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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A intolerância dos “tolerantes” e a tentação moralizante

O recente caso envolvendo a Universidade Presbiteriana Mackenzie e os grupos homossexuais deve ser tomado de cuidados. Em primeiro lugar, o site de uma universidade confessional pode e deve publicar as suas crenças. Em segundo lugar, os grupos organizados dos homossexuais não aceitam opiniões divergentes, classificando tudo e todos como homofóbicos. Em terceiro lugar, vivemos em uma democracia e em democracias não há “crimes de opinião”.

Sim, vivemos na era do politicamente correto. Nestes tempos é pecado falar de pecado. Aí daquele que discorda da cartilha dos inquisidores pós-modernos.

Leia mais:

Jornalista da revista Veja analisa o caso

Carta de apoio à Universidade Presbiteriana Mackenzie


Depois de tudo isso falado resumidamente acima, é necessário muito cuidado com uma tentação constante nas igrejas de linha conservadora: moralizar a sociedade.

A missão da igreja é pregar o Evangelho puro e simples. O verdadeiro e bíblico Evangelho leva as pessoas a se reconhecerem como pecadoras e ao mesmo tempo mostra Jesus Cristo como o redentor dessas vidas. Consequentemente essas pessoas já convertidas seguirão o caminho da santidade, evitando o pecado denunciado nas Sagradas Escrituras.

Não podemos focar a luta da igreja em moralizar a sociedade. Ora, de nada, absolutamente de nada adianta que os brasileiros conheçam a moralidade cristã mas não sejam convertidos. Não adianta comemorarmos que a maior parte dos brasileiros sejam contra o aborto se ainda temos uma das sociedades mais corruptas do mundo, onde a Lei de Gérson e o jeitinho imperam com forma e vigor. O Brasil não é um país cristão por rejeitar o aborto, mas será quando se render aos pés de Jesus se reconhecer pecador e aceitando um salvador. Só assim faz sentido defender a moralidade: entre quem possa cumpri-la pela mortificação do Espirito Santo (cf. Rm 8).

Os cristãos gritam: ser gay é pecado! Os gays gritam: homofóbicos! Resultado: Nenhuma comunicação do Evangelho. O que o gay, o alcoólatra, o demagogo, o corrupto, o avarento, o mentiroso, o ladrão, o iracundo, o marido que bate na mulher e outros precisam ouvir é: Jesus Cristo quer mudar sua vida. Venha e não peques mais! Deixe o redentor transformá-lo. Deixe Cristo regenerá a sua alma.

O homossexualismo é pecado sim! Não vamos mudar a Bíblia porque um grupo de militantes acha que devemos fazer isso. Mas que a igreja evangélica não vire militante do moralismo e esqueça de pregar Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Nunca a Igreja deve deixar de falar que pecado é pecado, mas sem cair na bobagem de confundir moralidade com evangelho. Ora, na Arábia Saudita você não achará mulheres seminuas, mas também não encontrará quase que nenhum cristão. A Arábia Saudita não é cristã porque suas mulheres são recatadas. Os sauditas são legalistas que não conhecem Jesus Cristo. Infelizmente, estão tão perdidos quando qualquer devasso desse mundo. O mesmo acontece que os legalistas supostamente cristãos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos cristãos empregam forças a favor de oração na sala de aula. Mas sobre isso lembra Michael Horton:

Os liberais podem ter sido os pioneiros na teoria de que não há salvação em outros nomes além do nome de Jesus Cristo, mas nenhum grupo na história moderna tem desejado que o público em geral faça oração não sectárias- isto é, com ou sem Jesus Cristo- tanto como os evangélicos conservadores. Quando se trata de colocar “Deus de volta em nossas escolas”, podemos deixar Jesus para trás. [1]

De nada adiante um monte alunos orando (artificialmente) sem realmente conhecerem Jesus Cristo. A formação de uma nação cristã é utopia boba. Nunca teremos uma nação cristã. Nunca tivemos uma! Sim, temos inúmeras nações com forte influência cristã, mas é até despeitoso chamá-las de cristãs. A verdade sempre será rejeitada pelas maiorias. O verdadeiro cristianismo nunca será unanimidade, logo porque como lembrava Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra!

