Pesquisar este blog

Carregando...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Lição 10 - O Valor da temperança

SUBSÍDIO PREPARADO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD


Leitura Bíblicaem Classe
Jeremias
35.1-5, 8, 18, 19


Introdução
I. A origem dos recabitas
II. O estilo de vida dos recabitas
III. O exemplo dos recabitas


Conclusão


TRADIÇÃO: UMA ABORDAGEM EQUILIBRADA

O pós-modernismo é considerado, por alguns estudiosos, um tempo que marca a transição do modernismo para o tempo pós-industrial. Suas características são conhecidas pelas tentativas de desconstruções e relativizações com temas que supostamente eram inquestionáveis. As influências pós-modernas abrangem várias esferas, e uma delas que iremos abordar é a linguística.

Algumas palavras sofreram alterações ou influências normais ao longo dos séculos como, por exemplo,
Anátema, que anteriormente era designada como coisa consagrada a outro deus de acordo com o contexto hebraico, mas o uso de acordo com o contexto helênico designou um objeto de maldição[1]. Hoje é impossível alguém atribuir outro significado, ao termo anátema, que não seja maldição. O progresso linguístico em qualquer vernáculo é natural e necessário. Diagnosticando o desenvolvimento da sociedade, é preciso que o vocabulário acompanhe-o naturalmente.

Os termos bíblicos fazem parte da língua nativa de cada povo que tem uma tradução disponível em seu idioma. E é comum que o exercício da pregação utilize essa língua para comunicar verdades reveladas. Nesse momento, esse exercício é representado por uma carga semântica local e vivencial do povo que faz uso de sua língua nativa.

É nesse contexto que se deve refletir até que ponto a palavra da língua nativa sofre um progresso natural do desenvolvimento do vernáculo nativo ou sofre um “preconceito linguístico” como resultado da desconstrução e relativização do pós-modernismo.

Uma das palavras-chave da presente lição é
Tradição. Ela se acomoda perfeitamente no desenvolvimento preconceituoso da semantização que ela propõe hoje. As pessoas não se sentem a vontade ao ouvir a ideia de retorno à tradição ou o convite à conservação da tradição deixada pelos antigos. Veja o que os principais dicionários falam acerca do significado do termo tradição:

“Ato ou efeito de transmitir ou entregar; Conjunto dos valores morais, espirituais etc., de uma geração para outra”.
[2]

“A palavra grega paradosis ocorre 13 vezes no NT e é usada no sentido de um ensino que é transmitido de uma pessoa ou grupo para uma pessoa ou grupo.” [3]

Paradosis (gr.) condução para baixo, transmissão à geração seguinte ou condução em passagem seguinte, passagem adiante, transmissão denota tradição, e, consequentemente, por metonímia: os ensinos dos rabinos (Mt 15.2,3,6); os ensinos apóstolicos (1 Co 11.2), podendo aludir a doutrina cristã em geral para afirmar a autoridade divina”[4]

As definições apresentadas demonstram a semantização do termo em referência a conservação, permanência, continuidade e defesa dos ensinamentos adequados para uma comunidade. E no caso da igreja de Cristo, o exercício da irreversibilidade dos padrões ensinados por Cristo deve ser “o sonho de consumo” de cada crente.

Para discutir o real problema pejorativo do termo tradição, precisa-se primeiramente conceituar e buscar na sua origem o que os primeiros teóricos quiseram dizer com esse termo, conforme fizemos, anteriormente, de acordo com a esfera cristã. Porém, é preciso também entender o contexto histórico que a igreja se encontra hoje. No caso do Brasil, há um movimento permanente contra as formas instituicionais estabelecidas e um sentimento de procura de “libertação” de qualquer instituição. Há uma crise instalada nas instituições brasileiras, sejam elas políticas, sociais, privadas ou até religiosas. Isso denota naturalmente o esfriamento de qualquer perspectiva sustentável em relação à relevância das instituições.

