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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eu posso beber vinho?

O vinho de Cristo era o melhor!
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Já me fizeram essa pergunta diversas vezes. Agora, o que me intriga na questão, em sua maioria, é o espírito dela. Devemos tomar muito cuidado ao responder esse tipo de questionamento, logo porque muitos não estão em dúvida, mas sim em busca de alguém para chancelar sua prática. É como aquele que busca na Constituição uma lei em seu benefício ou na Bíblia um versículo que aprove o seu pensamento.

Bom, é evidente que não há nenhuma proibição bíblica para o consumo moderado do vinho, e enquanto as Escrituras condenam fortemente a embriaguez (e.g. Gálatas 5.21). Ora, o próprio Cristo multiplicou o vinho. Ele o faria se o consumo de uma bebida fermentada fosse pecado? Falar que Jesus multiplicou “suco de uva” é forçar o texto bíblico. É uma “eisege” com boa intenção, mas não deixa de ser malabarismo exegético. Leia a maior parte dos comentários exegéticos de João 2 e verá um consenso quanto a esse fato. O teólogo D. A. Carson, em um dos melhores comentários no mercado, escreveu sobre João 2:

O “vinho” (oinos) que era necessário não era um mero suco de uva, um genérico “fruto da videira”. A ideia é intrinsecamente boba quando aplicada a países cuja tradição agrícola está tão comprometida com a viticultura. Além disso, no versículo 10, o mestre de cerimônias espera que nessa altura da festa alguns dos convidados já teriam bebido bastante: o verbo methysô não se refere a consumir líquido em demasia, mas à embriaguez. Por outro lado, o vinho no mundo antigo era diluído com água na proporção de um terço e um décimo de seu poder fermentado, isto é, algo mais fraco que a cerveja estadunidense. O vinho não diluído, como aproximadamente a mesma potência do vinho de hoje, era visto como “bebida forte”, e recebia muito mais desaprovação. [1]

Vemos no comentário do Carson uma explicação bem equilibrada sobre o termo oinos. É vinho fermentado, portanto, com potencial embriagante. Normalmente não tão forte com os atuais, uma vez que era diluído em água, mas também não era um mero suco de uva. Somente alguém que seja influenciado pelo seu próprio “puritanismo”  pode ignorar o potencial embriagante da bebida usada pelos servos de Deus nas Escrituras, incluindo o próprio Cristo.

Ora, a embriaguez é como o pecado da glutonaria. Não é a comida o próprio pecado, mas sim o consumo exagerado. O mesmo serve para a bebida. É engraçado que não medimos forças contra um pecado e ignoramos o outro. Ambos estão na terrível lista das obras da carne [cf. Gálatas 5.19-23].

Por que sou abstêmio?

Bom, já sabemos que o consumo não embriagante do vinho não é condenado nas Escrituras. Paulo, o apóstolo, até reconhecia a valor medicinal da bebida [cf. 1 Timóteo 5.23], enquanto recomendava que o homem chamado ao ministério da Palavra e ao diaconato não fosse “dada a muito vinho” [1 Timóteo 3.3,8]. Veja que Paulo não proíbe o consumo, mas sim o exagero.

Apesar de saber disso, o propósito desse texto não é legislar em causa própria. Eu não bebo nenhuma bebida alcoólica. Não me acho mais especial por isso. Talvez um dia até passe a consumir. Escrevo o texto para mostrar que não há base para a proibição do consumo moderado. Não podemos distorcer as Escrituras porque achamos a abstinência é o melhor caminho.

Sou abstêmio porque escolhi ser assim. Além disso, precisamos lembrar de Romanos 14. Recomendo que você leia com a devida atenção todo o capítulo. A essência do texto mostra que muitas vezes é necessário renunciar alguns direitos para não ofender o irmão mais fraco. Sim, há limites para isso. Nós, também, não podemos ser escravos da consciência alheia, mas o mandamento do amor nos exige certo sacrifício.

