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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Igreja Pentecostal é Protestante?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Por que o pentecostalismo não pode ser colocado como um grupo marginalizado do protestantismo? A resposta está nos “cinco solas”, ou seja, nas máximas latinas que definem a essência de uma Igreja Protestante.

1) Uma igreja protestante não é definida pela liturgia. A Igreja Anglicana tem uma liturgia muito diferente da Igreja Congregacional. 2) Não é definida pela arquitetura. Os templos clássicos presbiterianos são bem diferentes das igrejas reformadas emergentes como a Mars Hill Church. 3) Não é definida pelo regime de governo. A Igreja Batista é congregacional, enquanto a Igreja Metodista é normalmente episcopal. 4) Não é definida pelas doutrinas secundárias. A Igreja Presbiteriana é calvinista, enquanto que os metodistas são arminianos.

Então, o único ponto de toque entre todas as denominações protestantes são os “cinco solas”. E, por isso, as principais igrejas pentecostais são herdeiras legítimas da Reforma. O pentecostalismo não é deuterorreformacional, mas está ligada intimamente às ideias a seguir:

  • Sola fide (Somente a fé);
  • Sola scriptura (Somente a Escritura);
  • Solus Christus (Somente Cristo);
  • Sola gratia (Somente a graça);
  • Soli Deo gloria (Glória a Deus somente).

Quer um exemplo? Vejamos o Sola fide (Somente a Fé). As principais igrejas pentecostais trabalham com a doutrina da justificação pela fé. Vejamos o que a Confissão de Fé das Assembleias de Deus diz: 


Cremos... No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26 e Hb 7.25; 5.9).

A Confissão de Fé da Igreja O Brasil para Cristo diz:


Cremos que o homem, havendo caído em pecado, foi destituído da glória de Deus, e que todos foram sujeitos à mesma condenação, para que unicamente por Jesus Cristo, desde de que em arrependimento e fé geradora de obras, fossem restaurados a Deus. E que, para tanto, necessitam os homens do novo nascimento, o que ocorre segundo o poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Que o homem, nascido de novo, já tem seus pecados perdoados para não viver mais segundo o poder do pecado, mas segundo a salvação presente e eterna justificação provida graciosamente por Deus segundo a fé no sacrifício de Jesus Cristo em seu favor (Rm 3:23; At 3:19; 2:38; Jo 3:5-7; Rm 5:1,2; Tt 3:4-7).

E um parênteses: Acho totalmente errado usar o termo “reformado” para designar somente calvinistas. Acho errado, mas uso o termo nesse sentido na maior parte das vezes. Infelizmente, o conceito já se consolidou. É errado porque “reformado”, como disse acima, está relacionado aos Solas e não à TULIP.

Portanto, reforço o post anterior e manifesto o meu protesto para aqueles que esquecem do pentecostalismo como uma Reforma continuada. Era Calvino que dizia:  “Igreja reformada, sempre se reformando”?


Leia Mais:

A Reforma Protestante e o pentecostalismo

16 comentários:

Clóvis Gonçalves disse...

Gutierres,

Peço permissão para reproduzir o artigo no Cinco Solas.

Semana passada no Facebook respondi a um irmão que disse "sou regenerado, não reformado", como se uma coisa implicasse exclusão de outra. Na oportunidade defini reformado em termos dos Cinco Solas e não dos Cinco Pontos.

Em Cristo,

Marcos Bandeira disse...

Gutierres,
Em dois comentários que eu fiz em post anterior eu sem perceber fiz essa "separação", mas não o fiz como que considerando o Pentecostalismo um movimento a margem da Reforma, mas como você mesmo comentou já está impregnado em nossas mentes a idéia que Reformado é igual Calvinista, talvez porque quando pensamos em Reforma imediatamente nos lembramos de Calvino. Mas você tem razão, concordo com você e assino embaixo.
Tomarei mais cuidado para não fazer essa "distinção" que não faz nenhum sentido.
Ótimo texto!

João Emiliano Neto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gutierres Siqueira disse...

Olá Marcos,

Eu também faço isso direto. É parte da nossa cultura teológica. Infelizmente, não mudará.

