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quarta-feira, 5 de maio de 2010

O falso intelectualismo e as suas babaquices

Nas igrejas pentecostais nasce a cada dia uma consciência da necessidade de se estudar mais e mais. Seja a Bíblia na leitura devocional, seja a teologia no seminário ou um curso “secular” nas diversas faculdades do país, os crentes estão buscando um pouco mais de conhecimento. Agora, infelizmente alguns acham que a leitura de três ou quatro livros os fazem intelectuais. Há uma proliferação de falsos estudiosos que repetem bobagens com ar de sabedoria. Entendem errado e ensinam errado. Alguns mal sabem interpretar um texto de jornal e se acham exegetas das Sagradas Escrituras. O falso intelectualismo é uma praga que distorce a verdade.

Exemplos não faltam. Todos nós estamos preocupados com a aprovação da PL 122/2006, a lei que condena a homofobia. Estamos preocupados não porque aceitamos a violência contra o homossexual, mas sim que uma lei produza o chamado “crime de opinião”. Ora, ser criminalizado por não concordar com o homossexualismo é um fascismo atualizado. Pois bem, cientes desses desvios ouvimos espantados a interpretação de alguns. Crentes “informados” estão espalhando pelas igrejas que se essa lei for aprovada os pastores serão obrigados a casar casais gays. Isso não existe. A lei é ruim e autoritária, mas não chega a tanto. Os pseudos entendidos sempre apelam para o sensacionalismo.

Outro exemplo. Os desastrados estudiosos gostam de citar palavras bonitas que nem eles entendem. Certa vez participei de uma cruzada em que o líder dizia mais ou menos assim: “Estamos nesse evento apologético pedagógico para a evangelização do bairro”. Alguém entendeu? O que as palavras “apologética” e “pedagogia” têm a ver com uma cruzada evangelística? Assim citam inúmeras palavras que não apresentam nenhuma ligação com a ideia repassada na frase.

E os especialistas em escatologia? Esses são os piores. Sempre bem “informados” eles aparecem com um notícia bombástica que certamente leram na internet. Já ouvi de um pregador que o anticristo já nasceu e está escondido por uma seita satanista em algum ponto da Europa. Que informação privilegiada, hein? Falam com tanta convicção que os novos convertidos ficam perdendo tempo com os argumentos desses especialistas em coisa alguma.

O intelectualismo profundo como um pires de alguns é uma consequência direta da educação brasileira. Boa parte da população não sabe interpretar um simples texto. O número de analfabetos funcionais é espantoso. Assim, pessoas incapazes de entender um parágrafo se tornam especialistas na Bíblia e no ensino teológico. Outro agravante é que os evangélicos leem pouco. Leem pouco a Bíblia, comentários, tratados teológicos, mas se emporcalham com livrecos de autoajuda de quinta categoria. E assim se acham a última bolacha do pacote.

Estudar é preciso. Mas é necessário uma boa base. Como fazer uma faculdade aquele que praticou um péssimo ensino médio? Como estudar teologia e suas línguas originais quando não se conhece nem o vernáculo pátrio? É muito complicado. É preciso transformar a educação deste país e da igreja tupiniquim.

4 comentários:

Elton Morais disse...

Até pelo jeito de falar, você nota que uma pessoa é um "pseudo-intelectual".

Ótimo texto.

Em Cristo,
Elton Morais

Pr. Severino Ramo. disse...

O que me chama a atenção são os “decorebistas” de turno, que memorizam mal uma porção de textos que muitas vezes estão fora do contexto e são eles ovacionados como mestres ou doutores do conhecimento, quando na realidade deveria tentar ser eles bons alunos, para que pudessem falar como Paulo em 1 Co 11:1 Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.
Gosto de ouvir mestres e doutores, mas que os tais sejam cheio do Espírito Santo e de sabedoria, pois estes são sempre humildes e poderosos nas suas palavras.

Thayafrican disse...

Otimo artigo!

Realmente incomoda bastante a presença de falsos intelectuais ministrando em nossas igrejas, mas, o que mais me deixa decepcionada e ver os nossos lideres cedendo os seus púlpito para seres famosos porém desconhecidos, que falam enrolações atráz de enrolações. Não importa se os mesmos são doutores em sei lá o que... Fico abismada com tanta pregação que não prega Cristo. Falam difícil demais para os que pouco entendem (estes se imprecionam), não dizem nada para os que são capazes e peceber que tudo não passa de uma orátoria ensaiada e um aglomerado de palavra decoradas, e finalmente, a muita gritaria e ninguém é edificado.

Lamentável.

Meu Cantinho Missionário
www.thayafrican.blogspot.com

Eduardo Sousa disse...

Ótimo texto. Sou aluno de um curso de Bel. em Teologia e tenho visto muitos destes por lá. Alguns acham até que podem aferir seus conhecimentos pelo tamanho de sua biblioteca.
www.ensinadorcristao.com.br