É necessário cuidado para que não sejamos embriagados da nossa própria liberdade. Deus não nos chamou para escandalizar outros a fim de mostrar como somos “evoluídos”. Agora, que também não sejamos perpetuadores do legalismo justificado com a falsa exegese.

Referências Bibliográficas:

[1] CARSON, D. A. O Comentário de João. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. p 169.

26 comentários:

Eber Pedro disse...

Amigão, Boa Noite!!!

Concordo com você em partes (Apenas Nas Questões Bíblicas)! Porem não acredito que o vinho tenha algum beneficio, isso é contestado até hoje na organização Mundial de Saúde, Pois o beneficio que o vinho traz a saúde é só em uma pequena parte, já em sua maior parte o efeito dele acaba com o figado ao longo do tempo(Uma vez vi um medico na TV e disse que o único consumo moderado de vinho existente é um copo a cada semana e tem que sem no mesmo dia pra dar tempo do figado se recuperar da dosagem de álcool).

Agora não entendo o por que sempre que o tema para discutir bebidas alcoólicas seja Vinho, não poderia ser Cerveja? pois é mais facil ter cirrose de Vinho e Outros do que Cerveja quando esta tem apenas (5% de Álcool), agora você pode me perguntar se estou defendendo a cerveja? Eu digo: Não!!! Mais se considerar o que é mais saudável seria melhor trocar o nosso refrigerante (Dos Santos) e o Vinho (Dos Desconsertados) por torres de cevada dos (Dos Desviados). Mais pra não escandalizar o nosso credo religioso e nosso circulo de convivência eu prefiro beber suco e aguá!

Anônimo disse...

Saudações em Cristo, parabéns pelos ótimos textos que vc escreve, sempre acompanho seu blog.
Eu já li comentáristas bíblicos respeitados terem uma opinião diferente, por ex> em Mt 26.29 e Mc 14.25 Jesus diz "fruto da vide", para deixar bem claro que se tratava de suco puro de uva não fermentado.

Abraços no amor de Cristo - Pb. João Eduardo Silva - AD Min. Belém - SP.

João Emiliano Neto disse...

Beber e fumar não pode para certos cátaros histéricos e extáticos pentecostais, mas a corrupção avassaladora nesse meio pode, porque ninguém denuncia, sobretudo com o testemunho pessoal. Ora, isso é o que a Bíblia de Estudo de Genebra que é a celebrada Bíblia de estudo de minha tradição cristã (Reformada) chama de ensino dos falsos mestres. Aliás, eram os fariseus que diminuíam o ministério de Jesus por Ele supostamente ser beberrão e comilão.

Ecclesia reformata et semper reformanda est!


JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Anônimo disse...

