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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lição 03 - O que é Batismo com o Espírito Santo

Neste blog já escrevi uma série de textos sobre a doutrina pentecostal do Batismo no Espírito Santo. A série é de julho/agosto de 2008, mas o tema cabe bem nas Lições Bíblicas desse próximo domingo. Leia os links dos textos O Batismo no Espírito Santo:

Parte 01:

Parte 02:

Parte 03:

Parte 04:

O legal dessa série é o tratamento histórico, teológico e hermenêutico dessa doutrina chave no pentecostalismo.

Abaixo leia o texto publicado pelo portal da CPAD:

O PROPÓSITO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

A derradeira questão relacionada à ideia do batismo no Espírito Santo é o propósito da experiência. Qualquer consideração do assunto deve indicar a razão dessa obra especial e a necessidade que visa cumprir.

Realmente, muitos cristãos não percebem nenhum propósito especial relacionado ao batismo no Espírito Santo, como obra distinta dos demais aspectos da conversão-iniciação. Bruner escreve: “O poder do batismo no Espírito Santo é, em primeiro lugar, um poder que nos une a Cristo”. Segundo Hoekema, o batismo no Espírito Santo simplesmente “significa a outorga do Espírito visando a salvação, às pessoas que não eram crentes no sentido cristão anterior a essa outorga”. Não há “prova bíblica em favor do argumento de que o falar em outras línguas é uma fonte especial de poder espiritual”, conclui Hoekema.

Dunn chega à mesma conclusão: “O batismo no Espírito... está primariamente introdutório”. Concorda que é “somente de modo secundário uma experiência para revestir de poder”. Segundo parece, para Dunn e os demais que adotam a sua posição, não sendo o batismo no Espírito Santo distinto da conversão, nenhum propósito há que não possa ser atribuído a qualquer crente, posto que o Espírito habita em todos os crentes.

Já há muito tempo os pentecostais reconhecem a posição teológica acima como resultante de uma Igreja subdesenvolvida, na qual falta a qualidade dinâmica, experimental e capacitadora da vida cristã. J. R. Willians escreve: “Além de estar nascido no Espírito, que é o modo de começar a vida nova, também há a necessidade de ser [o crente] batizado no Espírito Santo, visando transbordar dessa vida no ministério próximo”.
Fee, semelhantemente, considera que “a profunda insatisfação com a vida em Cristo sem a vida no Espírito” é exatamente o pano de fundo histórico do Movimento Pentecostal. Desde o início do século XX até o presente, os pentecostais têm acreditado que a plena dinâmica do revestimento de poder pelo Espírito vem somente com a experiência especial e distintiva do batismo no Espírito Santo. Quando essa experiência deixa de ser normal na Igreja, esta fica destituída da realidade da dimensão poderosa da vida no Espírito.

Por isso os pentecostais acreditam que a experiência distintiva do batismo no Espírito Santo, tal como Lucas a descreve, é crucial para a Igreja contemporânea. Stronstad diz que as implicações da teologia de Lucas são claras: “Já que o dom do Espírito era carismático ou vocacional para Jesus e a Igreja Primitiva, assim também deve ter uma dimensão vocacional na experiência do povo de Deus hoje”. Por quê? Porque a Igreja hoje, da mesma forma que a Igreja em Atos dos Apóstolos, precisa do poder dinâmico do Espírito para evangelizar o mundo de modo eficaz e edificar o corpo de Cristo. O Espírito veio no dia de Pentecostes porque os seguidores de Jesus “precisavam de um batismo no Espírito que revestisse de poder o seu testemunho, de tal maneira que outros pudessem também entrar na vida e na salvação”. E, por ter vindo no dia de Pentecostes, o Espírito volta repetidas vezes, visando o mesmo propósito.

Segundo os pentecostais, o propósito dessa experiência é o elemento final e mais importante, que torna o batismo no Espírito Santo separável e distinto da regeneração. J. R. Willians comenta: “[Os pentecostais] insistem que além da salvação – e, visando uma razão inteiramente diferente – há outra ação do Espírito Santo que equipa o crente para um serviço adicional”.

A convicção, justificação, a regeneração e a santificação são obras importantes do Espírito. Mas há “outro modo de operação, sua obra energizadora”, que é diferente, mas igualmente importante. Myer Pearlman declara: “A característica principal dessa promessa é o poder para o serviço, e não a regeneração para a vida eterna”. O batismo no Espírito é “distinto da conversão”, diz Robert Menzies, porque “desencadeia uma nova dimensão do poder do Espírito: é um revestimento de poder para o serviço”.

[...] Concluindo, o propósito do batismo no Espírito Santo – a dimensão contínua da vida revestida pelo poder do Espírito – torna a experiência suficientemente importante para ser conhecida, compreendida e compartilhada. Não seja o falar em línguas o propósito ulterior ou a razão pela qual a experiência deve ser desejada, mas sim a necessidade do poder sobrenatural para testemunhar e servir [grifo nosso]. A necessidade ulterior é que cada membro do corpo de Cristo receba esse revestimento de poder a fim de que a Igreja possa operar na plena dimensão da vida no Espírito.

