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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Deísmo Reformado

Há muito tempo li em uma revista de Escola Dominical de uma igreja reformada sobre milagres. O autor argumentava que Deus não fazia mais milagres, pois Ele não contrariaria suas próprias leis da física. Sim, é um argumento fraquíssimo, mas aparentemente aceito por muitos. Simplificando o conceito de deísmo: seria aquela ideia que Deus criou o mundo e depois foi passear por aí. É um deus que não intervém.

Claudionor de Andrade define deísmo como:
Deísmo [Do lat. Dei + ismo]  Doutrina que, apesar de admitir a existência do Supremo Ser, ensina não estar Ele interessado no curso que a história toma, ou venha a tomar. Noutras palavras: de acordo com o deísmo, Deus limitou-se tão somente a criar-nos, abandonando-nos a seguir à própria sorte. [...] A Bíblia afiança-nos, porém, estar o bondoso Deus não apenas preocupado conosco, como também acha-se sempre presto a intervir em nossa história. No Salmo 104, Davi mostra quão solícito é o Criador para com as suas criaturas. E o que dizer da mensagem de João 3.16? Deus jamais enviaria seu Unigênito a morrer por nós, caso não se interessasse pelo nosso bem-estar! [...] O deísmo, por conseguinte, é o paganismo travestido de piedade. É a distorção do teísmo bíblico [1]. 
O deus que não intervém não é bíblico. Aliás, os "teístas abertos" e os radicais "reformados cessacionistas" têm uma crença em comum. Veja como o calvinismo radical (hipercalvinismo) e o arminianismo radical (teísmo aberto) são próximos! Como assim que Deus já não intervém na história do homem? Como podemos negar a realidade do milagre? Sim, não devemos viver em função dos milagres, mas daí a negar sua existência é outra história.

Graças a Deus que somente parte dos reformados pensam assim, mas alguns poucos costumam fazer barulho. Sim, os milagres existem. É entranho que alguns reformados conservadores abracem um naturalismo que contraria o sobrenaturalismo bíblico. O naturalismo não é necessariamente ateísmo, pois há um deus para essa teoria, que é o deus deísta, ou como lembrou C. S. Lewis: "O que o Naturalismo não pode aceitar é a ideia de um Deus que se coloque fora da Natureza e que a tenha criado" [2]. Deus, então, ficaria preso nas leis da físicas (sua criatura)? É claro que não!

Referência Bibliográfica:

[1] ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 16 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 132.

[2] LEWIS, C. S. Milagres. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 21.

2 comentários:

Aprendiz disse...

Gutierres

Anos atrás eu escrevi justamente um texto sobre isso, como o cessacionismo evoluiu até se tornar tão absoluto que tornou-se deísta.

É interessante que os pais do protestantismo reformado, apesar de serem cessacionistas relativos, não endossavam de maneira alguma o cessacionismo absluto. Os atuais hereges defensores do deus inativo (com minúscula mesmo, pois não é Adonai, é um outro deus que eles inventaram bastante recentemente) não seriam considerados como irmãos por Lutero, Zwinglio e Calvino, que criam em milagres e na providência.

Sinto-me a vontade para denunciar os deístas do campo calvinista, pois sempre tenho denunciado as heresias dos teístas abertos, que como aqueles, rejeitaram a fé no Verdadeiro Senhor de Israel.

Will Guedes disse...

Está visão de que os Reformados não creem na existencia de Milagres é um mal-entedido do que foi escrito.

Você deve lembrar que o própio Calvino disse que Deus tem controle sobre tudo e que tem Liberdade para agir conforme a sua vontade,lembrando que por uma questão lógica, Deus não pode esta abaixo de algo que ELE criou ou criar algo ilógico, como uma "bola-quadrada ou contradizer a sua Palavra".

Quando se refere aos dons e Ministérios Calvino fala que alguns postos e dons cessaram (como Apostolos e etc) e outros permaneceram.

Já sobre a Providencia Divina olhe abaixo:

"Por isso, pois, ele é tido por Onipotente, não porque de fato possa agir, contudo às vezes cesse e permaneça inativo; ou, por um impulso geral de continuidade ao curso da natureza que prefixou, mas porque, governando céu e terra por sua providência, a tudo regula de tal modo que nada ocorra senão por sua determinação. Pois, quando se diz no Salmo [115.3] que “Ele faz tudo quanto quer”, trata-se de uma vontade definida e liberada."

Inst, Livro I, cap 16, pg 200.