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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Estado Laico? Sim! Estado antirreligioso? Não!

Que o Estado seja neutro. Não religioso. Não arreligioso

Por Gutierres Fernandes Siqueira
“Partindo da liberdade ilimitada, chego ao despotismo ilimitado. Acrescento, não obstante, que não pode haver nenhuma solução da fórmula social a não ser a minha” [Shigaliov, em Os demônios (1), de Dostoiévski]

O Brasil é regido pelo lacismo. Graças a Deus! Não há uma religião ou igreja oficial. Isso é ótimo! A separação da Igreja e do Estado está clara nas palavras de Jesus: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" [Mateus 22.21]. Eu detesto a ideia de um Estado misturado com uma religião. Já escrevi sobre isso. Veja aqui e aqui.

Todos vocês sabem que um procurador do Ministério Público, certamente buscando publicidade, intimou o Banco Central do Brasil para retirar a frase “Deus seja louvado” das notas monetárias. Segundo o procurador, o objetivo é defender o Estado laico e liberdade religiosa (sic)!

Por que isso é um absurdo? Ora, esses procuradores seguem a velha máxima do iluminismo francês que não sabe diferenciar Estado laico de Estado secular. O lacismo não significa a exclusão da religião do espaço público, mas a convivência de todos os credos religiosos e não-religiosos. O Banco Central respondeu sabiamente: “A República Federativa do Brasil não é antirreligiosa ou anticlerical, sendo-lhe vedada apenas a associação a uma específica doutrina religiosa ou a um certo e determinado credo”.

O que essa parte do Ministério Público quer? Ora, na verdade é a implantação do Estado secular. O secularismo radical sonha com o Estado em que o religioso se coloca em âmbito fechado. Não vai demorar para que surjam a proibição da Bíblia pela sua “defesa” homofóbica e/ou escravocata, segundo a leitura míope de alguns. Essa aberração é muito diferente do Estado verdadeiramente laico.

A questão aqui não é uma frase. Se a frase não existisse em nada mudaria nossas vidas, mas a chave é o espírito da crítica desses "homens da justiça". É um pequeno sinal que muitos sonham com a exclusão total do religioso na esfera pública. Ou seja, há motivos para preocupação. O que está em perigo é, no fundo, a própria liberdade.  Repito a essência da frase de Shigaliov: eles dizem que lutam pela liberdade enquanto implantam um despotismo. 


Que Deus seja louvado!

Referência Bibliográfica:

[1] DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Os demônios. 2 ed. São Paulo: Editora 34, 2005. p 391

6 comentários:

João Emiliano Neto disse...

Que Deus seja louvado![2]

Rodrigo disse...

Agora, tirar os feriados católicos ninguém quer... kkkkk!!

L. H. Dessart disse...

O pior de tudo é que alguns "cristãos" têm aplaudido efusivamente atitudes como estas. Com a desculpa de que estão buscando "re-reformar" ou mesmo "revolucionar" a igreja, têm aceitado sem pestanejar qualquer atitude arreligiosa. Simplesmente ridículo esta turma do, como você diz Gutierres, "evangelicalismo cult"...

Abraço!!!

Ricardo Rocha disse...

Irmão Gutierrez, a paz!

A substância do seu texto está, como sempre, muito boa, mas você cometeu apenas um pequeno equivoco conceitual.

É que na realidade, quando se discute a questão do estado laico, a visão "laicista" é justamente essa que vc condenou como aquela que prega por um estado secular. Laicistas são aqueles que defendem que a religião não deve ser manifestada no espaço público, devendo ser guardada ao intimo das pessoas. São os laicistas que defendem posições que vc denominou como secularismo.

A doutrina jurídica opõe ao lacismo a visão de "laicidade" que trata da religião como separada do estado, mas de uma forma tolerante, aceitando a sua manifestação pública e mesmo a sua colaboração com o governo em ações esporádicas.

É apenas uma questão terminológica, mas creio que deva ser esclarecida afim de se evitarem alguns equivocos.

Gutierres Siqueira disse...

Ricardo,

Obrigado pela ricas observações. O texto já está corrigido.

Abraço

João Emiliano Neto disse...

Por que os ateus brasileiros se preocupam tanto com palavras? Que eu saiba para ateus de boa safra não há realidade, mas somente palavras, discurso, nomes.

Laicistas poderiam até mesmo psicoticamente se auto-hipnotizarem dizendo que Deus nas notas de real poderia ser o próprio Estado a se gloriar, ao algo assim. Dilma, a assaltante de cofre alheio acharia excelente.


JOÃO EMILIANO MARTINS NETO