Acho isso errado assim como alguns pentecostais que dizem pregar o "evangelho pleno". Ora, quem não é pentecostal estaria sem a plenitude do Evangelho?

Isso não está certo.

Abraço

Ricardo Rocha disse...

Sua observação sobre os calvinistas e o termo reformado foi muito pertinente.

Mas os calvinistas tem um talento especial para o Marketing, por isso chamam somente eles de reformados, como se eles fossem os únicos herdeiros da reforma, e falam das suas doutrinas como "doutrinas da graça", como se somente o calvinismo fosse focado na graça de Deus.

No resto muito válido o texto.

Discípulo de Cristo disse...

Prezado irmão Gutierres,

Respondendo diretamente a pergunta da sua postagem:
"A Igreja Pentecostal é Protestante?"

Afirmo que não deveria ser, porquanto o que tem a Igreja de Cristo com a Igreja Católica?

Mesmo que um dia ela tenha sido uma virgem romana fundada pelo Ap. Paulo; posto que, no presente nada tem haver conosco, a não ser pelo fato de Martinho Lutero tentar reformá-la, sem contudo obter êxito.
Não obstante, pela conquista de liberdade da Igreja Luterana, também tivemos condições de resistir paralelamente a imposição da igreja dominante.
Portanto, não originamos da pretensa reforma de uma prostituta, porquanto somos oriundos da Igreja Gentílica doutrinada pelo Ap. Paulo, o principal sistematizador do Novo Testamento.

SENDO ASSIM, A IGREJA PENTECOSTAL NÃO DEVERIA SER PROTESTANTE, MAS SIM, BIBLICAMENTE NEOTESTAMENTÁRIA.

Paz Seja Contigo,
J.C.de Araújo Jorge

João Emiliano Neto disse...

Se pentecostais reinvindicam serem protestantes como explicam a busca por profecias, revelações por meio de línguas, sonhos ou visões? Ora, o dístico Sola Scriptura surgido na época da Reforma, sobretudo por causa do combate de Lutero aos livros deuterocanônicos da Bíblia católica, além do conhecido testemunho do reformador de apreço à suficiência das Escrituras quando rechaçou que Deus mandasse a ele ao menos o serviço ministerial dos anjos para assistí-lo.

O Pentecostalismo é problemático e só sobrevive nessa nossa época atual tipicamente moderna em que a razão é rechaçada em favor da acomodação e da preguiça, muitas vezes da parte de gente que se gaba de não serem "um tanto doidas", ou seja, não serem nenhum pouco incapazes de raciocinar com alguma tranquilidade. Que geração mais envergonhada, viu?


Sola Scriptura!

João Emiliano Neto disse...

Discípulo,

Mas quanta pretensão a sua e dos pentecostais. Porque, ora, quando Calvino e Knox quando da Reforma na Escócia decidiram-se pelo princípio de que a Bíblia regula o culto divino, ou seja, o que a Bíblia não ordenar explicitamente que não ocorra no culto protestante a Deus, ora, nunca imaginaram que a Igreja imaginada por Paulo seria esse caos carismático que vemos desde o século XX até hoje.

Estudar um pouco de História não faz mal a ninguém. Nunca que os cultos divinos de Charles Fox Parham foram sequer imaginados ou muito menos desejados para a Igreja pelos cristãos convencionais até hoje.

Se a liturgia magnífica católica é de uma prostituta, então, eu até por uma questão de mera higidez, digamos, mental, quero ser o gigolô dessa prendada rapariga.

Sola Scriptura!


JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Pedro disse...

Caro João Emiliano Neto,

Suas ponderações são, no mínimo, infantis e sem fundamento. O princípio reformador do Sola Scriptura foi o grito libertador contra a tradição romana que reivindicava AUTORIDADE superior ao relato das Escrituras. Por algum acaso, a crença (apoiada pela descrição bíblica) na atualidade dos dons espirituais é utilizada para estabelecer doutrinas estranhas às Escrituras Sagradas ou serve para edificar o corpo de Cristo conforme 1 Coríntios 14? Uma lida rápida na Declaração de Fé das igrejas pentecostais históricas ajudaria a iluminar seu entendimento obscurecido pelo preconceito precipitado e pela generalização cega.

