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segunda-feira, 23 de maio de 2011

O maior desafio das Assembleias de Deus é a fragmentação, diz Paulo Romeiro


Entrevista sobre o Centenário das Assembleias de Deus: Paulo Romeiro
Na última sexta-feira o pastor Paulo Romeiro promoveu uma palestra sobre o Centenário das Assembleias de Deus na Igreja Cristã da Trindade, onde ele é o pastor local. O pastor Romeiro falou sobre a história, as qualidades, os problemas e os desafios dessa denominação que marcou profundamente o protestantismo brasileiro.
Paulo Romeiro se converteu, na década de 1970, na Assembleia de Deus de São José dos Campos (SP). Em 1984 foi ordenado pastor pelo Southern California District Council of the Assemblies of God (Concílio Distrital das Assembleias de Deus no Sudeste da Califórnia) nos EUA. Ao voltar para o Brasil fundou a Igreja Cristã da Trindade, uma igreja cuja confissão de fé é assembleiana.
Romeiro é autor de livros clássicos sobre o neopentecostalismo, como: SuperCrentes (1993), Evangélicos em Crise (1995) e Decepcionados com a Graça (2005), todos pela Editora Mundo Cristão. Em 1995 também escreveu um importante livro de apologética clássica com Natanael Rinaldi chamado Desmascarando as Seitas (CPAD). É também co-autor de outros livros. Hoje dá aulas de teologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie.
No final do evento o pastor Romeiro falou com o Blog Teologia Pentecostal sobre o Centenário das Assembleias de Deus.
Blog Teologia Pentecostal: Qual a maior colaboração das Assembleias de Deus para o evangelicalismo brasileiro?
Paulo Romeiro: Evangelização. Eu creio que o número de evangélicos cresceu muito no país e isso se deu pelo trabalho de evangelização das Assembleias de Deus, principalmente nas primeiras décadas (do século XX). Eu creio que houve um arrefecimento a partir da década de 1980 e 1990, mas nas décadas anteriores o número de evangélicos cresceu muito por causa das Assembleias de Deus. A Assembleia de Deus trouxe uma grande contribuição neste aspecto. Eu creio que outra grande contribuição assembleiana foi a inclusão social. As pessoas marginalizadas e outras que vieram das cidades interioranas para as grandes cidades receberam a colaboração das Assembleias de Deus para a inserção social.
BTP: Qual o maior desafio para as Assembleias de Deus no pós-centenário?
PR: O maior desafio é a fragmentação. As Assembleias de Deus se fragmentam facilmente. E o processo de fragmentação já é iniciado e continuará se fragmentando. Além da fragmentação existe o problema da pulverização, pois são muitas “assembleinhas” que formam essa grande rede chamada “Assembleia de Deus”. Mas não há como manter uma única liderança e isso fica cada vez mais difícil.
BTP: Muitos dos seus alunos de teologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie são oriundos das Assembleias de Deus. Quais são os principais vícios desses discentes?
PR: Alguns deles têm problemas com a espiritualidade pentecostal. Alguns deles acham que a espiritualidade pentecostal é algo ascético. Outros ligam a espiritualidade aos usos e costumes e ao legalismo. Essas são as questões que eles enfrentam em um centro de pesquisa. E também lidam mal com posições expostas que contrariam aquilo que aprenderam, principalmente na área de escatologia.
TP: Você conviveu muitos anos com as Assembleias de Deus norte-americana. Quais são as principais diferenças entre a matriz norte-americana e a brasileira?
PR: Existe uma coesão muito maior nos EUA. A Assembleia de Deus americana não é dividida e o nível de erudição é bem mais elevado. A produção acadêmica é ampla. A questão ética é muito mais levada a sério. As Assembleias de Deus no Brasil têm sérios problemas com a ética cristã.
BTP: O que a Assembleia de Deus representa para você?
PR: É a igreja do meu coração. Eu amo a Assembleia de Deus apesar de todos os seus pecados. A Assembleia de Deus tem muitas qualidades, muita gente sincera e muitos obreiros sérios e gente sofredora que trabalha para a obra de Deus. Muita coisa errada na denominação é praticada por uma minoria. A maioria está tentando viver uma vida piedosa e esperando a volta de Cristo e fazendo o melhor para Deus.

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