infelicidade da humanidade.
Notas:
1) Colson, C.; Pearcey, Nancy. O cristão na cultura de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.237.
2) Morelad, J.P.; Craig, William. Filosofia e cosmovisão cristã. São Paulo: Edições Vida Nova, p.433.
3) Collins, Francis. Revista Veja. Ciência não exclue Deus, entrevista nas páginas amarelas. São Paulo: Editora Abril, edição 1992-ano 40- n°3.
4) Pearcey, Nancy. Verdade Absoluta. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.189.
5) Chaui, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2004.p.117.
6) Moraes, Abimar Oliveira. jornal Mensageiro da Paz. (op. cit.) Novos ateus. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.15.

2 comentários:

ABEL NEIMAR disse...

Amado irmão sou jovem de 23 anos,apologista e professor de EBD,gostaria de manter contato com vc para trocarmos experiências cristãs na área de ensino.
obrigado! Abel Neimar

Davi disse...

A ciência é como uma faca de dois gumes, a ciência pode ser usada como uma fortalecedora da fé ou pode simplismente anular sua fé.

A limitação sabedoria está até onde a sua visão alcança.

Anteriormente sempre me perguntavam mais quem "criou a Deus?" e muitas perguntas do tipo "Por que que Deus não se revela a toda a huminidade?"

A ciência é conhecimento e todo bom conhecimento provem de Deus, assim sendo Deus é o Deus da ciência, como o Senhor assim diz é!

A matemática é conhecida como uma lingua pura, pois ela é fortalece a sua fé. Ora se uma reta não tem fim muito menos começo ela é logo veio do infinito e para o infinito foi. Logo assim o Senhor sempre foi, é e sempre será Deus.