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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lá vem o John MacArthur de novo...

Leia essa notícia e depois veja o meu comentário.

http://ogalileo.com.br/cristianismo/materias/famoso-pastor-diz-que-protestos-contra-ditadores-vao-contra-biblia

Pois bem. Não há como concordar com os comentários do pastor John MacArthur. É de um conformismo absurdo. O discurso é lamentável.

a) É possível que as revoluções no mundo árabe acabem em novas ditaduras? Sim, é possível. O exemplo maior é o Irã da década de 1970. O Irã saiu de uma ditadura secular para uma ditadura religiosa ainda pior. Mas quem disse que o mundo muçulmano também não pode experimentar a democracia? Exemplo maior é a Indonésia e a Turquia. O próprio Irã vem enfrentando protestos por democracia. Só o futuro dirá como essa “Primavera Árabe” vai acabar. O maior exemplo que qualquer país pode ser democrático é o Brasil, como lembrou ironicamente Diogo Mainardi, no último programa Manhattan Connection.

b) Que história é essa que não podemos lutar contra ditadores? MacArthur, então, seria parte daqueles pastores alemães que apoiaram o regime nazista? Ou seria como Dietrich Bonhoeffer que lutou contra aquele tirano maluco que estava disposto a dominar a Europa? O conformismo com o Estado, se levado a sério, torna o Estado um deus. Mais importante é obedecer a Deus do que os homens, não era assim a pregação dos apóstolos?

c) João Batista então deveria ficar calado diante dos pecados de Herodes? Jesus deveria ter sido mais manso nas respostas diante de Pilatos? Pedro, quando pregava, não era uma desobediência civil? Os cristãos chineses, que ele mesmo citou como exemplo, não promovem desobediência civil ao promoverem cultos nos lares? O Estado ou Deus?

d) Falar que perseguição é melhor para a saúde da igreja do que “liberdade religiosa” é risível. Tudo bem que Tertuliano disse que o sangue dos mártires é a semente da Igreja, mas por causa da perseguição ferrenha muitas igrejas na história simplesmente morreram, como na Etiópia, por exemplo. Não tome a máxima de Tertuliano como verdade bíblica. A Coreia do Norte, hoje, quase não tem cristão. O cristianismo cresce na China, mas é bom lembrar que a perseguição na China de hoje é mais branda do que na China de Mao.

e) Os protestantes são os pais intelectuais da “liberdade religiosa”. É lamentável que John MacArthur não deseje essa liberdade para os demais. MacArthur vive em um país que nunca teve uma ditadura e cuja constituição garante a liberdade no primeiro artigo. É fácil falar para os outros se conformarem com ditaduras. Os “pais fundadores” dos Estados Unidos ficariam com vergonha desse comentário.

Portanto, não há como concordar com MacArthur. Ele promove um desserviço para os evangélicos, já que muita gente vai generalizar como se todos nós fôssemos conformados como ele. Já estou até vendo os comentários...

23 comentários:

Victor Leonardo Barbosa disse...

Grande Gutierres, estou por aqui mais uma vez..rsrs...

Sem querer dar uma de advogado do diabo, creio que devemos ler as palavras de Macarthur em seu devido contexto, por isso fui direto a página americana do christianpost( que por sinal o galileo não indica), vide aqui:
http://www.christianpost.com/news/interview-john-macarthur-on-being-a-slave-for-christ-middle-east-unrest-49087/

A entrevista tem por base a divulgação do novo livro de Macarthur, que trata do conceito "slave"(escravo) dentro da perspectiva bíblica.

Creio que a perspectiva que Macathur está falando, concernente aos protestos recentes é do ponto de vista espiritual. A meu ver as chances são poucas de uma democracia existir após esses protestos, pelo menos a curto prazo, e a pergunta seria: haverá algum bem espiritual direto nesse processo? A Alemanha pós-nazista não melhorou muito do liberalismo pré-existente.

É claro que devemos obedecer a Deus antes do que os homens, mas o contexto ali se refere a pregação do Evangelho, não de uma luta democrática. o foco principal que Macarthur toca é sobre a postura do crente nesse processo ou vivendo em meio a uma ditadura, se ele Está certo ou não em suas afirmações, aí já é tema para outro debate.

