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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Espiritualidade Pentecostal: O que é ser espiritual? Parte 01

O que é ser espiritual? O que é espiritualidade? Como alguém se torna espiritual? Quais são os sinais de um cristão espiritual? Essas são perguntas constantes e importantes para uma vida cristã saudável. A correta definição de espiritualidade é imprescindível para qualquer crente, pois é um assunto onde há muitos equívocos. É necessário a correta compreensão dessa verdade, para que a sua prática se torne possível.

A definição de espiritualidade não é simples, pois muitos assuntos e práticas contraditórias, às vezes, são definidas como espiritualidade. Espiritualidade pode ser entendida como “um grupo de atitudes e sentimentos que são externados pela crença e valores que caracterizam uma comunidade religiosa específica”[1]. Ou seja, a espiritualidade são as manifestações externas e visíveis do homem espiritual. Mas o que é ser um homem espiritual? O homem espiritual é “literalmente, o homem controlado pelo Espírito Santo”[2], ou seja, “denota a pessoa regenerada, isto é, que tem o Espírito Santo”[3]. Em relação ao assunto é necessário compreender que:


a) espiritualidade não é o mesmo que espiritualismo.

O espiritualismo busca por práticas místicas que tem o propósito de alcançar a felicidade interior, ou seja, o místico é visto como um meio de plenitude espiritual e um meio de prazer e satisfação. O espiritualismo é comum nas diversas religiões orientas, na Nova Era e nas seitas não-organizacionais. A busca do espiritualista é a felicidade por meio de seus rituais e superstições.

A espiritualidade cristã, bíblica, ortodoxa difere do espiritualismo oriental. O homem espiritual, primeiro deseja ser santo em lugar de ser feliz, como escreveu A. W. Tozer:


A busca da felicidade, tão difundida entre os cristãos que professam uma santidade superior, é a prova suficiente de que tal santidade não se acha presente. O homem verdadeiramente espiritual sabe que Deus dará abundância de alegria no momento em que possamos recebê-la sem prejudicar a nossa alma, mas não exige obtê-la imediatamente. [4]


Assim com Tozer, Donald Gee, grande teólogo pentecostal do Século XX, escreveu sobre o fascínio da igreja atual pela busca primeira da felicidade e sua fraca espiritualidade tendenciosa a apostasia:


Pode ser que eu esteja errado, mas uma das coisas que percebo no reavivamento moderno é a grande tendência de manter a congregação feliz (...) se eu entendo a minha Bíblia, um reavivamento verdadeiro começa por fazer todos infelizes. A verdadeira felicidade começa com a infelicidade, com a preocupação dos pecadores. Outra coisa que me preocupa é a apostasia fácil hoje em dia. Meu receio é que da mesma maneira rápida como as pessoas vêm, elas se vão.[5]


Hoje é muito comum as pessoas buscarem o poder de Deus para se sentir bem ou com auto-estima. Buscam poder dos céus para se sentirem poderosos na terra. Essa é uma falsa espiritualidade. Nesse fascínio do prazer e hedonismo espiritual, as pessoas optam por práticas estranhas as Escrituras, como cantar “hinos” que parece mais uma “mantra” gospel ou se refugiam em retiros espirituais, onde as experiências novas e exóticas são valorizadas como um meio de comunhão com Deus. São cristãos que perderam o foco, pois trocaram o essencial pelo secundário.

A versão evangélica espiritualista é uma pessoa cheia de rituais, superstições e práticas estanhas ao Evangelho. O espiritualista gospel necessita de uma “fé” visível, palpável, ritualística; onde os “pontos de fé” são enaltecidos como um meio de alcançar bênçãos. São pessoas que restringem o relacionamento de Deus a situações espetaculares, vide a Bênção de Toronto.

O coração e o caráter cristão não é moldado em uma “reunião de avivamento”, ou com uma experiência espiritual instantânea. As experiências são capacitadoras para o serviço cristão, mas não moldam o caráter. Somente um relacionamento permanente, contínuo, sólido e baseado nas Escrituras, possibilitam o crente a desfrutar do Fruto do Espírito, que nada mais é do que o modus vivendi de Jesus sendo manifestado na vida do cristão. Então para ter o caráter de Cristo, não se deve buscar atalhos no espiritualismo, mas sim, continuamente permanecer em Cristo.

