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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma teologia latino-americana não faz o menor sentido!

Por Gutierres Fernandes Siqueira 
"El nacionalismo, lo mismo el centralista que los periféricos, es una catástrofe en todas sus manifestaciones". Mario Vargas Llosa, escritor peruano e Prêmio Nobel de Literatura.

Sim, acabei de proclamar uma "heresia" para muitos evangelicais brasileiros. Mas reafirmo: uma teologia latino-americana não faz nenhum sentido para a nossa realidade. Escrevo este texto motivado pela leitura da última edição da revista EXAME CEO (Out/2011 ed. 10, Editora Abril). A revista especial sobre a América Latina traz algumas reflexões acadêmicas, na perspectiva econômica e cultural, que se encaixam perfeitamente na tentativa de construir uma "teologia latino-americana".

A teologia latino-americana faz sentido? Não. Vejamos três motivos:

1) Uma teologia regionalista/nacionalista é sinal de imaturidade cultural e crise de identidade

O historiador brasileiro Evaldo Cabral de Melo afirmou que "a obsessão por escrever romances calcados em folclore ou em realismo extremado é típico de países jovens e em crise de identidade"[1]. A frase de Melo é sobre a "literatura latino-americano", mas cabe perfeitamente na "teologia latino-americana". Alguém já viu um movimento na Inglaterra na "busca pela teologia inglesa" ou na Holanda na "busca pela teologia holandesa"? Os países de tradição teológica mais sólida não ficam nessa infantilidade acadêmica em busca de uma identidade regional.

2) Uma teologia regionalista/nacionalista desenha o seu próprio povo como exemplo de perfeição

Oh, como somos bons! Assim pensam aqueles teólogos que refletem "segundo a nossa dura realidade latino-americana"! O povo latino seria, como sofrido que são pela "exploração imperialista", mais puros na sua reflexão teológica. Meu Deus, que sono! Há coisa mais ingênua do que acreditar em pureza humana? Pobreza ou riqueza não é categoria de pensamento e de reflexão profunda. O sofrimento pode render um livro maravilhoso como o de Jó, mas pode também render uma literatura amarga, vingativa, ignorante e rancorosa.

3) Uma teologia regionalista/nacionalista é pobre na sua leitura de mundo

A Igreja de Cristo é universal. A nossa leitura de mundo costuma ser influenciada pela região em que vivemos. Agora, a teologia cristã, mesmo com as suas influências locais, deve ler universalmente. O nacionalismo de alguns teólogos desembarca na categoria mais retrógrada que possa existir: não consumir uma literatura que ele julga fora de "sua realidade". É uma visão estreita, pobre e que nutre preconceitos descabidos com a ótima teologia produzida no mundo desenvolvido.

E agora vem mais uma pergunta: Nós, brasileiros, somos latino-americanos?

Não, essa não é uma pergunta maluca, pois esse debate é bem antigo. Seriam os brasileiros latino-americanos? O conceito "América Latina" nasceu no século 19 como sinônimo de América espanhola. Sim, não nasceu como sinônimo de países colonizados pelos impérios de línguas românicas (espanhol, português, francês e italiano). O historiador Leslie Bethell comenta:
A América Latina foi inventada nos anos 50 e 60 do século 19. Escritores e intelectuais hispano-americanos- colombianos, chilenos e argentinos- utilizaram a expressão pela fragmentação da América Espanhola em 16 repúblicas, existia uma consciência e uma identidade latino-americana em comum que superava os nacionalismos locais e regionais. Ao mesmo tempo, alguns intelectuais franceses argumentam que havia uma afinidade cultural e linguística entre todos os povos latinos e, para a "Amérique Latine", a França era inspiração e líder natural- e seu defensor contra a influência e a dominação anglo-saxãs. Nenhum desses intelectuais incluiu o Brasil no seu conceito de América Latina. Tratava-se, pura e simplesmente, de outro nome para a América Espanhola.[2]
É um debate profundo, mas certamente interessante. Há uma tentativa crescente de unificação na América Latina, mas o Brasil é um país pouco afeito a olhar para fora. A interatividade entre os povos é uma atividade rica e produtiva. Mas a integração latina é um sonho acadêmico antigo um tanto irreal. Os jornalistas Leandro Narloch e Duda Texeira comentam:
"América Latina" se tronou assim uma ideia tão vazia quanto abrangente. Reúne sujeitos e povos dos mais diversos: o que há em comum entre ribeirinhos amazônicos, vaqueiros gaúchos, executivos da Cidade do México, índios das ilhas flutuantes do lago Titicaca e haitianos praticantes do vodu? Eles falam línguas derivadas do latim, mas... e daí? Colocar todos em um mesmo saco não seria o mesmo que igualar sujeitos tão diferentes quanto um xeque radical egípcio, um fazendeiro branco da África do Sul e um pigmeu do Congo? São todos africanos, é certo, mas pouca gente fala em uma única identidade para a África. [3]
Se a própria ideia de América Latina não faz sentido, então imagine uma "teologia latino-americana". Como falar em uma categoria que não é homogênea? Muitas vezes quando um teólogo identificado com a "teologia latina" fala, na verdade ele está preso em ideias tão (mas tão) antigas. É uma categoria de intelectuais que ainda vive na Guerra Fria ou esquecem dos avanços econômicos recentes nos países emergentes, inclusive entre alguns latinos como Peru, Colômbia, Uruguai e Chile. E como lembra o peruano Vargas Llosa, na abertura desse texto, qualquer espécie de nacionalismo/regionalismo (mesmo teológico) é uma catástrofe.

