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domingo, 11 de dezembro de 2011

Espiritualidade Steve Jobs!

O artigo Americans: Undecided About God? de Eric Weiner, no The New York Times, é a expressão da religiosidade pós-moderna. Weiner indica que a religião institucionalizada deveria tonar-se uma espécie Apple Espiritual, onde tudo seria simples, livre, intuitivo e interativo. É o profeta Steve Jobs. Weiner escreve: "Eu imagino um espaço religioso que celebra a dúvida, incentiva a experimentação e nos permite pronunciar a palavra Deus sem constrangimento. Um sistema operacional religioso para os ‘sem-religião’ entre nós. E para todos nós".

É claro que não concordo com a visão altamente pós-moderna de Weiner, mas o artigo dele traz para nós a realidade de um desafio: os jovens de hoje querem que a vida como um todo seja semelhante ao seu smartphone. Assim como nos Estados Unidos, o crescimento dos Nones (em inglês), ou seja, dos sem-religião é uma tendência crescente. A visão de mundo "conectada" é um desafio para a pregação do Evangelho no século presente. Não podemos ignorar que o mundo muda. Como pregar para "conectados" tão "desconectados" de compromisso?

O artigo ainda aponta a simpatia crescente dos norte-americanos por figuras religiosas como Dalai Lama contra o “Deus irado” dos cristãos. É o que o filósofo Luiz Felipe Pondé chama de “budismo light”, ou seja, essa espiritualidade sem compromisso e “muito legal” que é uma autoajuda de classe média. O “budismo light” levanta o ego dizendo que todo mundo é lindo e preocupado com o bem-estar do outro. É uma forma de manter "espiritualidade" sem o comprometimento que uma comunidade exige.


Política e religião

Weiner levanta um ponto interessante. Ele diz que muitos sem-religião não querem a religião institucionalizada, pois a identificam com uma postura política. Ser cristão, na visão dos “nones”, seria basicamente aderir ao Partido Republicano. Eis o grande perigo na mistura crescente de religião e política. Se muitas bandeiras dos republicanos são válidas para os cristãos, ainda assim deve-se tomar cuidado com posturas de um partido e o discurso de uma igreja. A bandeira da Igreja é a proclamação do Evangelho e não o acirramento de uma guerra cultural. No Brasil já temos a versão da “guerra cultural” norte-americana.

Repito que não concordo com a solução de Weiner, mas o artigo é provocativo. Leia o artigo aqui.

2 comentários:

Ivomar Costa disse...

Tenho a impressão que o articulista americano não conseguiu chegar ao cerna da questão. Parece-me que a humanidade está em busca da religiosidade sem, no entanto, ligação a qualquer instituição religiosa. Enquanto não admitimos que precisamos nos comprometer seriamente com uma transformação ética, que começe no indivíduo e se expanda para a sociedade. naturalmente, temos de nos comprometer com as leis de Deus, mas isso não significa que tenhamos que nos comprometer com instiuições falíveis e líderes muita vezes equivocados. Deus nos deu a razão e a sua palavra, é preciso que as usemos. Talvez esse movimento espontâneo da humandidade, que tem sido chamado de pós-modernismo, seja realmente a busca ainda errática de um cristianismo mais autêntico, mais próximo de Deus e mais distante das inúmeras denominações que surgem diariamente, muitas vezes sem qualquer ligação com a verdadeira religiosidade.

Aprendiz disse...

Gutierres

Vou fazer aqui uma provocação: O apósltolo Paulo fazia guerra cultural. Era uma guerra cultural inteligente, focada, com objetivos de longo prazo.

O problema dos cristãos não é o fato de que fazem guerra cultural (lá nos EUA, aqui, engolem qualquer coisa). O problema é falta de inteligência no fazer guerra cultural. Não quero criticar com isso aqueles que estão nesse fronte, graças a Deus por eles. Mas nós deveriamos aprender a fazer o que eles fazem, só que de maneira mais eficiente.

Noto que aqueles cristãos que fazem guerra cultural não são menos inteligentes que aqueles que não fazem. Pelo contrário, são pessoas interessadas em entender a origem das idéias, em perceberem a estratégia do inimigo por trás das aparências. Isso é muito mais do que a imensa maioria dos cristãos faz. Mas é insuficiente, aqueles que odeia o Criador estão conseguindo facilmente virar toda a sociedade contra Ele. Faltam pessoas que tenham o dom de influenciar. Os inimigos dos cristãos tem pessoas assim, nós ainda não.