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domingo, 15 de abril de 2012

A mania da “autoafirmação calvinista”

Tanta briga por uma questão capilar?
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Há alguns dias eu estava conversando com um amigo de confissão reformada sobre a chata mania de "autoafirmação constante" dos calvinistas. Sem querer generalizar, mas há teólogo calvinista que não deixa você esquecer por um minuto que ele abraça as ideias de Calvino e sempre este está enfatizando a genialidade de sua crença.

Já escrevi vários textos mostrando a minha simpatia pelo calvinismo e algumas de suas ideias. Gosto especialmente da tradição calvinista holandesa (neocalvinismo), mas não sou calvinista, logo porque não compactuo com os cinco pontos da TULIP. Dos textos teológicos é certo que mais de 60% daquilo que leio foi escrito por um autor reformado. Mas, apesar da simpatia, me irrita profundamente essa mania de autoafirmação. Irrita-me esse prazer de lembrar constantemente que o calvinista alcançou a iluminação. É difícil ver um arminiamo com a mesma tendência arrogante.

Conversar com um calvinista autoafirmativo é conversar com alguém que citará mil confissões escritas há três séculos e dois mil autores reformados a cada instante. Alguns dizem, em uma autoconfiança extrema, que calvinismo é apenas um nome diferente para "cristianismo verdadeiro". Ora, ora, não é muita petulância afirmar tal coisa?

Eu sei que Charles Finney era um pelagiano radical e um pregador emocionalista, mas ele acertou em cheio quando acusou alguns de seus pares presbiterianos de considerarem a Confissão de Fé de Westminster um verdadeiro “papa de papel”. O protestante deve crer na infalibilidade bíblica e não na infalibilidade de um sistema de crenças (calvinismo, pentecostalismo, metodismo, arminianismo, dispensacionalismo, amilenismo e outros ismos).

Outra mania é sempre lamentar que os seus pares não sejam calvinistas, mesmo que esses sejam brilhantes teólogos e referências no mundo acadêmico. A lamentação parece dizer que esse teólogo só seria pleno se fosse calvinista.

Só abrindo um parêntese: É engraçado que essa praga da "autoafirmação constante" também contamina muitos pentecostais que dizem pregar o Evangelho Pleno. E quem não é pentecostal não pregaria o evangelho plenamente? Ou voltando para o foco do texto: quem não é calvinista não pode ser um teólogo de mão cheia ou uma referência para a cristandade?   

Não quero dizer com isso que devemos ser “agnósticos teológicos”, ou seja, desprovidos de qualquer escola doutrinária com medo de sua falibilidade. E nem quero dizer que nunca devemos defender o nosso sistema de crenças. Mas é bom lembrar que qualquer exagero é prejudicial. Afirmar 24 horas que é calvinista e que o calvinismo é o melhor dos melhores é uma mania deplorável.

38 comentários:

Victor Leonardo Barbosa disse...

Mano, seu artigo é importantíssimo e necessário. Há algumas semanas atrás escrevi um artigo de linha abastante semelhante:

http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com.br/2012/03/ate-onde-vao-as-suas-referencias.html


Certa vez nosso amigo Nilton Rodolfo, ele mesmo um reformado de coração, falou sobre sua preocupação de ouvir mais o nome de João Calvino do que o do próprio Jesus Cristo.

Um forte abraço e Deus o abençoe!

Gutierres Siqueira disse...

Victor e amigos,

Recomendo o artigo do Victor, pois está em total sintonia com o pensamento desse texto.

Anônimo disse...

Gutierres, faça uma avaliação calma, reflita e responda: se vc fosse calvinista, escreveria esse texto?

Veja bem, se vc fosse calvinista, é óbvio que vc não iria achar ruim chamarem o calvinismo de cristianismo verdadeiro, afinal se o calvinismo é uma interpretação de como o Evangelho funciona, e se essa Interpretação é correta, nada mais lógico que o calvinismo seja o cristianismo verdadeiro! Onde está a arrogância? Ora, se o calvinismo está certo, o arminianismo não está, ele não é o cristianismo verdadeiro, mas sim um arremedo de cristianismo. Simples assim. Mas nenhum bom calvinista diria que o arminiano não é um cristão, como vc sabe muito bem.