Referências Bibliográficas:

[1] LIMA, João Gabriel. Ser ou não SerExame CEO. São Paulo: 2011.Out/2011. p 108-112.

[2] BETHELL, Leslie. O que quer o Brasil? Exame CEO. São Paulo: 2011.Out/2011. p 79-83.

[3] NARLOCH, Leandro e TEIXEIRA, Duda. Guia Politicamente Incorreto da América Latina. 1 ed. São Paulo: Editora Leya, 2011. p 17.

23 comentários:

Valter Borges disse...

Por uma teologia concreta e não abstrata!!
Meu caro Gutierrez, saúde e paz!
Lamento profundamente que seus ataques estejam sendo contrários à realidade nua e crua que se desenha à nossa frente, fazendo-o não compreender a dimensão do que está tratando!
Mas, vou tentar lhe ajudar!
Primeiro, nenhuma, eu disse nenhuma atitude é isolada de seu contexto ou de motivo direcionador!
Evidentemente, que aqueles que se opõe à uma teologia latino-americana não tem noção do que Enrique Dussel, Filósofo, denomina como o “encobrimento” da América Latina pela cultura européia. Toda cultua implantada na América Latina é uma cultura com visão do dominador e não do dominado!
Aliás, já parou para pensar por que as histórias das guerras são contadas pelos que a venceram e nunca pelos que a perderam. Pois bem, nós somos os perdedores e, temos oportunidade de tornarmos protagonistas de nossa história. Ninguém precisa dizer para nós que precisamos preservar nossas florestas, principalmente depois que países europeus e norte-americanos devastaram suas florestas e, agora, hipocritamente, utilizam de ideologias mesquinhas que visam apenas perpetuar sua dominação, vem impor seu modo de pensar!
As histórias do Brasil contadas pelos estrangeiros endeusam Pedro Alvares Cabral, D. Pedro I, e apedrejaram Tiradentes, com seu trabalho de libertação!
Mas, quando contado por Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, ou por Galeano, aí a história muda, pois é contada a partir dos perdedores. Ou seja, com uma realidade crua e nua!
Com a teologia é a mesma coisa!

(continua...)

Valter Borges disse...

Toda a Reforma Protestante foi calcada no nacionalismo, onde suíços, ingleses, alemães e franceses procuraram estabelecer sua própria teologia sempre em combate a igreja romana. Houve tantas divergências entre eles que uma guerra foi deflagrada, isto é, a guerra dos 30 anos.
Hoje tem uma teologia na igreja anglicana, outra na metodista, outra na presbiteriana, outra na batista, outra nos menonitas. Todas elas são expressões de suas comunidades exportadas para todos os demais países.
A teologia latino-americana é uma forma de pensar Deus dentro da realidade latino-americana, que tem a maior concentração de sua população na área urbana, onde a reforma agrária perpetua o colonialismo, mesmo porque os latifundiários não tem vez nos países desenvolvidos pois lá houve reforma agrária. Houve reforma nos EUA e na Europa. A teologia do protestantismo histórico, por exemplo foi imposta aos latino-americanos sob os auspícios da doutrina do Destino Manifesto e o Evangelho propagado por aqui por eles veio sob os investimentos da maçonaria e sua visão de céu está baseado no American way of life, ou seja estilo de vida americano, que nada mais é que uma cultura. Agora, tente implantar o estilo de vida americano no Paraguai, por exemplo.
E a teologia latino-americana não quer impor ao mundo seu modo de pensar, mas procura dar voz e vez aos latino-americanos para refletir sobre Deus à partir de sua realidade.
Até o pentecostalismo estadunidense é diferente dos latino-americanos, enquanto nos EUA o pentecostalismo expressa um modo de ser evangélico, nos países latino-americanos expressam a voz e a vez do povo excluído, que luta contra a tirania da educação, do mercado e do catolicismo imperialista e excludente de nossa sociedade.
A teologia norte-americana não teve problemas com católicos, pois a própria cultura norte-americana é uma cultura evangélica, seus primeiros moradores não foram colonizadores, mas pessoas que foram construir um futuro e trouxeram sua religião. Na América Latina a história foi diferente, houve uma imposição da teologia católica sobre os ameríndios, e os colonizadores exploravam o Brasil e levavam todo tesouro daqui, deixando-nos cada vez mais pobre. Não há de se admirar que as impressões de Deus dos norte-americanos, que entendem que Deus os levantou para liderar o mundo, seja diferente das impressões dos latino-americanos que, questionam onde estaria Deus diante de tanto sofrimento, tanta crueldade.
Portanto, uma teologia latino-americana tenta demonstrar essa face que o mundo tenta esconder, eles dizem que somos todos iguais, mas as diferenças apenas começam aí, pois, aqui não é Miami, penso que aqui mais parece o Haiti, aliás, Caetano Veloso, se não me falha a memória, já cantava, O Haiti é aqui!