Como seu blog aceita comentários anônimos, vou enviar este.
Começando com a sua frase “A essência do texto mostra que muitas vezes é necessário renunciar alguns direitos para não ofender o irmão mais fraco”. No contexto que você se refere, o irmão fraco é aquele que vai se escandalizar simplesmente por ver alguém tomando vinho ou saber que alguém toma vinho. Pois bem, vou colocar uma situação sem, no entanto, entrar em discussão (para não me alongar), se a mesma já era, ou não, uma realidade nos tempos em que foram escritos os livros da bíblia (embora isto não deva ser levado em conta pois o inspirador das escrituras conhece passado presente e futuro). A situação é a seguinte: quando eu não era convertido, bebi quase todo tipo de bebida chegando algumas poucas vezes a me embriagar a ponto de perder parcialmente a noção das coisas. Fazia isto apenas para não ficar isolado quando me reunia com alguns colegas que queriam beber. Isto não ocorria com frequência, mesmo porquê, embora em um primeiro momento eu desejasse a bebida, após alguns goles vinha uma forte rejeição à mesma, e eu só continuava porque desejava estar com eles, ou por achar que era fraqueza minha não continuar (a gente tem destas coisas). Eu quero dizer que existe em mim uma rejeição natural ao álcool, até o tal Biotônico Fontoura, que só tomava uma colher por dia, no primeiro e segundo dia até que ia bem, já a partir do terceiro ou quarto dia, a coisa já ia empurrada. Quando fui salvo pelo Senhor parei obviamente com tudo, não que não tenha vindo após isto, aquela vontade inicial por um copo de cerveja, mas que foi superada. Sei que hoje eu poderia posar como alguém equilibrado, que sabe a hora quando deve parar de beber. Só que não seria nada disso, na verdade é rejeição natural ao álcool mesmo. Com o tempo, comecei a ter contato com pessoas ainda jovens viciadas em bebida e até mesmo com alcoólatras. De maneira que formei na minha consciência o seguinte pensamento: alguma pessoas (como eu) não têm nenhuma propensão para o álcool e outras já têm muita. Ninguém sabe se tem ou não a não ser experimentando. Só que em alguns casos pode ser fatal. Assim como o meu organismo vai aumentando a rejeição à medida que vou ingerido bebida alcoólica, existem outros que vão querendo cada vez mais a bebida. Ora, nós crentes, queiramos ou não, somos referência não só para irmãos novos convertidos, mas também para incrédulos. Mesmo que seja remota a possibilidade de alguém se tornar alcoólatra, por ter começado a beber com base em algo dito por nós do tipo “ desde que que não se embriague não tem problema”, eu prefiro não correr este risco. Se formos analisar, pelo menos nos dias de hoje, podemos perfeitamente passar sem bebida alcoólica, ou seja, não é difícil ser abstêmio. Mesmo que, a rigor, um copo de coca cola seja bem mais danoso ao organismo que um copo de cerveja, um copo de cerveja que eu venha a tomar na frente de alguém (ou que ele não veja mas saiba que eu tomo), pode acarreta consequências para uma família inteirá e quiçá para gerações. Quero ainda dizer que não estou só no campo das suposições, mas conheço casos concretos. Antes que alguém diga que se eu for pensar assim vou ter que parar de fazer muitas coisas, eu digo o seguinte: pode até haver outras coisas que fazemos (embora não consiga lembrar nenhuma), que levem à desgraça de outros, mas, no caso da bebida, como disse antes, é perfeitamente evitável.
Gutierrez, você não precisa publicar se achar muito grande. Imagina se eu me prolongasse!
Reconheço também que tenho certa dificuldade de me fazer entender. Caso não entenda o que escrevi, também não publique pois só vai ocupar espaço.
Que o Senhor o abençoe

Danilo Ribeiro disse...

paz irmão gutierrez - concordo em "partes" o irmão citou o senhor Dr. Carson - e o vc. comentou também "Ora, o próprio Cristo multiplicou o vinho. Ele o faria se o consumo de uma bebida fermentada fosse pecado? Falar que Jesus multiplicou “suco de uva” é forçar o texto bíblico. É uma “eisege” com boa intenção, mas não deixa de ser malabarismo exegético.
analisando o seu comentário - então os comentaristas da Bíblia Pentecostal estão forçando o texto bíblico e estão fazendo uma "eisege"? - com todo respeito prefiro, o comentário da Bíblia pentecostal do que do Dr. Carson
até.... pois a mesma diz completamente diferente - não dá para crer que o primeiro milagre de Cristo - foi "deixar" varias pessoas embriagadas

Welbert Roberto disse...

realmente a pior coisa que tem é ser escravos da consciência alheia!
felicidades!

Anônimo disse...

Teol, Bach Aparecido.
O crente no meu ver pode fazer tudo.
Beber, adulterar,fornicar, mentir, roubar, trapacear e etc.
Só não pode ir para o céu.
Para ir para o céu tem que nascer de novo e crente nascido de novo não bebe vinho e nem pratica as coisas acima mencionadas.
Pois tem que ser santo.
Mt 5: 48

Will Guedes disse...

Eber.