Só um calvinista consegue perceber que tudo isso que vc chama de referências exageradamente elogiosas ao calvinismo é apenas o reconhecimento de uma doutrina verdadeira e que honra a Deus corretamente, e não olha pro próprio umbigo, mas sabe ser grato à tradição pelas coisas boas que ela produziu. O reformado sabe valorizar sua história, ele sabe que ele anda em cima de ombros de gigantes que viveram antes dele.

É absolutamente natural que o não-reformado olhe isso com estranheza, afinal geralmente ele vem de igrejas que não valorizam o passado, e quando ele vê alguém se orgulhar do calvinismo, ele vai achá-lo um tolo, da mesma forma que qualquer cristão olha um muçulmano que se orgulha da tradição islâmica também como um tolo.

Te convido a olhar esse "orgulho" reformado de maneira mais condescendente, não caia no erro grotesco de achar que muitas referências a homens signifique idolatria.

By Robson Cota

Anônimo disse...

Pra complementar, cuidado pra não confundir "verdadeiro" com "infalível". A CFW pode ser verdadeira em tudo que diz, mas isso não faz esse documento infalível, como é a Bíblia.

Se uma pessoa só diz verdades, e eu reconheço que cada ponto que ela fala são verdades, não estou dando crédito de infabilidade a essa pessoa.

De novo, é absolutamente natural que uma pessoa que vem de uma igreja que não tenha confissão de fé (ou que diz inocente que a confissão de fé dela é "a Bíblia", esquecendo que dela pode-se tirar todas as interpretaçōes possíveis) ache estranho o valor que o reformado dá à CFW.

By Robson Cota

zwinglio rodrigues disse...

Gutierres, paz!

O nobre Pr. Renato Vargens postou no Facebook a seguinte fala de Spurgeon:

"Eu pessoalmente acredito que não seja possível pregar a Cristo e Ele crucificado, a menos que estejamos pregando o que hoje é conhecido como Calvinismo. O Calvinismo é apenas um apelido; o Calvinismo é o evangelho e nada mais."

Ele, é claro as endossa.

Peguei esse excerto de Spurgeon e postei em minha página:

Em que pese todo respeito que tenho pelos irmãos calvinistas, propalar o discurso seguinte de Spurgeon nada mais é do que blasfemar contra o Santo Evangelho. Sem contar no fato de revelar uma arrogância teológica absurda.

Estou pra ver um sistema teológico que não esteja cravejado pela falibilidade humana do mais santo e douto teólogo. Apenas as Escrituras são inspiradas.

Disse Spurgeon:

"Eu pessoalmente acredito que não seja possível pregar a Cristo e Ele crucificado, a menos que estejamos pregando o que hoje é conhecido como Calvinismo. O Calvinismo é apenas um apelido; o Calvinismo é o evangelho e nada mais.

Ora, para Spurgeon e os que ecoam sua fala supra, Calvino e seu calvinismo são reputados por eles exatamente como os católicos reputam a ICAR: únicos detentores da condição de interpretação irretorquível do Texto Sagrado.

Isso sim que é reflexo de uma "alma católica".

Perguntei ao respeitado Pr. Augustus Nicodemus se ele concordava com o final da palavra de Spurgeon e ele disse que sim.

Seu texto, Guteirres, está perfeito.

Abraços!

Clóvis Gonçalves disse...

Gutierres,

Quando você escreveu elogios ao calvinismo, pedi que escrevesse sobre os pontos fracos do mesmo, pois tinha certeza que você o faria de forma sensata. Então agradeço por essa ponderação justa. Sem pretender diminuir o artigo, permita-me algumas palavras.

