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sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Missão Integral e o seu conceito de “justiça social”

A Teologia da Missão Integral propõem uma luta pela chamada “justiça social”. Mas por qual “justiça social” os evangelicais devem lutar? O que é de fato “justiça social”? Ora, são perguntas importantes, pois em nome da justiça já foram praticadas muitas injustiças e atrocidades neste mundo. Assim sendo, a Teologia da Missão Integral deve tomar o máximo de cuidado com ideologias políticas salvacionistas e messiânicas que escondem o germe totalitário vestido de “bem coletivo”. Então, é necessário saber por qual justiça se luta.

A justiça social não pode justificar ações totalitárias. Ideias coletivistas são perigosas, pois são sempre autoritárias. O coletivismo é tido como messiânico, mesmo que inconscientemente, por seus seguidores. Exemplo disso são os regimes não-democráticos, pois todo ditador é uma personificação do anticristo, já que se coloca como um salvador, um messias, um sujeito que salvará tudo e todos. Nenhum ditador subiu ao poder prometendo desgraça, mas sim melhorias que viraram violência e intolerância.


A ficção 1984 de George Orwell tem uma passagem interessante. O personagem Winston Smith descreve uma cena onde uma mulher louvava o Grande Irmão (The Big Brother) como um messias. A cena mostra muito bem como ditaduras passam a imagem salvacionista:

A mulher esguia e ruiva se jogara para a frente, apoiando-se no encosto da cadeira diante dela. Com um murmúrio trêmulo que parecia dizer “Meu Salvador!”, estendeu os braços para a tela. Em seguida afundou o rosto nas mãos. Era visível que fazia uma oração. [1]

O Grande Irmão, o déspota, sempre aparecia em uma tela exaltando suas glórias enquanto todos exaltavam os “seus feitos”. É uma ótima caricatura dos governos autoritários, com ares messiânicos. Política como redenção nunca deu certo. Como bem escreveu Joseph Ratzinger: “Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quanto pretende fazer a obra de Deus, não se torna divina, mas demoníaca”. [2]. Não é essa “justiça social” casada com o totalitário que devemos defender.

Sim, é missão evangélica lutar por um mundo mais justo. A visão escatológica e soteriológica não nos pode levar para um conformismo determinista. Não podemos ficar sem um forte incômodo diante das atrocidades cometidas nesta terra. A agenda evangelizadora é social e cultural, além, é claro, do aspecto espiritual. Agora, em nome do “mundo melhor” nasce várias tentações totalizantes. O centro da nossa luta pela justiça deve ter um foco real sem utopias salvadoras. É a realidade que deve prevaler e não a ideia eugênica de melhoramento da sociedade pelo Estado.

O filósofo judeu Luiz Felipe Pondé faz um alerta interessante sobre o assunto:

A semelhança dos hipócritas da fé que falavam em nome da justiça divina para roubar sua alma, esses hipócritas falariam em nome da justiça social para roubar você. Ambas abstratas e inefáveis, por isso mesmo excelentes ferramentas para aproveitadores e mentirosos, as justiças divina e social seriam armas poderosas de retórica autoritária e mau-caráter. [...] Suspeito de que se (David) Hume vivesse hoje entre nós, faria críticas semelhantes à oligarquia de esquerda que se apoderou da máquina do governo brasileiro manipulando uma linguagem de “justiça social”: controle da mídia, das escolas, dos direitos autorais, das opiniões, da distribuição de vagas nas universidades, tudo em nome da “justiça social”. Ataca-se assim, o coração da vida inteligente: o pensamento e suas formas materiais de produção e distribuição. […] A tendência autoritária da política nacional espanta as almas menos cegas ou menos hipócritas. A oligarquia de esquerda associa as práticas das velhas oligarquias ao maior estelionato da história política moderna: a ideia de fazer justiça social a custa do trabalho (econômico e intelectual) alheio. [3]

Pode-se falar em “justiça social” quando algum intelectual, com relações estatais promíscuas, defende o aumento do Estado em nome do “bem-estar”? Ora, essa "justiça com o pobre" implica em aumento de impostos, pois não existe almoço grátis. Quanto mais o Estado estiver presente na vida econômica e social de um país, mais demandará impostos e tributos diversos. Isso é “justiça social”?

