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sexta-feira, 29 de maio de 2009

A importância da Santa Ceia

Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas soluções

Ordenança ou sacramento, Santa ceia ou ceia do Senhor?

A primeira observação sobre esse assunto parte dos diversos termos criados para descrever a Ceia do Senhor. Comumente no meio pentecostal, esse rito é chamado de Santa Ceia, dando um caráter mais sacramentalista para o cerimonial. Mesmo que os pentecostais insistam na tese verdadeira de que a Ceia é somente uma ordenança simbólica, os mesmos não perdem o hábito de sacralização do conceito. Portanto, não deixa de ser uma contradição defender o conceito de ordenança em detrimento de sacramento, enquanto se usa a expressão Santa Ceia em lugar de Ceia do Senhor.

A terminologia foi mudando no decorrer dos séculos. O termo usado por Paulo é kyriakon deipnon, isto é, Ceia do Senhor (I Co 11.20). Posteriormente no Didaqué  (9.1.5) a expressão “eucaristia” foi incorporada. Em Diogneto 12.9, a Ceia ficou conhecida como a pascha (páscoa cristã). Séculos depois originou-se o conceito de missa, ou seja, um “sacrifício contínuo de Cristo”.

Os sacramentalistas radicais, que estão presente na teologia católica, por exemplo, defendem que a Ceia do Senhor transmite uma “graça interior e espiritual”. O que seria isso? Para muitos, a Ceia transmite a graça salvadora ou libertadora. No meio pentecostal, esse equivoco também é presente, quanto muitos atribuem a Santa Ceia (sic) a transmissão de uma unção especial ou até mesmo poder de cura.  Portanto, entre os pentecostais há muitos sacramentalistas radicais.

Não importa se os protestantes usam o termo “ordenança” ou “sacramento”, o mais importante é que cada um entenda que a Ceia do Senhor não transmite graça salvadora. A graça é graça, que vem pela fé em Cristo Jesus, e não em um ritual cúltico, por mais importante que ele seja.

Nós assembleianos herdamos muito da eclesiologia batista, por isso não adotamos nem batismo infantil, nem o termo sacramento. Isso mais por tradição, do que convicção irrestritamente bíblica (processo natural em questões que envolvem o denominacionalismo). Mesmo assim, cabe aqui reproduzir um texto da Confissão de Fé Batista de 1689, que descreve bem um resumo sobre a Ceia nos moldes assembleianos e naturalmente batistas:

Trecho do capítulo 28 da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689

A ceia do Senhor Jesus foi instituída por Ele, na mesma noite em que foi traído, para ser observada nas igrejas até o fim do mundo; a fim de lembrar perpetuamente e ser um testemunho do sacrifício de sua morte;  para confirmar os crentes na fé e em todos os benefícios dela decorrentes; para promover a nutrição espiritual e o crescimento deles, em Cristo; para encorajar o maior engajamento deles em todos os seus deveres para com Cristo; e para ser um elo e um penhor da comunhão com Ele e de uns com os outros. (...)

Nesta ordenança Cristo não é oferecido ao Pai, nem qualquer sacrifício real é feito, para remissão do pecado dos vivos ou dos mortos. A ceia é apenas um memorial do sacrifício único que Cristo fez de si mesmo, sobre a cruz e de uma vez por todas;  é também uma oferta espiritual, de todo o louvor que é possível oferecer a Deus em reconhecimento ao sacrifício feito por Cristo. O sacrifício católico-romano da missa (como é chamado) é totalmente abominável e uma injúria ao sacrifício pessoal de Cristo, que é a propiciação única por todos os pecados dos eleitos (...)

No cumprimento desta ordenança, o Senhor Jesus determinou que seus ministros orem e abençoem os elementos, pão e vinho, separando-os do seu uso comum para uso sagrado. Os ministros devem tomar e partir o pão; tomar o cálice e, participando eles mesmos desses elementos, dá-los também, ambos, aos demais comungantes (...)

Negar o cálice ao povo; adorar os elementos; levantar ou carregá-los perante o público, para adoração; e guardar os elementos para qualquer outra finalidade supostamente religiosa: tudo isso contradiz a natureza desta ordenança, bem como a intenção de Cristo ao instituí-la (...)

Os elementos exteriores desta ordenança, devidamente consagrados para os usos que Cristo ordenou, possuem uma correlação com Cristo crucificado. De fato, embora os termos sejam apenas usados figuradamente, às vezes eles são chamados pelo nome das coisas que representam, isto é, o corpo e o sangue de Jesus Cristo, 7 se bem que, em substância e em natureza, continuem sendo apenas pão e vinho, como eram antes (...)

A doutrina que ensina uma mudança de substância no pão e no vinho (que supostamente se transformam na substância do corpo e do sangue de Cristo pela consagração por um sacerdote, ou por qualquer outro modo), comumente chamada de doutrina da transubstanciação, não somente é repugnante à Escritura,mas também ao senso comum e à razão. Ela subverte a natureza desta ordenança, tendo sido, e é, a causa de muitas superstições e de grosseiras idolatrias (...)

