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sábado, 10 de setembro de 2011

Lição 11- A Influência Cultural da Igreja

Definindo Cultura e o Papel da Igreja

Por Terrence R. Lindvall e J. Matthew Melton. 

(Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD)

“Cultura”, derivado do latim cultura, refere-se aos costumes e produtos sociais inventados pelos seres humanos e refletindo suas crenças e valores. Segundo é interpretada nos dias de hoje, a cultura é caracterizada pelas artes, hábitos e comportamentos de um grupo social. Assim as meninas vitorianas da década de 1890 eram tão constrangidas por sua cultura quanto eram as meninas materiais da década de 1980. Ambas seguiam a moda e a novidade que compunham a cultura popular, quer seja a “baixa” cultura das massas ou a “alta” cultura da elite.

No século XIX, Matthew Arnold, poeta e crítico inglês, descreveu a cultura como o ato normativo de “nos familiarizarmos com o melhor do que era conhecido e dito no mundo”. As pessoas tendem a ver a cultura como a “cultivação” do melhor e mais esplêndido, dos ideais mais sublimes em termos de gosto e refinamento, das coisas boas com as que se esperava estar associado: livros bons, companhia boa, roupas boas, música boa, teatro bom e coisas assim. A bondade incluía as dimensões morais e estéticas: Podia-se ser instruído nas coisas boas e simultaneamente achar prazer.

Sob o ideal da alta cultura está a cultura que a massa das pessoas quer de fato. A cultura popular contemporânea raramente se preocupa com o que é “bom”. Tornou-se mais associado com o que é mantido em comum numa dada sociedade ou com o que venderá. A cultura que é consumida em larga escala torna-se “cultura popular”. O álbum Thriller, de Michael Jackson, os filmes Titanic, de James Cameron e O Parque dos Dinossauros, de Stephen Spielberg, qualificam-se – não necessariamente porque sejam intrinsecamente bons, mas porque são de grande popularidade. Estas artes da mídia atraem às massas e não requerem alto grau de sofisticação intelectual ou refinamento cultural.

A cultura popular que tratamos aqui é o entretenimento visual: cinema, televisão, vídeo e as novas formas de tecnocultura, como vídeo games interativos. De muitas formas, esta mídia baseada em imagem mostra uma influência às vezes evidente, às vezes sutil, mas sempre poderosa no desenvolvimento de nossa cultura. Neste sentido, Neil Postaman vê a questão de se a mídia visual molda ou reflete a cultura como antiquada. Na sua visão, a televisão e o cinema tornaram-se nossa cultura.

Se a avaliação de Postman está ligeiramente exagerada, sua avaliação da influência da mídia visual na cultura contemporânea indubitavelmente levanta questões básicas para o povo da fé. Por exemplo, será que verdadeiramente entendemos até que ponto nossa vida e cosmovisão são influenciadas pela mídia visual – particularmente pela mídia de entretenimento baseada em imagens? [...] A possibilidade de que a mídia substitua o papel historicamente vital desempenhado pela igreja na formação dos valores de uma comunidade é desconcertante, mas compreensível. Para muitos, o cinema se tornou uma igreja virtual.

Mesmo dentro de nossa casa, verificamos que as devoções familiares são suplantadas pelos deuses domésticos eletrônicos. A televisão pode funcionar como santuário privado ao deus das imagens – um deus do lar grego ou olímpico da ESPN, um Buda pessoal da Televisão Pública ou um deus dionísio da TV a cabo. Cada um oferece sua própria visão da vida boa. E frequentemente jazemos prostrados diante de nosso deus, ficando até preguiçosos e indolentes.

A transformação de uma cultura oral centrada na palavra para uma cultura eletrônica centrada na imagem apresenta desafio especial para estudiosos e estudantes cristãos, sobretudo levando-se em conta o poder hoje reconhecido das imagens. Os valores promovidos na cultura popular da televisão e do cinema raramente são os da fé cristã. O egoísmo, o hedonismo, a cobiça, a vingança, a luxúria, o orgulho e uma legião de outros vícios são muito bem-sucedidos em competir com o fruto do Espírito de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança (Gálatas 5.22,23). A tarefa dos cristãos é descobrir se algum destes valores bíblicos existe em expressões particulares da cultura popular, para expor o falso e celebrar o bom e o verdadeiro. Neste sentido, a recomendação de Paulo aos cristãos filipenses permanece verdadeira: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4.8). Nossa contribuição à cultura popular, seja como espectador (o consumidor) ou como artista (o produtor), deve seguir a exortação de Paulo para abranger a integridade, a virtude e a beleza em nossos pensamentos e ações, independente da ênfase comum demais que a cultura popular dá aos valores opostos. 

Dissemos que a cultura popular contemporânea raramente se preocupa com o que é bom. Portanto, os cristãos devem ser extremamente seletivos nas atividades da cultura popular nas quais escolhem participar. Ainda que a escolha entre o que é popular e o que é biblicamente apropriado não seja fácil, é necessária a fim de mantermos um relacionamento saudável com o Senhor.

Texto extraído da obra “Panorama do Pensamento Cristão”, editada pela CPAD.

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