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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ofertar é...

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Ofertar, como lembraram os amigos leitores no post do último domingo, deveria ser visto como uma forma eficaz de assistência social por parte da igreja local. Ora, é assim que o Novo Testamento encara, especialmente em textos como 2 Co 9. Ofertar é um ato de generosidade para com os necessitados. O texto é muito claro, pois ali ensina sobre a “assistência aos santos” (v. 1). Quando suprimos as necessidades alheias estamos louvando a Deus: “O serviço ministerial que vocês estão realizando não está apenas suprindo as necessidades do povo de Deus, mas também transbordando em muitas expressões de gratidão a Deus”, disse Paulo exortando os coríntios (v. 12 NVI). Paulo ainda continua: “Por meio dessa prova de serviço ministerial, outros louvarão a Deus pela obediência que acompanha a confissão que vocês fazem do evangelho de Cristo e pela generosidade de vocês em compartilhar seus bens com eles e com todos os outros”. (v. 13 NVI).

Meu Deus, como as ofertas foram resumidas à baixa burocracia eclesiástica. Como nos distanciamos do Evangelho. Enquanto o grosso das ofertas deveriam ser destinadas às obras de caridade, as igrejas evangélicas usam esse dinheiro na alimentação da estrutura organizacional pesada e cara. Conferências sem sentido, festas de egos, templos faraônicos, mimos pastorais e outros absurdos que absorvem um dinheiro com destino bíblico certo: assistência e missões. Osmar Ludovico lembra que “assim como muitos crentes estão endividados no afã de sustentar um estilo de vida superior a seus ganhos, muitas igrejas também mantêm um padrão elevado de dispêndios” [1]. Então pergunto: Por qual motivo uma igreja precisa de heliponto? Ou um estacionamento com mil vagas? As igrejas agora têm prioridade de Shopping Center? Enquanto isso as missões transculturais, a assistência social e as salas de Escola Bíblica Dominical sofrem sem recursos. Ou seja, almas sem Palavra, vidas sem sustento e convertidos sem discipulado.

Os pobres judeus-cristãos de Jerusalém precisavam de assistência. Os gentios convertidos de Acaia, ou mais conhecida como Corinto, ajudaram nessa jornada. Hoje usam esse texto para persuadir crentes à ajudarem ministérios multimilionários que dizem evangelizar a nação. Um desses tele-evangelistas, por exemplo, fez em seu último programa uma espécie de “Arquivo Confidencial”, onde várias pessoas de sua família exaltavam o aniversariante, no caso ele mesmo. Chamar isso de evangelização é palhaçada!

No mundo evangélico nem sempre foi assim

O teólogo Alessandro Rocha lembra que William J. Seymour, propagador do pentecostalismo que se iniciava no início do Século XX, encarava as ofertas como forma de assistência:

É preciso esclarecer uma diferenciação entre essa perspectiva de doação de dinheiro no pentecostalismo clássico e no neopentecostalismo. No primeiro caso, tratava-se de ofertas destinadas ao sustento da própria igreja e dos membros mais carentes; no segundo, essa prática se torna cada vez mais agressiva, e seu fim é o enriquecimento de alguns líderes e o fortalecimento de grandes corporações. [2]

Infelizmente muita coisa mudou. Os pentecostais e neopentecostais estão cada dia mais parecidos, principalmente em sua grande liderança. As ofertas são destinadas para tudo que é secundário, assim esquecem o propósito bíblico. Alguns recebem salários absurdos para as padrões de suas igrejas. Mas aí já é outro assunto [3]. O que não podemos é nos conformar com essas coisas. Deus não precisa de dinheiro, mas sim o necessitado. Só assim Deus é louvado na oferta, quando um dos seus filhos é resgatado.

Referências Bibliográficas:

[1] LUDOVICO, Osmar. Meditatio. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2007. p 157.

[2] ROCHA, Alessandro. Espírito Santo: Aspectos de uma Pneumatologia Solidária à Condição Humana. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 150.

[3] Para uma discussão sobre a relação de Paulo com o dinheiro das igrejas que ele fundou, veja em: CARSON, Donald. A Cruz e o Ministério Cristão: Lições sobre Liderança Baseadas em 1 Coríntios. 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2009. pp 154- 165.

5 comentários:

Anônimo disse...

Fico muito triste com tais acontecimentos.A egolatria passou a imperar em nosso meio. Muitos comportam-se como um "Odorico Paraguaçu" evangélico. Querem também ser bem-amados. Em minha igreja, recentemente, nosso líder comemorou 25 anos de ministério e tivemos de aguentar quase 2 horas de puro confete,e que tiveram a cara de páu de dizer que era a palavra de Deus.E a bíblia? Ah....essa ficou para o próximo culto.

Dinho disse...

Gutierrez, não sei se o irmão ja leu o livro "escandalo do comportamento evangelico", do Ronald Side, da editora Ultimato. Ele diz q apenas 6% dos evangelicos dizimam. Evangelicos que acreditam q tal mandamento ainda está em vigor. Ele diz que se os que se dizem nascidos de novo nos EUA dessem o dizimo e somnte o dizimo sem nenhuma orfeta adicional, daria para acabar com a fome no mundo e sobraria cerca de 80 a 70 bilhoes de dolares so para o evangelismo.

Sou contra o dizimo como obrigação, mas se o mesmo fosse aplicado da maneira que o Ronald propoe em seu livro seria algo extraordinario

Anônimo disse...

Boa tarde!

O intelectual Gutierres, medite nesta pérola de John Piper:

"A grandeza de uma igreja não está na sua capacidade de assentos, mas na sua capacidade de envio (missionários)

Abraços!

Gutierres Siqueira disse...

Caro anônimo,

Não sou nenhum intelectual, rs

A frase que você expõe do pastor John Piper é ótima. É um verdadeiro resumo do texto.

Obrigado pelo comentário,

Matias Borba disse...

Gutierres,
A Paz!

É isso aí irmão, disse tudo!

O que é secundário tornou-se prioritário de tal forma que, quem escreve algo sobre essa verdade, como o fez você, pode ser taxado até de aliado ao grupo do contra.

Bom seria se a maioria dos pastores, lídeiras de igrejas, ministérios e convenções, lessem seu texto e aplicassem o mesmo.

Um abraço!