Texto extraído da obra:Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal”. Rio de Janeiro: CPAD.

5 comentários:

NAIR disse...

Ali!! Tocou bem no ponto... rs
Grande parte de crentes (inclusive pastores) entendem que batismo com o Espírito Santo é unicamente para que a pessoa se sinta "nas alturas". Sabe né... para o "rétété", para o "fluir no Espírito" para "plantar bananeira" rsrsrs..

Quando a Bíblia deixa claríssimo que o propósito é revestir a pessoa para "servir" e cumprir o "ide".

Eu preguei um dia sobre isso no círculo de oração das irmãs. Jesus antes de subir aos céus, falou aos discípulos que iam receber o batismo c/ Espírito Santo e eles mais do que depressa questionaram: "Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel? (Atos 1:6)" (interesse nas coisas pessoais, materiais e terrenas - achavam que o interesse de Jesus era material) e a resposta de Jesus deve tê-los envergonhado, vers 7 e 8: "Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. - Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra."

Em outras palavras: "não interessa as coisas deste mundo. Não é para isso que vos mandarei o Espírito Santo. Isso que estão pedindo terá seu tempo e pertence ao Pai. O que importa pra vocês é que quando essa virtude chegar, vocês estarão prontos para testemunharem do meu nome. Isso é tudo que importa para vocês agora"

Diego disse...

Irmão Gutierres.

Mesmo sendo criado na AD e ter por Graça de Deus ter recebido o dom de línguas do Espírito Santo, nunca concordei com a afirmação pentecostal, tanto historicamente, quanto exegeticamente.

A Igreja de Cristo tem dois mil anos e muitos sofreram e morreram por amor a Cristo sem ter falado em línguas. Nenhum dos precursores da reforma e reformadores falavam em línguas. Muitos deixaram suas vidas e foram para outros países em missões sem ter falado em línguas.

O pai das missões modernas, William Carey nascido e criado anglicano e posterirmente batista, nunca falou em línguas. Os primeiros protestantes no Brasil foram calvinistas franceses e não falavam em línguas.

Os Anglicanos chegaram em 1811, os luteranos em 1824, os Congregacionais em 1855, os presbiterianos em 1859, e os batistas em 1871 e nenhum destes falavam em línguas.

Esses irmãos não eram cheios do Espírito Santo, revestidos dele para testemunharem acerca de Cristo e sua obra?
Não eram, e não são batizados pelo Espírito Santo? Eu não creio nisso.

Infelizmente essa frase de Horton reflete o pensamento dos irmãos pentecostais, onde esse dom, o menor deles, pois edifica individualmente, e o propósito do Cristianismo é a edificação coletiva, incluindo os outros dons do Espírito Santo, é o dom mais exaltado e desejado em detrimento dos outros, inclusive do maior, o Amor.

"Os pentecostais reconhecem a posição teológica acima como resultante de uma Igreja subdesenvolvida, na qual falta a qualidade dinâmica, experimental e capacitadora da vida cristã."

É assim que pensam que são, superiores por falar em línguas, onde a maioria, por mais que digam que não é verdade, baseiam sua fé no subjetivismo em detrimento das Escrituras, infelizmente.

Você pode até questionar e por em dúvida uma doutrina fundamental da fé Cristã, ou até mesmo a Bíblia, mas jamais deve questionar uma "expêriencia, uma visão, profecia ou revelação", pois isso, a maioria não aceita. Essa é sim, infelizmente a realidade.

Até quem não fala em línguas como membro da AD, é tido como inferior, pois ainda não foi "batizado pelo Espírito Santo".

A Igreja de Cristo, incluindo outras denominações, não possui 100 anos de vida como a AD. E elas já fizeram e sofreram muito pelo Reino de Cristo, isso sem falar em línguas.

Por acaso a Igreja de Cristo e suas denominações são "Igreja subdesenvolvida, na qual falta a qualidade dinâmica, experimental e capacitadora da vida cristã"?

Sinceramente irmão Gutierres, eu me recuso a concordar com Horton e com muitos pentecostais, mesmo sendo um, tanto do ponto vista histórico, quanto teólogico.

Abraços.

NAIR disse...

irmão Gutierres, citei seu blog no meu (especialmente por conta dessa postagem).
Quero me desculpar que embora o comentário seja positivo e breve, acabei me dando conta de que não pedi sua permissão prévia!

Se quiser conferir http://naircampos.blogspot.com/2011/04/deus-vai-te-encher-de-dons-pra-que.html
Espero que não se importe, mas qualquer coisa me dá um toque
Deus abençoe

Gutierres Siqueira disse...

Irmã Nair,

Fique a vontade para citar ou reproduzir esses posts.

Ah, fiquei curioso sobre qual foi a sua discordância no texto sobre "A dignidade feminina resgatada pelo cristianismo". Você comentou que discordou de alguma coisa e não falou o quê! Fiquei curioso! rsrs

Koki disse...

Como reformado gostei muito do seu blog, tem coerência e conteúdo teológico bom. Parabéns. Deus o continue abençoando muito fera...