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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ensine civilidade, deixe o discernimento para o ouvinte!

Quando escrevi o texto Marina Silva: entre extremistas e realistas, eu afirmei: “Uma igreja pode até falar em voto consciente e nos ensinar civilidade, mas NUNCA INDICAR EM QUEM VAMOS VOTAR”. Mediante essa afirmação, o irmão Cléber, do blog Confraria Pentecostal, perguntou:

E o que você acha do pastor dizer em quem NÃO votar? Se o pastor vê que algum candidato está apoiando coisas contrárias a fé cristã, ele deve se calar? Ele deve instruir de acordo com a Bíblia ou deve calar-se em nome do politicamente correto?

Resposta: Veja bem, os principais políticos do Brasil sempre defenderam “coisas contrárias à fé cristã”. Então, como selecionar? Serra e Dilma nunca falaram, mas certamente são a favor do casamento homossexual e da liberação do aborto. E aí? Ah, a Marina Silva é contra. Sim, mas um homem forte do seu futuro governo seria Fernando Gabeira, conhecido defensor dessas bandeiras de “minorias”. Então, existe opção? Como, por exemplo, um pastor poderá condenar os nomes de Dilma e Serra sem citar Gabeira?

Exemplo de campanha contrária sem resultado

Na última eleição para a prefeitura de São Paulo houve uma intensa campanha contra a candidata petista Marta Suplicy no âmbito das Assembleias de Deus. Motivo? Ela era a candidata defensora dos gays. Mas e o Gilberto Kassab? O prefeito que não recebeu críticas da denominação também é um grande defensor dessas minorias. Não é à toa que a Parada do Orgulho GLBT tem amplo apoio da prefeitura paulistana. Entre os dois eu escolhi um, mas não pelos valores morais que esse defendia, e sim por questão de gestão administrativa. Apesar da campanha contrária, ouvi de muitos crentes que iam votar na Suplicy pela promessa espetaculosa de internet grátis para toda a população.

O Brasil não é igual aos Estados Unidos. Lá é possível escolher um candidato pelas bandeiras morais (ou até um partido). Aqui nunca foi assim. É claro que alguns partidos, como o PT e o PC do B, agregam mais militantes de “minorias”, mas em todos os demais aglomerados políticos há quem defenda esses “direitos”. Poucos lembram que o primeiro deputado federal assumidamente homossexual, Clodovil Hernandes, foi eleito em 2006, pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC). No Brasil é assim, pois não existe ideologia na política quando o projeto é de poder. Aliás, a ideologia é usada quando ajuda a aumentar o poder.

Há políticos moralmente conservadores? Sim, mas são poucos. Talvez o mais famoso seja o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que se candidatou à presidência pelo PSDB em 2006. Segundo reportagem da revista Época Alckmin é ligado à Opus Dei, grupo altamente conservador do catolicismo romano. Mas mesmo sendo conservador é mais bíblico? Aliás, existe um candidato que represente a cosmovisão cristã? Eu acho que o último foi holandês Abraham Kuyper, no início do século XX.

Então, o que fazer?

Diante das contradições da política nacional, como um pastor pode falar em quem o membro pode votar ou em quem ele não deve votar? É melhor ensinar princípios de civilidade. Mostrar que é possível escolher o “menos pior”. Ensinar a boicotar partidos que apresentem projetos autoritários. Ou seja, o caminho passa pela educação. Educar não é distribuir peixes, mas sim ensinar a pescar.

O pastor deve enfatizar que um cristão não apoia o “rouba, mas faz” e nem se compromete com ideologias que justificam ditaduras e que bajulam islâmicos antissemitas. O crente, também, não compactua com “jeitinhos” e outros vícios como o patrimonialismo, o fisiologismo, o messianismo, o populismo demagógico, etc. Quer apostar como muitos candidatos evangélicos são viciados em todos esses pecados?


Portanto, ensine civilidade e deixe o discernimento para quem ouve você. Não faça a escolha por ele.

2 comentários:

Cleber disse...

Gutierres,
fico feliz que minha provocação tenha dado origem a esse post.

Pensamos de forma muito similar.

Pr Cleber.

jurandir alves disse...

Hey Gutierres

Realmente e racional deixar as pessoas escolherem a partir de dados e informacoes que as permitam fazer comparativos e analises. Se acham que devem dizer em "quem nao votar", mostram sinal claro em subestimar a inteligencia do eleitor. Isto e corrupcao da democracia nao acha?
abracos fraternos irmao!!!