Veja bem, não estou dizendo que Macarthur está totalmente correto em todas as suas afirmativas, nem tampouco que Deus não está no controle dessa situação e que por certo usará para o bem e que Kadafi não é um imoral, cruel e não merece ser deposto. A liberdade religiosa é um passo importantíssimo para vivermos nossa fé e testemunharmos do Evangelho, diferente de Macarthur, creio que são coisas importantes e que direitos de expressão são importantíssimos(não que isso irá anular a perseguição à igreja na propagação do evangelho, na verdade, quando a igreja avança, sempre acontece algum tipo de perseguição).

Obrigado pela informação mano e que Deus te abençoe!

Gutierres Siqueira disse...

Grande Victor, volte quantas vezes quiser, rsrs

Olha, li a matéria em inglês e não acho que na matéria do Galileu tenha saído qualquer tipo de distorção no entendimento. É o que eu entendi mesmo!!! :)

Por exemplo: 'But biblically speaking, I would have wished the American government, which has a history of Christianity, would have risen up and said “this is wrong,
this is forbidden for people to do this, this is intolerable.' Look, if you live in Iran and you obey the law, you’re safe because that’s what happens. You might not like the law, you might not like a lot about it, but … obviously "

É conformismo puro! E ele ainda me aparece com a escandalosa pergunta: "After all, who said democracy’s the best form of government?"

E tenta justificar a escravidão política com o fato que somos sempre escravos de algo. É sofisma puro! Isaiah Berlin nele!

Sejamos profetas como Isaías: "Seus líderes são rebeldes, amigos de ladrões; todos eles amam o suborno e andam atrás de presentes. Eles não defendem os direitos do órfão, e não tomam conhecimento da causa da viúva."

Aprendiz disse...

Gutierres

Você está certo.

Não sou tolo de não perceber que, no caso do Egito, as chances de ocorrer uma ditadura religiosa não são pequenas. Também não sou tolo de não perceber que as esquerdas ocidentais estão torcendo para que isso aconteça. Mas isso não anula o fato de que os egipcios tem o direito de derrubar um ditador. Isso não anula o fato de que a liberdade boa e a escravidão é má. Se é verdade que muitos não tem usado a liberdade com sabedoria, isso não a torna má.

Marcelo Lemos disse...

Nao consegui ler a opiniao de McArthur, mas pelo que deduzo a partir deste texto, e vcs dois estao equivocados. Ele, erra por (aparentemente) achar que nao se deveria comemorar a fim de uma ditaura; e o irmao, por sua vez, era ao pensar que os protestos no Egito sejam a favor da "democracia". Nao sao. Peço que os brasileiros pesquisem sobre o envolvimento da Fraternidade Islamica no caso - a midia brasileira, como sempre, esta calada sobre o assunto...

O objetivo de tais fundamentalistas eh simplesmente um: dominiar, e pela força. A queda do antigo governo pode ser apenas uma aparencia de "coisa boa", so o tempo vai nos dizer. Por enquanto, resta-nos orar pelo melhor. Oremos para que tudo nao venha a ser um novo Ira, um novo Afeganistao, etc. Lembremos: no começo, eles falam de liberdade, apenas para convencer o Ocidente a apoia-los. Oremos para que este pessimismo nao tenha razao de ser.

André Tadeu de Oliveira disse...

Gutierres;

É absolutamente normal este tipo de comentário por parte de um fundamentalista como Macarthur . O que esperar de um sujeito que defende a seguinte idéia;

" A heresia vem montada no lombo da tolerância"

?????

Abraços

Gutierres Siqueira disse...

Marcelo Lemos, a paz!

Por favor, releia o que escrevi no ponto (A).

Eu lembrei sim que existe um perigo real que grupos fundamentalistas islâmicos, como o Irmandade Muçulmana, tomem conta do poder, especialmente no Egito. A Irmandade Muçulmana é a organização política egípcia mais articulada.

