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quinta-feira, 17 de março de 2011

A política segundo o teólogo Wayne Grudem

Nesses últimos dois dias assisti a maior parte das palestras e plenárias do II Congresso Internacional de Religião, Teologia e Igreja da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Valeu a pena cada minuto. Entre os palestrantes estava o Dr. Wayne Grudem, Ph.D. pela Universidade de Cambridge. Grudem foi titular do Departamento de Teologia Bíblica e Sistemática na Trinity Evangelical Divinity School, uma das mais respeitadas escolas de teologia dos Estados Unidos. A Teologia Sistemática (Edições Vida Nova) dele já vendeu mais de 600 mil cópias, sendo um número impressionante para esse tipo de livro.

Na minha opinião, o maior legado de Grudem é o livro Dom de Profecia (Editora Vida). Como um importante teólogo reformado, ele trouxe para o mundo acadêmico protestante (e cessassionista) o debate sobre os dons espirituais. As posições no livro são bem “pentecostais”. Ele, inclusive, cita bastante o teólogo Donald Gee, um dos fundadores da Assembleia de Deus na Inglaterra. No momento do autógrafo eu elogiei essa obra e ele, muito simpático, ficou alegre em saber que o livro está traduzido para o português.

A luta contra a tirania

Critiquei recentemente declarações políticas do pastor John MacArthur Jr. (Veja aqui). Na ocasião, afirmei que era uma posição isolada de MacArthur e não representava os demais evangélicos. Graças ao bom Deus, o congresso não deixou eu mentir. Os palestrantes, incluindo Grudem, defenderam a ideia de que os cristãos podem e devem lutar contra tiranias, ao contrário do que MacArthur expressou na entrevista ao site The Christian Post.

Grudem lançou recentemente o livro Politics According to the Bible (Política segundo a Bíblia, em tradução livre). As palestras foram baseadas nessa obra de 664 páginas. Ficou claro como a relação do cristão deve ter com a liberdade política e religiosa. Inclusive, a liberdade é o tema da Carta de Princípios de 2011 da Universidade Mackenzie (Veja aqui). Grudem citou uma frase interessante de Benjamin Franklin: “Rebelar-se contra tiranos é obedecer a Deus”.

Os cristãos americanos não deveriam rebelar-se contra a Inglaterra e jamais poderiam promover a Revolução Americana, ou seja, nada de independência. Assim era como muitos cristãos pensavam, segundo Grudem. Enquanto outros cristãos viam, com Benjamin Franklin, que era dever cristão lutar contra o poder único (tirano) do rei inglês. Somente a Deus pertence todo o poder. Para o rei inglês George III, eram os clérigos calvinistas que instigavam a Revolução Americana, como lembrou o teólogo Franklim Ferreira na sua palestra.

Liberdade religiosa

No livro, somente em inglês, há um trecho citado por Justin Taylor bem interessante a respeito da liberdade religiosa e nossa obrigação de defendê-la. Não queremos teocracia, jamais! Logo porque toda teocracia é um clerocracia.

A visão de "influência significativa" diz que os cristãos devem procurar influenciar o governo civil de acordo com os padrões morais de Deus e seus propósitos para o governo, como revelado nas Escrituras (quando bem interpretada). Mas enquanto os cristãos exercem essa influência, devem simultâneamente insisterem na proteção da liberdade religiosa para todos os cidadãos. Além disso, a "influência cristã” não significa braveza, agressividade, intolerância e críticas com o rosto vermelho e cheio de ódio; mas antes conservas cativantes, amáveis, atenciosas e persuasivas de que amar é adequado a cada circunstância e que sempre protege o direito da outra pessoa discordar, mas que também é inflexível sobre a bondade e honestidade moral dos ensinamentos da Palavra de Deus. (p. 55).

Portanto, Grudem propõe o equilíbrio da tolerância com a firmeza dos valores universais. Sim, tal equilíbrio é possível. Acreditar em absolutos não faz naturalmente um absolutista, um intolerante. Quantos relativistas são o terror da liberdade? Quantos relativistas jamais aceitam opiniões contrárias? São muitos. Ironicamente, há um ótimo texto sobre esse assunto do pastor Ricardo Gondim, mas escrito em 1997: http://www.hermeneutica.com/mensagens/intolerancia.html

PS: Farei alguns posts sobre os diversos assuntos abordados no congresso.

10 comentários:

Cristiano Silva disse...

Ai ai ai... estes meus irmãos em Cristo, sempre me fazendo comprar mais e mais livros para o Kindle, como este! Valeu, hein, Sr. Siqueira.

Espero que este livro me ajude no desenvolvimento de minha visão política e social, mas confesso que estarei com um "pé atrás": tiranos que utilizam do governo são na verdade transgressores, abusam de algo instituído por Deus, mas confesso que um cristão instigar uma revolução, como a citada, a Americana... não sei. Preciso pensar mais nisso.