(continua...)

Valter Borges disse...

Vamos refletir sobre seus pensamentos:
1) Uma teologia regionalista/nacionalista é sinal de imaturidade cultural e crise de identidade
É melhor verificar a guerra dos trinta anos, e diga-me o que se afirmava ali. Era a teologia que prevaleceria, fundada no nacionalismo. As teologias de Lutero, Zwiglio, Calvino eram basicamente fundada no anti-catolicismo, mas suas marcas representam a identidade de seus povos de enxergar Deus. Veja os reflexos do Evangelho na Suiça, Inglaterra e França. São todos diferentes. E o que recebemos no Brasil é a imposição da cultura deles sobre a nossa.

2) Uma teologia regionalista/nacionalista desenha o seu próprio povo como exemplo de perfeição
Deves saber com somos vistos pelos europeus e estadunidenses: como índios, que vendem banana, cuja capital do Brasil é Buenos Aires.
A baixa auto-estima dos latino-americanos foram impostos pelos de fora. Como não tem ninguém para salvar os latino-americanos, a Teologia Latino-Americana renovou e elevou a auto-estima desse povo por meio da fé. Isto é, Deus não se esqueceu desse povo, embora seus sofrimentos. Portanto, apesar massacrados, eles tem um valor essencial diante de Deus. E a teologia latino-americana procura resgatar a auto-estima de um povo. E não é se considerar os melhores. Os melhores já se consideram os europeus e norte-americanos. É preciso, primeiramente, conhecer nosso povo e não fazer teologia de gabinete, mas na convivência com o povo, como Jesus fazia.

3) Uma teologia regionalista/nacionalista é pobre na sua leitura de mundo
A ótima ideologia do mundo desenvolvido apoiou a ditadura militar na América Latina e no Brasil. Pastores, simplesmente denunciavam seus membros aos regimes ditatoriais. Influenciados por uma teologia que dizia: É assim mesmo, aceite isso, você nada pode fazer, é Deus quem está fazendo isso. As ditaduras foram instrumentos para defender os interesses das empresas norte-americanas e europeia as custas de mais 40 mil mortos na Argentina e outros tantos que o Brasil.

(continua...)

Valter Borges disse...