Agora, é falso alegar que os protestos dos egípcios foram impulsionados pela Irmandade Muçulmana. Não, a maior parte dos manifestantes da Praça Tahrir estavam pedindo liberdade. É claro que a Irmandade, os terroristas do Hamas e o próprio ditador iraniano ficaram felizes com a queda do Mubarak. Esses terroristas achavam que os protestos contra Mubarak fossem antiocidentais, mas já estão vendo que não é bem assim.

E o Kadafi? Um populista-socialista antiocidental e terrorista que está governando a Líbia nessas últimas quadro décadas. Kadafi diz que é a garantia contra os terroristas da Al-Qaeda, mas ele mesmo é um terrorista. Kadafi mandou derrubar um avião na Escócia em 1988, matando 270 pessoas. A disputa de Kadafi com a Al-Qaeda é como briga de traficantes de facções diferentes. Ontem um líbio dizia claramente na TV: “We want only freedom”! Kadafi está promovendo um início de genocídio e recebeu o apoio de outro tirano, o Fidel Castro.

Como vai acabar a “Primavera Árabe”? Somente Deus é quem sabe. Eu torço que esse mundo árabe abrace a democracia e não a teocracia. Os sinais são animadores.

Matias disse...

bom, para im ficou claro que o polemico McArthur quer biblicamente comprovar que não se pode protestar contra o governo. De fato, se McArthur fosse alemão e vivesse na época de Hitler, iria condenar Bonhoeffer e Niemoeller.
A partir de Rom 13 McArthur entende que devemos ficar calados diante de injustiça e corrupção!
No texto inglês, McArthur ainda usa o argumento que a Biblia não favorece a "democracia" (de fato a Biblia não entra na questão de tipos de governo), e portanto, é errado protestar contra a ditadura a favor da democracia (o que não acho certo, a democracia é o que a graça comum de Deus usa para freiar a maldade dos ditadores). McArthur está certo na sua análise ao duvidar que os protestos levem a democracia, pois a própria cultura islamica que permeia o mundo árabe desconhece o principio da democracia e tentativas democraticas geralmente acabam em caos (vd Iraque). Junto com a luta pela democracia deve vir a luta para uma mudança de mentalidade.

Isaias Lobao disse...

Não concordo com o McArthur. No entanto, devo informar que ele está sendo coerente com sua posição escatológica, o dispensacionalismo. Essa apatia e descrença em mudanças é a característica mais marcante do dispensacionalismo. Por isso que o Brasil tem índices tão baixos de transformações sociais a partir da igreja e dos cristãos. Muitos aguardam a bendita esperança, sem apresentar nenhuma esperança para agora. Esquecem que o Reino de Deus vive a tensão entre o Já e o Ainda Não;

Marcelo Lemos disse...

Irmao Gutierres, paz, prazer participar do seu blog, que lei regularmente.

Bem, eu compreendi o seu texto, mas nao concordo.

Nao ha um levante popular em prol da Democracia no Oriente. Observem, queridos, NAO SE TRATA DO EGITO, mas de um movimento EM TODO O ORIENTE ONDE O ISLA NAO E UMA "TEOCRACIA", risos!!!

E o pior de tudo, como alvo da Fraternidade eh o embargo a Suez, tudo isso pode culminar em nossa proxima Guerra Mundial.

Nos. ocidentais, precisamos compreender que NAO HA LUGAR PARA A DEMOCRACIA, onde quer que exista o Isla. O que esta em jogo la nao eh o futuro do Egito, mas o futuro do Ocidente.

Lembrando, ainda que, este sempre foi O PLANO do o Aiatolá Ruhollah Khomein: espalhar o mesmo processo que aconteceu no Ira!! Isso, a duas decadas, tem dividio o Oriente Medio em dois blocos, um em prol da "teocracia", e o outro "de resistencia". E eh justamente os que integram a "resistencia" que estam sendo atacados pelos protestos.

Agora, nao estou dizendo que a vida da Fraternidade vai ser facil, pois no Egito os militares dominam desde 1952, e sempre resistiram a ela. Eh ate provavel que eles nao façam eleiçoes, como aconteceu no Brasil, instaurando um nova ditadura, militar.

