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quinta-feira, 1 de julho de 2010

O que é a “intelligentsia cult evangelical”?

Por Gutierres Fernandes Siqueira


A intelligentsia cult evangelical é um movimento dentro da igreja evangélica brasileira que apresenta forte sintonia com os valores pós-modernos. Eles não são liberais[1], pois o liberalismo teológico é fruto da modernidade racionalista e empírica. Eles também não são conversadores teológicos, pois confundem a cadeia de pensamento da ortodoxia com o fundamentalismo histórico-cultural do protestantismo norte-americano. Não são liberais e nem fundamentalistas, mas também não são evangelicais.

Neste primeiro artigo, leia as diferenças entre a intelligentsia cult evangelical e o próprio evangelicalismo. Então començando, qual é a diferença entre um evangelical e o cult?

1. O evangelical é aberto ao diálogo. A intelligentsia cult é dogmática.

O evangelical lê tudo, de Friedrich Schleiermacher a John MacArthur Jr. A teologia evangelical é construída a partir de um diálogo de teólogos liberais, neo-ortodoxos e ortodoxos, mas sempre julgando através da exegese e hermenêutica bíblica. Logo, o evangelical tem a Bíblia por Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras estão acima de qualquer pensamento teológico.

O cult lê somente o que lhe fortalece como cult. C. S. Lewis? Eca! Norman Geisler? Eca novamente! Abrahan Kyper? O sangue de Jesus tem poder! Na biblioteca mental do cult só há livros do Brennan Manning, Brian McLaren, Rob Bell, Henri Nouwen, Anselm Grün, etc. O evangelical sabe tirar proveito na leitura desses autores, mas os cult jamais lê livros dos ditos “fundamentalistas”. Ah, e depois fundamentalistas são os outros.

2. O evangelical enxerga as obras sociais como parte importante do evangelização. O cult acha que a obra social é a própria salvação.

O evangelical faz obras sociais. Já o cult acha que tem o “monopólio da bondade”. Sim, o cult pensa que somente ele está preocupado com os pobres e desvalidos deste mundo. Olha, por exemplo, teve pastor cult por aí afirmando que o ditador Hugo Chávez estava “fazendo a obra de Jesus” (sic!) por distribuir cestas básicas nas favelas de Caracas. Durma com um barulho desses! Para o cult é o seguinte: Não importa se o sujeito é um demagogo corrupto que usa a miséria do povo em prol de suas pretensões megalomaníacas de poder. Ora, se ele distribui comida, então ele é discípulo de Cristo. Já o evangelical faz obra social como amor pelos miseráveis e não como projeto político.

3. O evangelical vê a apologética como parte importante do processo de discipulado dos cristãos. O cult acha que a apologética é uma abominação.

Defender o cristianismo? Pra quê? Pergunta o cético cult com cara de intelectual do complexo PUCUSP. Achando que são mais importantes do que a última bolacha do pacote, os cults desprezam toda uma tradição apologética dentro do cristianismo. A doutrina divide, defende o cult amoroso e entregue à unidade. Que coisa! Defender doutrinas bíblicas eles não querem, mas defender suas ideias cults eles querem. E por isso eles montam blogs. E aí eles não se importam com divisões. Esse “amor” é mais raso do que pires prensado.

4. O evangelical dialoga com a cultura. O cult se vende para a cultura.

O evangelical é capaz de ler, por exemplo, o filósofo Michel Foucault e dialogar com o francês sobre o autoritarismo nas instituições. Já o cult abraça as ideias do filósofo com tanta vontade que acha que toda hierarquia é plano de poder e dominação. Só o sistema dele é puro desse processo de manipulação e dominação. O cult também se entrega aos mesmos autores, como Nietzsche, Freud e Marx, mas talvez nunca ouviram falar de outras grandes mentes como Eric Voegelin, por exemplo.

