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domingo, 5 de junho de 2011

O centenário das Assembleias de Deus e o idealismo do passado

Tudo que existia no mundo antes de nascermos é normal e corriqueiro: faz parte do jeito que o mundo funciona. O que é inventado quando temos entre 15 e 35 anos é revolucionário, e podemos fazer carreira com isso. Tudo que surgir depois vai contra a ordem natural das coisas. (Douglas Adams, escritor inglês) 

Não diga: "Por que os dias do passado foram melhores que os de hoje? " Pois não é sábio fazer tais perguntas. (Salomão em Eclesiastes 7.10) 

Hoje ministrei mais uma aula na Escola Dominical da igreja onde congrego. A experiência de hoje foi muito legal, já que a aula consista em contar a história do início das Assembleias de Deus no Brasil.  Os alunos acompanharam com entusiasmo e estavam surpresos com tantos fatos que desconheciam sobre a riqueza da bonita história sobre os pioneiros suecos Gunnar Adolph Vingren, mas conhecido como Gunnar Vingren e Gustav Daniel Högberg, mas conhecido com Daniel Berg. A história dos pioneiros e dos primeiros assembleianos é de muita fé, coragem e paixão pela pregação do Evangelho. 

Mas destaquei: Devemos ter muito cuidado com o grave erro de idealizar o passado como santíssimo e perfeito. É uma mania humana, como bem exemplificada na frase acima de Douglas Adams. O passado da denominação é bonito, mas houve graves erros. Não podemos esquecer dos erros do passado. A história assembleiana na boca de muita gente parece a perfeição da história de Cristo. Nem a igreja primitiva escapou da amostra dos seus pecados, como podemos ler o "Atos dos Apóstolos" escrito pelo médico Lucas, que acabou sendo o grande historiador do cristianismo.  

Quais erros? Se essa é a sua pergunta, então, lamento que você já está coabitado pelo idealismo do passado. Não se pode valorizar a imaginação acima do real. Que não enxerga os problemas do passado costuma justifica-los. Nós podemos citar o fortíssimo legalismo (ainda presente em alguns lugares), a aversão pelo ensino sistemático (ainda presente em alguns lugares), o leve triunfalismo que aumentou no decorrer do tempo e as tendências de divisão por poder que depois se confirmaram. Ora, rever os erros do passado é uma forma de evitá-los no presente.    

Sim, caro professor e pastor, lembre neste mês do centenário as lindas histórias da denominação, mas não esqueça que a história não é perfeita, logo porque os agentes foram como todos nós, ou seja, seres humanos!

7 comentários:

Mario Sérgio disse...

Esse forte idealismo do passado assembleiano, é resultado de também de literaturas e publicações, que enaltecem certos líderes e ministérios além da conta. É resultado de uma empobrecida "história oficial" que nos é contada e repetida continuamente.

Abraços!

Aprendiz disse...

Julgo que o grande pecado do pentecostalismo, no passado e presente, tem sido a arrogante teimosia de se recusar a julgar profecias, apesar do claro ensino da Escritura Sagradas. O brasileiro em geral, e o crente e particular, adora julgar as coisas pela aparência. Ou, pior ainda, pelo desejo de crer em "heróis". Muita idolatria, muito fogo estranho...

Chega a ser insuportável ver jovens, ou mesmo velhos, inclusive ministros, sendo enganados facilmente por discursos bonitinhos, ou até nem tanto.

Matias Heidmann disse...

Parece que cada denominação idealiza sua história (leia-se o que presbiterianos escrevem sobre sua história, e batistas idem). Fala-se dos ideais, da pureza doutrinária, dos "grandes pioneiros" bla bla bla...
Como diz o texto: o historiador e médico Lucas era preciso e autêntico. Se aquelas igrejas fundadas pelos apóstolos tinham problemas, e alguma, problemas muito graves, como ainda podemos ídealizar a história das denominações. A história do movimento protestante, das diversas igrejas evangélicas, da reforma é marcada por lutas pelo poders, derramamento de sangue, racismo etc etc. No final fica tão somente a graça de Deus!
A Assembleia chega ao seu centenário falida como denominação.
Mas ainda forte pelo testemunho dos obreiros desconhecidos que não dobraram seus joelhos a Baal e Mamon. Enquanto isto, as igrejas históricas já não são mais relevantes. O Brasil é neopentecostal e ninguêm consegue mais segurar o avanço do cristianismo pagão, sem cruz e sem salvação.

Pr.Charles Maciel Vieira disse...

Como resultado desses erros hj temos varias denominações e placas diversas e diversificadas, e o que ainda não rachou aos olhos tem rachado internamente, nos assuntos internos, nas reuniões ministeriais, nos gabinetes, nas congregações, nos bastidores. A obra continua, muitos vão e muitos vem, e há sempre alguma idéia nova, visão nova, conceito novo, obreiro novo, obreiro velho, conservadores, reformistas, liberalistas, quase batistas, domingão do faustão,..... mas.. ainda temos pessoas com visão de Deus, muitas, varias igrejas e ministerios assembleianos com visão do Evangelho de Jesus, homens que não matam, curam, que não pisam, mas levantam o caido, que fazem a obra como Jesus faria e não conforme a liturgia e cerimonial assembleiano. Em seu tempo Gunnar e Daniel foram praticamente atalaias da biblia, desbravadores de "indios",´pisadores de "serpentes", HOMENS DE DEUS. fica aqui nossa gratidão pela providencia Divina e a obediencia desses homens à visão celestial.

Pr.Charles Maciel Vieira
http://palavraeteologia.blogspot.com/

Kássio disse...

Gutierres... Deixe te fazer uma pergunta?
Daniel Berg e Gunnar Vingren foram expulso da batista devido as "novas" experiências com Deus , no qual seria o batismo com Espírito Santo, certo? Se eles nasceram e chegaram a ser até pastor da Batista(sabemos que a batista creem nas doutrinas da Graça ou Calvinismo, verdade?)por que então ao montar a AD eles naum continuaram com as mesmas doutrinas mais crendo no batismo do Espírito Santo? Tem algum livro onde eles mesmo expõe os motivos de naum concordar com o Calvinismo?

Aprendiz disse...

Apenas parte da igreja Batista é calvinista. Tem sido assim desde séculos. Eu por exemplo, tenho origem batista e sou arminiano, assim como a maior parte de minha familia e a maior parte dos batistas que conheço.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Kássio,

A maioria das igrejas batistas, principalmente no início do século XX, não eram calvinistas. Sim, hoje existe um forte movimento calvinista na Igreja Batista, principalmente nos EUA, mas ainda não é maioria.