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domingo, 22 de agosto de 2010

Por que precisamos de uma teologia latino-americana?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Hoje conversei com um amigo que está interessado na chamada “teologia latino-americana”. Ele está lendo ou já leu importantes obras de alguns famosos teólogos latinos. Justificando sua escolha, o meu amigo afirmou que a nossa realidade é muito diferente dos norte-americanos, sendo assim, precisamos de uma teologia mais próxima do dia a dia tupiniquim. Disse para ele que o discurso desses teólogos não têm nada de novo e é sempre a mesmice antiamericana. Infelizmente, não deu tempo de continuar o “debate”, mas marcamos a continuidade da conversa para outro dia.

Não é necessário viajar para os Estados Unidos ou qualquer outro país ocidental e observar o óbvio: estamos cada vez mais parecidos. Não falo da economia, nem da política, mas na cultura mediana de massas há poucas diferenças entre um brasileiro, um argentino, um americano ou um francês. Um adolescente no Brasil, na Coreia do Sul ou em Portugal ouvem as mesmas músicas eletrônicas, leem os meus livros de vampiros e comem na mesma lanchonete de fast-food. Um idoso argentino ouve a mesma música clássica tocada em Berlim, assim como o angolano assiste a novela passada no Brasil. Já tem até mendigo inglês nas ruas de Copacabana. É a dita globalização!

Então me pergunto: No que somos tão diferentes assim para criar uma teologia em cada país? Ou pergunto ao contrário: o Brasil realmente tem tanta afinidade com as demais nações latinas? Somos realmente um bloco ou um ideal na cabeça de alguns? A teologia latina não é mais uma manifestação de um infantil antiamericanismo? A nossa teologia é realmente americana quando lemos tantos europeus com Aquino, Huss, Knox, Calvino, Armínio, Lutero, Spurgeon, Wesley, Owen, Whitefield, Packer, Barclay,Van Til, Küng, Otto, Bruce, Berkhof, Kempis, Bultmann, Schleiermacher, Kuyper, Cullmann, Chesterton, Lewis, Stott, Barth, Tillich, Bonhoeffer, Moltmann etc.? A “teologia latina” não é mais uma desculpa para inventar teologias casadas com ideologias políticas? A teologia não deve ser universal?

A Editora Novo Século quando editou o livro Antologia Teológica escreveu que a obra tinha o objetivo de fortalecer o fazer teológico “genuinamente brasileiro e contemporâneo”. Mas só um detalhe: a maioria esmagadora dos artigos foram escritos por teólogos estrangeiros. Pra mim, esse discurso de “teologia brasileira” ou “teologia latina” é uma grande bobagem de nosso complexo "vira-lata", como dizia Nelson Rodrigues. Querem ser diferentes sendo o mais do mesmo.

10 comentários:

A Tua palavra é A Verdade ! disse...

Por que precisamos de uma teologia latino-americana?

Boa pergunta,eu também não sei a resposta, não há resposta para uma pergunta assim.
A verdadeira teologia cristã surge da Palavra de Deus. É interpretação e comunicação da revelação divina. Hoje em dia está na moda falar da teologia como fruto da práxis. Isso é perigoso. A práxis, ou seja, a realidade e a vivência da igreja e do teólogo tem muito a dizer na teologia, só que não é a fonte ou raiz da teologia.
Já que há Um Único DEUS porque haveria várias 'teologias'? Eu entendo que o erro está no uso da palavra 'teologia'de forma errada, talvez o irmão quisesse dizer outra coisa.
Um abraço.
seu conservo,
Iveraldo Pereira.

Um cara que acredita na Palavra disse...

Meu caro irmão,paz.
Realmente é uma questão que já foi formulada,não exatamente assim,por um conhecido Reverendo.Não existe Teologia Bairrista,brasileira,européia,americana,existe sim hermeneuticas conflitantes.A Teologia real(estudo sobre o Verdadeiro Deus)é através de uma interpretação singela e autentica das escrituras,ainda que com suas pequenas rugas.É isso

ABs

Pb. Wanderley Santana disse...

Pois é meu irmão, esse pessoal viu que a americanização da teologia não foi uma coisa boa, e agora querem a brasileirização...vê se pode??? É bem verdade que, em se tratando de "enfoque", é válido o esforço do teólogo em se apresentar respostas aos problemas específicos de determinado povo ou seguimento da sociedade. Por exemplo, seria uma utopia os missionários na Etiópia empreenderem um grande esforço afim de escreverem ou traduzirem literatura teológica focada no combate ao consumismo norte americano. Neste caso (e em outros) eu acredito que é oportuno focar nos problemas característicos de cada povo, porém, esses casos devem ser vistos como excessões. A verdadeira teologia deve basear-se em uma exegese bíblica histórico gramatical, e ser aplicada de forma acultural. Ex: O que é pecado aqui no brasil, é pecado na Europa, Afeganistão, etc...

Muito boa a postagem!

Um abraço.

Cristiano Silva disse...

Dado que o problema do ser humano é o mesmo independente de época ou local, à saber, o pecado, penso que a teologia deveria se preocupar com a sua relevância em relação ao que a Palavra de Deus nos fala.

A própria tentativa de se adaptar ou criar uma teologia para um certo local ou época para mim já mostra a tentativa de uma esfera influenciar a outra.

