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terça-feira, 26 de abril de 2011

Boas leituras...

Eu sempre recomendo livros de cunho teológico neste blog. Mas neste post farei diferente. Recomendo hoje dois livros, um de história e outro de filosofia. Os autores não são cristãos e nem preciso dizer que não concordo com TUDO que eles escrevem, logo porque não concordo 100% com ninguém. No dia em que eu encontrar uma pessoa que possa abraçar plenamente suas ideais farei dela um deus. Mas se recomendo, é porque gostei e compartilho de muitas análises escritas pelo historiador e pelo filósofo que citarei abaixo. Não farei uma resenha crítica dos livros, mas creio na capacidade de discernimento de cada um.


De certa forma, todas essas ressalvas mostram como nós precisamos amadurecer em nossas leituras. Há crentes que jamais lerão um livro clássico de filosofia com medo de "se desviar". Ora, quem se desvia lendo um simples clássico tem uma fé bem faquinha. Quando eu era um recém-convertido e pré-adolescente lembro como os irmãos falavam da universidade como um grande desafio para fé. Seria uma espécie de muralha que poucos escapam. Entrei na universidade e não vi nada demais. Os desafios intelectuais foram razoáveis e as filosofias anticristãs e tentadoras foram nulas. Posso dizer que até as tentações da carne foram piores no Ensino Médio [risos], já que o clima universitário tinha pessoas mais velhas e mais respeitosas do que os adolescentes, como eu era, do Ensino Médio.


Sai da universidade pensando: Por que os cristãos desenharam a instituição universitária como uma fábrica de "desviados"? E olha que eu estudei Ciências Humanas. Imagine um curso mais técnico, como Administração, por exemplo?! Aí que seria mais fácil ainda! As ideias da universidade (boas ou ruins) estão presente nas conversas de rua ou em um programa de TV.


Mas as recomendações são:


Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (Editora Leya)


O autor, Leandro Narloch, mostra como a história do Brasil foi escrita sempre com um viés maniqueísta (do bem contra o mal) e acabou escondendo a complexidade das histórias desta nação. Se dizem que a história é escrita pelos vencedores, Narloch mostra que no Brasil ela foi "escrita" pelas "vítimas" que sempre exageraram no seu suposto sofrimento. Narloch mostra como a ideologia gosta de romantizar os fatos passados. Se você já deixou de acreditar no Papai Noel está na hora de parar de acreditar nos heróis vendidos por aí. Por exemplo, Zumbi dos Palmares tinha escravos. Está escandalizado? Leia e veja que ele não era um Martin Luther King dos quilombos.





Contra o Mundo Melhor : Ensaios do Afeto


O mundo está cheio daqueles que descobriram o caminho da felicidade e querem impor essa caminhada para todos. É o "fascismo do bem". A religião do politicamente correto faz um fundamentalismo intolerante e autoritário em nome do "bem comum". O filósofo Luiz Felipe Pondé ridiculariza os "evangelistas ecochatos" e a classe média zen viciada em regimes. O melhor capítulo, na minha opinião, é sobre os "jantares inteligentes", onde você pode falar que fez sexo com cinco pessoas diferentes no último mês, mas jamais pode falar que é cristão. Ao menos que você seja uma espécie cristão-budista.


Pondé também escreve, e muito bem, sobre a fraqueza do homem. É o que ele chama da "dimensão trágica" da existência. E no último capítulo, bem especial, ele fala da graça. Um texto lindo sobre um conceito cristão escrito por um judeu.


Nesses textos ele mostra toda a influência dos autores trágicos, como Dostoievski e Nelson Rodrigues, assim como os teólogos/filósofos da antropologia negativa (o homem é mal), como Agostinho, Pascal e Lutero. Mas novamente lembrando que o livro é de filosofia do cotidiano, e não um manual de teologia.


É isso.

11 comentários:

Valter Borges disse...

Boas leituras... Ótimos livros!

Para divertir:
Entretanto, prepare-se, pois alguns "teólogos" podem entender que suas fontes deixaram de ser "bíblicas" e passaram a ser "filosóficas".

Se assim for, alguém pode imaginar que estejas trilhando outros caminhos!

Geralmente, quem pensa assim são aqueles que não querem refletir o Evangelho, mas petrificam doutrinas arcaicas e as impõe no mundo pós-moderno!

Ah! Minhas reflexões atuais estão na análise de filmes como "Lavoura Arcaica", participando do Grupo de Estudos sobre "Perspectivas Críticas da Filosofia Moderna e Contemporânea"; Além da análise sobre "Modos de Subjetivação no Brasil" de Luis Cláudio Figueiredo (São Paulo: Ed. Escuta, 1995). E, sei que não agradarei os mais radicais xiitas! Entretanto...

Além de pesquisa sobre os Fundamentos Sólidos do Pentecostalismo! Será que há alinhamento aqui??!! Hehehehe!

Imagino Paulo... lendo de tudo e retendo o bem, embora nem todos pensem assim!! O medo do nodo é muito grande, que passa a assustar medonhamente muita gente!

Convido-o à reflexão!

Abraços!

Cristiano Silva disse...

O Guia é realmente uma ótima leitura. Eu o recomendei aqui, e também recomendo o seu blog.

O outro livro, pretendo ler em breve, estou curioso para isso.

Abraços.

L. H. Dessart disse...

O Guia... eu tenho e já li. Muito bom mesmo. Estou louco pra ler o do Pondé. Tá faltando tempo...rs

Continua mandando bem nas sugestões!

Abraço!

jurandir alves disse...

Caro Gutierres
Parabens pela indicacao. Vou comprar. Sempre vou em sites de livros para verificar o que andam lendo . Como voce, fiz faculdade (Administracao) e de fato, fora a tentacao e as ideologias, nao abracamos qualquer coisa, porque a conviccao crista e muito mais forte. Foi forjada por fe e claro, uma boa dose de razao.

Gutierres Siqueira disse...

Valter, a paz!

Nós podemos ler qualquer coisa, mas nunca podemos esquecer que a matéria prima da teologia é a Bíblia Sagrada. Sim, devemos dialogar com o nosso tempo, mas sem esquecer dos valores que acreditamos. Os preceitos mudam, mas os princípios permanecem...

Gutierres Siqueira disse...

Cristiano, Leandro e Jurandir...

Estamos em sintonia com as leituras, rsrs. Que bom!

Cristiano Silva disse...

Estamos mesmo?... Já leu "A Revolta de Atlas"? hahahahaha

Vou te perguntar isso pelos próximos 30 anos! :-)

Diego disse...

Eu tenho o "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", mas ainda não li, mas eu já vi muita gente indica-lo.

Parece ser muito bom.

Valter Borges disse...

Gutierrez, paz!
A teologia é mais ampla que imaginas!
Precisamos compreender que o fato de ser dominante a teologia fundamentalista não é absoluta!! Existem fontes ricas que precisamos saber! Que não representa ruptura com a Tradição, A Bíblia, Os Sentimentos e a Razão!
Daqui há alguns anos, voltaremos a falar sobre o assunto!
Abraços!

Anônimo disse...

Gutierrez,

Do Pondé eu recomendaria ainda o livro "Crítica e profecia", sobre a filosofia da religião na obra de F. Dostoievski e este artigo, disponível on line:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-12X2006000200010&script=sci_arttext

Divirta-se!

Rodrigo

Célio de Castro disse...

Gutierres, o final do ano está chegando, que tal publicar uma lista dos melhores livros que você leu em 2013. Fica aí a sugestão.

Grande abraço desse leitor desde 2008.