1. É certo que de boa parte é presunção mesmo. Não pela salvação em si, pois um calvinista orgulhoso de sua eleição, por exemplo, é uma contradição de termos. Mas por ter "descoberto" algo que os demais irmão arminianos não descobriram. E isso é muito mau. Porém, creio que da parte de alguns, essa "chatice" calvinista se deva a entusiasmo mesmo.

2. Você sabe, sou calvinista e tenho um site com essa temática. Também sou pentecostal e defendo o batismo com o Espírito Santo e os dons no mesmo espaço. Pesando as duas convicções, o calvinismo é proporcionalmente mais discutido que os pentecostalismo. O desequilíbrio é menos por importância e mais por necessidade. No meio em que convivo, o pentecostal, precisamos aprender mais sobre as doutrinas da graça do que sobre os dons do Espírito Santo.

3. Quanto à referências, a maioria das minhas leituras são calvinistas. Mas leio bons católicos romanos (Chesterton encabeça a lista), pentecostais tradicionais e até místicos da idade média. Quando digo leio, quero dizer leio com aprovação. Mas muitas vezes não deixo de "lamentar" que eles não sejam calvinistas. Não que não sejam bons, mas por serem. E se quer saber, lamento que alguns calvinistas não sejam pentecostais, ou pelo menos renovados. Isso porque sonho com uma junção das duas tradições que bebo: a reformada e a renovada.

4. Finalmente, concordo com a crítica que faz sobre a afirmação de que o calvinismo é o evangelho. Não é. É uma interpretação do mesmo, e mesmo que seja, como acredito, a melhor interpretação, sempre será apenas isso. E como tal, falível. Não podemos nos esquecer disso nunca, mas vezes demasiadas esquecemos.

Finalmente, parece-me que sua crítica é mais aos calvinistas do que ao calvinismo, embora afirme não concordar com sua íntegra.

Continue nos abençoando com seus textos inspirados.

Em Cristo,

Clóvis

Cristiano Silva disse...

Eu poderia dizer várias coisas, mas me limito a duas:

1. Procuro seguir a minha relação com a teologia reformada calvinista seguindo o exemplo de John Piper, que pode ser lido aqui.

2. Sei como você se sente: uma vez ouvi, na igreja, o defensor de um ensino que não considero lá muito bíblico, dizendo no fim das contas que quem não concordava com ele não sabia de Bíblia. Esta também é uma atitude que me deixa bem chateado, e eu me policio para não ficar achando "crentes de segunda categoria" em pessoas que divergem de mim em pontos não essenciais.

[]'s

Clóvis Gonçalves disse...

Zwinglio,

Eu escrevi no comentário acima, e em outros lugares também, que discordo da afirmação de Spurgeon se com isso ele quis dizer que calvinismo e evangelho são termos intercambiáveis.

Penso o seguinte. O calvinismo pode ser verdadeiro e correto em todas as afirmações que faz sobre o evangelho, mas o evangelho não é o calvinismo. Relativamente ao arminianismo, creio que o calvinismo representa melhor o evangelho, mas jamais direi que é equivalente a ele.

Já fui criticado por essa minha posição, mas não tenho coragem de comparar qualquer sistema ou interpretação ao evangelho.

Em Cristo,

Clóvis Gonçalves disse...

Gutierres,

Perdoe-me por abusar deste espaço. Mas queria acrescentar que Spurgeon, no mesmo contexto em que defende o calvinismo, diz:

"Mas, longe de mim, sequer imaginar que Sião não contém nada além de Cristãos Calvinistas dentro de seus muros, ou que não há ninguém salvo que não defenda nossa visão. Creio que há multidões de homens que não conseguem ver estas verdades, ou, pelo menos, não conseguem vê-las do modo em que nós as colocamos, mas que não obstante, têm recebido a Cristo como seu Salvador, e são tão queridos do coração do Deus de graça como o mais ruidoso calvinista dentro ou fora do Céu."