O importante aqui e perceber que nao tem nada de bom acontecendo no Oriente Medio, pois eh muito caro o que esta em jogo; e democracia nao se faz de um dia para o outro, e nem eh possivel onde nao existe um sociedade cujos valores reflitam a moral crista.

Gutierres Siqueira disse...

Pegando carona no comentário do Matias, quero discutir a questão do autoridade em Rm 13. É bom lembrar que esse texto precisa ser lido dentro do contexto bíblico.

Rm 13 nos ensina a reconhecer uma estância governamental comum. É um antídoto à anarquia. Devemos reconhecer um governo e obedecê-lo. Isso é fato. Mas essa obediência conhece limites. A Igreja Primitiva resistiu a César quando este exigiu adoração. Se eles não lutaram pela democracia representativa é porque esta nasceu somente nos últimos séculos.

Prestem atenção! Os cristãos não foram mortos pelo Império Romano pelo fato de serem cristãos. Em Roma você podia seguir a crença que quisesse. Mas todos deveriam adorar o imperador, todos deviam glória a César. Se você falar que um tirano (eu sou deus) é um ministro divino você carece de lógica. Deus não divide sua glória com ninguém!

Ah, mas Kadafi não exigia adoração, pode alegar alguns. Formalmente não, mas ele se comporta como um Messias. Todo regime messiânico é tirânico e todo regime tirânico é messiânico. É dever do cristão buscar a justiça. Se o político cristão William Wilberforce pensasse como MacArthur a escravidão teria durado ainda muito tempo no ocidente.

Eu dou os parabéns ao cardeal católico Karol Wojtyla, o papa João Paulo II, que foi decisivo na queda dos regimes comunistas totalitários do leste europeu, inclusive o seu país natal: a Polônia.

E concordo com o Isaías que a visão do MacArthir é consequência da visão escatológica dele.

E se você pensa que o pensamento do MacArthur é conservadorismo, você está enganado. Francis Schaeffer, um pensador cristão conservador, era defensor da desobediência civil e citava a Alemanha nazista como exemplo. Veja: O Manifesto Cristão (Editora Cultura Cristã).

zwinglio rodrigues disse...

Gutierres, paz!

Eu entendi a fala de Macarthur da mesma maneira que você.

Acho que você argumenta muito bem contra a fala dele. Concordo com o seu raciocínio.

No entanto, penso que devemos levar em conta também o que diz o irmão Marcelo Lemos em seu segundo bloco e comentário.

_____

Obs.: Sinceramente, o fundamentalismo de líderes como Macarthur me incomoda.


Abraços!

Marcelo Lemos disse...

Perfeito, irmao Gutierres, o posicionamento de McArtur nao eh conservadorismo. Alem disso, para ser fiel a seu principio, ele deveria pedir perdao a Inglaterra, pois os EUA rebelaram-se contra a Cora Britanica, fato do qual os americanos muito se orgulham! Por este prisma, McArthur mora em uma naçao rebelede, risos!

Gutierres Siqueira disse...

Zwinglio e Marcelo,

A possibilidade de futuras ditaduras é preocupante. Mas a democracia também é provável. Vejo que a Turquia e a Indonésia, países muçulmanos, já deram prova que é possível uma democracia entre adeptos dessa religião. Sei que mesmo nesses países há quem sonhe com a teocracia, mas já existe um movimento secularista no islã.

Vamos torcer pelo secularismo no islã!


PS: Zimglio, também já cansei do fundamentalismo de alguns nomes famosos.

wanderson disse...

paz gutierres!!
quando acabei a notícia do posicionamento john macarthur,logo vi aqui no blog,pois sabia que não ficaria calado,e quero parabenizá-lo,por não fechar os olhos, uma vez que muitos irmãos na fé têm como referência o pr john macarthur e abaixam a cabeça pra toda heresia fundamentalista dita pelo pr,,

Janyson Costa disse...

A paz do senhor irmão Gutierres, Creio assim como o irmão Victor que há um mal entendimento na fala do pastor MacArthur.Ele está falando sim do ponto de vista espiritual,realmente não adianta eu viver um vida de militância política se o meu país será praticamente lançado no inferno nas mesmas proporções territoriais e populacionais que ele possui hoje e comigo dentro, juntamente com seu regime seja lá qual for.Concordo tmbm que o melhor regime é o teocrático bíblico,ter Deus como rei direto de um povo que privilégio Israel trocou por Saul.