E agora vem mais uma pergunta: Nós, brasileiros, somos latino-americanos?
Não somos norte-americanos, somos asiáticos, somos europeus. Ora... E olha quem quer ser superior, hein! A questão latino-americana não se resume à língua de uma nação ou de várias nações. Mas reflete, de pronto, a ideia de uma região. A região que foi dividia no Tratado de Tordesillas, apoiado pela Igreja, que disse a portugueses e espanhóis, as terras e pessoas até o leste de Tordesillas pertencem a portugueses e a oeste de espanhóis. Ou seja, aqui ninguém falava espanhol ou português. Qualquer referência à América Latina nunca excluiu o Brasil, alías, hoje, o Brasil é considerado o líder regional aqui entre os latino-americanos, e isso não se deve á língua, mas a históroa de colonização que todos os países sofreram. E toda a região é considerada o chão de fábrica do mundo, o quintal estadunidense. O Brasil é o único país da América Latina que não trata bem seus próprios índios. Veja a questão boliviana. O Brasil não quer enfrentar seus problemas de exclusão social e da supressão de direitos.
Para finalizar: O mundo desenvolvido não quer que os latinos desenvolvam sua cultura, sua literatura, sua filosofia e sua teologia, pois isso os faz pensar... E quem pensa não se deixa escravizar, colonizar. Quanto menos pensar mais fácil será de serem manipulados. Então, a solução do mundo desenvolvido é: comprem nossos livros, que possuem nossos valores, pois seus valores não prestam, sua literatura é ruim, suas teologias são piores. Eles dizem, nossos filmes são melhores, nossa bandeira nacional é mais bonita. Sua capital não é Brasília e sim Washington. É isso!!!
Essa ideologia é a mesma que fez dos nossos produtos os piores do mundo. Segundo esse pensamento não somos capazes de fazer nada, nem produzir cultura, nem romances, nem teologia.
Só para conhecimento a teologia alemã chegou ao Brasil através do luteranismo que fez uma cultura própria para si, que excluía os brasileiros, para eles, tidos como latino-americanos.
Abramos nossos olhos! E enxerguemos o mundo com olhar crítico, à partir de nossa realidade.
Nenhuma teologia se abstrai da realidade, pois senão sempre será abstrata!
A própria teologia bíblica está calcada na realidade de um povo hebreu, Deus se revelou na história de sofrimento deles. E a Bíblia é padrão para a revelação de qualquer povo ao ser implantado na realidade desse povo. O Evangelho sempre foi contextual. Tente fazer missão sem compreender a cultura de um povo e verás se terás sucesso.
Pense nisso! O pensar sobre Deus se materializa na realidade! Conceitos sobre Deus são vistos na realidade da vida. Abraão conheceu o Deus que provê, através da realidade de sua renúncia. Não é assim com todos. Alguém poderá conhecer o Deus que provê através do estender a mão ao pobre, explorado, sem teto, sem terra, sem esperança, sem trabalho, sem alimento, sem roupas, sem direitos, sem dignidade, sem cidadania. Deus será enaltecido toda vez que a cidadania é estabelecida na vida de um latino-americano.
Aleluias!
Por uma teologia concreta e não abstrata!!
Façamos teologia latino-americana que alarga o direito de muitos e não perpetua os privilégios de alguns!

Robson Cota disse...

Nunca vi tanta abobrinha junta quanto nesse texto desse Valter Borges! Que povo sofredor, massacrado, explorado, é esse da América Latina, heim?

Que dó!

Valter Borges disse...

É Robson...
Para aqueles que fecham os olhos para a realidade latino-americana e para quem quer viver num "mundo do faz de conta" e viver fora da realidade, tentando pousar no American way of life, esse coisifica o outro, não entendendo o que é desumanização... para esses a seu ver é tudo balela, mesmo!

Isso está demonstrado pelo seu comentário que desrespeita minhas considerações, ao tratá-la de "abobrinha"!!!

Minhas considerações eu faço na concretude da vida, trabalhando na igreja, e vendo o povo pobre, que não tem dinheiro para pagar a conta d´água, embora, deixe seu sangue para sustento e enriquecimento de uns poucos.

Sabe quando se percebe as desigualdades e seu aprofundamento, justamente quando há crescimento, pois quem ganha muito, quer ganhar mais... quem é explorado, será mais explorado, ainda!
Se você tiver um I-Phone, saiba que os trabalhadores da fábrica que os constroem estão se suicidando por não conseguirem sair do círculo vicioso de exploração, ganhando cerca de R$ 200,00 por mês, para enriquecimento de um tal de Steve Jobs (in memoriam).

Abraços!

Aprendiz disse...

Valter

Sua mente parece tomada por esse discurso nacionalista-socialista (que as crianças e adolescentes são obrigadas a agüentar por tantos anos para obterem seus diplomas). Tivemos de agüentar muito papo furado de fãs de Galeano e outros como ele.

Você diz ao Gutierres "vou tentar ajudar". Você realmente imagina que há algum brasileiro que tenha passado pela escola e não tenha ficado saturado desse discurso. Vocês, da esquerda falam essas mesmas coisas dia e noite sem parar, praticamente dominam as escolas e a cena cultural, e imaginam que alguém com muitos anos de escola ainda não ouviu essa arenga? Qual a principal finalidade da escola brasileira, senão garantir que todos acreditem nesse papo?

Já lhe ocorreu que alguém possa simplesmente ter discordado de vocês?

Mas vamos à teologia. Você realmente crê que a motivação intima de Wycliff, Huss, Lutero, Calvino, Zwinglo, Wesley, você realmente crê que sua motivação era o "nacionalismo"? Se você ler a história deles, pergunte-se: de onde veio essa fome por reformar a teologia? Veio do desejo de independência política ou do desejo por conhecer a doutrina original de Cristo e dos apóstolos? Não me venha dizer que a teologia tem implicações sobre a política, todo mundo aqui está verde de saber disso. O que estou perguntando é: lendo sobre suas vidas e suas palavras, você não consegue entender uma motivação muito mais íntima do que o simples desejo de "independência nacional"?

Ou o discurso padrão dos intelectuais brasileiros o tornou tão cego que você perdeu a percepção do desejo humano pelo Eterno?