Uma porção maior do polêmico sermão pode ser lido em Evangelho e Calvinismo. Quem desejar ouvir a íntegra do sermão, veja o vídeo Uma defesa do calvinismo.

Em Cristo,

Clóvis

Matias disse...

recomendo o plemico e sarcático Caio Fabio sobre este assunto

http://www.youtube.com/watch?v=ZhuoMFaQsP0&feature=related

zwinglio rodrigues disse...

Clóvis, paz!

Parabéns pela coragem e fidelidade ao verdadeiro Evangelho.

Abraços mano!

Pastor Geremias Couto disse...

Para não me estender em minhas palavras, como costuma dizer um bom pentecostal, peço vênia para assinar os comentários do Clóvis Gonçalves.

Quanto à arrogância, ela está em todo o lugar. Lembro-me de quantas vezes, nós, pentecostais, chamávamos os tradicionais de "primos". E de lá para nós, o tratamento nãoo era melhor. Hoje, avançamos bastante, mas ainda assim, essa postura aparece aqui e ali, como, por exemplo, logo que o G12 apareceu por aqui. Quem participava do "encontro" saía de lá arrotando "infalibilidade".

Bem para não estender mesmo as minhas palavras, prefiro dizer que o calvinismo é o sistema mais compatível com as doutrinas da Escritura, sem que isso desqualifique qualquer outro cristão que professe outros sistemas que não abre mão da centralidade do evangelho.

Abraços,

Matias disse...

Eu acho esta divisão entre "reformados" e "arminianos" simplesmente cansativa e infantil. E o pior, eu mesmo me pego fazendo esta distinção. Uma vez perguntei a um teólogo formado em uma das melhores faculdades de teologia conervadoras na Suiça se já tinha ouvido falar dos 5 Pontos do Calvinismo. "Nunca, o que é isto?", ele respondeu. Sabem por que? Por que o tal de "TULIP" é conhecido no mundo reformado do mundo anglo-saxonico (assim como na Alemanha e Suiça "ninguem" sabe o que é uma igreja presbiteriana....). Então devemos ter cuidado em não achar que nosso sistema é a verdade absoluta e global. Somos igual as formigas de "Ants", cujo mundo se resumia a poça de agua onde viviam...
Aliás, quantos arminianos não sabem que são assim rotulados? Gente, o tal de "calvinismo" tem uma contribuição brilhante para o entendimento do cristianismo biblico, MAS não é e nunca é "O EVANGELHO". O evangelho é Mateus, Marcus, Lucas, João, romanos, hebreus, tiago, etc... Deu para entender? Calvinismo, metodismo, pentecostalismo, pietismo, anabatistas etc... são contribuições para a compreensão do evangelho bíblico, mas todas istes "ismos" tem na sua argumentação aspectos que não são biblicos. Só que achamos que sempre os outros estão errados..., certo?
Sem querer ser sarcástico, mas acho que nenhum de nós gostaria de ter vivido na época do reformador Calvino em Genebra. Não somente porque não teria Shopping fechado ou TV desligada no domingo (paulistano vai fazer o que?)... mas ninguem iria se sentir confortável na igreja de Genebra! faça uma viagem ao tempo... veja Servetus queimando na fogueira, os que pensam diferentes sendo barrados na entrada da cidade, as intermináveis discussões entre os reformadores, o sistema de igreja...

Ricardo Rocha disse...

Concordo plenamente com o irmão Guitierres.

Entendo perfeitamente que os calvinistas o considerem a melhor interpretação do evangelho, agora dizer que o calvinismo É o próprio evangelho soa como blasfêmea.

Em que pese a grande simpatia e respeito que tenho por INÚMEROS reformados, creio que o calvinismo seja uma das piores interpretações do evangelho, pior até do que algumas interpretações romanas.

Mas não saio dizendo que o calvinismo é sinonimo de heresia, e não faço isso por um motivo bem simples: o calvinismo, em que pese os erros, ainda segue o essencial da tradição cristã, exposta no coredo apostólico. Só isso já representa a certa continuidade dessa interpretação do evangelho com o que era feito no início da igreja cristã.