Em relação ao "poder medicinal" do vinho na época, você deve se lembrar que o vinho era usado como água desde dos tempos antes de Cristo pois, diferente de nós a água da época geralmente era imprópia para o consumo humano devido ao sua péssima qualidade e conservação, porque era muito comum se jogar ou morrer algum tipo de cadaver tanto de animal como humano num poço de uma família oriental.

Então como o vinho era altamente preservado e devido o seu processo de fermentação era muito recomendado o seu uso puro ou misturado, já que uma simples diarreia poderia se tornar uma doença fatal naquele tempo.

Will Guedes disse...

Ou seja o vinho era menos "insalubre" do que a própia água da época.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Anônimo,

Se o consumo de vinho no presente desperta o passado de devassidão, logo é melhor ser abstêmio.

Welisson disse...

Caro GUTIERRES, GOSTEI MUITO DA SUA EXPLICAÇÃO. PERFEITO. SEM LEGALISMOS, MAS É ASSIM MESMO... MUITOS O CRITICARÃO POR ISSO.
VEJA EM MEU BLOG, O PUBLIQUEI COM OS DEVIDOS CRÉDITOS.
http://welissonmarques.blogspot.com.br/
ABRAÇOS,
WELISSON MARQUES.

Will Guedes disse...

João Emiliano

De fato não existe uma prescrição proibindo o uso total da bebida nas Escrituras e infelizmente alguns irmãos tem usado o exemplo de Jesus para aprovarem seus atos pecaminosos em relação á bebida mas, lembre-se que mesmo quando Cristo bebia tinha um proposito de glorificar a Deus por meio daquele ato, pois logo após daquela narrativa famosa onde chamavam Jesus de Bebarrão ele diz:

Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

Lucas 7:34-35.

Ou seja Cristo não bebia por beber mas os seus atos tinham um fundamento, diferente de muitos que "acham" esta brecha na Lei, para beberem e envergonharem o Nome de Cristo diante do Mundo e de outros cristãos.

Sei que não é pecado, mas pelos menos no meu caso que sou Presbiteriano, vejo o quanto o secularismo (tanto no Brasil, como o Exterior) tem trazido dano a Igreja de Cristo e isto me entristece, pois Intectualidade Não diverge de Santidade(que seria afastar-se do estilo de vida do mundo e amoldar-se a Cristo Jesus).

Calvino Nunca prezou por uma vida sem renuncia como diz nas Institutas, onde ele por várias vezes diz que o Cristao deve viver a vida piedosamente, sem amarras no mundo, como se vivesse reservando ela somente para Cristo.

Mas diferente de muitos hoje em dia que envolvidos numa pseudo-liberdade, estão cada vez mais afundados na lama da Antinomia vigente transvestida de Graça.

Este é meu desabafo pois, vejo infelizmente muitas igrejas ditas "ortodoxas" mas que infelizmente o seu culto está morto pois estão mergulhados na falsa graça, onde não sabemos diferir quem é cristão ou impio.

Para mim em decorrência da "Práxis" Atual ou do "Modus Vivendi" da Igreja acredito que não só a Bebida mas várias outras coisas traz muito mais dano do que benefícios á Igreja.

Will Guedes disse...

João Emiliano

Ahhhhh e sobre a tão aclamada "Bíblia de Estudo de Genebra", a Tradução Brasileira perdeu muito em sua essência, então comparada a versão original ela não é lá isso tudo não pois, sofreu várias mutilações e acrescimos no seu roda pé. se Quiser estuda la pegue a versão original.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Danilo.

Sim, infelizmente, Donald Stamps fez exegese ruim sobre o vinho na maravilhosa "Bíblia de Estudo Pentecostal" (CPAD). É interessante como ele valoriza o assunto, pois é o único tema que merece três estudos nessa obra. No demais, a BEP é um ótimo trabalho feito pelo missionário Stamps.

Você conhece o "Comentário Bíblico Pentecostal" (CPAD)? É um complemento da BEP e foi escrito por vários teólogos assembleianos e não defende a mesma posição de Stamps.