Horton continua:

Muitos comemoram esta ênfase no Cristo-como-exemplo em vez de no Cristo-Redentor como prenúncio de um “novo tipo de cristão”, mas é isto realmente um antigo tipo moralista? Indiferente se sabe que a morte de Cristo é considerada um sacrifício vicário, o discipulado- carregar nossa cruz- tornar-se o tema mais interessante […] Os conservadores têm sido igualmente propensos a se concentrarem no primeiro e não no segundo, nas últimas décadas. [2]


Pregar moral para quem ainda não conhece a Cristo é como solicitar uma máquina de escrever com wi-fi ou mandar um anexo de PDF por sinal de fumaça. A Igreja primeiro prega (evangelismo) para depois ensinar (doutrina e moral), conforme nos orientou o Nosso Senhor Jesus Cristo:

Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15)

Portanto, ide, ensinai {ou fazei discípulos} todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! (Mateus 28. 19-20)

Referências Bibliográficas:

[1] HORTON, Michael. Cristianismo sem Cristo: O Evangelho Alternativo da Igreja Atual. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p 21.

[2] Idem.


9 comentários:

Anônimo disse...

a paz! concordo plenammente! estao substtuindo a pregaçao do evangelho da graça da misericordia, pelo evangelho da lei novamente. a biblia diz para julgarmos os de dentro porque os de fora deus é quem vai julgar! nos temos que pregar o evangelho do arrependimento para que o amor de deus entre no coraçao do pecador e ele abandone o pecado e nao colocar a lei pela garganta adentro.. ai nao havera conversao. outra coisa tambem é quanto a muitos dizerem que temos que ser defendidos e amparados pelas leis feitas acerca de aborto ou sei la mais o que,. a igreja nao precisa de favor de cesar pois os principios cristaos tem unm defensor jesus cristo e a sua igreja caminha por seus proprios pes ela nao precisa da muleta do mundo de defensores humanos. quando a igreja vai acordar e parar de tomar leitinho? ainda tem muitas crianças espirituais na igreja, é por isso que satanas sempre leva cesar na igreja para ganhar mais prestigio... acorda igreja mundo é mundo igreja é igreja dai a cesar o que é de cesar! nao deixem o fermento levedar... aprontem-se e ataviem-se mas primeiro limpem a igreja a casa do senhor pois o mundo jaz no maligno . mudar as leis do mundo nao adiantara nada pois ninguem ira ser salvo pela lei ! ide e pregai !

Cristiano Silva disse...

"Nunca a Igreja deve deixar de falar que pecado é pecado [...]"

Acho que o cerne da questão toda em torno do Mackenzie e do Nicodemus é justamente isso: a restrição da nossa liberdade, enquanto cristãos, de falar que o pecado é pecado, até para chamar ao arrependimento, e por isso me incluo no grupo que está engajado neste manifesto. De resto, acho que você tem razão, é bom observarmos os nossos limites.

Abraços.

jurandir alves disse...

Caro Gutierres

Estudei no Mackenzie no final da decada de 80. Concordo com as palavras do Chanceler e lamento a acolhida que o gueto homossexual tenta ditar, fazendo-se perseguidos. A sociedade normal, dita as normas e um grupo menos nos faz refens. Se fosse uma declaracao espirita que afrontasse os principios de um pais cristao, haveria uma gritaria tao frande por parte da sociedade? o Mack e presbiteriano e tem uma linha espiritual que suplanta qualquer ditame que queiram dar. Quem nao tiver contente com o instituto de ensino, que procure um que adeque-se ao seu gosto.

Aprendiz disse...

Eu não vejo o mais leve sinal de que os evangélicos brasileiros queiram impor sua moral à sociedade. E, com absoluta certeza, esse não é o objetivo da igreja prebiteriana ou do Mackenzie.

Agora, vejo sim organizações para evangélicas que fazem isso. E pior ainda, são organizações de gente totalmente ímpia. fiquei sabendo de uma advogada, uma pessoa católica, que trabalhava na Rede Record, e foi gravemente hotilizada por ter cortdo o cabelo curto. Usos e custumes impostos aos de fora, casados com a degradação moral... onde chegaram os os neo-petencostais. Ms como disse, não são evangélicos de verdade.

Quanto aos EUA, sinceramente não me parece crível que os evangélicos de lá estejam tentando impor sua moral à sociedade. Os esquerdistas afirmam isso, mas ao olhar cada caso que chega ao meu conhecimento, nunca vi nem um sequer que fosse de tentativa de imposição de sua moral aos de fora. Senão, vejamos:

1. Na sua ação política coletiva, os evangélicos americanos são reativos, isto é reagem a tentativas de mudança que os esquerdistas querem impor. Mas a sociedade americana já era democrática, não de agora, mas de muito tempo. Logo, a oposição a mudanças não são oposição à democracia. Antes da revolução americana, os não cristãos já gozavam de liberdade de falar e escrever o que quisessem. tanto assim, que parte dos revolucionários americanos era e declarava-se deísta, no tempo das colônias e nunca sofreu perseguição por parte dos cristãos. Viviam conforme suas crenças, desde que não agissem de forma ilegal, e nunca houve lei nos EUA para obrigar os não cristãos a fingirem-se de cristãos.

continua ...