Justiça social de fato" demanda menos peso estatal, ou seja, menos impostos!

Imagine que uma família pobre receba “ajuda” do governo de uma bolsa de R$ 100. Legal, não é? Como é bonzinho esse governo que ama a “justiça social”, diriam os incautos! Mas você sabe o quanto de imposto essa mesma família pobre pagará no arroz? Algo como 18,1%, ou seja, se um pacote de cinco quilos custa R$ 10, o mesmo pobre será taxado em R$ 1,81. Achou muito? Só que o arroz tem “pouco” imposto para o padrão brasileiro. Isso é “justiça social”? É justo quando o governo “dá” com uma mão e tira com duas? Os teólogos da Missão Integral estão atentos a isso?

E o açúcar? Ora, o açúcar não é nenhum alimento de luxo. Só que o mesmo pobre que receba uma “bolsa” do governo pagará 43, 6% de imposto no produto, ou seja, se o quilo de açúcar custa R$ 5, o pobre brasileiro pagará R$ 2,18 somente de imposto. E é claro que o imposto sobre o alimento pesa mais no bolso do mais pobre, logo porque o alimento é parte considerável do seu orçamento familiar. Isso é “justiça social”? No Brasil, até remédio é taxado com altos impostos.

O sociólogo Alberto Carlos Almeida observa:

O que dizer então da grande injustiça, de matriz escravista, que diz respeito aos tributos que elevam os preços dos alimentos? A renda média dos brasileiros é de R$ 1.200, 00 por mês. É enorme o contingente de famílias que faz compras de supermercado com o dinheiro contado. As pessoas vão para a feira ou mercado com, por exemplo, exatamente R$ 150,00 no bolso. O que elas irão comprar terá que caber nesse orçamento. Todo mundo já deve ter passado pela experiência constrangedora de, na fila do supermercado, ter de esperar a vez enquanto a pessoa na frente vai retirando itens das compras até completar o dinheiro que já está nas mãos do caixa. Não é à toa que existe aquela cestinha ao lado da esteira rolante, para o refugo. Caso os impostos sobre o que é vendido dentro do produtos, irá aumentar muito. [4]

Por que o Brasil é um dos países onde mais se cobra imposto? Ora, para sustentar uma máquina pública poderosa e um funcionalismo público gigante, os impostos são peça fundamental. Só que o mais pobre sempre paga mais dessa conta. Ora, acreditar em governos bonzinhos que dão “bolsas” é como acreditar em papai-noel. O governo nada dá. Tudo é pago com altos impostos. E o retorno é mínimo. Onde estão os grandes e eficientes hospitais? Há uma cidade no país onde é possível andar com dinheiro despreocupado? A educação é eficaz e de qualidade? Não, nada disso. Os impostos vão para o fundo do poço, logo perdendo-se em corrupção e uma máquina pública inchada. Nunca será possível diminuir impostos se as despesas do Estado não caírem.

No Brasil, o cidadão que ganha até dois salários mínimos (R$ 1.090,00) é taxado em 53, 9%, ou seja, se o imposto fosse zero esse brasileiro médio teria mais R$ 587, 51 paga gastar com ele e sua família. O problema que os impostos são “invisíveis” e a população menos informada pensa que quem paga tributo são aqueles que declaram o IR (Imposto de Renda). 


Essa taxação absurda do trabalhador brasileiro é justa? Evidente que não! A “justiça social” de fato passa por uma reforma tributária casada com uma reforma fiscal, onde o governo faz poupança para que o peso dos impostos diminua sobre a população. Infelizmente, isso está longe de acontecer! A solução não é o aumento dos impostos pagos pelos ricos, como indicam os desenvolvimentistas, mas a diminuição dos impostos pagos pelos pobres.

Os intelectuais brasileiros ávidos pela “justiça social” estão preocupados com isso?

A academia brasileira é uma vergonha. Não se pode generalizar, mas parte considerável da universidade no pais é comprometida com uma ideologia estatizante e viciada em cargos públicos. Como vão criticar os governos se estão coabitados por eles? E é lamentável dizer que até a academia evangélica faz parte desse círculo vicioso. Os mesmos “analistas” protestantes que condenam a politicagem caciquista dos pentecostais são comprometidos com a ideologia política que sustenta esse caciquismo politiqueiro. A academia, principalmente de ciências humanas, é um antro de intolerância contra ideias que diferem a “cartilha do bem” e estão presos em disputas de cargos públicos e demonstração de apreço pelo ordem vigente. É a “elite do bem” que critica a “elite do mal” no seu maniqueísmo de meia tigela.

