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sábado, 26 de maio de 2012

Lição 09 - Laodiceia, uma Igreja morna

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

Por David Jeremiah

A última igreja mencionada em Apocalipse é a morna igreja de Laodiceia, a igreja que existirá quando Cristo voltar. Creio que a maioria das igrejas deste século é morna. Vamos observar as similaridades entre a comunidade cristã organizada hoje e a igreja de Laodiceia.

A igreja que recebeu a última carta do “carteiro de Patmos” era aparentemente impressionante. Ostentava prosperidade, mas faltava algo.

Sob o governo romano, a cidade de Laodiceia tornou-se amplamente conhecida por seus estabelecimentos bancários, escola de medicina e indústria têxtil. Entretanto, com toda essa riqueza, a igreja estava adormecida. Os membros eram ricos materialmente, mas pobres espiritualmente. O Senhor não teve nada de positivo para dizer sobre essa igreja; de fato, ela o enjoou. É interessante que Deus olha para a apostasia e fica irado – mas olha para a indiferença e fica indisposto.

A pregação da igreja estava comprometida com o mundo. Provavelmente, o pastor não queria perturbar sua congregação. Talvez ele tenha desconcertado um pouco suas consciências – apenas o suficiente para expor a culpa e mostrar trabalho, mas o que ele desejava ouvir depois do culto era: “Que sermão maravilhoso, pastor. Gostei muito”. 

Diz o Senhor: “Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3.16).
Esta é a única passagem no Novo Testamento em que a palavra “morno” é empregada. A expressão deriva da geografia da área que cerca a cidade. No distrito de Hierápolis havia nascentes minerais quentes, cuja água era transportada para laodiceia por canais. Porém, no momento em que chegava à cidade, a água não era mais quente. A água fria era levada para Laodiceia de Colossos, e quando chegava ao destino estava morna também. A mornidão é como deixar o café esfriar e a limonada esquentar. 

Na Bíblia, há três temperaturas possíveis do coração: o coração ardente, “Porventura, não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras” (Lc 24.32); o coração frio, “E, por ser multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” (Mt 24.12); e o coração morno da última igreja.

John Stott escreveu: “A igreja de Laodiceia era indiferente. Talvez nenhuma outra das sete igrejas se assemelhe mais à igreja do Século XXI do que esta. Ela descreve com perfeição a religiosidade respeitável, sentimental, nominal e superficial tão amplamente difundida entre nós hoje. Nosso cristianismo é tão débil e anêmico. Apresentamo-nos para tomarmos um banho morno de religião”. 

Temos muito medo de sermos fervorosos por Cristo; não queremos ser tachados de fanáticos ou extremistas, ainda que em outras áreas da vida nos desprendamos à nossa maneira e transpiremos entusiasmo. Quantas vezes ficamos assistindo a um jogo de basquete ou futebol e aplaudimos um cantor ou músico talentoso até nossas mãos ficarem vermelhas?

Lembro-me de ter ouvido um homem excêntrico que andava pela cidade com um cartaz nos ombros. A frente do cartaz dizia: “Sou louco por Cristo”. Conforme ele vagueava pelas ruas, era ridicularizado pelos que viam a frente do cartaz, até ele passar e lerem a frase do outro lado: “Por quem você é louco?”.
A igreja morna de Laodiceia era presunçosa: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e cego, e nu)” (Ap 3.17). 

A rica cidade dos negócios bancários moldou a igreja; o espírito do mercado entrou sorrateiramente e os valores foram distorcidos. A igreja estava orgulhosa de seu trabalho porque usava o padrão de medida humano, e não o divino. 

David Wilkerson, autor de A Cruz e o Punhal, comentou: "Jesus advertiu que uma igreja se expandiria nos últimos dias da civilização, a qual se orgulharia de ser rica, crescente, progressiva em número e autossuficiente..."

Durante aproximadamente dois mil anos, a Igreja de Jesus Cristo foi rejeitada e perseguida pelo mundo. O sangue de milhões de mártires desprezados clama. A Bíblia diz que todos morreram na fé, dos quais o mundo não era digno. Devo pensar que Jesus mudou de ideia e decidiu encerrar os séculos em uma igreja egoísta, orgulhosa, mimada, rica e morna? Consistirá o último exército de Deus de obreiros fugindo do alistamento?

Texto extraído da obra “Antes Que a Noite Venha: A Mensagem de Esperança em Tempos de Crise”, editada pela CPAD.

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