Aprendiz disse...

...continua

Quanto às mudanças que realmente eram para o bem da sociedade, como a independência dos EUA, abolição da escravidão (realizada pelo partido republicano) e a igualdade de direitos civis (realizada com mais votos dos republicanos do que dos democratas), essas mudanças tiveram mais apoio que oposição dentro do meio evangélico.

Mas analisando cada um dos casos de controvérsia entre conservadores e esquerdistas nos EUA, pelo menos dos que me chegaram ao conhecimento, em nenhum caso vi os evangélicos tentando impor mudanças ou tentando impor sua moral e sua visão de mundo aos outros. Em todos os casos (qe eu fiquei sabendo), era o contrário. os evangélicos se opondo a que a moral e visão de mundo anti-cristã fosse imposta a eles e a seus filhos.
continua...

Aprendiz disse...

... continua

Vejamos a questão do homossexualismo. A lei não o proibia, e os cristãos não estavam tentando mudar a lei, não pretendiam proibir os homossexuais de viver conforme quisessem.

Foram os homossexuais que estão tentando mudar a lei. O estado era "agnóstico" em relação a essa questão, não tratava dela, e deixava que os juízes decidissem conforme sua convicção, acompanhando, de certa forma, o entendimento da sociedade. Assim haviam juizes que declaravam que o companheiro homossexual tem direitos de herança, outros que entendiam que não. De qualquer forma os direitos de herança sempre puderam ser estabelecidos por quem quisesse, em documento particular.

Pois os esquerdistas querem mudar o status atual e obrigar o estado a declarar que a homossexualidade é normal (o estado deixa de ser agnóstico nesta questão) e que qualquer opinião diferente é crime.

continua...

Aprendiz disse...

...continua

Vejamos a questão das orações nas escolas, nos EUA. Não havia lei que dissesse nada sobre isso. Não era obrigatório, nem proibido. Então, os esquerdistas resolveram proibir, declarando que a escola deveria ser ambiente laico (ateu, no entendimento deles). Agora, a simples presença de literatura cristã nas proximidades de uma escola é coibida por lei. A coisa chega a tal ponto que, em alguns lugares, um aluno com uma camiseta em que está escrito "Jesus" pode ser constragido a sair ou trocar de roupa. É claro que se estiver escrito "Mohamed", ninguém vai ser louco de objetar ...

Aprendiz disse...

...

Portanto, até onde vejo, não houve nenhuma algteração da posição evangélica de pregar o evangelho e não de impor suas crenças aos outros. O que aconteceu foi o contrário, os evangélicos tem reagido à tentativa dos esquerdistas de cala-los. A essa reação, os esquerdistas chamam de 'fascismo', 'nazismo', 'intolerância'.

Casua estranheza, portanto, que alguns enxerguem uma suposta ideologia de imposição no meio evangélico. Não é verdade, e nunca declararei que tal mentira seja verdade.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Aprendiz,

Algumas observações:

1.Não nego que como cidadãos podemos e devemos manifestar nossas vozes sobre qualquer assunto social.

2.Precisamos influenciar a sociedade com uma cosmovisão cristã, pois há várias cosmovisões na ágora do mundo.

3.Os cristãos devem lutar contra qualquer meio de restrição da liberdade religiosa, como a PL 122/2006 e outras leis “politicamente corretas”.

4.A nossa voz deve ser ouvida na sociedade, pois somos parte dela.

O texto foi escrito para alertar sobre uma tendência. Não é que ela já exista, mas que estamos caminhando para esse caminho. Podemos tornar a igreja excessivamente militante na política moral. Aí estaremos cometendo um erro. Assim como os cristãos esquerdistas viciados pela sua ideologia reduziram o evangelho à luta pela “justiça social”, nós conservadores podemos reduzir o evangelho pela militância de uma sexualidade ideal.

Só estou alertando sobre o exagero. A ação do Mackenzie foi pega como gancho, mas não quero dizer com isso que o Rev. Nicodemus exagerou. A ação dele foi corretíssima. Apoio integralmente o reverendo nessa batalha contra os intolerantes da tolerância.

Abraços