As bases neotestamentárias para defender o cessacionismo são nulas. Mostre-me uma passagem (só uma!) que apóie sua convicção e mudo de opinião! Só se lembre de uma coisa: malabarismos "eisegéticos" são facilmente detectados. Caso queira, posto argumentos de teólogos reformados que te deixariam com o rosto corado de vergonha.

E vou além: mesmo que a interpretação bíblica dos pentecostais estivesse equivocada, é bem conhecido que tal não afronta dos pilares centrais do cristianismo. Por algum momento - mesmo diante da desordem litúrgica - o apóstolo Paulo desconsiderou a igreja de Corinto como parte do corpo de Cristo e participante da comunhão dos santos? E a igreja de Antioquia desqualificou os amados irmãos alexandrinos, que usavam e abusavam da interpretação alegórica das Escrituras, seguindo o método de Fílon?

Gostaria de te informar que, se dependesse exclusivamente da sua opinião, a Igreja de Cristo morreria abraçada ao racionalismo desembocando na ortodoxia morta, tal qual ocorreu na atual Europa pós-cristã.

Menos, meu caro... Menos.

João Emiliano Neto disse...

Pedro,

Talvez o pandemônio pentecostal ocorra, porque justamente com o fechamento do cânon, não que os dons hajam cessado (eu mesmo não sou cessacionista), mas que dons como línguas estão no mínimo na sombra.

Olhe Corinto foi uma comunidade que acabou, já foi tarde, mas infelizmente voltou com vocês carismáticos católicos e protestantes. A mesma incúria que Paulo ou Clemente de Roma não conseguiram curar, acho que ninguém conseguirá sanar.

Quanto à esse método de Fílon, ora, ele parece-me um precursor dos liberais desmitologizantes. Isso não é heresia? A igreja antioquena não agiu bem em cismar contra eles?

A Europa tornou-se pós-cristã por outros motivos e não por causa da Teologia Reformada. Assim como o Brasil e todas as américas um dia sejam pós-cristãs, talvez por medo da tirania de pastores-coronéis e exaustão da busca louca, histérica pela santidade da parte de vocês pentecostais.

Por isso também digo menos, meu caro... Menos.


Sola Scriptura!

Ecclesia reformata et semper reformanda est!

Anônimo disse...

depende como entendemos o termo "protestante", geralmente usado mais para as antigas igrejas que surgiram na reforma (luterana e reformada). Em alguns países protestantes europeus, fala se de igrejas evangelicas e evangelicais, sendo que a primeira é a histórica, e.g. luterana, que ainda é em alguns países um igreja do Estado.
Na questão dos solas, o pentecostalismo tem dificuldade com o "sola gratia", pois de um lado o afirma e de outro lado ainda olha muito para a performance do "crente". No final o individuo vai para o céu porque era bom (i.e. santo). Tanto que na história pentecostal temos diversos defensores da absoluta perfeição cristã.
Agora cinco sola não tem nada a ver com cinco pontos, já que o TULIP veio apenas 100 anos depois da reforma e é um diferencial pricipalmente de igrejas de origem presbiteriana e puritanas.
Abraço, Matias

Clóvis Gonçalves disse...

Matias,

Desculpe-me, mas você precisa rever o seu conceito sobre o pentecostalismo.

A experiência pentecostal nada tem a ver a salvação que é, pela graça somente. E a doutrina da completa santificação é de matiz wesleyana e não pentecostal.

Em Cristo,

Anônimo disse...

Caro Clóvis,
a paz!
Eu considero o pentecostalismo um movimento que se desenvolveu a partir de uma vertente wesleyana, adicionando o fator dos dons espirituais. Sei que a "Teologia Sistemática Pentecostal" lançada pela CPAD (diversos autores brasileiros) na sua "Soteriologia" é "sola gratia", descordando apenas dos reformados na questão da predestinação (o que é totalmente aceitável). No demais, citam Berkhof constantemente.
Mas na prática, a doutrina da graça é pouco explorada no púlpito pentecostal e muitos desconhecem a doutrina da graça, tanto que, o legalismo é muito forte ainda nas igrejas pentecostais. Alguns líderes pentecostais também defenderam posições bastante "católicas", dizendo que a salvação é pela graça, porém certo tipo de comportamento (e "leis") são necessários para salvação ou para manter se salvo.
Espero que não pensem que sou preconceituoso contra o pentecostalismo.... eu mesmo atuo como pastor neste meio, que tem seus defeitos e de outro lado contribuiu para enriquecer o cristianismo do sec xx e xxi (esta também é a leitura do Jenkins, ao qual o Gutierres se refere).
grande abraço, matias

Clóvis Gonçalves disse...

