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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Lição 09 - A organização do serviço religioso

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD.

Leia a primeira parte neste link.

PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Por George O. Wood (Continuação)

Como Fazer Sermões Expositivos

Agora vem a questão crítica. Você quer pregar sermões expositivos. Mas como fazê-los? Deixe-me levá-lo ao longo desse processo, utilizando uma das passagens mais familiares da Bíblia: Mateus 28.18-20. De fato, esse texto é tão familiar, que muitos nunca chegam a pregar sobre ele.

[...] Exige-se que os pregadores expositivos incluam todas as palavras do texto em seus sermões. Mateus 28.18-20 concentra-se em assuntos mais inclusivos do que no fato de “ir” ou para onde devemos ir.
Lembra-se da primeira pergunta sobre os preparativos de uma mensagem expositiva? O que o texto disse? Para responder a essa pergunta devemos fazer boa exegese. Contudo, não comece sua exegese correndo comentários. O pregador expositivo deve primeiro estudar o texto apenas com a Bíblia na mão; sem comentários ou ferramentas de ajuda de qualquer tipo.

É importante que você comece a formar uma opinião sobre a passagem. O que o texto está dizendo? De que forma o Espírito Santo pode ajudá-lo a entender o texto novo? Que partes parecem chamar mais sua atenção? O que você não compreende? Onde estão os substantivos? Os verbos? Os adjetivos? Os advérbios? Qual o pensamento principal da passagem? Quais os subtemas? Não custa escrever sua própria paráfrase do texto.

[...] Durante esse embate inicial e direto entre você e o texto, comece a se perguntar: Como esboçarei estes versículos? Que título parece mais apropriado?

Passe pelo menos uma hora sozinho com o texto antes de consultar seus recursos de estudo bíblico. Se, é claro, você sabe o grego ou hebraico, gaste esse tempo no texto original obtendo as nuanças da linguagem bíblica. Você não deve começar a examinar os comentários até que o próprio texto fique incrustado em seu espírito.

Depois, sirva-se dos recursos: dicionários, concordância, tradução interlinear, paráfrases e outras versões, estudos por palavras, comentários bíblicos. Não permita que seu repertório de comentário seja escasso. Alguns cometem o erro de confiar quase exclusivamente em um ou dois comentários, e seus sermões passam a ser apenas um rearranjo, uma nova apresentação do que aquele estudioso disse. Nunca tento usar menos do que sete ou oito comentários sobre qualquer texto. Isso assegura que estou tirando conclusões de múltiplos pontos de vista, alguns dos quais em nada me ajudarão, mas preciso da multiplicidade de informações para corretamente compreender o texto. Tenho de resistir ao impulso de passar depressa para a aplicação do texto, sem primeiro me envolver em todo o processo de exame.

À medida que você explora cuidadosamente a mina do texto de Mateus 28.18-20, começa a notar os temas principais. Eles se sobressaem. No versículo 18, Jesus faz uma declaração muito surpreendente. Nos versículos 19 e 20a, dá uma ordem. E na última frase do versículo 20, faz uma promessa.

Portanto, um sermão expositivo será desenvolvido nessa estrutura, dentro do próprio texto. Lembre-se: é sempre o próprio texto que deve reger o esboço. A pregação expositiva não dá licença para o pregador forçar ideias no texto. Deve-se permitir que o texto fale por si mesmo. Quando você se concentrar nos aspectos exegéticos do texto, comece a notar algumas coisas que se destacam, como por exemplo, a palavra “todo”. No texto da versão ARA [Almeida Revista Atualizada], a palavra “todo” (em suas declinações) ocorre quatro vezes: “toda a autoridade [ou poder]“, “todas as nações”, “todas as coisas” e “todos dos dias”. Bem de acordo com o texto grego subjacente, onde o vocábulo “todo” (da raiz grega pas) ocorre quatro vezes: “toda a autoridade”, “todas as nações”, “todas as coisas” e “todos os dias”. Quando percebi isso, disse comigo mesmo: Esta é repetição importante. Isto precisa ser incluído na mensagem. Mas como?

Minha exegese também me leva a focalizar nos conectivos. Primeiro, Jesus proclama ter autoridade. Depois, emite uma ordem. E, no fim, faz uma promessa. Tudo isso não está relacionado? Sua autoridade não serve de escora para a ordem? Jesus nos enviaria para uma missão que não tivesse esperança de sucesso? Por conseguinte, nossa responsabilidade não está associada ao sucesso de sua própria missão? A menos que Ele tenha autoridade, não temos responsabilidade. Mas somos enviados a fazer sua obra por nossa conta? Não! Com a comissão, temos também a garantia: Ele estará conosco.

Percebe o que estamos fazendo? Estamos trabalhando com os conectivos. Às vezes, um sermão contém um esboço simples: pontos um, dois e três. Não obstante, o pregador nunca conecta os pontos. Se temos o ponto um, de que maneira se relaciona com o ponto dois? E com o ponto três? Você quase sempre pode dizer está conectando os pontos, se está silenciosamente inserindo entre eles as palavras “portanto” ou “porque”. Por exemplo, nesse texto, Jesus tem autoridade. Portanto, temos responsabilidade quanto a essa autoridade. Porque temos responsabilidade, necessitamos de sua presença, e devemos cumprir o que mandou fazer.

Procure seguir o fluxo lógico que o próprio texto proporciona. Quando Deus fala, como apresentado na Bíblia, Ele não gagueja. As palavras não são dadas em ordem aleatória, mas na seqüência certa. Há um propósito e método na revelação divina. Busque-os e proclame-os!

Ainda estamos trabalhando na exegese: “O que o texto disse?” Em meus estudos, comecei a notar que quatro verbos dominam o meio de Mateus 28.18-20. Em português, na versão ARA, dois dos verbos estão no imperativo, ou seja, são ordens: “ide” e “fazei discípulos”. E os outros dois verbos estão no gerúndio: “batizando” e “ensinando”. Em princípio, isso nada significa para o desenvolvimento do sermão; simplesmente tomo nota.

Quando consulto o texto grego, descubro que apenas um verbo está no imperativo: “fazei discípulos”. Os outros três estão todos no gerúndio: “indo” (ou quando fordes” ou “tendo ido”, “batizando” e “ensinando”) [Aqui, o Novo Testamento Interlinear é imprescindível para quem consegue pelo menos consultar o dicionário grego e uma chave linguística grega]. Não tenho ideia do que planejo fazer com essa descoberta. Terei de pensar um pouco sobre isso e trabalhar mais extensamente nos comentários. Você frequentemente experimentará esse mesmo fenômeno ao preparar seus sermões.

Durante todo o tempo em que estou estudando, estou tomando notas. Entrementes, só tenho páginas cheias de anotações. Meu estudo exegético está concluído. Acho que atingi um entendimento positivamente acurado do significado das palavras. Agora chegou o momento de desenvolver o sermão e começar a responder a segunda pergunta: “O que o texto diz?” [Concluiremos no próximo subsídio].


Texto extraído do: “Manual Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais”, editado pela CPAD.

Um comentário:

Aprendiz disse...

Para mim que sou leigo, foi um ótimo texto. Mesmo para um estudo particular parece um ótimo roteiro.

Mas infelizmiente, conheço pouquíssimos pastores que fazem sermões expositivos.