Portanto o pastor Macarthur não disse para apoiarmos o regime, ou para nos curvarmos a Cézar ele mesmo fala sobre perseguição, só disse que conseguir liberdade política e religiosa somente no âmbito material é inútil, se não buscarem se voltar a Deus e encontrar a verdadeira liberdade o que eles buscam com tanta gana é ouro falso e o melhor rebelde sem Cristo continua sendo um condenado ao inferno.

A questão é que o pastor Macarthur se refere ao contexto dos protestos analisando-os através de seu livro ele faz uma análise espiritual e não política afinal de contas ele é um pastor cristão discerne tanto as coisas espirituais quanto carnais e assim deve ser,e não um cientista político somente o que devemos buscar são as implicações carnais dos processos de protestos.

Um imenso abraço.E a paz de Cristo

Diego disse...

Turquia e Indonésia não são países muçulmanos, como os países do Oriente, antes são Estados Laicos, bem diferente dos paises do Oriente, inclusive possuem em suas constituições libertade de culto e cláusulas seculares.
A própria Turquia foi fundada como estado Laico, e somente em 2002, um partido islâmico foi eleito.

São exemplos que não se aplicam a situação do Egito ou Líbia ou outros países do oriente, que nunca foram, não são e talvez nunca se tornem Estados Laicos.

Como o Marcelo disse, aonde há o Islã, não há democracia, pois é o Islã que rege o país.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Diego,

Quando falei que Turquia e Indonésia são países muçulmanos não quis dizer que fossem Estados religiosos. Eu sei que ambos são laicos. Mas "países muçulmanos" me referia a maioria religiosa desses países. Inclusive, a Indonésia é o maior país muçulmano do mundo. Por isso, são exemplos que é sim possível uma democracia nesses países.

Vamos ver democracia na Tunísia, Egito e Líbia? Não sei. Talvez sim, talvez não. Talvez sigam a Turquia, talvez sigam o Irã. Talvez fiquem melhores, talvez fiquem piores. Só Deus, e não Alá, é quem sabe.

Mas não podemos descartar o cenário positivo, e nem o negativo. Repito: Qualquer um dos dois pode acontecer. Nenhum deles é impossível.

Diego disse...

Irmão Gutierres, eu honestamente não creio que isso possa acontecer, mas isso não é uma verdade absoluta, é somente minha opinião e posso estar redondamente enganado.

Na Indonésia, por exemplo, que possui mais de 200 milhões de muçulmamos e o governo é secular, o clima é sempre tenso e os ultimos anos a intolerância religiosa tem crescido e gerado preseguições, inclusive a outros grupos muçulmanos, de uma seita islâmica chamada Ahmadiyah, que acreditam que Maomé não foi o ultimo profeta, com destruições e mortes.

Isso sem contar, a perseguição aos cristãos tem se intensificado, gerando destruição e morte contra estes. Em 2010 manifestações de grupos muçulmanos a construção de uma igreja no bairro de Bekasi em Jakarta, geraram violência e dois padres foram esfaqueados. Recentemente grupos muçulmanos destruiram duas igrejas na zona central de Java.

Na Turquia o governo é Islâmico e tentativa de Islamização é forte, mas sofre forte oposição de secularistas dentro da imprensa, das universidades, do meio intelectual, Forças Armadas e etc.

A vantagem é que lá, não há um sentimento ou discurso anti-ocidente, pelo menos da parte do governo. A democracia desses países não possui a "tranquilidade democratica ocidental", justamente por causa da religião dominante.
O problema, é que para os muçulmanos, o Estado é subordinado a religião, e quando isso não acontece a instabilidade é real e constante.

Por isso que a democracia ocidental não da certo lá.

Mas é como você disse, "Só Deus, e não Alá, é quem sabe".

Vamos aguardar.
Graça e Paz.

Luciano disse...