Matias,

Paz seja contigo.

Na prática, a teoria é diferente. Sim, você vai encontrar pastores e crentes que embora subscrevam uma declaração de fé na qual a salvação é pela graça, prescreve práticas como condições para se chegar ao céu. Mas isso é uma característica pentecostal ou ocorre nos mais diversos meios, inclusive nos chamados tradicionais? Por que falhas de indivíduos pentecostais são impingidas sobre o pentecostalismo e o de outras tradições são só deles?

O mesmo pode ser dito da doutrina da graça. É só no meio pentecostal que ela rareia ou os evangélicos como um todo experimentam uma crise na pregação bíblica? Porque o mesmo erro cometido por pentecostais e não pentecostais são mais graves entre os primeiros?

Dias desses, um irmão criticou os pentecostais porque estes, na sua ênfase ao Espírito Santo o representam como uma pomba em faixas. Esquecendo-se que a logomarca de uma das denominações mais tradicionais traz uma pomba.

Sou pentecostal e reconheço as graves falhas nossas, inclusive e especialmente no que diz respeito a uma necessidade maior e mais cuidado estudo teológico. Mas discordo quando um erro pentecostal seja supervalorizado em relação ao mesmo erro cometido por pessoas não pentecostais.

Em Cristo,

Pedro disse...

Caro João Emiliano Neto,

Pelas observações feitas por ti, vislumbro alguém que está necessitando ler as Escrituras URGENTEMENTE!

Sua primeira abordagem criticou a busca por dons espirituais por parte dos pentecostais, não se limitando às línguas estranhas. Veja sua afirmação: "Se pentecostais reinvindicam serem protestantes como explicam a busca por profecias, revelações por meio de línguas, sonhos ou visões?"

Ao tentar limitar o escopo de sua crítica, revelas seu temor em adentrar neste debate bíblico sobre o cessacionismo, tendo em vista a ausência que amparo neotestamentário que terias.

Recomendo a leitura das cartas de 1 e 2 Coríntios para retirar as escamas preconceituosas de seus olhos contra a igreja de Corinto. Embora a mesma tenha sido duramente repreendida pela presença de contendas entre os membros da igreja, não se observa nas penas apostólicas a descaracterização de Corinto como igreja verdadeira de Cristo. Veja:

"A igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso". 1 Coríntios 1:2

Assim sendo, sua frase "Olhe Corinto foi uma comunidade que acabou, já foi tarde..." expressa um antagonismo diante do pensamento paulino. Um pouco de estudo das Escrituras não faria mal, meu caro!

A igreja alexandrina interpretava as Escrituras de modo alegórico, enquanto a igreja de Antioquia seguia o método literal. Embora a segunda escola valorize com maior fidelidade o sentido pretendido pelo autor, é inegável a contribuição dos pais alexandrinos (Clemente, Orígenes, etc) para a construção da teologia pós apostólica. O equívoco de Alexandria não comprometia a crença na autoridade das Escrituras, muito menos os desqualificavam como igreja de Cristo e irmãos dos antioquianos.

Pelo visto, você proclamou conhecimento histórico dos fatos sem estar seguro dos eventos ocorridos. Humildade e caldo de galinha não faz mal a ninguém, bem como cuidado nas generalizações que, vez ou outra, incorrem em falácias escancaradas.

Graça e Paz

Pr Edmario Soares Diniz disse...

O grande problema do cessacionismo é que divide calvinistas conservadores e pentecostais. Ser reformado é crer na soberania de Deus e não retirar a responsabilidade do ser humano quando peca e quando busca a santificação.