5. O evangelical sabe que a teologia é uma construção humana, mas tenta ser o mais fiel possível ao texto bíblico na sua construção doutrinária. O cult prefere transformar a teologia em uma sociologia mal feita.

O evangelical faz teologia com a Bíblia, em primeiro lugar, o todo o restante, em segundo lugar. O cult que fazer da teologia uma sociologia de segunda categoria. Para se sentir respeitado na academia, ele não consegue se livrar, por exemplo, da hermenêutica da suspeita ou do politicamente correto. O cult busca reconhecimento acadêmico, mas pouca excelência no fazer teológico. É um péssimo teólogo e um péssimo sociólogo.
Portanto, saiba que esse movimento da intelligentsia cult evangelical é uma reação à ortodoxia sem a coragem dos antigos liberais. É cult pois busca o respeito do establishment pós-moderno da academia, assim como a Teologia Liberal buscava o respeito dos racionalistas iluministas que dominavam as universidades daquela época.


Sejam mais prudentes ao mergulhar em novidades que aparentam originalidade.


Nota:

[1]A “Teologia Liberal é um movimento que, iniciado no final do século XIX na Europa e Estados Unidos, tinha como objetivo extirpar da Bíblia todo elemento sobrenatural, submetendo as Escrituras ao crivo da crítica científica (leia-se ciências humanas) e humanista. No liberalismo teológico, geralmente, não há espaço para os milagres, profecias e a divindade de Cristo Jesus”. (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16 ed. Rio de Janeiro: 2007, p 253). Não confunda os liberalismos. O Ocidente recebeu a influência de dois tipos opostos de liberalismo, sendo o inglês e o francês. O economista Luiz Felipe Estanislau do Amaral assim desenha as diferenças: “o conceito de liberal tem duas origens distintas, independentes e quase opostas- a clássica, de Smith, e uma outra na Revolução Francesa e no movimento liberal espanhol do século XIX. Este não tinha como objetivo a liberdade de mercado, mas o enfraquecimento da monarquia e da Igreja na Espanha. Seus membros diziam-se liberales por contraposição com os 'servos' do Rei; e, curiosamente, o liberalismo no sentido norte-americano provém desta segunda origem”. (Dicta & Contradicta. Instituto de Formação e Educação. jun de 2008, n. 01). O liberalismo teológico é herança do Iluminismo, e por isso recebe o termo “liberal”.O teólogo alemão Friedrich Schleiermacher, o pai da teologia liberal, acatou as críticas do Iluminismo contra a ortodoxia protestante, mesmo rejeitando alguns pontos da filosofia das luzes. Em Schleiermacher, a experiência era a causa da doutrina, enquanto que a objetividade ortodoxa colocava (e coloca) a doutrina como originadora da experiência. Nesse ponto, as bases de construção teológica entre o liberalismo e neopentecostalismo são as mesmas.

11 comentários:

www.neoprotestante.blogspot.com disse...

Gutierres, obrigado pela informação.

Vitor Hugo da Silva - Joinville, SC disse...

Gutierres!

Não vejo Cristo preocupado em denominar seus seguidores, como: “evangelicais”, “liberais”,
“ortodoxos”, etc. (entenda isto como uma pequena sátira). É incrível como ainda hoje existem pessoas que gostam de postar rótulos em outras pessoas pelos simples fato das mesmas discordarem do que elas possuem como verdade absoluta (não digo expiação vicária, ressurreição: os pilares do cristianismo).

Agora existem os cults, e repare que as características dos cults não são apresentadas pelos mesmos, os “cults”. Mas sim por aqueles que discordam de suas atitudes e posições. Até mesmo as suas bibliotecas são apresentadas para uma possível percepção de suas posições teológicas.

Outra questão é...

Quer dizer que quem possui o livro do Brian Maclaren, Manning, Nouwen, é cult? Não posso admirar seus escritos e possuí-los como inspiração para o meu cristianismo, pois eles não são ortodoxos? Indago: Em algum momento em sua escrita, Manning, Nouwen, e Brian, discordam da existência de Cristo ou do discipulado de Cristo para a vida do cristão? Por eles apresentarem um cristianismo “menos” farisaico eles são tidos como cults?

Outro julgamento é questionar a formação da cosmovisão cristã dos chamados “cults”. Você escreve: “os cult jamais lê livros dos ditos “fundamentalistas”. As minhas posições não servem como indicadores de leituras, mas sim de construção. Diria que você só possui livro da CPAD em sua casa e que você somente lê teologia pentecostal ortodoxa. Pois, esta é a sua construção. Contudo isto não quer dizer que você só leia isto! Os fins não revelam os meios (parafraseando).

Você escreve: “Já o cult acha que tem o “monopólio da bondade”. Sim, o cult pensa que somente ele está preocupado com os pobres e desvalidos deste mundo”. Outro julgamento Gutierres! O que ocorre, é que os ditos, “cults” (repare sempre os parênteses!), questionam a posição das chamadas igrejas de Cristo. Questionam posições de denominações antigas ante a realidade social a qual elas estão inseridas. Um exemplo é a nossa Assembléia de Deus. Prenderam-se no valor kerigmático, na realidade espiritual e pouco interferem na realidade e inclusão social. São feitos monumentos históricos em nome dos 100 anos, festividades megalomaníacas, palcos gigantescos com custos astronômicos, são pagos altos salários (literalmente salário!) a pregadores “renomados”, etc. Se isto é ser cult, conheço um montão de ortodoxos cults! Para os cults, o valor da igreja de Cristo está fora das quatro paredes, fora dos púlpitos, fora de grandes convenções.

Você escreve: “O cult acha que a obra social é a própria salvação”. Quem acredita nesta falsa soterologia são os extremistas da libertação. Mesmo Clodovis Boff assume isto escrevendo: “Quer-se mostrar aqui que a Teologia da Libertação partiu bem, mas, devido à sua ambigüidade epistemológica, acabou se desencaminhando: colocou os pobres em lugar de Cristo”. Portanto, não são todos, mas sim uma parcela extremista. Destas que existe em qualquer escola teológica.


Concernente a apologética, os “cults” não a desprezam, mas simplesmente acreditam que a vida está acima das leis; repito: o que vale mais, o sábado ou a vida? O fato que é que apologia em nome da lei e por vezes em nome de Deus, julgou, maltratou, aniquilou, queimou, milhares de pessoas. Repito: Cristo em nenhum momento apresentou um compêndio doutrinário apologético em seu ministério. Nenhum dos evangelhos relato isto! Jesus era um “cult” amoroso, que com a lei do amor apresentou a figura de Deus na terra: quem olha para mim, encontra o Pai! Em nenhum momento Cristo se mostrou uma unidade com os fariseus e pecadores. Por amá-los sem restrição (teológica, doutrinária, social), ele fez a vontade do pai! Ele sabia: Pai perdoa-os, pois não sabem o que fazem!

Anônimo disse...

Gutierres,

Parabéns, bom texto. Concordo com você, mais uma vez.

Emerson Costantini

cost4ntini.wordpress.com

carlos disse...

Gutierres esses cults são também chamados de emergentes.

Entre os lobos disse...

"Gutierres esses cults são também chamados de emergentes."

Devo discordar.

Pelo que percebo, o que o Gutierres chama de cults são as pessoas extremamente preocupadas em paracer bem aos olhos dos intelectuais brasileiros, isso é, da esquerda. Essas pessoas são bastante sensíveis à moda, imitam quem eles acham que está bem visto. Isso significa, no caso brasileiro, ser amante de ditadores de 3º mundo e ser um seguidor de Lenin, de Gramsci e dos frankfurtianos. Não é preciso entende-los de verdade, basta tocar de ouvido.

Os emergentes são algo bem mais específico, e a fascinação da esquerda evangélica por eles deve-se ao fato de estarem na moda, não que sejam esquerda.

Tirando toda a firula, os próprios emergentes dizem o que é o âmago do seu movimento: Oração contemplativa, que poderia ser resumida em entrar em um estado alterado de consciência, com a finalidade de receber mensagens espirituais. Resumindo, uma forma super-hiper alto nível, bacana, bonita e apresentável de espiritismo. Coisa assim mesa-branquíssima, bem longe do espiritismo de terreiro.

Entre os lobos disse...

Mudando totalmente de assunto. Noto que as pessoas que pregam a doutrina de Cristo, na AD, estão sob intenso ataque, nesse caso em particular, por parte da esquerda evangélica.

A respeito de estar sob intenso ataque, isso é normal, foi o que Cristo previu. O que é péssimo, não é o previsivel ódio dos inimigos de Cristo, o que é péssimo é o horrivel testemunho das lideranças da AD. Conheço vários irmãos da AD, gente séria e cristã. Mas choca-me que se permitam serem governados por uma liderança tão corrupta. E esse é apenas um dos pontos em que a AD tem apresentado falhas gravíssimas. Senão, vejamos:

1. A AD lida de forma particularmente ruim com o dinheiro ofertado pelos crentes. Nunca deu qualquer importância à transparência financeira, que sempre foi uma coisa importante para as igrejas protestantes históricas. Os líderes da AD confundem oferta à igreja com lucro pessoal. Nisso, foram o precedente seguido pelas igrejas neo-petencostais.

2. A AD tradicionalmente desprezou o estudo da teologia sistemática. Quando finalmente abandonou essa postura anti-intelectual, catou os restos abandonados do liberalismo e aderiu a todo tipo de moda teológica atual (heresias requentadas).

3. A AD sempre confundiu suas restrições comportamentais particulares com doutrina cristã.

4. A AD tem uma história triste de troca de favores com políticos de todas as vertentes. Quando vejo os pastores vendendo os votos de suas ovelhas, lembro das palavras "farão comércio de vós".

5. Os irmãos da AD tem tolerado a corrupção e vida dupla das lideranças nacionais. A bíblia é clara a respeito das qualificações morais e sociais para exercer o ministério. É dever de todo o crente não tolerar ministros que estejam fora desse padrão. Se os ministros são corruptos, e a estrutura da igreja não permite a sua substituição, a única saída para os crentes é virarem as costas e irem embora, para não serem coniventes com a corrupção.

6. As pequenas congregações de periferia não são fonte de lucro para os líderes regionais e nacionais, em vez de serem objeto de cuidado.

Nada disso eu falo por ódio ou desprezo pela AD. Pelo contrário, é por amor a esses irmãos que eu falo tão duramente. Um pouco de fermento leveda toda a massa. O mal não desparece se não olharmos para ele, pelo contrário, só tende a crescer.

Gutierres Siqueira disse...

Amigos Carlos e “Entre Lobos”,

Realmente vejo diferenças entre os “cults” e os “emergentes”. A diferença básica é que os “cults” estão em todo lugar, inclusive em denominações históricas como a Igreja Presbiteriana do Brasil ou nas pentecostais como a Assembleia de Deus. Enquanto isso, os “emergentes” trabalham não só com conceitos doutrinários novos, mas com uma nova eclesiologia, liturgia e cerimonialismo. Normalmente encontramos emergentes em igrejas independentes.

Os “cults”, muitas vezes, são participantes ativos das tradições de sua denominação, mas formulam doutrinas segunda a conveniência da intelectualidade modista, como bem definiu o “Entre Lobos”.

Gutierres Siqueira disse...

Amigo Victor, vamos ao ponto:

Victor escreveu: Não vejo Cristo preocupado em denominar seus seguidores, como: “evangelicais”, “liberais”, “ortodoxos”, etc. (entenda isto como uma pequena sátira). É incrível como ainda hoje existem pessoas que gostam de postar rótulos em outras pessoas pelos simples fato das mesmas discordarem do que elas possuem como verdade absoluta (não digo expiação vicária, ressurreição: os pilares do cristianismo).

Eu respondo: Rótulos são sistematização, é a facilitação da linguagem para a compreensão do assunto estudado. Rótulos sempre serão usados, apesar de sua imperfeição e limites. Rótulos são esteriótipos, e como todo esteriótipo pode ser injusto. Agora, muitos que vejo criticando tanto os rótulos não cansam de acusar determinados grupos de “fundamentalistas”. Ora, “fundamentalista” não é um rótulo?

Victor escreveu: Agora existem os cults, e repare que as características dos cults não são apresentadas pelos mesmos, os “cults”. Mas sim por aqueles que discordam de suas atitudes e posições. Até mesmo as suas bibliotecas são apresentadas para uma possível percepção de suas posições teológicas.

Eu respondo: Os “cults” não são um movimento auto-reconhecível. Alguém tem que apresentar as suas características, não é verdade? Quando estudamos o terrível e intolerante fundamentalismo muçulmano não lemos isso de teólogos muçulmanos, mas sim de uma escritora como Karen Armstrong, que é de origem católica.

Victor escreveu: Quer dizer que quem possui o livro do Brian Maclaren, Manning, Nouwen, é cult? Não posso admirar seus escritos e possuí-los como inspiração para o meu cristianismo, pois eles não são ortodoxos? Indago: Em algum momento em sua escrita, Manning, Nouwen, e Brian, discordam da existência de Cristo ou do discipulado de Cristo para a vida do cristão? Por eles apresentarem um cristianismo “menos” farisaico eles são tidos como cults?

Eu respondo: Em nenhum momento insinuo que toda a produção desses autores sejam para o nosso desprezo. Como desprezar a análise do filho pródigo por Nouwen? Ora, há muita coisa boa ali. Acontece que “os cults” investem uma aura especial para com esses autores. Se você for na livraria de algumas igrejas “cults”, como eu já fui, só achará esses livros para venda.

CONTINUA>>>>>>>>>>>>

Gutierres Siqueira disse...

CONTINUAÇÃO>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>


Victor escreveu: Outro julgamento é questionar a formação da cosmovisão cristã dos chamados “cults”. Você escreve: “os cult jamais lê livros dos ditos “fundamentalistas”. As minhas posições não servem como indicadores de leituras, mas sim de construção. Diria que você só possui livro da CPAD em sua casa e que você somente lê teologia pentecostal ortodoxa. Pois, esta é a sua construção. Contudo isto não quer dizer que você só leia isto! Os fins não revelam os meios (parafraseando).

Eu respondo: Olha, tenho lá minhas dúvidas. Sei que não são todos, pois a generalização é sempre burra, mas muitos “cults” que eu conheço só sabem ler esses autores que eu citei, além de outros até piores. Na igreja “cult” que eu visitei, vi a recomendação no púlpito de três livros, e todos os três eram dessa linha “cult”. Já viu esses caras recomendando a leitura de um livro “fundamentalista”? Eu nunca vi, quem saiba eu ainda veja.

Victor escreveu: Você escreve: “Já o cult acha que tem o “monopólio da bondade”. Sim, o cult pensa que somente ele está preocupado com os pobres e desvalidos deste mundo”. Outro julgamento Gutierres! O que ocorre, é que os ditos, “cults” (repare sempre os parênteses!), questionam a posição das chamadas igrejas de Cristo. Questionam posições de denominações antigas ante a realidade social a qual elas estão inseridas. Um exemplo é a nossa Assembléia de Deus. Prenderam-se no valor kerigmático, na realidade espiritual e pouco interferem na realidade e inclusão social. São feitos monumentos históricos em nome dos 100 anos, festividades megalomaníacas, palcos gigantescos com custos astronômicos, são pagos altos salários (literalmente salário!) a pregadores “renomados”, etc. Se isto é ser cult, conheço um montão de ortodoxos cults! Para os cults, o valor da igreja de Cristo está fora das quatro paredes, fora dos púlpitos, fora de grandes convenções.

Eu respondo: Eu também questiono. Quem lê esse blog sabe minha aversão para com essas festas megalomaníacas. Também defendo que as ofertas da igreja devem ser direcionadas prioritariamente para a assistência social em lugar de luxuosos prédios. Não precisei ler Boff para descobrir isso.

Victor escreveu: Você escreve: “O cult acha que a obra social é a própria salvação”. Quem acredita nesta falsa soterologia são os extremistas da libertação. Mesmo Clodovis Boff assume isto escrevendo: “Quer-se mostrar aqui que a Teologia da Libertação partiu bem, mas, devido à sua ambigüidade epistemológica, acabou se desencaminhando: colocou os pobres em lugar de Cristo”. Portanto, não são todos, mas sim uma parcela extremista. Destas que existe em qualquer escola teológica.

Eu respondo: Olha, lamento dizer, mas alguns evangélicos da linha “Missão Integral” também pensa assim. Pelo jeito são mais radicais que o Clodovis Boff. My God!

Victor escreveu: Concernente a apologética, os “cults” não a desprezam, mas simplesmente acreditam que a vida está acima das leis; repito: o que vale mais, o sábado ou a vida? O fato que é que apologia em nome da lei e por vezes em nome de Deus, julgou, maltratou, aniquilou, queimou, milhares de pessoas. Repito: Cristo em nenhum momento apresentou um compêndio doutrinário apologético em seu ministério. Nenhum dos evangelhos relato isto! Jesus era um “cult” amoroso, que com a lei do amor apresentou a figura de Deus na terra: quem olha para mim, encontra o Pai! Em nenhum momento Cristo se mostrou uma unidade com os fariseus e pecadores. Por amá-los sem restrição (teológica, doutrinária, social), ele fez a vontade do pai!

Eu respondo: Em nome da doutrina muitos mataram, é verdade, mas todos os grandes apologistas da nossa época advertem sobre o perigo da ortodoxia sem vida. Francis Schaffer dizia que a ortodoxia sem compaixão é um dos maiores perigos para um cristão.

Leonardo Gonçalves disse...

Gutierres,

Apesar de eu mesmo ser um pouco avesso aos rótulos, acho que esta "catalogaçao" é boa e necessária, pois tem muita gente perdida em meio a este vendaval de idéias, propagadas principalmente pela internet.

Penso que o cristao cult brasileiro é um liberal prático que endossa em grande parte os pressupostos liberais, mesmo sem conhecer Schleiermacher, Harnack ou mesmo o Bultmann. Ele apenas se deixa levar pela corrente.

Parabéns pelo artigo.

Leonardo.

Cezinha Vianna disse...

Amados irmaos, Cults ou Evangelicals, imploro
Que joguem fora toda sujeira que estao lendo
Pois isto, com certeza estao lhes fazendo muito
Mal.
Estao voltando a um pensamento antigo e
Louco que so serviu para dividir o corpo em outras
Eras, nao deem mais municao ao inimigo de nossas
Almas, pois com as que ele tem, ja tem causado danos demais ao corpo, Jesus tinha 12 cabecas pensantes ao seu lado; E nem por isso eram uma medusa intelectual
, nao sejamos como cobras cravadas na cabeca de Cristo, mas sim, bracos, pernas, maos, dedos, unhas,etc....
Lembren-se por favor, ele nos chamou para sermos corpo e nao cebecas.

Que o Senhor possa clarear a nossa mente, enegrecida com tanta sujeira intelectual. Paz ( Cezinha Vianna, cantor e poeta Cristao )