Abraços.

Thais Barrinha disse...

Após um longo jejum de "Blog do Gutierres", "eu voltei e agora é pra icar!". Brincadeiras à parte, estou vendo no Brasil um novo grupo aparecendo : "Protestantes não praticantes". Não sei se é porque sou meio nova, isso já existia antes e eu não sabia ou é um novo grupo que aparece graças à influência norte-americana que tras o cristão Simpson e as Bellas Suans para o nosso país (Referência ao filmete de vampiros). Não é uma arbitrariedade inundada não, é que eu pelo menos estou acostumada a considerar o lixo americano como lixo amerciano! Bom, pela primeira vez... fico em cima do muro... será que gera debate???!!!?

Marcelo de Oliveira e Oliveira - RJ disse...

A proposta de uma suposta "teologia latino-americana" ganhou força no Congresso Mundial de Evangélicos em Lausane no ano de 1974. O teológo Renê Padilla ousou dizer que o modelo "tradicional" de Missões [pensado em forma americana] não atenderia eficazmente a proposta da Missão Integral do Evangelho, devendo, então, este modelo ser repensado. A ideia central da proposta de uma Missão Integral é o retorno ao princípio bíblico da práxis cristã com o seguinte tripé: Kerigma; Koinonia; Diakonia. A igreja tem o discurso, mas também deve ter comunhão e ação, expressando as obras concretas que diagnostique a veracidade desse discurso (Mt 5.14-16; Rm 2.7-11; Ef 2.8-10). Por isso o Evangelho de Cristo (Mt 22.34-40; 25.31-46;), quando lido reflexivamente, salta aos olhos do leitor esse tripé: Revelação; Comunhão; Serviço. (Continua)

Marcelo de Oliveira e Oliveira RJ disse...

(Continuação)
Se isso é uma “teologia latino-americana” nos moldes da Teologia da Libertação, fato que não acredito ser até o momento, o tempo dirá com os seus desdobramentos. Mas é verdade que nos últimos anos são os latinos-americanos que têm denunciado o esquecimento dessa realidade bíblica de Missão Integral. O Pacto de Lausanne, onde a maioria dos teólogos reconhece como “a maior das confissões sobre o evangelismo já produzidas pela igreja”, teve de fato contribuições essenciais de teólogos latinos-americanos como Samuel Escobar, René Padilla e Orlando Costa, conforme artigos de vários teólogos sobre o Pacto.
Vale a pena ler o Pacto de Lausanne ou comentários sobre ele. A editora ABU tem uma série de comentários sobre o assunto, mas destacaria o “Comentário do Sermão do Monte” de John Stot; “John Stot comenta o Pacto de Lausanne”; [de outras editoras] “Transparência da Vida Cristã” do Pastor Geremias do Couto – CPAD; “O Que é Missão Integral?” de René Padilla - Ultimato. Oxalá, se as igrejas cumprissem tal Pacto!

Fraternalmente,

Aprendiz disse...

Marcelo

Dizem palavras bonitas, mas na prática, não passa de apoio a projetos de poder totalitários. Eles dizem que devemos olhar a prática. Olhando a prática deles aqui na América do Sul, vemos que são apenas forças auxiliares de ditadorezinhos nefastos. Se surgir um novo Stalin, com certeza esse pessoal da "missão integral" estará entre seus apoiadores.

O que a Igreja precisa é negar-se a ser cavalo de sistemas mundanos.

Anônimo disse...

Há vinte anos atrás a maioria dos evangélicos metia o pau na teologia Latina-Americana, muitos por puro desconhecimento, outros porque não tem a coragem de assumir que a sua pregação está aquém da realidade do Evangelho de Cristo. Mas é fato que hoje vemos um evangelho egoista, onde os lideres na maioria com sindrome de querer marcar a história, só pensam em construir grandes templos, e o social fica sempre de lado. Irmãos a salvação de Jesus Cristo é uma salvação completa; diz respeito a vida como um todo, Jesus inclui as pessoas, não exclui ninguém. Tenho pena desses homens e mulheres que Deus concede a oportunidade de estar a frente de grandes igrejas, e consequentimente com grandes oportunidades para deixar trabalhos grandiosos, como Calvino que entrou para História não só como pastor, teologo, mas como alguém que se preocupou com sua cidade com os seus iquais.Mas ao invés disso desfilam cada vez mais imponentes, e sempre construindo templos, castelos de areia. É lamentável. Acredito piamente que se Jesus voltasse hoje, e se colocasse entre nós (graças a Deus a vinda dEle não se dará assim) Ele seria crucificado novamente por aqueles que se dizem cristãos. Mas que o são só na aparência. Maria de Lourdes - Teologa -Campinas/ Brasil

Victor Leonardo Barbosa disse...

Excelente mano! Comungo do mesmo pensamento. É interessante quando falam da "teologia estado-unidense", mas nem mesmo o dispensacionalismo se originou nos Estados unidos!

A grande questão é que os teólogos "tupiniquins" estão casados com o marxismo se esquecem de ver que a teologia é, como você mesmo expressou: algo universal, haja vista ser baseada na Palavra de Deus, que está além do condicionamento cultural.

Forte abraço mano!