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domingo, 14 de outubro de 2012

Os profetas veterotestamentários são percursores dos teólogos da libertação?

Vocês pisam no pobre e o forçam a dar-lhes o trigo. Por isso, embora vocês tenham construído mansões de pedra, nelas não morarão; embora tenham plantado vinhas verdejantes, não beberão do seu vinho. [Amós 5.11]

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A pergunta acima merece um artigo acadêmico com várias análises exegéticas dos textos bíblicos, mas a proposta deste artigo é mais modesta. Agora, acho que a pergunta merece ser respondida, pois já vi várias vezes teólogos da libertação se colocando como herdeiros de uma tradição judaica de protesto. Será?

Quais são as diferenças entre os teólogos da libertação hodiernos e os profetas do passado?

1. Os profetas não aderiam a um sistema de governo. Eram a consciência crítica de qualquer governo opressor.

É inegável que os profetas no Antigo Testamento eram críticos do sistema religioso, político e social de Israel. Eles não eram adeptos do status quo e muitos tiveram vários problemas com os nativos. Mas quem disse que os teólogos da libertação contemporâneos estão fora do sistema? Ora, em países como o Paraguai, Bolívia, Nicarágua, Colômbia e até no Brasil você encontra muitos desses teólogos como parte do governo central. Hoje, eles são a “nova elite”. Que eu saiba os profetas do passado não aderiram a nenhum governo, mesmo que esse governo fosse “progressista”. Os teólogos de hoje não veem a hora de uma “boquinha” do “governo popular”.

2. Os profetas criticavam os “altos impostos” como opressores. Os teólogos da libertação adoram impostos, mesmo que não admitam.

Os teólogos da libertação não criticam os impostos porque são dependentes de um Estado inchado. O Leviatã precisa de muitos tributos para empregar diversos companheiros e sustentar políticas assistencialistas. Além disso, como acreditam no Capitalismo de Estado a dependência de estatais é forte e, claro, necessidade de uma fonte de recursos. Amós ficaria escandalizado com a carga tributária do nosso “governo progressista”. E por muito menos Israel queria rebelar-se de Roma.

3. Os teólogos da libertação instrumentalizam a ideia de “tuteladores” do povo. Os profetas denunciavam o pecado do povo.

Com os profetas não havia romantização do povo. Aliás, a palavra “povo” é uma abstração autoritária, pois os maiores demagogos instrumentalizam tal expressão a fim de conquistar poder. Os profetas não tinham medo dos governantes e nem dos governados. Se havia pecado moral ou social eles eram contra e não importava que os praticava.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os profetas da Antiga Aliança não foram os precursores dos "profetas" e teólogos da libertação hodierna e nem se auto-intitulavam como tais.Estavam apenas "antenados" com os problemas do seu tempo,e apontavam o rumo aos governantes e governados de acordo com a vontade de Deus,o que lhes custou sofrimentos,afliçoes e a própria vida.
Os "profetas" e teólogos da libertação hoje,vaticinam de acordo com os seus interesses pessoais e do governo a quem são verdadeiros subservientes a soldo.E o que é pior.Julgam-se precursores de uma nova era,ou de um mundo melhor.Mas aqui mesmo na terra.E por isso o mínimo que fazem é torcer a verdade escriturística,e seguir o jargão já bem conhecido, "o fim justifica os meios".
E não tente demovê-los do que pensam,crêem e fazem,vc será tachado de fundamentalista,conservador,reacionário.Contra o progresso!Orgulham-se de serem os verdadeiros progressistas,"antenados" com o tempo,a "cerêja do bolo" do governo que aderiram por conveniência.
Aliás,são como Balaão,estão atrás do ganho.Diferem apenas no seguinte: O mudo jumento falou com vóz humana para aquele livrando-o da morte certa,e Deus lhe abriu os olhos.
Mas estes,estão tão deslumbrados com o poder e ávidos pelo lucro,que ainda que um jumento lhes falem,e Deus lhes abra os olhos,seguirão seus sonhos utópicos e seguirão vendendo-os aos que não são tão "inteligentes" quanto o jumento de Balaão.
Qual sonho? - Inplantar o paraíso na terra por conta da "libertação" social-política dos "oprimidos" sem uma mudança interior.

Vosso em Cristo: José Nascimento Rodrigues.
Nele,que sem ser utópico disse que O Seu Reino não é deste mundo:JESUS!