Os principais movimentos de influências globais do pensamento (Renascentismo, Iluminismo, Revolução Francesa, etc) levaram a ideia ao extremo da desconstrução do absoluto e tudo o que denota o estabelecimento da verdade. Os termos Conservadores, Fundamentalistas ou Tradicionais são permanentemente enxovalhados por uma onda de “pensamentos libertadores” que estão dispostos a resolver as crises institucionais estabelecendo a anarquia. Mas o que é Tradicionalismo ou Conservadorismo? A resposta a essa pergunta vai depender dos pressupostos que os seus proponentes carregam em suas cosmovisões.

É claro que o extremo, como houve no tempo de Jesus, da tradição segundo o sentimento humano, foi opressor e manipulador. Nesse contexto a tradição não trazia a cura da alma, sendo uma realidade frustrante em muitos arraias ainda hoje. Jesus e os apóstolos sentiram isso na pele. Mas esse sofrimento não influenciou em nada o entendimento dos primeiros discípulos na cultivação sadia dos princípios ensinados pelo
seu Senhor, conforme nos relata John Stott: “Lemos que imediatamente depois do Dia de Pentecoste, os crentes cheios do Espírito estavam unânimes todos os dias no Templo, partindo o pão em casa, At 2.46. Assim, eles não rejeitaram imediatamente a igreja institucional” [5].
Sobre isso Stott continua:

Todos nós concordamos em que o Espírito Santo pode ser (e às vezes tem sido) aprisionado por nossas estruturas e sufocado por nossas formalidades. Contudo, há algo a ser dito em relação ao outro extremo. Liberdade não é sinônimo de anarquia.[6]

Justificando que nem toda tradição deve ser lançada fora, Stott sentencia:


Mas não podemos refugiar-nos na doutrina da invisibilidade da Igreja verdadeira para negar que Jesus Cristo tinha em mente que seu povo fosse visto e conhecido como tal. Ele mesmo insistiu no batismo como cerimônia de iniciação na sua Igreja, e batismo é um ato visível e público. Ele também institui a Santa Ceia como a refeição da comunhão cristã, pela qual a Igreja identifica a si mesma e exercita disciplina sobre os seus membros.
[7]


Há questões que não podem ser negociadas, como, por exemplo, a vida em comunhão de uma comunidade (congregar é uma necessidade dos salvos em Cristo para edificação de sua fé), as verdades centrais da fé (Criação, Jesus Cristo, Salvação mediante a fé, Batismo no Espírito Santo, a Volta do Senhor, etc.) só para citar algumas.

Por outro lado a igreja não pode dar ênfase só a tradição (doutrina) em detrimento do amor.
Em Apocalipse o Senhor Jesus repreende a igreja de Tiatira porque, apesar de exercer o amor e o serviço exemplarmente, tolerava os ensinos de Jezabel e relaxava com o cuidado da conservação moral daquela igreja. Porém, a igreja de Éfeso era poderosa na ortodoxia e na moral, mas foi repreendida pelo Senhor porque se afastara do primeiro Amor.

Portanto, a Doutrina distinta do Amor gera uma igreja fria e o Amor desprovido de Doutrina gera uma igreja vulnerável. É preciso que o nosso cristianismo seja equilibrado nos dias hodiernos.


Referência Bibliográfica


DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE.
Rio de Janeiro, CPAD.
DICIONÁRIO VINE.
Rio de Janeiro, CPAD.
DICIONÁRIO HOUAISS da Língua Portuguesa
. Rio de Janeiro, EDITORA OBJETIVA.
STOTT, John R. W.
Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro, CPAD.


[1] DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE. Rio de Janeiro, CPAD, p. 100.

[2] DICIONÁRIO HOUAISS da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, EDITORA OBJETIVA p. 2745.

[3] DICIONÁRIO BÍBLICO WYCLIFFE, p. 1955. O termo tinha dois significados: o primeiro se referia a interpretação oral do AT (Lei de Moisés, ensino de anciões e rabis judeus) e o segundo num sentido mais amplo onde o apóstolo Paulo usa o termo para denotar os seus ensinos (1 Co 11.2; 2 Ts 3.6).

[4] DICIONÁRIO VINE. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1030.

[5] STOT, John R. W. Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro, CPAD, p. 53.

[6] STOT, p. 49.

[7] Stot, p. 49.

Nenhum comentário: