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domingo, 30 de janeiro de 2011

Os burocratas do púlpito

Sou lido por pessoas que não estão familiarizadas com as Assembleias de Deus. Talvez este texto seja mais um daqueles que somente os assembleianos tenham vivência. A burocracia do púlpito é uma marca presente na cultura assembleiana. E como ela é uma “matriz pentecostal” que inspira outras menores é provável que isso se repita em outras igrejas. Ora, se sua igreja não tem burocratas do púlpito agradeça a Deus. Pois bem, quais são as atitudes burocratas do púlpito?

Todos se ponham em pé para receber o pregador”

Nada mais militar e burocrático do que isso. Receber os pregadores visitantes em pé é ridículo. É ceder honra excessiva. Igreja não é quartel. Honra não é reverência militar. Educação não é bajulação. Como lembra o amigo Geremias do Couto: “Quem hierarquiza a Igreja está muito distante dos valores do Reino de Deus”.

Eu quero agradecer ao estimável pastor desta igreja pelo convite honroso para pregar nesta maravilhosa e digníssima congregação”

Quanta vezes você já ouviu um pregador visitante bajulando o pastor e a igreja que o convidaram? Outra atitude patética e, desculpe pelo chavão, seria cômica se não fosse trágica. E se o pastor é presidente de um grande campo o sujeito que está pregando gasta uns 20 minutos só agradecendo a “grande honra” de pregar naquele lugar. Não é errado agradecer, é uma atitude de educação. Agora, não é necessário agradecer bajulando.

Eu aprendi muito com esse grande homem de Deus, varão valoroso, homem de um exemplo digno e fiel servo do Altíssimo”

Pois bem. Já ouvi gente no púlpito elogiando pastores veteranos com esse palavreado todo. Eu digo para vocês: Se fosse comigo ficaria muito constrangido, pois como homem que sou sei que ando muito longe de todas essas qualificações. Creio que Paulo não gostava desses elogios todos, pois ele mesmo disse: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus” (I Co 15.8) e “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (I Tm 1.15 NVI). Observe que o “eu sou” está no presente e não no passado de Paulo. E é bom lembrar os conselhos do rei Salomão: “O crisol é para a prata e o forno é para o ouro, mas o que prova o homem são os elogios que recebe”. (Pv 27.21 NVI) e “Assim como mel demais não faz bem, também não é bom andar procurando elogios” (Pv 25.27 NTLH).

E é bom encerrar com esse conselho paulino: “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp 2.3 NTLH).

Resumindo: Os burocratas são comprometidos com a bajulação humana e não com a glória de Deus. E bajular é lisonjear para obter vantagens, portanto, uma prática antibíblica.

12 comentários:

Marcelo Cardoso disse...

A paz meu amado e querido irmão Gutierres;verdadeiramente você está certíssimo,quantos obreiros que aproveitam a oportunidade de estar diante de grandes lideres e aproveitam o ensejo para se alto – promoverem,e por que não dizer mudam até a mensagem de Deus por uma totalmente humana para satisfizer apenas o ego dos que ali estão presente. Porem dou graças a Deus por verdadeiros profetas do Senhor que não se dobram as glórias deste mundo...

Claudinéia disse...

Sei que exitem algumas burocracias em púlpito como por exemplo o escalado que pode ser um diácono passar a direção do culto para o pastor, considero isto natural e um forma de honrar. Faço parte nas Assembléias de Deus desde criança e nunca vi ninguém recebendo pastores de pé na igreja que faço parte, se há outros tipos de bajulações pelo menos não vejo isso escancarado. Mas, se há bajulações em outras permita Deus que isto seja quebrado e apenas o nome de Deus apareça.
Claudinéia

Eber Pedro disse...

Não existe bajulação sincera.
E e como igreja em tudo devemos ser sinceros , transparente, e claro nos objetivos.

Valter Borges disse...

Isso ocorre com mais frequencia do que se imagina nas igrejas tradicionais (não pentecostais), inclusive com mimos, presentes e outros elogios.
É certo que todo excesso é perigoso! E, precisamos nos equilibrar.
Entretanto, fico pensando, se fosse o contrário!!
Se não houvesse gentilezas??!! O que seria do Cristianismo!
O fato de um elogiar o outro não significa que o elogiado esteja procurando isso!! Cabe a cada um de nós não se empolgar com os elogios e saber que toda glória pertence ao Senhor.
Prefiro uma pessoa com modos e que tenha respeito com o pastor da igreja, que luta dia e noite, inclusive com conflitos pessoais, para manter a igreja firme em Jesus, do que alguém que prega à multidão desprezando seu líder. O que, também, já vi muitas pessoas fazendo isso!
Os pastores são pessoas sozinhas! Lembrem-se disso!! Ele é o pai que ninguém entende!
E o reconhecimento os ajuda a caminhar mais um pouquinho!!
Que Deus tenha misericórdia de nós
http://www.teologiaesociedade.com

Pr. Reinaldo disse...

A paz do Senhor meu amado irmão Gutierres; vivemos em uma cultura assembleiana onde foi criado esse tipo de burocracia baseado em uma cultura secular, e confesso que na maioria das vezes é só bajulação e meio de ganhar favores. Por isso se da mais honra aos homens do que a Deus. Mas confesso que quando isso é feito de forma simples, por exemplo: "Receber uma pessoa como o Antonio Gilberto, por tudo que ele prestou a Igreja em pé não é de todo errado." Porque ficamos de pé por tão pouco em ocasiões não ligadas a Igreja. Mas confesso que não há necessidade de se fazer isso a toda hora. Já fiz isso algumas vezes em reverencia a palavra que iria ser transmitida; agora existe também irmãos ou irmãs, que não ocupam cargos elevados na igreja que nós deveriamos nos colocar de pé, pois são uma benção na obra e nem são reconhecidos.
Quanto aos pregadores que vem a igreja fazer seu show, e ainda levar um cache alto dos irmãos, e muita vezes deixam duvidas e heresias, só a Graça misturada com a misericórdia de Deus. Sem contar que muita das vezes, fazem troca de convites dizendo: Você prega na minha igreja que eu de dou uma oferta transbordante, depois você me convida para ir na sua e você me da uma oferta recalcada, sacudida e transbordante. Fazem isso como uma troca de ofertas, e um meio de fazer retiradas do caixa da igreja sem que o povo perceba. Desse maneira se justifica a saida de uma alto valor do caixa da igreja.
Mas meu amado gutierres; gostei muito do seu Artigo pois irá despertar em nós assembleianos uma discussão sobre o assunto.
Fique com Deus e a paz do Senhor.

http://prreinaldocesar.blogspot.com/

Isaias Lobao disse...

Tenho uma tese que está em desenvolvimento. O movimento pentecostal cresceu muito no Brasil por ter se adaptado a nossa cultura. Não posso negar a influência espiritual, mas sociologica e historicamente o crescimento pentecostal se deu por essa adaptação. Por excmplo, a prática de ver os oficios eclesiásticos (diácono, presbítero e pastor) como degraus hierarquicos veio da influência do pensamento militar. Temos muitos membros das ADs que fazem parte das forças armadas. Essa adaptação é para o bem e para o mal. A burocracia que você citou é uma fascinação brasileira e ocupa o imaginário de muitas pessoas. A busca que pastores pentecostais tem de títulos, honrarias e credenciais é patológica. Lembro-me agora do artigo do Dr. Augustus Nicodemos sobre a alma católica dos evangelicos. As ADs cresceram porque mantiveram o mesmo imaginário social, inclusive com a mesma forma de governo eclesiástico do catolicismo popular.

Fabiane Aquino disse...

corretíssimo!

Moyses Alexandre de Godoi disse...

É óbvio que vão bajular um ao outro, na sua maioria; os tais convites são troca de favores, mera conveniência!Não sei em outras regiões, mas por aqui os departamentos só fazem o trabalho duro, pois os convites partem dos pastores!

E lamentável é quando há alguma dissenção envolvendo o pastor e igreja; e o pregador ungidamente tendo tido uma revelação, encaixa na mensagem tal assunto, e para garantir diz que não sabe de nada do que acontece, que nem teve tempo de conversar com o pastor ainda!

Marcos Sampaio disse...

Parabéns pelo blog. Muito edificante! Que Deus continue abençoando sua vida.

Faça uma visita ao VC:

http://voltemosaocaminho.wordpress.com

Um forte abraço,
Marcos Sampaio

Lorenna disse...

E existe situação mais envergonhante que aquelas 1000 cadeiras no altar?!
Entendo sim o valor da liderança e importância de tal, mas aqueles "pastores" e "acompanhantes" sentados naquelas cadeiras todas esculpidas ( que são horrorosas quase sempre), forradas com veludo vermelho olhando para a congregação como se fossem os maiores dos maiores. E aquela mania de convidar os visitantes de "importância" para se assentarem ao altar. Ora, qualquer um que visita o templo é de enorme importância diante de Deus; seja o pobre faminto ou o pastor com um "ministério impactante". A cabeça da igreja é Cristo, e os outros são ovelhas, que se alimentam da mesma fonte, que é a palavra de Deus. Somos todos ovelhas, guiadas por um Deus apenas, que nao divide o seu reino!

Jefão disse...

muito bom kkkkk tudo verdade

Talvany disse...

Não podemos esperar diferente coisa de sistemas alicessados em ""homens" grandes"". O 'episcopado assembleiano', como está hoje é um caso sério!