O que foi que Yeshua fez quanto à teologia dos rabinos? Ele não os criticou justamente por terem os olhos tão voltados para as questões nacionais, que já não podiam ver o que é eterno?

Nenhuma teologia que mereça esse nome pode ter como sua principal motivação o nacionalismo? Se essa é a principal motivação, então é uma motivação acimma do próprio Criador, e portanto é uma teologia idólatra por natureza. Logo, não pode ser cristã. Da mesma forma se a ideologia é o grande motivo por trás de uma teologia, então essa é uma teologia idólatra. E os idólatras sempre acharão que toda teologia é idólatra, porque eles não podem entender que haja quem não seja idólatra.

carlos disse...

A principio,o Brasil é um País Sul- Americano.Eu não acredito em teologia Brasileira,latino-americana,eu acredito é em Teologia Biblica,através da qual é contracultural

Valter Borges disse...

Pessoal,
O debate é bom o bastante para não partir para os ataques pessoais,
O alargamento do direito das pessoas não diz respeito, sob o ponto de vista teológico, a ser politicamente de direita ou esquerda. Esses rótulos são preconceitos usados por aqueles que querem desmerecer o raciocínio de outros.

Os argumentos até agora, foram desabafos, nenhum me convence academicamente.

John Wesley que era anglicano, resolveu fazer uma teologia que não se encerrava nas paróquias. Ele começou a pregar ao ar livre, para época foi um escândalo, mas ocorre que a Inglaterra, com uma igreja alienada e com uma teologia abstrata e fora da realidade, não atendia à população.
John Wesley, saiu dos templos, foi até o povo e pregou conforme a realidade do povo. Sua mensagem refletia a situação daquele povo, gente!!!
Wesley era tão sintonizado com a realidade que ele foi um dos primeiros a lutar contra a escravatura, numa militância que o fez escrever até para os senadores.
Sua teologia estava firmada na realidade de seu tempo e espaço geográfico.
O problema quando está-se lutando por uma teologia abstrata sem contato com a realidade, está na realidade negando o Evangelho, pois dizer que ama a Deus, nos templos à noite, se alimentar bem, pelo menos três vezes ao doa, enquanto crianças comem apenas 1 vez ao dia é hipocrisia e negar a fé em Deus, pois todo aquele que diz que ama a Deus e não ama seu próximo, ou não alarga o direito dos desfavorecidos nega a Deus.
Entristece-me quando as pessoas valorizam as culturas de outros países e não valoriza a própria cultura e nem sua gente.

Quanto aos assuntos que alguns estão cansados de saber dos bancos de escola, lamento informar que, como professor de teologia e sociologia, a finalidade é estudar esses autores para criar um senso crítico da realidade, e não se amoldar ao conformismo alienante proposto.

Para finalizar recomendo a leitura de livros sobre a Reforma Protestante na qual lecionei exaustivamente na Faculdade de Teologia ano passado.

Um dos pilares da reforma é uma teologia sempre reformando, ou seja se adequando aos novos tempos.

Lutero ao combater o catolicismo não o fez na abstração, mas na realidade de seu povo que não tinham respostas dentro da teologia da igreja medieval.

Portanto, meus amados, uma teologia latino-americana é para os latino-americanos com suas angústias e problemas que procuram respostas teológicas.

Será que a teologia enlatada e importada, que é produzida na Alemanha, moldada nos EUA e descartada no Brasil é a resposta para os habitantes desse continente de miseráveis...
Ah! Não se esqueçam o Brasil não se encerra nos grandes centros, onde há mais conforto, mas, se alarga nos rincões nordestinos, onde a fome é real, o comércio de crianças para turismo sexual é realidade.
Aliás, sobre essa questão o que a teologia importada faz para ajudar essas crianças? Nada...

Por uma teologia que responda aos anseios, pois Deus não se revela na abstração mas na realidade concreta de nossas vidas.

Abraços a todos, e continuemos o debate, mas, por favor, com respeito, cidadania, e limitando-se ao conteúdo, sem preconceitos e rótulos.

Meus alunos já estão preocupados com os problemas da violência nas escolas e estão produzindo uma teologia que responda e auxilie a diminuir esse problema nas escolas da região.

Precisamos de uma teologia que aja!

Veja a realidade, busque resposta na Bíblia e na Teologia e intervenha nela!

Abraços

Marcelo de Oliveira e Oliveira - RJ disse...

Nem direita e nem esquerda (apesar das contas, ambas têm seu lado relevante e fantasioso), apenas por uma Teologia Bíblica que exalte a Deus e dignifique o próximo (Mc 12.30,31), considerando a própria realidade espiritual, social e política. Por isso, me associo a sóbria exposição realizada por Valter Borges.