Mas a presunção calvinista chega mesmo as raias do irritante.

Clóvis Gonçalves disse...

Matias,

Concordo que a divisão entre arminianos e reformados é imprecisa. Arminius era reformado e nem todos os reformadores eram calvinistas, embora a maioria o fosse.

Também acho que sua avaliação de como nos sentiríamos na Genebra de Calvino sofre de um anacronismo terrível. É claro que ninguém de nós gostaria de viver naqueles tempos, não apenas na Genebra, mas em qualquer outro lugar do mundo.

Mas não seria, de forma alguma, porque shoppings centers fechariam ou o Brasileirão não seria transmitido aos domingos. Aliás, não seria má ideia se avaliássemos como usamos o dia do Senhor. Mas porque somos pessoas de outras épocas, embora isso não devesse fazer de nós nanicos espirituais comparados aos arminianos e calvinistas de então.

E sinceramente, dado a nível do artigo e a maturidade dos comentaristas, pensei que demoraria um pouco mais para alguém invocar São Serveto.

Em Cristo,

Clóvis

Clóvis Gonçalves disse...

Victor,

O seu artigo, bem lido e bem refletido, é bastante útil, tanto para críticos como a "devotos" de Calvino.

Em Cristo,

Clóvis

vagner ribeiro disse...

Gutierres, concordo com tudo que falou e com o que acrescentou o nosso prezado Clóvis Gonçalves, acho também que os calvinista ou reformado são na sua maioria muito arrogantes e esqueçem que um dos principios que Jesus deixou é a humildade, ele mesmo, Jesus, lavou os pés dos dicípulos em sinal de humildade

Gutierres Siqueira disse...

Caro Robson, a paz!

Se eu fosse calvinista não diria que calvinismo é outro nome para Evangelho. Assim como eu, como pentecostal, não falo que o pentecostalismo é outro nome para Evangelho. Ora, como seria ultrajante tal afirmação.

Uma coisa é reconhecer o valor de uma tradição teológica, mas outra coisa totalmente diferente é resumir a vida cristã a uma dedicação a essa mesma tradição. Por que eu preciso dividir o mundo entre os iluminados reformados e o resto? Bom, creio que podemos amar a nossa tradição sem um apego demasiado.

Eu congrego em uma denominação que tem uma Confissão de Fé (http://www.cpad.com.br/assembleia/cremos/) e longe estou de defender tal confissão como uma verdade já acabada. Há muitos assembleianos assim, mas não é o meu caso. E, além disso, a história da minha denominação é extremamente valorizada em seus periódicos e livros da Casa Publicadora. Normalmente a história tem sempre um ar romântico onde “os pioneiros” pareciam viver a perfeição do Evangelho Pleno. E eu sempre desconfiei dessa papo muito bonito, ainda que creio que a liderança passada era mais séria do que a presente.

Portanto, se eu fosse calvinista dos cinco pontos escreveria a mesmíssima crítica.

Anônimo disse...

Eu penso que autoafirmação há tanto no meio pentecostal quanto no calvinista, e digo, conhecendo tanto um quanto o outro grupo, digo que o tipo de arrogância pentecostal é mais sublimada, mas não não menos evidente, contudo, ela somente é vista para quem está disposto para ver. É o macaco falando do rabo da cotia. Enquanto os calvinistas falam de uma doutrina os pentecostais falam de uma experiência. Emerson Costa

Gutierres Siqueira disse...

Caro Emerson,

Eu não esqueci da autoafirmação de alguns pentecostais. Está no texto.

Matias disse...

