O recente caso envolvendo a Universidade Presbiteriana Mackenzie e os grupos homossexuais deve ser tomado de cuidados. Em primeiro lugar, o site de uma universidade confessional pode e deve publicar as suas crenças. Em segundo lugar, os grupos organizados dos homossexuais não aceitam opiniões divergentes, classificando tudo e todos como homofóbicos. Em terceiro lugar, vivemos em uma democracia e em democracias não há “crimes de opinião”.
Sim, vivemos na era do politicamente correto. Nestes tempos é pecado falar de pecado. Aí daquele que discorda da cartilha dos inquisidores pós-modernos.
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Depois de tudo isso falado resumidamente acima, é necessário muito cuidado com uma tentação constante nas igrejas de linha conservadora: moralizar a sociedade.
A missão da igreja é pregar o Evangelho puro e simples. O verdadeiro e bíblico Evangelho leva as pessoas a se reconhecerem como pecadoras e ao mesmo tempo mostra Jesus Cristo como o redentor dessas vidas. Consequentemente essas pessoas já convertidas seguirão o caminho da santidade, evitando o pecado denunciado nas Sagradas Escrituras.
Não podemos focar a luta da igreja em moralizar a sociedade. Ora, de nada, absolutamente de nada adianta que os brasileiros conheçam a moralidade cristã mas não sejam convertidos. Não adianta comemorarmos que a maior parte dos brasileiros sejam contra o aborto se ainda temos uma das sociedades mais corruptas do mundo, onde a Lei de Gérson e o jeitinho imperam com forma e vigor. O Brasil não é um país cristão por rejeitar o aborto, mas será quando se render aos pés de Jesus se reconhecer pecador e aceitando um salvador. Só assim faz sentido defender a moralidade: entre quem possa cumpri-la pela mortificação do Espirito Santo (cf. Rm 8).
Os cristãos gritam: ser gay é pecado! Os gays gritam: homofóbicos! Resultado: Nenhuma comunicação do Evangelho. O que o gay, o alcoólatra, o demagogo, o corrupto, o avarento, o mentiroso, o ladrão, o iracundo, o marido que bate na mulher e outros precisam ouvir é: Jesus Cristo quer mudar sua vida. Venha e não peques mais! Deixe o redentor transformá-lo. Deixe Cristo regenerá a sua alma.
O homossexualismo é pecado sim! Não vamos mudar a Bíblia porque um grupo de militantes acha que devemos fazer isso. Mas que a igreja evangélica não vire militante do moralismo e esqueça de pregar Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Nunca a Igreja deve deixar de falar que pecado é pecado, mas sem cair na bobagem de confundir moralidade com evangelho. Ora, na Arábia Saudita você não achará mulheres seminuas, mas também não encontrará quase que nenhum cristão. A Arábia Saudita não é cristã porque suas mulheres são recatadas. Os sauditas são legalistas que não conhecem Jesus Cristo. Infelizmente, estão tão perdidos quando qualquer devasso desse mundo. O mesmo acontece que os legalistas supostamente cristãos.
Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos cristãos empregam forças a favor de oração na sala de aula. Mas sobre isso lembra Michael Horton:
Os liberais podem ter sido os pioneiros na teoria de que não há salvação em outros nomes além do nome de Jesus Cristo, mas nenhum grupo na história moderna tem desejado que o público em geral faça oração não sectárias- isto é, com ou sem Jesus Cristo- tanto como os evangélicos conservadores. Quando se trata de colocar “Deus de volta em nossas escolas”, podemos deixar Jesus para trás. [1]
De nada adiante um monte alunos orando (artificialmente) sem realmente conhecerem Jesus Cristo. A formação de uma nação cristã é utopia boba. Nunca teremos uma nação cristã. Nunca tivemos uma! Sim, temos inúmeras nações com forte influência cristã, mas é até despeitoso chamá-las de cristãs. A verdade sempre será rejeitada pelas maiorias. O verdadeiro cristianismo nunca será unanimidade, logo porque como lembrava Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra!
Horton continua:
Muitos comemoram esta ênfase no Cristo-como-exemplo em vez de no Cristo-Redentor como prenúncio de um “novo tipo de cristão”, mas é isto realmente um antigo tipo moralista? Indiferente se sabe que a morte de Cristo é considerada um sacrifício vicário, o discipulado- carregar nossa cruz- tornar-se o tema mais interessante […] Os conservadores têm sido igualmente propensos a se concentrarem no primeiro e não no segundo, nas últimas décadas. [2]
Pregar moral para quem ainda não conhece a Cristo é como solicitar uma máquina de escrever com wi-fi ou mandar um anexo de PDF por sinal de fumaça. A Igreja primeiro prega (evangelismo) para depois ensinar (doutrina e moral), conforme nos orientou o Nosso Senhor Jesus Cristo:
Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15)
Portanto, ide, ensinai {ou fazei discípulos} todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! (Mateus 28. 19-20)
Referências Bibliográficas:
[1] HORTON, Michael. Cristianismo sem Cristo: O Evangelho Alternativo da Igreja Atual. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p 21.
[2] Idem.