Olá a todos!
Talvez eu seja apedrejado por alguns aqui, a começar pelo nosso moderador (rsrsrsrs) que vez por outra publica alguma coisa contra o Pr. John MacArthur – é brincadeira, hem, Gutierrez, todos sabemos da sua postura democrática sobretudo na admissão dos comentários -, mas vamos lá!
A matéria d’Ogalileo me pareceu meio tendenciosa contra o referido pastor. Esse negócio de se transcreverem trechos de uma entrevista e mostrar seu ponto de vista sobre a pessoa a partir desses extratos cheira ao comportamento de algumas revistas de circulação nacional. Infelizmente, como ainda não domino o inglês, não consegui ler na íntegra a entrevista original. A coisa toda – na matéria d’Ogalileo – pareceu meio assim como se dissessem “olha só o que o doido do MacArthur está falando”, principalmente quando, logo no início, alude à “esperança de conseguir mais liberdade, democracia e mais oportunidades” (o que sempre é discutível sobretudo porque não conhecemos as forças que estão por trás dessas manifestações e os motivos ou fins que sustentam tudo aquilo, vide, como dito por alguns aqui, o caso do Irã) e depois passa o tempo todo insinuando que o pastor entrevistado seria contra isso, ou seja, contra liberdade, democracia e mais oportunidades. Qualquer um que ler isso vai dizer “Meu Deus, que coisa horrível um pastor ser contra liberdade, democracia e mais oportunidades”.
Outro ponto. Evangélicos nem sempre marcam gol, e muitas vezes pisam feio na bola quando se põem a comentar biblicamente temas alheios a teologia – não que não devam fazê-lo. Então, vamos ser um pouco mais condescendentes com o velho MacArthur – algo como tomar o que é bom. Sim, devemos criticar, sim, quando nossos irmãos vão às tribunas e dão mancada, mas quem nunca deu uma, hem?
Falo isso porque ganhei muito em minha espiritualidade através de alguns livros do Pr. John MacArthur quando eu descambava para o relativismo religioso na linha de Ricardo Gondim, Paulo Brabo e outros, lendo a literatura que eles recomendam, principalmente o primeiro, e me entristeço um pouco quando vejo “sentarem o porrete” no velho pastor sem sequer uma alusão a sua contribuição para que a nossa fé não descambe para sei lá o quê em que o evangelicalismo brasileiro sempre ameaça se tornar, com adjetivos como fundamentalista usados sempre com tom reprovador. Não sei se já leram o artigo do Pr. Augustus Nicodemus intitulado “Um credo para os fundamentalistas” no blog “O Tempora, O Mores”, mas eu passei a usar com mais cuidado esse termo quando percebi que aqueles que se dizem não-fundamentalistas são os que estão levando o Cristianismo para o fundo do poço do relativismo, exatamente por negar o que dá origem ao termo – os fundamentos.
Não sou contra argumentos e críticas, e quem acompanhou alguns comentários no posto do Gutierrez sobre música evangélica deve saber disso, muito pelo contrário, mas vamos com calma e com um pouco mais de consideração pelos gols feitos que pelas bolas fora.
Abraços a todos!

Diego disse...

Concordo completamente com o Luciano.
Oxalá que tivesse no Brasil defensores do Evangelho como MacArthur.

Muitos usam o termo "fundamentalista" sem sequer conhecer a origem e significado do termo. Prefiro eu um "fundamentalista" como ele, que proclama e defende a supremacia da Escritura, á 100 Felicianos, Malafaias, Câmaras, Wellingtons, Waldomiros, Macedos, Gondins, Kivitz, Celebridades de Gideões e etc.
Se exitissem mais como ele aqui, talvez a igreja brasileira seria diferente.

Possuo três de seus livros e são excelentes e inspiradores.
O fato é que ele fala boas verdades sobre o meio carismático/pentecostal, e muitos não gostam.

Eu, mesmo sendo criado em meio pentecostal, concordo com muitas de suas críticas.

Este é o link do texto citado pelo Luciano.

http://tempora-mores.blogspot.com/search?q=Um+Credo+para+os+Fundamentalistas+

Abraços a todos.

Gutierres Siqueira disse...