O espirituoso acha que ser espiritual é rezar em cima de milhos ou orar nos montes dos gravetos de fogo. O espirituosos definem espiritualidade pelo barulho, onde há muito barulho há muitos espirituais, por isso necessitam de um fé movida pelo espetáculos evangélicos e congressos shows, onde o circo é montado para entretenimento das massas.



b) espiritualidade não é o mesmo que legalismo.


Muitos confundem vida espiritual com legalismos. Pois se elas usam saias nos pés ou usam gravatas em todos os cultos, acham que isso é a essência da santidade. Legalismo é atribuir o favor divino e a salvação as obras praticadas. Infelizmente, há aqueles que acham que por “pagar o preço”, dos quais não são ordenados nas Escrituras, irão morar no céu ou alcançar bênçãos!

Ser espiritual não é ficar com “cara de piedoso” ou se restringir do bom lazer e saudáveis diversões. Ser espiritual não é usar saias nos pés e esquecer que a essência está na moderação. Ora, moderação é sinônimo de equilíbrio, portanto, quando Paulo (I Tm 2.9) e Pedro (I Pe 3.3) apelam para a moderação, eles estão apelando para o equilíbrio. Será que mini-saias ou roupas de muçulmanas é pautar pelo equilíbrio? Não seria esses os extremos perigosos da liberalidade e do legalismo? Esses extremos cortam uma verdadeira espiritualidade!

Há aqueles que pensam que ser espiritual é ter uma linguagem do “evangeliquês”. São pessoas que sempre usam chavões “bíblicos”, como chamar um irmão de “varão, bênção” ou vivem falando em voz de choro ou gritando com um desesperado.

O legalismo tenta moldar a espiritualidade para aspectos exteriores e não essenciais. Quando a bíblia adverte para um espírito quieto, humilde, moderado e um corpo com pudor e modéstia, o legalismo que medir os centímetros das roupas e definir que a beleza e o cuidado equilibrado do corpo não é importante. Ser legalista é um impedimento para verdadeira espiritualidade!


Continua...


Referências Bibliográficas:


01- ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 287.


02- GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.


03- STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. p. 1738


04- TOZER, A. W. Sinais do homem espiritual. Revista Obreiro. Rio de Janeiro: CPAD, ano 12, n° 48, Julho-Setembro, 1989, p 5.


05- GEE, Donald. Depois do Pentecostes. São Paulo: Editora VIDA. Cit. por GONÇALVES, José. Espiritualidade, Avivamento e Equilíbrio. Revista Manual do Obreiro. Rio de Janeiro: CPAD, ano 27, n° 29, Janeiro-Março, p. 40-45.

13 comentários:

Ednaldo disse...

Gutierres a Paz do Senhor,

Belo artigo, além de pertinente, estou esperando pela segunda parte para me pronunciar acerca desse fascinante assunto.

Ednaldo.

P.S.: Se alguem passou no meu blog tentou comentar e não conseguiu, o que eu acho dificil, já retirei o bug que impedia os comentários.

http://divinitatisdoctor.blogspot.com

Hygor disse...

Muito bom esse texto Gutierres!
Lembro-me que o Pastor lá da minha igreja falou sobre esse assunto num culto, mas não com tanta abrangência. Sou novo na blogosfera e na Bíblia também, vou te adicionar nos meus links e vou ler seus posts! A Paz do Senhor Gutierres!

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Caro Ednaldo,
Em breve sai a segunda parte desse artigo. Obrigado por seus comentários e contribuições nesse blog.

Caro Hygor,
Obrigado por sua visita e parabéns por seu blog. Que Deus possa te abençoar nessa caminhada.

Lucimauro*Assembléia de Deus disse...

A paz do senhor!
vejo que o post é muito pertinente,
concordo plenamente com sua opinião,existe muitos por aí que estão se apegando à supostas atitudes que não tem apoio biblico.
com relação a sua posição dizendo que muitos medem o seu grau de espiritualidade no tamanho da sáia,vestuarios,quem faz mais barulho dentro da igreja e etc,infelizmente são atitudes de pessoas sem maturidade cristã que está em nosso meio enbora sou um defensor dos bons costumes de nossa igreja, isso é falta de estudo biblico que não deixa essas pessoas perceberem que isso não é regra para salvação.

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Gutierrez,
A Paz do Senhor.

Parabéns pelo seu post.
Pertinente e em boa hora.