Eu sinceramente acho que a auto-afrmação de qualquer grupo é coisa de criança e pronto! Já passei por tantos grupos e isto me irritava em todos eles. Simplesmente não consigo ver a evidência do Espírito Santo em tais grupos.
Todos sistema é apenas um sistema, tem seus pontos fortes e fracos. Se assim não fosse, não se estaria discutindo isto por séculos. Feliz aquele que não sabe de nada disto e apenas conhece a Biblia e na sua simplicidade recebe a direção do Espírito Santo! Feliz aquele que vive em comunhão com Deus, apesar de não conhecer um sistema.
O nível de oração dos seguidores de um "sistema" mostra até que ponto o sistema os aproxima de Deus. Conheço muitos calvinistas que oram pouco, conheço muitos pentecostais que oram pouco. Mas ambos defendendo seu sistema, sua "matrix" teologica. São simples marionetes de um "sistema". coitados!
Quanto a afirmação acima de "São Serveto" (entendendo assim que seja uma crítica indireta a menção do fato que Calvino consentiu com a execução do médico herege Serveto, que negava a Trindade), ele não era "são". Era tão doente como o seus executores e todos nós. E não adianta falar que os tempos eram outros... os anabatistas e mennonitas eram contra a pena de morte, guerra e outras atrocidades e viveram no mesmo tempo. Alguns morreram afogados em Zurique com o aval do Sr Zwingli.... outro reformador importante, mas "filho do seu tempo"... genial e doente!

Por isto não queria viver neste tempo da "reforma". Prefiro viver hoje, onde pelo menos em algumas partes do mundo temos direitos humanos! E isto foi uma grande conquista, sem dúvida, da influência cristã (seja reformada, luterana, wesleyana, exercito da salvação, etc etc etc etc).
Não nego que precisamos de uma "reforma" e não nego o lado "bom" da força do calvinismo tulipiano para ajudar neste processo. É um bom antídoto para desenvolvimento teologico do mundo gospel da TV brasileira... Talvez ajude para acharmos um equilíbrio, mas não um sistema...
Abraço

Victor Leonardo Barbosa disse...

Agradeço ao Clóvis pela leitura e apreciação do artigo,que Deus te abençoe e o sempre pertinente Cinco Solas. Forte abraço Amado!

Gostaria de acrescentar também um ponto importante mano Gutierres, ainda que vá um pouco além do proposto por este artigo: Os pentecostais que abraçam a teologia reformada mas permanecem com o seu diferencial, quando encontram um irmão reformado e este pergunta: "O Que você é?", a maioria responde: "Sou pentecostal, mas abraço a fé reformada também viu?". Creio que esse tipo de justificativa é totalmente desnecessário e faz um desserviço à Fé Pentecostal, além de aumentar o estereótipos dos pentecostais como movimento sem doutrina. Não motivos para um pentecostal se auto-justificar quando perguntado por isso e não ficar passivo diante das críticas feitas pelos tradicionais.

Juan de Paula disse...

Gutierres,

gosto muito do seu blog e por isso o indico no meu.

Afirmo ser um calvinista e reformado (não por auto-suficiência mas por esclarecimento dos pressupostos que abraço).

Concordo com o que você escreveu. Infelizmente, como escreveu um amigo, alguns que muito defendem a graça pouco sabem na prática sobre ela. Como calvinista, peço perdão pela arrogância de gente do "time teológico" que faço parte e afirmando que, como pecador que sou, posso cair no mesmo erro.

Segue algumas reflexões e ponderações pessoais:

1 - Prefiro o nome Centrado no Evangelho do que calvinismo ou reformado.

2 - Quanto a defesa da fé gosto de ler e busco praticar o que Joshua Harris, Eliot Grudem e outros chamam de "Ortodoxia humilde".

3 - Alguns calvinistas (inclusive e principalmente eu) precisa muito ler e praticar o que está no livro "Humildade" de C.J Mahaney (Editora Fiel).

