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terça-feira, 29 de novembro de 2011

O preconceito “sustentável” de Eliane Brum!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Antes de ler este post, por favor, leia neste link o artigo da jornalista Elaine Brum sobre A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico (sic).
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Sou um leitor da jornalista Eliane Brum. O primeiro livro que li da jornalista gaúcha foi A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial), obra que ganhou o Prêmio Jabuti de 2007, a principal premiação do mercado editorial brasileiro. Outro ótimo livro de Brum é Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), onde ela desmistifica a história de um grupo que agia com violência e espalhava o medo por onde passava em nome de uma ideologia. No Brasil, ela é uma representante do chamado “novo jornalismo”, que é o casamento da literatura com a arte da notícia. É um talento.

Mas eis que me deparo com o artigo escrito para o site da revista Época. Já adianto que não acho recomendável o comportamento do “Deus me livre” expresso pelo taxista, mas não sou cego ao ponto de não enxergar o forte teor preconceituoso do texto. Também não tenho a mínima simpatia pelo neopentecostalismo, mas não posso desprezar como a generalização do texto é fruto de uma ignorância sobre o universo evangélico brasileiro.

Tolerância

A democracia, a tolerância e o “homem cordial brasileiro” estariam ameaçados pelo crescente número de evangélicos no Brasil? Dizer que sim só pode ser preconceito puro e simples. Em nenhum país de maioria evangélica reina um autoritarismo religioso/secular. Uma das maiores bandeiras do protestantismo sempre foi a nítida separação da Igreja e o Estado, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão. Não é à toa que as tiranias islâmicas e os totalitarismos fascistas e comunistas desprezavam (e desprezam) o cristianismo.

O caso do bispo da Universal que chutou uma santa católica não pode ser usado para atacar os evangélicos, pois a Igreja Universal é uma anomalia. Que “Deus nos livre” de usarem a seita Universal para generalizar os evangélicos. Aquilo nunca foi uma igreja de tradição protestante, pois na verdade usa alguns elementos do catolicismo popular, espiritismo e alguns princípios evangélicos. É uma mistureba sem identidade.

A tolerância e a cordialidade do brasileiro também estão bem presentes entre os evangélicos. A minha família, por exemplo, tem evangélicos de três denominações diferentes e muitos católicos e outros sem religião. Nunca que houve nenhum debate intenso sobre religiosidade nos tradicionais almoços e jantares de Natal. Mas já política e futebol...

Mas talvez tolerantes sejam os neoateus que sonham com o "fim da religião"?! Fico com medo só de ouvir que cientistas e estudiosos respeitados no mundo, como Richards Dawkins, sonham com esse "totalitarismo messiânico secular".  O neoateísmo é a expressão mais retrógrada quando pensamos no exercício da democracia e da tolerância desenvolvida na cultura e na filosofia ocidental.

Os cultos, os funkeiros e a civilidade!

Quer maior exemplo de respeito pelo outro e civilidade? Os evangélicos respeitam a Lei do Silêncio. Na igreja onde congrego, por exemplo, em hipótese alguma um culto passa das 22 horas. Quando uma vigília é feita a congregação mais isolada é a escolhida, normalmente em um ponto mais comercial, para que o som não atrapalhe a vizinhança. O nível de civilidade dos evangélicos na periferia nem se compara com os funkeiros e outros baderneiros que não respeitam ninguém. Som no volume máximo às duas horas da madrugada de uma segunda-feira é comum nas periferias, mas nunca será por um evangélico.

Se os índices de violência entre evangélicos fossem estendidos para toda a população brasileira estaríamos com uma realidade mais próxima da segurança escandinava do que dos carteis mexicanos. Se todos os brasileiros lessem, em média, setes livros como os evangélicos, talvez não seríamos um país tão atrasado. A senhora pobre e evangélica não quer ser analfabeta, pois o seu sonho é ler a Bíblia... Quem é que vai na “escola” domingo pela manhã? Os evangélicos! Quem ainda estuda música clássica?

Portanto, Eliane Brum, um Brasil mais evangélico será um Brasil mais democrático. O preconceito de Brum é “sustentável” porque é cult. É feio ser cristão, como sempre foi. O politicamente correto respeita até uma barata, mas jamais vai “tolerar” (ô tolerância, quantos mataram em teu nome!) o cristianismo em suas manifestações, como o protestantismo evangelical.

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PS: Por conta desse artigo o pastor Silas Malafaia chamou Eliane Brum de “vagabunda”. O Malafaia calado é um poeta. A forma mal-educada do pastor carioca não é somente uma questão de personalidade, mas de baixaria mesmo. Como alguém pode achar bacana ser comparado de “Ratinho gospel”? Que coisa mais cafona e baixa! O jornal The New York Times (leia, em inglês, aqui) escreveu um perfil do Malafaia na edição de sábado e um especialista ouvido pelo jornal comparou o Malafaia com o Pat Robertson. Foi uma boa sacada, pois Robertson fala bobagens, faz da “guerra cultural” um fim e ainda é metido na "teologia da prosperidade".

6 comentários:

jurandir alves disse...

Caro Gutierres

Concordo em genro, numero e grau.

Deyver disse...

Rsss... muito bom!

Isso sempre existiu e sempre existirá.

Continuemos rumo ao alvo!

Sola Scriptura!

Ademar Lopes disse...

Bom dia Gutierres e a todos.

Chamo isso de paranoia nietzcheana, afirmando que os evangélicos querem transformar o Brasil numa república teocrática, o estado é laico e outras retóricas.

cida-santista disse...

concordo com tuuuuudo

cida-santista disse...

não deixemos nos abater....não estamos prejudicando a vida de ninguém , muito ao contrário, desejamos um mundo melhor para todos....

Cícero Leandro Júnior disse...

Concordo com o irmão quando fala sobre a banalização da palavra "tolerância". O atual politicamente correto só é tolerante com quem lhe convém. E da leitura do texto decorrem duas verdades:

1 - É de impressionar como todos os críticos da fé cristã da contemporaneidade tecem suas opiniões sem o mínimo conhecimento de causa. Depois o evangélico é ignorante.

2 - Fica patente que os neopentecostais têm causado um dano sem precedente à igreja evangélica brasileira, e acredito que as consequências disso se darão daqui a uns 15,20 anos, com uma crescente secularização do país.