Paz e Bem!

carlos disse...

Amado irmão Valter,eu na minha humilde opinião não quis ofende-lo,de maneira alguma.O que eu entendo de Biblia pode até não ser academico,mas em minhas leituras tanto de biblia quanto em livros de reformadores como de pregadores como Wesley,Spurgeon e Lloyd-Jones,Nicodemos Lopes,Antonio Carlos Costa entre outros, tenho aprendido que devemos como igreja,exaltar o Nome de Deus,glorificá-lo devidamente sempre em nossa proclamação ao evangelho,independente por quaisquer demandas que pobre,rico,favelado ou não requerem.Eu cansei de ouvir, que povo quer isso quer aquilo.O povo precisa,necessita da Glória de Deus,vamos pregar O Evangelho que já está na Palavra,vamos procurar não emplacar mais uma(entre tantas)nomenclatura para a proclamação da Palavra,façamos o que já foi requerido que realizemos.

Paz da Parte Daquele
que nos AMA

Ricardo Rocha disse...

Acho que há exageros de ambos os lados. Primeiro, não acho que seja de todo ruim se fazer uma teologia cujo ENFOQUE seja o contexto latino americano. Ora, se Deus age de diferentes formas dependendo do povo e do contexto em que age, não acho que seja ruim se fazer uma teologia focada no problema específico do contexto latino americano, ou asiático, ou africano ou europeu. Como as culturas são diferentes as suas formas de ver o mundo e as perguntas que fazem são diferentes em parte, o que justifica uma teologia diferente.

Todavia, acredito que o modo como se quer fazer isso na América Latina está redondamente errado. Trata-se da imposição esquerdista do nefasto mecanismo do Bode Expiatório: vê a si mesmo como o bom selvagem, o oprimido pelo dominador branco que representa a própria maldade. Então nós, bons selvagens devemos expiar de uma vez por todas o mal personificado no branco europeu. Esse modelo nefasto e pobre esquece a própria maldade, quando oculta a realidade dos povos nativos, em que muitos praticavam deploráveis cultos de sacrifício. Enfim, ninguém é tão bonzinho como pensa.

O que deve ser feito é a teologia de SEMPRE, aquela de Cristo, de Paulo, dos Pais da Igreja, dos Medievais e dos Reformadores, ser pregada com enfoque contextual latino americano e só, sem divinizar uns e demonizar todos pois, como diz Paulo TODOS pecaram.

Ricardo Rocha disse...

Além disso acho que o caro Valter se equivoca na sua interpretação das diferentes teologias que surgiram no contexto Europeu depois da reforma. Isso porque nenhum dos reformadores (excessão, talvez, a Zwinglio) não viam sua teologia como reflexo do seu povo nem nada desse tipo. As divergências teológicas que os reformadores tinham com os católicos e que tinham contra sí próprios surgiam de questões teológicas fundamentais, invariáveis dentro de qualquer contexto cultural. Ou qual inflêuencia cultural vc acha que pode ter em discussões teológicas como Predestinação x Livre Arbítrio ou na questão da doutrina da presença real de cristo na Eucaristia?

Essa interpretação é fruto do vício marxista de de ver tudo como reflexo da infra estrutura de produção, até a filosofia ou teologia. Daqui a pouco o próprio cristianismo deixará de ser a resposta de Deus ao mundo para ser interpretado como necessidade do mundo escravizado antigo.

A paz.

Gutierres Siqueira disse...

Caros,

Ok. Vamos fazer uma teologia segundo a realidade da América Latina? Mas o que é essa vaga ideia de "continente latino"? Se há problemas (e há muitos) quais seriam as causas e soluções? A solução seria as ideias infantis do Galeano e suas "veias abertas"? Ou seria o "desenvolvimentismo" que atrasa de Celso Furtado? A dita América Latina é o maior laboratório "desenvolvimentista" com as ideias da CEPAL, um órgão econômico que atrasa até hoje esta região com suas ideias ideológicas.

Valter Borges disse...

Mais uma vez, vejo que está havendo dificuldades de compreensão acerca da teologia latino-americana.
Teologia latino-americana, pessoal, é pensar Deus à partir do prisma do povo latino. Não são soluções de Galeanos ou Furtados. Eles apenas demonstram ou diagnosticam o que é o povo latino-americano.
Agora os teólogos latino-americanos são desafiados a pensar Deus segundo essa realidade.
Não é mudar Deus, mas, sim possibilitar uma reflexão sobre Deus a partir do latino-americano.
para exemplificar:

Adiantaria falar de Deus como pai, se o alvo da evangelização for uma criança que foi continuamente estrupada pelo próprio pai consanguíneo, mas que foi liberto pelo irmão mais velho? Qual a visão de pai que ela tem? De um pai carrasco! Ela poderia associar Deus como pai, partindo de sua experiência terrível com seu pai consanguíneo? Ela conseguiria amar a Deus assim?
Claro que não!
O que o evangelista teria de fazer? Demonstrar o amor de Deus através de seu libertador, no caso o irmão mais velho.
A atitude do irmão mais velho seria a real representação da atitude de Deus na vida concreta dela.
Portanto,o que o evangelista estaria fazendo era demonstrar Deus através da figura do irmão mais velho. É como se dissesse: Deus é tão amoroso, tão bom, que não suporta ver o sofrimento das pessoas, que toma iniciativas para libertar e proteger, a exemplo do irmão mais velho que te livrou do pai terrível.
Perceberam!
Não é mudar Deus ou mesmo os tesouros da essência do Evangelho, mas é traduzir Deus para as pessoas.

Semelhantemente, a teologia latino-americana, se utiliza de teóricos importantes para procurar conhecer quem é o alvo da evangelização, e procurar demonstrar Deus segundo a compreensão desse povo.

Outro exemplo:
Quando o pentecostalismo chegou em terras tupiniquins, já haviam várias igrejas evangélicas. Ocorre que essas igrejas eram feitas para a elite.
Com a chegada do pentecostalismo, o Evangelho se popularizou, com uma teologia do povo, que falava ao povo, dando voz ao povo, valorizando e aumentando a auto-estima do povo, que demonstrava um Deus de perto e não distante, representado pela igreja de outrora.

São teologias diferentes.

Muitos confundem que a teologia é apenas fazer um retrato falado de Deus e suas ações.

Teologia não é somente isso!

Teologia é mais do que isso! É refletir sobre a fé na relação entre Deus e os homens!

Não se iludam, há influencias culturais nos evangelhos.

Pergunto a todos: qual tipo de catolicismo que chegou ao Brasil? Você deve estar espantado: há mais de um tipo de catolicismo?
Resposta: Sim. E o catolicismo que vingou em solo brasileiro foi o catolicismo português, não o espanhol!
Há diferenças entre o cristianismo da igreja oriental e ocidental? Claro que há! Quais? Muitas!

Minha amiga Tania está na Inglaterra e disse-me, com pouco mais de 2 semanas que está ali, que as igrejas no Brasil são diferentes das inglesas. E ela se refere à mesma igreja que congregava.

Portanto, labuto por uma teologia latino-americana que possa fazer as pessoas conhecer a Deus em essência.
Inclusive no final deste mês estarei no Equador para apresentar meu artigo no Congresso do RELEP - Rede Latino-Americano de Teólogos Pentecostais para repensar a igreja dentro da AMÉRICA LATINA.
Todos estão convidados!
Abraços!

Aliás, desafio a todos a responder o que realmente foi reformado na Reforma Protestante: a eclesiologia, a soteriologia, doutrina sobre Deus, Trindade... Ok, afinal?
Essa é fácil, hein!!!

João Emiliano Neto disse...

Em meio a tantas teologias idiossincráticas que poderiam ser interessantes no sentido de auto-conhecimento mental, sugiro, então, uma teologia brasileira, ou seja, como - sugeriria eu - nossos teólogos tentariam contornar a pusilânimidade (Apocalipse 3:16) do brasileiro que torna o mesmo tão covarde e simultaneamente tão insano na defesa um certo moralismo impermeável (Mateus 23:4)?

Valter Borges disse...

Pessoal,
Que Deus debate bom! Não é mesmo!??
Espero responder as inquietações do João Emiliano com a seguinte argumentação. Acompanhe:

O brasileiro não é fraco, ele foi convencido que era fraco.
O brasileiro não é incapaz, ele foi convencido de que era incapaz.
O brasileiro não é dependente, ele foi convencido de que era dependente.
Quem doutrinou o brasileiro foi os dominadores opressores (aliás, diversos deles).
Em meu artigo "O sentido de coletividade em Paulo Freire" relato, em sua introdução o que se segue:

O homem em sociedade é um ser em constante construção. O estreitamento dos direitos tem provocado permanente opressão, e a relação entre oprimidos e opressores, na concretude da vida, revela a estrutura destrutiva de dominação. Paulo Freire fala de “dualidade existencial dos oprimidos que, ‘hospedando’ o opressor cuja ‘sombra’ eles ‘introjetam’, são eles e ao mesmo tempo são o outro” (FREIRE, 1987). O caráter fatalista dessa situação de dependência traz acomodação tal que os oprimidos não conseguem contemplar outras possibilidades e desenvolvem consciências de que a “desordem” do jeito que é, reflete a vontade de Deus.
Sem esclarecimento da superestrutura que rege os interesses dos opressores, os oprimidos, sem esperança, voltam-se uns aos outros em violência, agredindo seus companheiros, explicitando a dualidade, onde agridem neles as frustrações que sentem pelo opressor. “Agridem, como opressores, o opressor nos oprimidos” (FREIRE, 1987).
Entrementes, o oprimido ao mesmo tempo deseja o “estilo de vida” do opressor e desenvolve uma irresistível atração pelo opressor, que constitui uma enorme aspiração. Imitando-o, inclusive!
Os oprimidos são convencidos e se deixam convencer de sua “incapacidade”, deixam que sua autoestima seja rebaixada. “Dentro dos marcos concretos em que se fazem duais é natural que descreiam de si mesmos” (FREIRE, 1987).
Esse sentimento reflete inclusive no ato de educar e erguem um muro que deixa bem estabelecida a relação capacidade-incapacidade, equiparando-se inclusive a animais, coisificando-se, desumanizando-se. Não re-conhecem, inclusive, em si a potencialidade de lutar, confiar em si mesmos, imaginando o opressor invulnerável.
“Até o momento em que os oprimidos não tomem consciência das razões de seu estado de opressão ‘aceitam’ fatalisticamente a sua exploração” (FREIRE, 1987). Assim, convivem com o regime opressor.
Entretanto, a exemplo do ocorrido em países de longas e duras opressões, os oprimidos assumem formas de ações rebeldes, como ocorrido na Grécia, no Egito, recentemente, na Líbia e outros países do norte africano. Seria um despertar libertador, pois, até então são “dependentes emocionais” (FREIRE, 1987).
Paulo Freire diagnostica que, quando da conscientização, o oprimido descobre o opressor, “e se engajam na luta organizada por sua libertação, começam a crer em si mesmos, superando, assim, sua ‘conivência’ com o regime opressor” (FREIRE, 1987).

A teologia latino-americana se encaixa na categoria de uma teologia prática, ou para prática.

Aprendiz disse...

Valter

Seja Deus sempre verdadeiro e todo homem mentiroso. Fazer discursos contra a injustiça e opressão, isso é facílimo, até o Diabo sabe fazer (na verdade, ele foi o primeiro a fazer isso). Mas esse discurso não prova a boa fé de quem o fala, nem prova a correção das "soluções" que propõe.

Se há uma coisa que uma pessoa com problemas não precisa é de "soluções" falsas.

Que o Criador te ilumine, e que ele te dê idéias que não sejam simples réplica dos chavões de teus ídolos.

Analise criticamente as idéias humanas à luz da Bíblia, e não o contrário.

Valter Borges disse...

Aprendiz, infelizmente não é possível manter um diálogo contigo. Não há respeito pelas ideias alheias. Aliás, quem é você mostra teu rosto e nome! Não se esconda por trás disso!

Como não consegue combater com argumentos, passa então a promover ataques...

A época de "ganhar no grito" já passou. Essa era a atitude dos generais dos anos de chumbo e que deixou aprendizes, pois são intolerantes, impositores (só imaginam um ponto de vista) e não conseguem dialogar!
Como não há possibilidade de um debate nos campo das ideias.

Passar bem!

Anônimo disse...

Gostei do debate.Torci para que transfomassem o Che no grande herói latino-americano.Mas como exaltou-se Galeano e Caio Prado,está de bom tamanho.
Quase esqueci: E a teologia do "Deus mãe?"
José Nascimento Rodrigues

Aprendiz disse...

Valter

1. Não sou anônimo. Notou que o meu apelido aparece em azul? Clique em cima e entre no meu blog. Renato Ulisses de Souza a seu dispor.

2. Fiquei imaginando porque você teria pensado que eu o ataquei. Então percebi: Você provavelmente imaginou que eu o chamei de mentiroso. Releia o meu comentário com menos preconceito. O sgnificado que eu quis passar foi: O SER HUMANO é mentiroso (e tendente a acreditar em mentiras), logo as ideologias criadas pelos seres humanos são cheias de falhas e erros grosseiros. Portanto, elas deveriam ser analisadas criticamente à luz da Bíblia". Espero que tenha esclarecido esse ponto. Não tenho o menor motivo para julga-lo mentiroso, e peço desculpas se o meu rápido texto lhe deu essa impressão.

Valter Borges disse...

Aprendiz, agora ficou claro!
Desculpe a minha precipitação na compreensão das linhas de seu texto.
Faço suas as minhas palavras. Desculpe-me pelo minha indelicadeza.
Espero ter mais temas interessantes para debater. Deus o abençoe!

Abraços,

Aprendiz disse...

Abraço, irmão.

Fico feliz por termos esclarecido essa pequena confusão.

Fique na Paz de Cristo, que excede todo o entendimento.