Continue na caminhada por um evangelho moderado, sem radicalismo ou liberalismo, porém, moderado e equilibrado à luz da Palavra de Deus.

Somente através dela, conseguiremos combater a onda de espiritualismo que invadiu a Igreja no Brasil, em detrimento da verdadeira espiritualidade.

Aguardo a segunda parte do artigo!

Um grande abraço!

Pr. Carlos Roberto

Paulo Silvano disse...

Caro Gutierres,

Parabéns pela postagem. Acredito que um dos melhores ensinos acerca do que seja espiritualidade pode se depreender na parábola do fariseu e do publicano - Lucas 18:9-14. Lá Jesus conta que o fariseu e o publicano subiram ao templo para orar. Em sua oração o religioso fariseu, que “orava de si para si mesmo”, se julgava espiritual porque seguia rigorosamente as práticas que professava. Por sua vez, o rejeitado publicano clamava e não se sentia digno nem mesmo de levantar o olhar para o céu. No entanto, Jesus afirma que o publicano desceu para sua casa justificado, enquanto o fariseu não.
Essa parábola ensina-nos que espiritualidade é atributo daquele que se aproxima do perfeito Deus e descobre que tem mais fraquezas a confessar, que virtudes a realçar. Ser espiritual não é apenas professar uma ortodoxia ou apenas se postar como religioso, usando determinado manequim denominacioal. Ser espiritual, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, é a disposição de atrever-se aproximar da santidade de Deus mesmo sabendo que a nossa treva será revelada, quando exposta ao resplendor da Sua verdade.

Um abraço,
Paulo Silvano

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

A paz do Senhor a todos e obrigado por vossas participações!

Lucimauro,
Infelizmente essas formas de medição de espiritualidade criam crentes imaturos e longes da essência do evangelho. Concordo que falta orientação aos membros das igrejas referente à práxis cristã, levando cada um a seguir suas idéias, sejam elas libertinas ou legalistas.

Pr. Carlos Roberto,
Essa é a nossa grande necessidade: equilíbrio. Os extremos são sempre perigosos para aqueles que querem seguir o evangelho. Recomendo a todos a obra “Cristianismo Equilibrado” do pastor anglicano John Stott, publicada no Brasil pela CPAD.

Pr. Paulo Silvano,
Realmente, quanto mais espiritual é o homem cristão, mas consciente de suas fraquezas ele será e pedirá ajuda do Espírito Santo para trabalhar nessas fraquezas.

Ednaldo disse...

"Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido." (1Co 2:14-15)

Vou me manifestar, não aguentei esperar, o grande problema com a espiritualidade evangélica, seja pentecostal ou não, é o que Paulo diz, que o espiritual não discernido, ou julgado, ou feito caso. Porque para se ser espiritual primeiro deve-se ser espiritualmente vivo, falo como calvinista, regenerado pelo Espírito.

Hoje não por falta, mas por escassês de mensagens realmente evangélicas. Muitos vão aos cultos apenas para terem massageados os seus egos, por algum super pregador.

Muitas vezes sofremos da sindrome de Samuel olhando apenas para o exterior e daí tirando nossas conclusôes, "pentecostal que não faz barulho tá com defeito de fabricação", hoje olhamos para o exterior e dizemos se a pessoa é espiritual ou não. Primeiro essa frase de efeito para levantar a multidão e encher o ego do pregador, trás implicações teológicas que beiram a blasfêmia, quem "fabrica" o pentecostal? o Espírito de Deus certo? então o Espírito de Deus cometeu um erro? E o que é pior passa-se isso adiante porque foi o grande pregador que disse.

A verdadeira espiritualidade provém de uma vida de comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo,
é o fruto do Espírito abundando em nossa vida, é uma fé operosa.

Minha esposa conta um caso que aconteceu na epóca em que ela congregava na AD, uma irmã que era desconsiderada pelos irmão legalistas porque gostava de "enfeitar-se" um pouquinho mais, certo dia um demônio se manifestou e nenhum dos "santos" conseguia expulsar, então essa irmã se aproxima e apenas sussura "sai em nome de Jesus" e o demônio saiu, quem era espiritual?

Ednaldo.

Gutierres Siqueira, 19 anos disse...

Realmente Eduardo. A aparência, a performance e a estética são super-varizados em uma falsa espiritualidade, que esquece da essência do evangelho e busca um piedade sem bases na Palavra escrita; desbocando em um legalismo anacrônica, sufocante e anti-bíblico.

