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sábado, 20 de agosto de 2011

Lição 08 - Igreja - Agente transformador da sociedade

“A Urbanização do Evangelho", por Tim Keller*

Três vezes Jonas é chamado para ir a Nínive, que Deus continua chamando de “grande cidade” (1.1; 3.2; 4.11). Deus apresenta, diante de Jonas, a dimensão da cidade. Em Jonas 4.11, Ele diz: ‘e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda (...)?’ O raciocínio de Deus é bastante transparente. As grandes cidades são gigantescos armazéns de pessoas perdidas espiritualmente. Como você pode não se sentir atraído a elas? Certa vez, tive um amigo que usou este rígido argumento teológico comigo: ‘As cidades são lugares onde existem mais pessoas do que plantas, e o campo é o lugar onde existem mais plantas do que pessoas. Uma vez que Deus ama as pessoas muito mais do que as plantas, deve amar a cidade mais do que o campo’. Esse é exatamente o tipo de lógica que Deus está usando com Jonas. Os cristãos e as igrejas, naturalmente, precisam estar onde houver pessoas! E não existe um versículo sequer na Bíblia que diga que os cristãos devem habitar nas cidades. Mas, de modo geral, as cidades são desproporcionalmente importantes com respeito à cultura. É para lá que os pobres se congregam frequentemente. É lá que os estudantes, os artistas e os jovens criativos se reúnem. Conforme estão as cidades, assim está a sociedade. No entanto, os cristãos estão sub-representados nas cidades por todos os tipos de motivos. 

Muitos cristãos de hoje em dia perguntam: ‘O que podemos fazer com uma cultura que se embrutece?’ Alguns se voltam para a política. Outros reagem contrariamente a isso, dizendo que ‘a igreja simplesmente deve ser ela mesma’, como uma testemunha da cultura, e aconteça o que tiver que acontecer. Em seu livro Two Cities, Two Loves, (Duas cidades, Dois Amores), James Boice afirma que até que os cristãos estejam dispostos a simplesmente viver e trabalhar nas grandes cidades, pelo menos nas mesmas proporções que os outros grupos, devemos parar de reclamar que estamos ‘perdendo a cultura’ (BOICE, James Montgomery, p.165ss).
Enquanto a cidadezinha era ideal para os povos pré-modernos e o subúrbio era formidável para os povos modernos, a cidade grande é amada pelos povos pós-modernos com toda a sua diversidade, criatividade e dificuldades de administração. Jamais alcançaremos o mundo pós-moderno com o evangelho se não o urbanizarmos e não criarmos versões urbanas de comunidades do evangelho tão fortes e bem conhecidas como o suburbano (por exemplo, mega-igreja).
Com que essas comunidades urbanas deveriam parecer? David Brooks escreveu sobre “Bobos”, que combinaram o materialismo tosco da burguesia com o relativismo moral dos boêmios. Eu proporia que os cristãos urbanos fossem “bobos reversos”, combinando não os piores aspectos, mas os melhores desses dois grupos. Praticando o evangelho bíblico na cidade, eles combinariam a criatividade, o amor pela diversidade e a paixão pela justiça (dos antigos boêmios) com a seriedade moral e a orientação familiar da burguesia.


(PIPER, John; TAYLOR, Justin. A Supremacia de Cristo em um Mundo Pós-Moderno. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.122,123).   


* Tim Keller, um dos nomes do neocalvinismo, é pastor-sênior da Igreja Presbiteriana Redentora, em Nova York. É autor do livro "A Fé na Era do Ceticismo" (Elsevier)


Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD.

Um comentário:

Aprendiz disse...

Não vejo muito sentido na principal linha de argumentação do autor. Virtualmente ninguém, a não ser ministros ou obreiros, escolhe o local de sua moradia especificamente com a finalidade de encontrar mais oportunidades de evangelização. Pare e pense: Você escolheu a empresa em que trabalha (ou seu ramo de atividade como autônomo) especificamente com a finalidade de ter o maior número possivel de pessoas a quem pregar? Você escolheu a escola onde estudou por esse critério?

Pessoas escolhem o local de sua moradia por vários motivos. Em primeiro lugar tem de ser um lugar onde seja possivel morar. Depois, as pessoas buscam familiaridade, compatibilidade entre as atividades dos vários membros da familia, uma boa oportunidade profissional, bom ambiente e boas escolas para os filhos. E agem bem. O primeiro campo evangelistico para qualquer pessoa é a sua família. Não perder os filhos para o Diabo é a primeira missão.