God bless.

Gutierres Siqueira disse...

Cristiano,

Penso que você vai gostar do livro...

E aproveite o seu Kindle com a Amazon. Na loja do meu Sony Reader o livro está $ 19,99. rs

Cristiano Silva disse...

Mas o Kindle é bem mais bonito! hehehehe

Abraços.

Gutierres Siqueira disse...

hahaha

Isso é verdade. Além do que, no Kindle há muitos livros grátis da Amazon. E na loja da Sony não há a biografia do C. S. Lewis, que eu tanto procuro.

Luciano disse...

Vou apenas pensar alto, e gostaria que quem me ouvisse pudesse contribuir.
Eu penso que seja um ponto difícil esse da participação de cristãos, como tais, em questões políticas.
A frase de Benjamin Franklin soa como uma boa justificativa para uma ação política específica - Deus ao lado dos que lutam contra os tiranos.
Bom, o que são tiranos e quem são os tiranos em cada contexto?
O rei da Inglaterra deveria estar animando suas tropas com o mesmo fundamento - talvez ele, ou algum de seus generais, tenha dito que "Deus está do lado dos que lutam contra os rebeldes".
Durante a ditadura militar aqui no Brasil lá foram cristãos para a rua contra o comunismo em nome dos valores cristãos, e Deus certamente estava ao seu lado.
Enquanto isso, lá no Araguaia, religiosos de esquerda, baseados nos princípios da teologia da libertação, livro do Êxodo na ponta da língua, lutavam contra a ditadura, e por certo Deus estava do seu lado... também.
Quem são os tiranos, quem são os rebeldes, quem age em nome de Deus, qual a cor da camisa de Deus?
E o pessoal que espera Jesus voltar a qualquer momento e o fim da história? o que eles querem mudar se Deus é quem vai mudar tudo? não seria um contra-senso?
Espíritas (é apenas um alusão) acham que as dores que alguém sofre nesta vida são decorrência de seus atos em encarnações anteriores. Então, para que lutar contra a origem das dores? Reformados acham que as dores decorrem da soberania de Deus. Vamos lutar então contra quem? não seria, em última instância, contra Deus?
Penso que o homem - espírita, ateu, reformado, assembleiano, batista, muçulmano, católico, budista - deve lutar contra as injustiças sociais porque é homem e vê outro homem despido da sua humanidade, e que usar a Bíblia, ou Deus, ou o Cristianismo para fundamentar suas ações é sempre o uso político da religião, que se presta, nesse momento, ao que se quer fazer com ela.
Jesus perante Pôncio Pilatos, Paulo perante Félix, Festo, Agripa Lutero perante o Imperador - não se tratou de tiranias, de esquerda ou direita, vermelho ou sei lá que cor, mas do Senhor Deus e do seu plano de salvação para o homem.

Daniel Grubba disse...

Fala Gutierrez,
Bom, foi um prazer conhecê-lo pessoalmente do P242.
Quanto ao Grudem, estive em duas palestras dele no Mackenzie. Gostei muito da primeira onde ele aborda as visões erradas sobre a relação entre política e religião. Mas no segundo dia fiquei um pouco desapontado quanto a algumas posições que ele chamou de "políticas conservadoras", que segundo ele entende e defende em seu recente livro, são frutos de uma cosmovisão cristã. Duas questões me deixaram preocupados (pode ser ignorância da minha parte): A primeira é que ele não acredita nesta história de aquecimento global, e a segunda, defendeu que os recursos naturais da terra não estão se esgotando. O que você acha sobre isso? Você tem alguma obra sobre estas polêmicas para indicar?
Abraços.

Gutierres Siqueira disse...

Olá Daniel,

Também foi um prazer conhecê-lo no Projeto 242. Eu não vi você e nem o Jonas Madureira no Congresso. Fiquei na terceira fila...

Essa palestra mencionado por você parece que provocou muitas reações, principalmente na hora do "capital" e das "armas". rsrs

Mas sobre o aquecimento global penso que você já tenha assistido o filme "Verdade Inconveniente" do Al Gore.

Alguns cientistas fizeram um contra-documentário. Veja:

http://www.archive.org/details/Pfilosofia-a_grande_farsa_do_aquecimento_global500

Certamente Grudem segue essa escola, a escola dos "cientistas céticos", que acreditam no aquecimento global, mas não como influência do homem.

Vale a pena ver o vídeo. É mais uma visão sobre o tema.

carlos disse...

Olá Gutierres,paz.As perguntas de Luciano são tão relevantes que daria um livro de debates sobre politica,religião,filosofia e direito.

Gutierres Siqueira disse...

Luciano,

Você pensando alto provoca boas perguntas para futuros posts.

Luciano disse...

Carlos e Gutierrez,
então, vamos lá!
Façam valer a provocação.
No aguardo, ansioso para aprender mais.
Abraços.