Exemplo: Após defender uma preferência pela abstinência, a teóloga Débora Menken Gill escreve sobre I Timóteo 5.23:

"A tolerância em amor para com aqueles que têm opiniões diferentes, em assuntos discutíveis, é também virtuosa- especialmente levando-se em conta a alegação de alguns, de que as Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, toleram o ato de consumir o vinho com moderação em certas ocasiões. Não há dívida de que o apóstolo Paulo estava encorajando Timóteo a abandonar sua abstinência e começar a usar um pouco de vinho. As pessoas que creem no Evangelho, não importando a sua visão a respeito deste assunto, fariam bem se assumissem a postura dos reformadores: 'Unidade naquilo que é essencial, liberdade naquilo que não é essencial, e amor em todas as coisas'." (pg. 1478).

Márcio Cruz disse...

Como diz minha mãe, ex-alcoólotra: "Tudo começa com o primeiro gole".

Ou ainda, um amigo meu, ex-dependente químico: "Um é pouco, mil é nada".


Em Cristo,
Márcio Cruz

João Paulo Mendes disse...

Caro Gutierres, saudações cristãs.

O assunto já está tão surrado aqui nas bandas de MG que não dá pra discutir com muitos, a não ser uns poucos que realmente tenham dúvida sincera sobre a questão.
Fato estranho é que muitos "escavam" a Bíblia para encontrar fundamento para fazer algo que não fazem hoje. Contudo, é escandolamente curioso que não procuram cumprir o que está taxativamente expresso como mandamento divino.

Por oportuno, informe que voltei ao blog, passe por lá.

Em Cristo.

João Emiliano Neto disse...

Will,

Um pouco de, eu não diria antinomia, mas uma pronomia é saudável para o cristão. Já ensinara Lutero que até mesmo para o sarcasmo e confusão do diabo e dos cupinchas humanos dele, que bebamos se o diabo nos tentar com bebedeira, mas que bebamos em nome de Jesus. hehehe

SOLA GRATIA!

ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST!



JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Will Guedes disse...

João Emiliano

Não que eu seja legalista, pois abomino esta heresia, pois creio piamente na salvação imerecida mediante Cristo Jesus.

Porém se seguirmos o seu pensamento poderiamos "pecar pouco ou racionar o pecado intencionalmente" coisa que é abominável pois as Escrituras mesmo sabendo de nossas falhas nos convida a ter uma nova vida cristã. Por exemplo: filhinhos não pequeis, mas se pecardes temos um Advogado. Outro exemplo é Paulo em Romanos falando da justicação. Onde ele fala que mesmo sendo pela fé, isto não é descupa para vivermos pecando. Ou seja aquele que nasceu novamente n tem prazer na antiga vida pois nova criatura é. E para ficar entre a Bíblia e Lutero, prefiro a Bíblia pois ela é inerrante. Além de que pecar não nos traz "resistencia ao pecado" mas pelo contrário vicia mais de acordo com a Depravação total. Deus abençoe querido

Anônimo disse...

Gutierres,
qual seria o seu pensamento aos cristãos que não faz o uso da bebida alcoólica porem comercializam todos os tipos de bebidas.
confesso a você que tenho duvidas se isto seria pecado.
Em cristo Valter Alex

Gutierres Siqueira disse...

Caro Walter,

Acho complicado que se alguém diz ser pecado consumir bebidas alcoólicas e ainda comercialize o produto. Ou uma coisa ou outra.

João Emiliano Neto disse...

Mas Will,

O mandamento escriturístico é para sermos cheios do Espírito e santos e não bobos cheios de beatice fanática. É preciso uma certa percepção de sutilezas no conhecimento por parte de quem é estudante. Ora, o diabo pode muito bem usar o bem para promover o mal. Veja essa nossa época de hegemonia esquerdista em nosso amado Brasil, quando e onde uma elite quer obrigar as pessoas a praticarem o que o Estado acha que é o bem, no fundo para que o próprio Estado seja cada vez mais fascista: mantenha e aumente o próprio poder de se intrometer em tudo na vida alheia. Penso que Martinho Lutero percebeu uma certa nuance, eu diria, existencial a respeito da graça divina que pode nos libertar de muitos fardos que os fariseus de todas as épocas querem colocar sobre nossas costas: seja com a desculpa de promover o bem, seja com a desculpa de promover uma falsa liberdade: libertinagem.