A classe empresarial viciada

Os países de formação cultural protestante são mais intolerantes com pessoas que fazem do espaço público um bem privado. No Brasil, o patrimonialismo não causa revolva. Aliás, a cultura brasileira é viciada no patrimonialismo. É um “capitalismo” de laços [5]. A classe empresarial brasileira, como tudo neste país, também é viciada suicidamente no Estado.

Um empresário para ficar “bem” logo se alia ao governo. O governo empresta dinheiro, com juros abaixo do mercado, para esse empresário amigo, que depois retribui com contribuições para campanhas eleitorais. Isso é “justiça social”? A defesa da justiça passa pela denúncia dessa cultura brasileira cheia de "laços". O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, pega no mercado internacional muito dinheiro com juros de 12% e empresta para grandes grupos a 6%. Quem paga a diferença? Sim, você. São seus impostos que pagam essa conta. Agora, imagine se você comprasse canetas por 1 real e vendesse por 50 centavos. Isso tem lógica? Evidente que é uma loucura, mas o banco estatal faz praticamente isso.

Voltando aos teólogos

Os teólogos da Missão Integral devem observar o contexto brasileiro. A teologia da Missão Integral não pode ser uma espécie de Teologia da Libertação mais suave. Alguns nomes famosos, como o teólogo equatoriano René Padilla, por exemplo, focam muito contra a “sociedade do consumo”, aliás, a Teologia da Missão Integral se tornou o piano de uma tecla só: a sociedade do consumo é o diabo. Nada mais inútil como debate para a real busca de “justiça social”. O nosso problema é outro. O problema do miserável é outro. É a opressão do Estado, não o consumo da sociedade.

Referências e Notas Bibliográficas:

[1] ORWELL, George. 1984. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p 27.

[2] RATZINGER, Joseph. Fé, Verdade, Tolerância: O Cristianismo e as Grandes Religiões do Mundo. 1ed. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2007. p 110.

[3] PONDÉ, Luiz Felipe. A Oligarquia de Esquerda. Blog do Reinaldo Azevedo. São Paulo. Disponível em: < http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-oligarquia-de-esquerda/ > Acesso em: 30 de junho de 2011.

[4] ALMEIDA, Alberto Carlos. O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo. 1 ed. São Paulo: Record, 2010. p 170, 171.

[5] Veja: LAZZARINI, Sérgio. Capitalismo de laços: entenda como funcionam as estratégias e alianças políticas e as suas consequências para a economia brasileira. 1 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

12 comentários:

Leandro Teixeira disse...

Me assusta muito esta aproximação ideológica entre a igreja de Jesus Cristo e o socialismo/comunismo. Conheço algumas pessoas que erigiram um altar para Marx e outro pra Cristo. E conheço outros que Cristo já não tem mais altar algum.

Cleber disse...

Ótimo texto!

Aprendiz disse...

Amei seu texto. Você tem olhos abertos.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Seu artigo caiu como uma luva, grande Gutierres, Tem me chamado muita atenção(e preocupação) esses dias o conceito de "missao Integral" que mais parece flerta demais com ideologias de esquerda, teses sociológicas, etc.

Bom artigo mano!

Diego disse...

Muito bom Gutierres, copiei e colei em meu pc. Se você não se importar, rsrs.

Valter Borges disse...