4 - Concordo com a afirmação do Spurgeon, não por achar que o calvinismo ou a teologia reformada é superior como sistema teológico mas por concordar que o Evangelho da graça é o essencial no sistema calvinista e foi isso que Spurgeon quis dizer (sem excluir irmãos em Cristo não-calvinistas ou coloca-los arrogantemente em um patamar menor - o que é algo horrível)

5 - Por falar em Spurgeon, ele era contra calvinistas que catequizavam arminianos ao invés de pregar o Evangelho para não-cristãos. Ele via John Wesley (arminiano) como um grande homem de Deus e um de seus heróis na fé. Ele discordava do arminianismo, mas era fraterno com arminianos por serem seus irmãos na fé em Cristo (essas informações estão no livro "O Spurgeon Esquecido" de Iain Murray ed. PES).

Obrigado pela postagem Gutierres, continue servindo o Senhor.

Deus o abençoe,
Juan.

Gutierres Siqueira disse...

Caros,

Agradeço os comentários. Tivemos um debate de alto nível.

João Emiliano Neto disse...

O debate começou no mais baixo nível possível ao chamar de maníacos os calvinistas que muitas vezes se auto-afirmam o que são, é porque vivem submersos em um oceano de humanismo semi-pelagiano arminiano, porém o debate seguiu-se muito bem e em alto nível, de fato. Contudo, ora, aqui com meus botões penso que maníacos são tão raros desafortunados que, por isso, concluo que sua postura não passe é de murismo tucano, caro irmão Gutierres.

Ninguém precisa sempre forçosamente esboçar qualquer enfermidade ou anormalidade ao expor simplesmente o que pensa, porém, murismo não cabe no mundo das idéias e muito menos quando em defesa do Evangelho.

Sejamos calvinistas ou não, mas com humildade e também coragem, pertinácia, serenidade, plena erudição e vigor, por que não? Melhor do que ser como certos "crentes" que só querem um pouco de Jesus, os quais são simplesmente omissos contumazes perante o abandono, o desespero, a dor e o sofrimento dos mais necessitados dos necessitados irmãos que frequentam igrejas protestantes, não é mesmo "mano" Víctor?

Cleber disse...

Paz mano!
Até que enfim alguém pôs o dedo na ferida. Faz tempo que percebo essa irritante 'arrogância calvinista'.

http://confraria-pentecostal.blogspot.com/

João Emiliano Neto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aprendiz disse...

Vejo sim a arrogância de ALGUNS calvinistas que, por serem muito chamativos e briguentos e faladores, aparecem muito. Deste forma se cria uma ilusão de óptica que faz parecer que eles são o calvinismo quase todo. Talvez a coisa mais irritante neles seja a sua constante luta contra homens de palha. Sempre que eu converso com algum deles, ele diz o que supõe que eu penso, e passa o tempo todo combatendo as minhas supostas idéias. Parecem esquerdistas fanáticos, neste aspecto... Certamente estes não podem ser filhos espirituais de Spurgeon, pois eles jamais teriam qualquer apreciação positiva sobre Wesley.

Noto também que entre nós, pentecostais, (e mais ainda entre os neopentecostais) existem também os talibãs, que só conversam com alguém com o objetivo de não entender nada do que o interlocutor diz, atribuir-lhe o que não diz, e derramar seus preconceitos e sofismas. Se Paulo, Pedro, Tiago e João vivessem entre nós, mas na igreja não falassem em línguas, seriam desprezados como pessoas "sem espiritualidade". Estou até aqui de alguns irmãos sem noção que confundem barulho com espiritualidade. E como são idólatras!!! Endeusam missionários, "apóstolos", cantores...

Realmente a soberba e o fanatismo são problemas humanos sérios, mas por algum motivo, em certos grupos esses dois vícios se tornam mais evidentes.

Aprendiz disse...

MAS

Louvo a Deus pelos bons calvinistas, pelos bons arminianos, pelos bons pentecostais, pelos bons cessacionistas. Deus é Senhor de todos.

Anônimo disse...

“O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhes tragam satisfação. Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice".spurgeon

josue disse...

Jos
O homem para Deus são todos iguais não existe logica separar alguns
E porque o homem não tem a capacidade de acreditar na existencia de Deus ou na do diabo? o homem não é mesquinho ele tem entendimento que produz fé e da fé a salvação

Emet - Verdade disse...

