Pastor Geremias do Couto é escritor, conferencista, autor do livro A Transparência da Vida Cristã (CPAD), comentarista da revista Lições Bíblicas para a Escola Dominical, presidente da Omega Mission Ministry, Inc, membro da Casa de Letras Emílio Conde, editor pela CPAD da Bíblia de Estudo Pentecostal, verbete do Dicionário do Movimento Pentecostal e Coordenador Nacional do projeto Minha Esperança - Brasil, da Associação Evangelística Billy Graham. Na área acadêmica tem formação em Comunicação Social; possui bacharel em teologia pelo IBAD e mestrado pelo Gordon-Conwell Theological Seminary.
Nessa entrevista, o pastor Geremias do Couto fala uma pouco sobre o projeto Minha Esperança Brasil e o lançamento do seu futuro livro sobre cosmovisão cristã.
01. Blog Teologia Pentecostal: Como se iniciou o projeto Minha Esperança no mundo?
Geremias do Couto: O projeto Minha Esperança é o resultado de uma reunião entre líderes evangélicos da America Latina e a Associação Evangelística Billy Graham, ocorrida em 2002, quando se discutiu qual seria a forma mais eficiente de se alcançar todo um país, de uma só vez, com a mensagem do Evangelho. Esse foi o ponto de partida para um projeto que já foi realizado em mais de 40 países no mundo, com mais de nove milhões de decisões por Cristo.
02. Qual a diferença ou ineditismo do projeto em relação a outras campanhas da Associação Evangelística Billy Graham?
O forte da Associação sempre foram as cruzadas evangelísticas. Elas cumpriram, ainda cumprem, um papel histórico na evangelização mundial. Mas seu alcance é bastante restrito, pois se realiza sempre no âmbito de uma cidade e depende do comparecimento das pessoas ao estádio, alcançando um número reduzido de pessoas.
Com o Minha Esperança é diferente. Em parceria com as igrejas evangélicas, elas são desafiadas a treinarem os seus membros para que sejam Mateus e abram os seus lares para os seus amigos, parentes e vizinhos, tal qual o discípulo de Cristo que, após converter-se, abriu o seu lar, convidou os amigos e estes puderem ouvir a mensagem do próprio Jesus.
Em nosso caso, serão milhares de mini-estádios espalhados pelo Brasil em que cerca de 10 milhões de pessoas assistirão as transmissões dos três programas de Minha Esperança, pela Rede Bandeirantes, às 21:00hs, horário de Brasilia, nos dias 6, 7 e 8 de novembro. Quantos Maracanãs seriam necessários para abrigar esse povo? Assim, o Minha Esperança, pelo seu alcance, é muito mais efetivo como instrumento de evangelização.
03. Como tem sido trabalhar com as mais diversas denominações?
Tem sido uma bênção. Encontramos as portas abertas e um interesse profundo pelo projeto. As lideranças, de modo geral, estão compreendendo que o Minha Esperança é uma ferramenta que ajudará, inclusive, a restaurar o papel da evangelização na igreja local, hoje muitas vezes colocado em plano secundário para dar lugar apenas às mensagens motivacionais. Temos cerca de 40 denominações envolvidas, com cerca de 90 mil igrejas comprometidas e mais de um milhão e 180 mil lares projetados em todo o país.
04. Nessa fase pré-programa, as expectativas têm sido atendidas?
Sem dúvida. Distribuímos cerca de um milhão e cem mil kits Mateus. Hoje já não dispomos de mais materiais, de maneira que as "igrejas da última hora" estão sendo orientadas a baixar o material do nosso website: http://www.minhaesperanca.com.br/. Teremos, com certeza, a maior colheita de almas da história do nosso país.
05. O senhor, juntamente como o pedagogo e teólogo César Moisés de Carvalho estão escrevendo uma densa obra sobre cosmovisão cristã, que contextualiza com a realidade brasileira. Quais são os temas que serão destaques no livro?
Estamos tratando de como expressar a nossa fé no mundo contemporâneo. Igreja, Ciência, Política, Educação, Artes, Cultura e outros temas estão sendo correlacionados e mostrados à luz da cosmovisão cristã, em linguagem acessível a todos, mas que atenda também ao público acadêmico em geral. É uma tarefa gigante, que está sendo construída passo a passo, com a ajuda de Deus. Esperemos concluí-la nos próximos meses para que venha à lume em 2009.
06. O senhor foi editor da famosa obra E agora, como viveremos? de Charles Colson e co-autoria de Nancy Pearcey. Os autores defendem a aplicação de uma cosmovisão cristã na sociedade secularizada em que temos vivido. O livro fez sucesso e hoje é adotado inclusive em cursos de mestrado. Seria a aplicabilidade da cosmovisão cristã na sociedade é dos maiores desafios da igreja brasileira?
Acredito que sim. Por várias razões, ao longo dos anos, construímos uma visão dicotômica da vida cristã. Nossa expectativa é o céu e não temos nenhum compromisso em influenciar o mundo no qual vivemos, pois, como disse alguém, tudo vai de mal a pior. Mas não é bem isso que encontramos na Bíblia. Ela nos aponta para uma fé que não se aliena, mas participa, influencia e vê a vida não de forma departamentalizada - vida cristã, vida secular - mas como um todo, onde cada ato nosso repercute no ambiente em nos expressamos. Ou seja, esse é o nosso grande desafio desta era.
07. "Um livro que não fica em pé não presta", já dizia um escritor prolixo. Quais são os maiores desafios de escrever uma volumosa obra, sem cair no academicismo incompreensível, nem na redundância desnecessária e ainda despertar o interesse do público ledor brasileiro?
Eu diria que este é um trabalho doloroso. É como um parto. O nosso desafio, entre outros, tem sido dosar a nossa linguagem para não caírmos no "academicismo imcompreensível", mas também não vulgarizarmos o texto e ele se torne conceitualmente fraco pela pobreza da linguagem. Precisamos das orações de todos e compreensão se, em algum ponto, não conseguirmos alcançar essa meta.
08. Quais são os pensadores cristãos que mais influenciam a construção de pensamento da obra?
Abraham Kuyper, Francis Shaefffer, Charles Colson, Nancy Pearcey, John Piper, C.S. Lewis, Norman Geisler, entre outros.
Leia também:
Entrevista com Silas Daniel, editor do Jornal Mensageiro da Paz. http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/01/entrevista-com-o-pastor-silas-daniel.html
Entrevista com Ciro Sanches Zibordi, autor do livro Erros Que os Pregadores Devem Evitar.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/07/entrevista-com-o-pastor-ciro-zibordi.html
Entrevista com Isael de Araújo, autor do Dicionário do Movimento Pentecostal.
http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/12/entrevista-com-o-pastor-isael-de-arajo.html