Diego,

Sabemos que a liberdade religiosa garantida nas constituições da Turquia e da Indonésia devem ser relativizadas. Concordo plenamente. Não há uma liberdade completa como nos países ocidentais. Muitas vezes a oposição começa na própria família. Nada não muito diferente da perseguição que os evangélicos sofreram no Brasil no século 19 e início do século 20. A lei diz uma coisa, mas a prática é outra. Isso é verdade.

Hoje almocei (na verdade, lanchei) com um jovem batista, filho de missionários que viveram muitos anos na Turquia. Ele chegou na Turquia com apenas 10 anos. Ele relatou justamente a dificuldade de evangelizar na Turquia pela oposição das famílias dos novos convertidos. Além disso, o governo barra missionários alegando outros motivos, como um suposto problema no visto.

Ainda assim, é o país muçulmano mais fácil de compartilhar a fé cristã, comparado com Irã, Egito, Iraque ou mesmo a fechadíssima Arábia Saudita. Mesmo que o governo não leve a sério a liberdade religiosa, já é possível ver uma grande diferença entre a Turquia e os demais países de maioria muçulmana. Outro problema turco, segundo o colega missionário, é identificação do Islã com a identidade nacional. “Sou turco, logo sou muçulmano”, pensam eles no forte nacionalismo. Tomara que o secularismo cresça a cada dia naquele lugar!

Luciano e Diego,

É claro que John MacArthur tem o seu valor. Já li livros dele. Conheço o trabalho do referido pastor. Só não leio mais porque acho MacArthur um autor redundante, pois sempre está batendo na mesma tecla (é possível que alguns leitores deste blog pensem o mesmo sobre mim, rsrs). Hoje um colega me recomendou o livro “Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Vou dar uma olhada depois.

Agora, que MacArtrur é muito radical. A minha interpretação e a interpretação da revista não está fora do real. Bastar ler o texto em inglês. Está lá.

After all, who said democracy’s the best form of government?, pergunta ele. Traduzindo: “Afinal, quem disse que a democracia é a melhor forma de governo?” Meu Deus! A defesa de uma espécie de teocracia cristã é horrível!

Somos cristãos e não positivistas. Não cremos que a história culminará na perfeição deste mundo. Não somos materialistas modernos. Não devemos crer em nação cristã assim como não cremos em um Estado igualitário por meio do marxismo. O Reino de Cristo não é deste mundo! Será que Jesus não foi claro? O Reino de Deus está manifesto por meio da igreja, não por um Estado. Deus nos livre da teocracia! Logo porque na teocracia não é “theos” que faz “cracia”, mas sim a “klêros” que fala em nome dEle.

A título de combater o pós-modernismo com seu maldito relativismo, muitos fundamentalistas abraçam o modernismo de forma equivocada. Abraçam o racionalismo e tentam sistematizar a teologia exageradamente, fazendo de uma escola teológica (calvinista, por exemplo) uma autoridade de infalibilidade papal.

Eu creio nas mesmas verdades fundamentais que um fundamentalista, mas jamais quero esse título para mim. Sou evangelical. Nem liberal, nem fundamentalista.

E o debate pode continuar, pois este espaço é para isso mesmo!

Diego disse...

Gutierres

Faço minhas as suas palavras;
"Tomara que o secularismo cresça a cada dia naquele lugar!"

O MacArthur realmente em alguns aspectos é redundante, mas é uma redundância positiva, rsrs.

O livro citado por você faz parte das minhas futuras aquisições, é muito recomendado.

Comprei recentemente, mas ainda não li, A Outra Face, lançado pela Thomas Nelson.
Pela passada de olho achei excelente, assim como Com Vergonha do Evangelho, livro que para mim, todo cristão deveria ler e reler.

Aliás, o primeiro contato que tive com MacArthur, foi em um livro de um pastor pentecostal.

Abraços.
Graça e Paz.

Anônimo disse...

É lamentável que se ridicularize um homem que Deus tem usado por décadas, retirando de um contexto as suas afirmações.
Aqueles que assim fazem deveriam ter o zêlo de analisar tudo o que leem e não apenas extrair partes de uma entrevista sobre assunto polêmico.
Deus os julgará...