Gostei logo de cara deste blog. É minha primeira visita e dou de cara com uma postagem da qual eu assinaria embaixo tranquilamente.
Parabéns.

Anônimo disse...

Depois de trinta anos congregando em duas igrejas pentecostais comecei a ler literatura calvinista e aí que a minha mente se abriu para a Bíblia.Antes disso a maior parte das epístolas do N.T. pareciam grego para mim.Passei a compreender a verdadeira realidade da natureza do pecado,a obra da salvação, o que é santificação(eu estava preso em usos e costumes),etc.
Acho uma arrogância maior os que não têm conhecimento bíblico, não se interessam pelos ensinos bíblicos e querem afirmar o que não sabem.Graças a Deus não é o caso da maioria que frequenta esse blog!

Leonardo Ferrari Silva disse...

Tanto faz ser Pentecostal ou Tradicional, também pouco importa saber a opinião de homens do passado como o assassino João Calvino, mas por mais que o Calvinismo tente, e tente muito (seus teólogos, livros o título tão "poderoso" de "Reformado", seus "gigantes" da fé, e seu atual "avivamento" (que tem alcançado uma gama de jovens e pastores revoltado com o neo-pentecostalismo), mas o calvinismo não é e não será nada mais do que uma heresia como o aniquilacionismo, sabatismo, sabelianismo e pelagianismo.

Oceano de palavras .... disse...

Meu Deus finalmente consegui encontrar palavras sábias de uma pessoa culta , visto que conhecimento intelectual nem sempre é sabedoria ! Acho que essas diferentes linhas teológicas só afirmam o que ocorre na sociedade em geral , a divisão ! Claro que todos pensadores cristaos tem sua contribuição para que o evangelho pudesse chegar até os dias De hoje , mas como é pensado por homens , já que apenas a bíblia foi inspirada , tem suas falhss refletidas no caráter humano e suas vaidades , olho com muito carinho o irmãozinho simples e humilde , que não conhece nenhuma teologia , por vezes analfabeto , que creeu na graça de Cristo , e dobra todos os dias os joelhos em favor da Igreja , sem jamais conceber que existem tantas diferenças ! Crente é crente e pronto , Jesus nos deixou um caminho simples :crer que ele é o caminho a verdade e a vida e amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si.mesmo , mas o homem e seus sistemas excludentes sempre tendem a complicar .paz a todos !

Daniel Soares disse...

Irmãos, devo dizer que os comentários e conclusões de vocês são verdadeiros colírios aos meus olhos; depois de "nascer" em uma igreja Neo pentecostal, vi que faltava Cristo ali e me desliguei de Deus (chegando a beira do ateísmo), mas através de ótimos blogs e elucidações de homens de Deus (Craig, por exemplo) voltei a Deus, no entanto, perdido no meio de tantos "ismos" e "istas" que se criaram na história, complicando o simples Evangelho de Cristo. Esse desabafo e depoimento não acrescenta muito ao debate, mas obrigado a todos.

Daniel Menah Cury

Daniel Soares disse...

Irmãos, devo dizer que os comentários e conclusões de vocês são verdadeiros colírios aos meus olhos; depois de "nascer" em uma igreja Neo pentecostal, vi que faltava Cristo ali e me desliguei de Deus (chegando a beira do ateísmo), mas através de ótimos blogs e elucidações de homens de Deus (Craig, por exemplo) voltei a Deus, no entanto, perdido no meio de tantos "ismos" e "istas" que se criaram na história, complicando o simples Evangelho de Cristo. Esse desabafo e depoimento não acrescenta muito ao debate, mas obrigado a todos.

Daniel Menah Cury

Marcelo Medeiros disse...

Concordo que esta auto-afirmação seja irritante, mas e a constante "mania" de arminianos em debater a soteriologia calvinista com base em frases isoladas? Confesso que não sei o que seja mais irritante.