Tratar apenas da micro-estrutura ou da estrutura é desenvolver atitudes assistencialistas. É preciso tratar da superestrutura.
Portanto, é preciso comprometer com o ser humano, independente dos lucros.
Você afirma que "alguns nomes famosos, como o teólogo equatoriano René Padilla, por exemplo, focam muito contra a 'sociedade do consumo', aliás, a Teologia da Missão Integral se tornou o piano de uma tecla só: A sociedade do consumo é o diabo."
Pois causa exclusão social. Para cada rico há milhares de pobres e miseráveis.
É preciso combater o lucro às custas de vidas humanas.
Sugiro a leitura do teólogo Paul Tillich sobre a sociedade do consumo.
A economia moderna tem seu início na segunda metade do século XVIII, e sua obra fundamental é A Riqueza das Nações, de Adam Smith, publicada em 1776, que indica o lugar central desse novo conceito: a única fonte de valor, a partir da qual se constitui toda a riqueza, é o trabalho humano, esteja ele situado na indústria, na agricultura ou em qualquer outra atividade.
Isto é, o capitalista vai explorar o trabalho humano para fabricar e vender seus produtos.
Então o aumento da produtividade do trabalho é maior em uma economia de mercado e concorrencial. Assim, uma sociedade de agentes egoístas, cada um deles voltado unicamente para seu próprio interesse, resultará no maior progresso possível para o conjunto de seus membros. O egoísmo individual (pasme!!) apresenta-se como elemento positivo para o conjunto da sociedade – a “mão invisível” de que fala Smith.
Como o capitalista tem em vista apenas sua própria segurança e apenas a seu próprio ganho, a forma mais adequada de política econômica seria a liberação da livre iniciativa, a liberdade de mercado, sem a intervenção do Estado na economia.
Entretanto, esse modelo, chamado de liberalismo econômico, é sustentado apenas parcialmente por Smith. Segundo ele, o Estado tem papel importante na regulação da economia e no fomento à concorrência, exercendo um papel que chamaríamos hoje de regulador, bem como na realização de atividades que não seriam realizadas pela iniciativa privada. Entretanto, Smith caracteriza o bem da sociedade e o progresso do homem, e não o enriquecimento de uma classe.
É curioso observar que o liberalismo radical e a recusa da ação do Estado, assim como a defesa apaixonada do mercado e da eficácia da “mão invisível”, frequentemente associada ao “Pai do Liberalismo Econômico”, não são facilmente sustentadas pela leitura de seus textos."
Portanto, a ausência do Estado resulta em maior injustiça social, pois ele é, ou deveria ser, o agente integrador e distribuidor de renda e justiça. Vide situações das favelas no Rio de Janeiro e algumas cidades do norte do país. Não somos favoráveis ao seu “inchaço”, mas a presença dele.
A opressão do Estado já ocorre desde o advento do capitalismo, uma vez que os políticos são agentes dos donos do capital, pois, toda a ação do Estado gira em torno desses ditames: lucro a qualquer custo, e não o ser humano acima de quaisquer dos lucros.
Aliás, os financiadores de campanha política (empresários da saúde, educação, transporte, segurança, entre outros) não tem intenção de melhorar a educação pública, saúde pública, segurança pública, transporte público. Melhorar as condições públicas é tirar o lucro do capitalista, perpetua a injustiça.
Finalizando, o agravamento da calamidade vista no Haiti, há uns anos atrás, é resultante tão somente por conta dos abalos sísmicos?
A exagerada destruição de casas não seria, também, resultante da falta de uma estrutura mais resistente e adequada?
Ora, os noticiários nos informam que a destruição mais terrível ocorreu no lado pobre da cidade, e, embora o lado rico, também, foi atingido, suas casas ficaram quase que intactas. Então, conclui-se que, por conta da corrupção, as pessoas que vivem na miséria, quando ocorre uma catástrofe, a situação piora. Deus está preocupado com essa injustiça!! E, nós, os seus Filhos??!

teologiaesociedade.com

Ricardo Rocha disse...

A paz!!!

Fiquei muito feliz quando vi que o tema da nossa próxima lição seria a teologia da missão integral. Por grande coincidência, eu mesmo fiz menção a essa teologia na ultima aula da escola dominical. Foi uma grande alegria quando soube que seria tema dos nossos estudos. Acredito que finalmente nossos lideres estão se inserindo no mesmo assunto das outras grandes denominações protestantes e se engajando nos grandes temas do nosso tempo.

Todavia temo que, justamente pelo fato de ser um assunto numa explorado em nossos meios, que ele não seja adequadamente ministrado, justamente pela falta de conhecimento no assunto. Isso pode fazer com que o aproveitamento seja mais baixo do que o esperado.

