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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Carta aos cantores evangélicos

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Caros cantores evangélicos, boa noite!

Não sei se vocês têm tempo para ler blogs, pois creio que uma agenda cheia dificulta atividades triviais. Ainda assim, eu escrevo este texto para fazer um pedido aos famosos e não famosos. Vocês, caros cantores, precisam decidir o que são: cantores da e para a igreja ou artistas que eventualmente são evangélicos. Qual a posição que os caríssimos adotam?

O que é um cantor da e para a igreja?

Em primeiro lugar, é necessário explicar que não existe, biblicamente falando, o “ministério de louvor”. O nosso culto deve ser neotestamentário e, assim sendo, não há no contexto bíblico qualquer base para “ministros de louvor”. Não há a figura do “levita” no culto do Novo Testamento, assim sendo, qualquer volta ao ministério levítico é uma tentação judaizante. É bem verdade que pouco se fala sobre cânticos em Atos dos Apóstolos ou nas epístolas paulinas, mas não é possível defender a partir do Novo Testamento o ofício ministerial para a música.

A música deve ser congregacional, ou seja, toda a congregação deve participar do momento musical. Aquele que conduz o louvor não é um ministro, mas somente um membro que ajuda os demais no privilégio de entregar cânticos a Deus. A celebração conjunta que chamamos de “culto” deve ser coletiva, pois não é uma apresentação (ou show) de um culto individualizado. Mesmo as igrejas mais tradicionais pecam com cultos em que o momento do louvor pouco envolve (ou nada envolve) os frequentadores da liturgia (ou serviço). O culto em comunidade passa a ser a exposição de um culto pessoal, assim ferindo um princípio básico exposto pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14, onde o culto deve a todos edificar.

Portanto, o “cantor” da igreja não é uma função, pois todos devem “cantar” na congregação. Aquele que conduz o louvor é, nada mais do que isso, um condutor. Assim como alguém conduz o andamento da celebração cúltica, o cantor conduzirá a igreja nos cânticos para o louvor e a honra do Senhor. Essa é a lógica dos hinários, mas, é claro, que tal lógica não depende somente deles.

Portanto, é importante diferenciar aquele que conduz o louvor congregacional do artista evangélico.

O artista evangélico

Os artistas evangélicos são como os artista seculares, ou seja, cobram pelas apresentações, fazem shows, requerem direitos autorais, assinam contratos com grandes gravadoras, possuem inúmeros fãs etc. e tal. Qual a diferença dos “mundanos”? Bom, a diferença é que o artista evangélico é metido a “ministro de louvor”. Vive regaladamente disso, mas diz que faz uma missão!

Ora, por que os artistas evangélicos não assumem o que realmente são? Não haveria nenhum problema que tais cantores fizessem isso, pois pior é vestir uma capa de “espiritualização” de suas funções. E ainda pior é chamar os seus próprios shows de “culto a Deus”. Ora, que façam suas atividades para a glória de Deus, mas não vendam isso como um ministério eclesiástico.


Músicas do céu ou cantores nas nuvens?
E na década de 2000 era comum ouvir em inúmeras "profecias" nas igrejas pentecostais onde Deus (?) prometia "gravação de CDs". Eu achava estranho...

Portanto, caro cantor, se você é artista assuma-se como tal. Não diga por aí que você é um "levita", por favor, não fale bobagens! Agora, se você não quer ser artista, então não se comporte como um. Seja um simples condutor de louvor congregacional, assim dedicando com afinco o seu talento na estrutura da liturgia eclesiástica. Agora, se você quer ser os dois...

8 comentários:

César disse...

Como ficaria, por exemplo, Ana Paula Valadão e o Diante do Trono? Segundo o postado, como artista evangélico,pois vende esse trabalho.
Mas, o reino de Deus não é engradecido com essa obra, pois talvez vidas sejam alcançadas pelo louvor desses ministérios?

(Obs: é apenas uma pergunta, nada de contraponto) :D

Um abraço, Deus te use cada vez mais nesse ministério para o louvor do nome dEle. A Paz!

Mario Sérgio disse...

O que gera tudo isso é a falta de ensino bíblico. O mercado se impõe de tal maneira, que cria realidades fantasiosas e aparentemente imprescindíveis para o "sucesso" do culto e da igreja.

Abraço!

Anônimo disse...

"E na década de 2000 era comum ouvir em inúmeras "profecias" nas igrejas pentecostais onde Deus (?) prometia "gravação de CDs". Eu achava estranho..."

Sou testemunha da História, já vi muito as tais profecias durante minha infância e adolescência, a única diferença é que eu não achava estranho, nem passava pela minha cabeça "duvidar e tocar no profeta ungido".

Márcio Cruz disse...

Saudações, nobre Gutierres!!

TEXTO EXCELENTE!!!!

Um ataque frontal aos terafins e aos seus adoradores!!!

Jesus te abençoe!!!

Gutierres Siqueira disse...

Caro César,

É simples. Eles precisam assumir que são artistas e a Ana Paula deve continuar usando o seu talento para fazer belas composições como "A Ele a Glória" e "Preciso de Ti".

George Gonsalves disse...

Ótimo texto. As "celebridades" do mundo gospel empobreceram o culto a Deus e abriram espaço para a mercantilização da fé.

Pedro paulo disse...

Ótimo texto Guttierres. Só não gostei da parte em que toca na profecia. O que é que tem demais Deus prometer que aquela pessoa vai gravar um cd? Ou você se esqueceu que cantar é um dom( não espiritual, mas ordinário) ?

alvaro disse...

GLORIAS A DEUS!!!
enfim alguem teve a coragem de falar sobre isso diretamente,já passou da hora de acordarmos para o que as escrituras verdadeiramente diz,voce ainda não foi ameaçado de morte?
que DEUS te guarde.