VAGNER MALHEIROS disse...

A Paz do Senhor Jesus Cristo, irmão Gutierres,

Este é um texto que reflete a eqüidade cristã, algo tão escasso em nossos dias... minha oração é que o Pai Eterno levante anunciadores do Evangelho genuíno, que mostre com atos e palavras como ser igual a Cristo.
Continue nesta tua força ...
Um abraço.

Lukas disse...

Ola a paz do Senhor.

ótimo post.


concordo com o irmão lucimauro .

tb vejo muitos por ai dessa mesma forma, acho que pensamos do mesmo jeito gutierrez.

sou novo na blogosfera criei um blog pouco tempo , apesar de ja tinha um site oficial , porem cancelei e criei um blog.

por aqui tem muitos dessa mesma espessura o que importa é ser espiritual, não sabe nada de biblia , mais é um espiritual fanatico.

sou liberal em certas areas como costumes etc... mais radicalizar como muitos aqui fazem não. isso nunca.

muitas das vezes alguns irmãos daqui da cidade e de outras tb quando veem algum irmão da propria igreja fazendo algum como por exemplo mulher andar de calça , eles começam a falar muitas coisas fora de questão...

"Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor." corintios 14:37.


se quiser visitar meu blog

www.realidadecrista.blogspot.com

na paz amado irmão gutierrez sempre passei por aqui esperando a parte2 desse artigo.

Anônimo disse...

“Portanto, irmãos, exorto-os em vista das misericórdias de Deus, que se ofereçam a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável, que é seu culto espiritual”.
“E não se deixem se amoldar segundo o padrão desta era má, mas prossigam transformando-se mediante a renovação de sua mente, para que experimentem qual se já a vontade de Deus, a saber, aquilo que é bom, agradável e perfeito”.

Como nasce o amor?
Miriam Brandão publicou no recanto das letras o seguinte verso:
“O amor nasce dos gestos, do olhar sereno; Do riso faceiro solto, galopando no vento. Nasce na simplicidade do momento, vontade em estar junto ou em pensamento. Nasce na cumplicidade dos parceiros. Trocas s/ cobranças, entrega plena no acasalamento. Olho no olho toque que tonteia.
Nasce das verdades escondidas, reveladas através do olhar. Nada é preciso dizer, quem ama não consegue esconder... amor nasce, qual nossa parte? Vivê-lo, sem medo!”.

Paulo inicia essa exortação ligando-a a do versículo 1-11, a tudo que ele falou anteriormente, como um tratado, um mapa do tesouro, ou seja, até aqui caminharam, mas o “X” da questão é agora do cap. 12-16.

Nestes dois versículos o apóstolo revela o segredo de encontrar relacionalmente, o amor de Deus. Entretanto, esse amor não se revela, se nos entregarmos a ele em partes, essa entrega deve ser total, pois Paulo nos remete ao sacrifício no templo:
Sem defeito;Observado.
Cevado;
As primícias;
Esse contexto é óbvio em Rm. 6. 11-14; resumindo-o, tornando a ligação das palavras serem manifestas conscientemente, o que eu não abro mão.
Em Fl. 1.20b paulo diz:

“antes com toda ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte”.

Paulo alcançou uma estatura de varão perfeito para Deus que a morte nele é sua “serva”, não por questão de demonstração com poderes espirituais, mas para alcançar outros e agradar a Jesus.

Paulo assim prossegue, definindo o sacrifício:
1º: deve ser vivo; ou seja, o seu interior está procedendo conforme a nova vida que Deus deu. A vida de Deus dentro de nós produz o 2º aditivo do corpo como sacrifício a Deus, santidade, conseqüentemente, somos aceitos por Deus, assim sendo, Ele nos dá condições para sermos agradáveis aos seus olhos, o 3º elemento. Pois o culto já não é feito em templos, eu sou o culto de Deus, é onde Ele habita a partir da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

A consagração irrestrita: mente, vontade, palavras e atos, tudo que temos e o que façamos são para Deus, nada menos! Prestar este culto ( o adorador) é a lógica de Deus, pertence a Deus (o ser adorado).
Eu não sei o que você imagina ser espiritual, mas sua perspectiva deve passar pelo crivo das sagradas escrituras, sempre! Parabéns pelo texto. Elton.

diacono Humberto Almeida disse...

muito bom artigo.
Diacono Humberto Almeida (Portugal)