De fato e em verdade, os que recebem exteriormente os elementos desta ordenança, desde que comungando dignamente, - pela fé, não de maneira carnal ou corporal, mas espiritual - recebem a Cristo crucificado e dEle se alimentam, bem como todos os benefício de sua morte. (...)

As pessoas ignorantes e ímpias, visto não estarem propriamente adequadas para desfrutar da comunhão com Cristo, são, portanto, indignas da mesa do Senhor, e não podem tomar parte nestes santos mistérios, nem a ele serem admitidas 12 sem que cometam um grande pecado contra Cristo. Qualquer que comer do pão ou beber do cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor, comendo e bebendo juízo para si (...).

7 comentários:

Matias disse...

Realmente há interpretações variadas sobre a Ceia, que vão desde o sacramento que transmite graça (Católico), ou sacramento onde pão e vinho transformam-se em corpo e sangue de Cristo(católicos, luteranos) e meramente sacramento simbólico (calvinismo). Aliás era sobre a Ceia que havia discórdia entre os reformadores alemães e suiços. Hoje há um certo misticismo em torno da ceia na mente de muitos frequentadores de igreja evangélica (independente da denominação). Basta questionar: por que em dias de Ceia a igreja fica lotada e em outros não?
Abraço,
Matias H.

Clóvis disse...

Gutierrez,

Muito oportuno o tema e bastante interessante.

Creio que a posição de Calvino, que de certa forma é um meio termo entre as posições de Zwinglio e Lutero, é a que melhor representa o ensino bíblico.

A consubstanciação de Lutero vai além, o mero simbolismo de Zwinglio fica aquém, a presença espiritual de Cristo, é o ponto de equilíbrio.

Quanto a terminologia, sem querer ser normativo, prefiro as expressões bíblicas. Assim, ceia do Senhor é mais apropriado que Santa Ceia, embora eu entenda a Ceia como um meio da graça.

A propósito da atitude do participante na ceia, escrevi Dois homens e a Ceia do Senhor.

Em Cristo,

Clóvis

Edmilson disse...

É impressionante como se vê divergências nesse assunto. Como a igreja, principalmente a liderança, pois são eles que ministram a ceia, tem conceitos errados sobre o tema. Muitos obreiros falam de uma forma, mas na prática fazem outra.

Um dos maiores erros, largamente difundido pelo Brasil afora, é ilustrado nos inúmeros "testemunhos" de pessoas que participaram da "Santa Ceia" e morreram porque a tomaram indignamente. Ah! não esquecendo da devolução que esses mortos fizeram: vomitaram-na. Depois de mortos!!!

É lastimável!!

Clébio Lima de Freitas disse...

Gutierres,

Muito boa a sua iniciativa de trazer subsídios para as lições bíblicas, eu mesmo venho sempre acessar seu blogue para ler suas colocações. Que Deus continue te levantando para que você seja um mestre! Muito inportante sua colocação sobre a espiritualização exagerada que se faz no meio assembleiano sobre a Ceia do Senhor. À vezes há o hábito entre os casais de ficar duas semanas afastados um do outro antes da Ceia que geralmente é mensal. Outros não tomam a Ceia por qualquer coisa não se valendo do poder do sangue de Jesus que pode nos perdoar os pecados. São muitos os problemas que precisam ser resolvidos no nosso meio e essa revista veio mesmo pra quebrar muitos conceitos errados entre os assembleianos.

Em Cristo,

Clébio Lima de Freitas
clébiolima.blogspot.com

Victor Leonardo Barbosa disse...

Concordo com o irmão Clóvis.

A posição de Calvino é a mais bíblica de todas. A ceia não é um meio de graça salvífica, mas por certo é um meio de graça no sentido de Deus derramar suas copiosas bençãos no meio da comunidade cristã.

Um forte abraço Gutierres!

Victor Leonardo Barbosa disse...

tah on-line mano?
rsrsrs

Tiago Lima Trinidad disse...

Olá Guitierrez,
A sua concepção de sacramento é estranha. Pois diz que tem uma visão sacramental da mesma mas que esta não confere graça, relativizando a definição do mesmo. Pois todo sacramento, pela graça, traz o perdão de pecados, desperta e confirma a fé.

Se ao fazemos isto de forma incorreta comemos e bebemos para nossa condenação (1 Cor 11:29), por que quando feito de forma piedosa não comeríamos e beberíamos para a salvação?

Se a fé remove montanhas não temos porque pensar diferente na hora que Jesus nos diz que o pão e vinho são Seu corpo e sangue que se fazem presentes (1 Cor 11:29). Isto devido a que o próprio Senhor nos revelou disse que devemos comer de Sua carne e beber do Seu sangue, que são verdadeiramente comida e verdadeiramente bebida (João 6:55). Cremos na presença verdadeira do Cristo nas espécies e na comunhão e graça decorrente disto (João 6:56-7), em confiança na Suas palavras.

Paz em Cristo Jesus.