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domingo, 20 de novembro de 2011

A força do mercado evangélico

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Leia abaixo reportagem do jornal Folha de S. Paulo sobre o mercado de produtos evangélicos. Comento no final.

Em crise, gravadoras tradicionais buscam mercado religioso 
Bons números de vendas de CDs e DVDs gospel e baixa pirataria atraem empresas como Som Livre e Sony Music
"As pessoas estão cansadas de problema", diz a cantora Aline Barros, que já vendeu 7 milhões de discos 
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER DE SÃO PAULO 
A indústria fonográfica não tem do que reclamar. Vender 50 mil cópias de um disco, hoje, é mamão com açúcar. Consumidores se interessam mais em abrir a carteira do que links para download pirata.
O negócio de livros também vai bem, obrigado. O de DVDs, então, nem se fala.
O cenário descrito acima pode soar como milagre para o mercado de entretenimento, que apanha ano após ano com o tombo nas vendas.
Já o setor gospel, bastião de bonança no meio da crise, pode soltar "aleluias" por aí.
Veja o caso da cantora Aline Barros, 35. Já ouviu falar dela? Talvez não, se você for um "secular" (como evangélicos se referem a quem não compartilha da mesma fé).
Mas tudo o que Aline toca vira ouro -até disco de diamante, conquistado pelas mais de 360 mil cópias vendidas, em menos de dez meses, do álbum "Extraordinário Amor de Deus" (2011).
O extraordinário poder das vendas, com certeza, a atingiu. Casada com pastor, frequentadora todos os domingos de uma igreja na zona sul do Rio, ela é uma espécie de Ivete Sangalo do gospel. Na carreira, já vendeu 7 milhões de discos.
Assim ela avalia o sucesso, inclusive no tal "mundo secular": "As pessoas estão buscando algo maior, cansadas de falar só sobre problemas, problemas, problemas".
Lucros, lucros e lucros são o que grandes gravadoras viram no potencial de Aline -premiada quatro vezes no Grammy Latino, que em 2004 criou categoria especial para álbum gospel em português.
Disputada, a cantora acabou renovando contrato com a MK Music, maior gravadora gospel do país. Presidente da MK, Yvelise de Oliveira, 60, desdenha do "súbito interesse" das gigantes do ramo.
Para ela, as "majors" desprezaram a força do público antes. Como "quando vieram os sertanejos, e diziam 'absurdo, que bregalhada'", compara Yvelise. 
NOVO NICHO
Diretor-geral da Som Livre, Marcelo Soares considera que "o público não religioso pouco gasta em suas crenças pessoais". Já o cristão, "além desses gastos", tende a gastar mais com cultura.
O selo representa nomes como Ana Paula Valadão, 35 (7 milhões de CD e DVDs vendidos). Diz a pastora: "Rádios seculares estão começando a tocar nossas canções. Os apresentadores sempre dizem que antes tinham preconceito".
A Sony Music inaugurou, em 2010, um departamento especializado em gospel. Seu diretor, Maurício Soares, levanta o perfil desse consumidor. "O evangélico lê mais, cerca de sete livros por ano. E as rádios do segmento, na maioria, são líderes do tempo médio de audiência."
Na Central Gospel, império tocado pelo pastor Silas Malafaia, DVDs vendem cerca de 1 milhão de cópias por ano. Diretora-executiva, Elba Alencar destaca: "Como a própria Bíblia diz, 'a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus'".
Comento: 

O espaço crescente de cantores evangélicos na mídia não representa necessariamente o avanço do Evangelho no país. Motivos? 1) Quem garante que o cantor ou pregador na mídia está de fato expondo o Evangelho? 2) O interesse dos órgãos comunicativos é meramente comercial e não há pecado nisso, pois eles simplesmente vivem de vender CDs e DVDs.  3) A exposição muitas vezes garante emoção sem conteúdo. 4) A exposição constante pode gerar personalismo.

Mas esse espaço pode ser aproveitado para o avanço da evangelização. A questão é saber aproveitar a oportunidade com sabedoria e coração missionário. É um grande desafio que nasceu nesses últimos meses, mas ele será vencido?

6 comentários:

Aprendiz disse...

Não sei se isso pode ser uma oportunidade. Pelo menos até agora, parece que não tem sido.

Jamais, na história da Igreja, a música foi o "carro-chefe" da evangelização, embora muitos quisessem entender que era. Não tem porque isso ser diferente agora.

Daladier Lima disse...

Eu quero só ver aonde isso vai dar. Quando tudo na igreja atender às leis de mercado, vamos virar lobos! Ou então estaremos tão relativizados, que nada fará mais diferençaalguma. É o caso dos EUA. Quem viver, verá.

valdemir disse...

Sonho com o dia em que o carro chefe na Igreja brasileira seja a Ministração da Palavra de Deus. Essa sim, é a maneira mais segura de evangelização.O crer vem pelo ouvir, ouvir a Palavra de Deus.

Matias H disse...

de uma forma ou outra o evangelho está sendo pregado. por mais que recebam críticas de alguns cristãos, ana paula valadão e aline barros tem ainda um conteúdo relevante para um mundo sem noção de Deus. Para nós crentes antigos pode soar superficial, mas é algo relacionado ao Deus da Bíblia.
Os artistas gospel já tem uma pinta de estrelismo, portanto, sendo agora artistas "globais" (Som Livre) não vai estragá-los mais ainda... Aliás, será que a Globo está se convertendo enquanto que a Record vai cada vez mais trilhando nos caminhos do Anticristo ;)...

Felipe Huvos Ribas disse...

Matias, será que músicas superficiais não podem acabar gerando uma resistência à pregação com mais substância em uma pessoa que entre em contato com tais músicas sem, no entanto, se satisfazer com as coisas que ouve? Algo como "eu já ouvi o que você tem a dizer e não fiquei satisfeito".

claudiopimenta disse...

e varao a coisa esta seria viu


a proposito veja esse video

http://www.youtube.com/watch?v=Pahj12IOtqQ