Todavia, acredito que essa lição seja um grande passo para aumentar a consciência social do nosso meio e trazer novos ares a reflexão teológica assembleiana. E já não era sem tempo, afinal o movimento da missão integral já está ai desde os anos 70. A demora para se engajar nesse tema só mostra o quanto nossos teólogos são conservadores e não se interessam por grandes temas do nosso mundo.

A paz.

Gutierres Siqueira disse...

Valter, paz!

Olha, é evidente que o Estado tem o seu papel. O Estado é realmente importante. É o Estado regulador, não empresário. É o Estado que evita e pune o monopólio, por exemplo, e o cartel. O Estado no Brasil quer ser empresário e o exemplo estamos vendo na possível fusão Pão de Açúcar e Carrefour. O BNDES, agente do Estado, anda agradando empresários com o NOSSO DINHEIRO, como exemplo da Sadia e JBS Friboi. O Estado empresário adora estatais e semi-estatais. Isso veio com Getúlio Vargas, na Ditadura Militar e nessa Era Lula. No caso Pão de Açúcar, o Estado está ajudando a criar um monopólio. Algo absurdo!

O Estado também tem um importante papel na segurança pública. Mas no Brasil, o Estado está presente onde não deveria (gerindo empresas) e TOTALMENTE ausente onde deveria ser PRESENTE, que é na segurança pública. A taxa de homicídios no Brasil (25/100 mil) é maior do que no México (18/100 mil). Onde está o Estado?

zwinglio rodrigues disse...

Gutierres, paz!

Bela análise sobre como anda se portando o atual governo brasileiro de esquerda.

O quadro sobre realidades de injustiças promovidas pelos que dizem combatê-las também foi bem pintado.

No entanto, pouquíssimo, ou quase nada, você disse sobre 'A Missão Integral'.

Existe um núcleo da FTL aqui em Vitória da Conquista, eu faço parte e nós pregamos justiça socila a partir do Evangelho sem nenhuma mistura com a ideologia marxista. Para nós, é indamissível tal confluência [que, a rigor, é impossível, afinal de contas].

Deixa eu ler o seu segundo texto pra ver se digo mais alguma coisa

Weinne Santos disse...

Bem, missão integral é bem mais que uma visão politica. É mais uma afirmação de que a missão do cristão vai além da pregação de uma mensagem, está em amar o próximo. E isso também inclui políticas públicas.

Existem diferentes cristãos com diferentes posições políticas. Conheço pessoas que falam de missão integral que são de esquerda e outros liberalistas, e muitos outros centristas; e ninguem é menos ou mais cristão por isso, tampouco se identifica mais ou menos com a mensagem do evangelho por isso.
Defendo a missão integral, e definitivamente não sou marxista.

Não precisamos estereotipar os teólogos como "Direita" ou "Comunista!".

Jorge H Barro disse...

A "justiça" que falamos não é outra senão a "justiça do Reino de Reino de Deus". Te proponho duas coisas:

1. Estude o que o próprio Deus entende por "justiça" em toda a Sagrada Escritura;
2. Estudo todos os documentos, especialmente da Fraternidade Teológica Latino Americana, em seus CLADES e tantas conferências e consultas e ai sim você poderá falar com autoridade para não afirmar genericamente e sem base que a MI é uma tecla só de um piano.

Ah, estou discutindo ideias e não você!
Abraços fraternais
Jorge Barro

Valter Borges disse...

O grande problema religioso evangélico é dissociar a justiça da realidade das pessoas.
Deus e Jesus, no AT e no NT respectivamente frisavam a necessidade de amparar idosos, órfãos e viúvas. E não por acaso!
As ações humanas tem implicações espirituais.
Tem gente que acredita que quanto pior é melhor. E que portanto, nada adianta lutar...
Friso que esse não é o desejo de Jesus. Ele orienta-nos a dar um copo de água, considera bem aventurados quem tem sede e fome de justiça. Que toma a luta do empobrecido. Quem faz isso é maior no Reino dos Céus.
Porém, como a esmagadora maioria não faz, procuram se apoiar em convicções religiosas que nada tem com a vida cotidiana.
Ou o que é melhor: cuidar daquele homem que ficou quase morto no caminho salvo pelo Bom Samaritano; ou promover ações para que sejam evitadas situações nas quais bandidos roubem e maltratem as pessoas?
Sua resposta dependerá de sua percepção de Deus.