Fico com a Bíblia e Lutero, pois ele é o meu e é o seu, também, caro Will, nosso grande e sumo pai na fé cristã. Foi Lutero mesmo quem brilhantemente com talento teológico raro disse em carta a Filipe Melâncton: "Fortiter pecca sed fortius crede" (traduzindo para o povão de Deus: "Peca com força, mas crê com mais força ainda".

SOLA GRATIA!

Ecclesia reformata et semper reformanda est!



JOÃO EMILIANO MARTINS NETO

Gutierres Siqueira disse...

Que a frase de Lutero seja entendida no seu devido contexto, como uma figura de linguagem. Não é incentivo para o pecado, mas sim uma amostra que "onde abundou o pecado, superabundou a Graça"(Rm 5.20).


"Se és pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e
peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda... Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar... Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia."

Will Guedes disse...

João Emiliano

Creio que você comete uma série de falácias contraditórias no seu argumento mas vamos lá:

Primeiro
como você afirma que nós devemos ser cheios do Espirito Santo, ser transformados no processo de santificação se vc acredita que nós devemos deixar alguns pecados de estimação?. Nemhum reformador jamais afirmou tal coisa. Nem Lutero, Nem Zwinglio e nem Calvino. Mesmo que falassem isto é bom ver se era esta idéia deles. Os Reformadores chamavam este processo progressivo de Santificação.

Segundo
Não apenas Paulo mas a Escritura mesmo sabendo de nossos limites nos convida a cada vez mais se parecer com Cristo pois a Fé não anula a Lei ou a sua eficácia moral como fala Calvino e veja Rm 3:31.

Terceiro
Eu não sou filho de Lutero porque ele não o ultimo juiz nas questões bíblicas. Ele é humano e lembre se Lutero é considerado um reformador entusiasta e não um sistematizador. Por várias vezes Lutero falhou e é conhecido por muitos que a sua Teologia não tem um corpo coeso.

Este seu pensamento me lembra muito uma correte chamada de Calvinismo Neo Ortodoxo, que foi taxativamente recriminado por vários estudiosos.

Will Guedes disse...

João Emiliano

como vejo que você é uma pessoa dedicada se você puder indico uns livros bons pra você amado.

Lutero é um grande homem usado por Deus no entanto o seu corpo de Teologia ainda estava em formação e em alguns pontos dele é notavel ver alguns "furos".

Recomendo pra você baixar ou comprar os escritos de Agostinho, Calvino e a Velha escola Reformada (Bavinck,Hodge, Orr e etc). Lembrando que furos você sempre vai achar, porém vi mais coerencia em Calvino do que em Lutero. Lembrando que mesmo para nós Calvinistas convictos devemos ser humildes e lembrar que eles em alguns pontos falham. Não devemos aceitar tudo só porque é fulano que fala e quando for ler algo veja se filosoficamente e biblicamente (analise exegética) aquilo faz sentido e não apenas a beleza das Palavras. Se cuida.

Pedro disse...

Caro João Emiliano Neto,

A defesa de um argumento tendo como base somente a credibilidade do autor é denominada falácia ad verecundiam (ou argumento da autoridade).

Logo, o fato de Lutero ter afirmado algo NÃO significa que a afirmação proposta é verídica. Lembre-se disso.

Graça e Paz.

telm lfores disse...

é, Paulo disse
"não vos embriagueiz com (suco de uva)"...tsc tsc tsc é lamentável o uso que fazem da Bíblia deturpando esses e outros textos, como Pedro advertiu....