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sábado, 22 de dezembro de 2012

Quando a cristologia perdeu para os “usos e costumes”!

Cristologia? O que é isso? 
Por Gutierres Fernandes Siqueira

Há pouco eu estava lendo uma tese de doutorado sobre as Assembleias de Deus escrita pelo colega sociólogo Gedeon Alencar. Entre todas as observações, teve uma em particular que me chamou mais a atenção. Alencar escreve sobre a Assembleia de Deus brasileira:

Conquanto ao longo dos cem anos nas Convenções, periódicos e igrejas locais sempre se discutiram diversos temas, nunca se publicou oficialmente algum documento teológico, por exemplo, sobre a Santa Ceia, Cristologia, (algo comum na [Igreja] Católica e também igrejas protestantes e também nas AGs  [Assembleias de Deus norte-americana]), portanto, se destaca o fato de que o tema “Usos e Costumes” mereceu encontros e documentos. [1]

Na verdade, o tema “usos e costumes” mereceu três documentos oficiais da Convenção Geral (1940, 1975 e 1999). Mas alguém conhece algum documento sobre cristologia? Algum escrito oficial sobre a eclesiologia? Algum catecismo? Qual é a posição oficial sobre diversos temas éticos (aborto, divórcio, política partidária, união civil de homossexuais etc. e tal)? Ora, até há duas décadas nem “confissão de fé” tínhamos.

É triste e lamentável que uma denominação dita cristã e protestante tenha em seu satélite de preocupações os “usos e costumes” mais do que a pessoa de Jesus Cristo. Isso em parte é reflexo de problemas centenários nas Assembleias de Deus: a) ignorância institucionalizada; b) legalismo; c) semipelagianismo; d) e uma liderança excessivamente política e pouco teológica.

Ainda há tempo para mudanças.



Referência Bibliográfica:

[1] ALENCAR, Gedeon Freire de. Assembleis Brasileiras de Deus: Teorização, História e Tipologia- 1911-2011. Pontifícia Universidade Católica: São Paulo, 2012. p 229.

12 comentários:

William Felipe Zacarias disse...

De fato, a Igreja Cristã, seja ela qual for, deve afirmar seus credos e fundamentá-los expondo-os a Igreja para que os membros tenham firme alicerce perante às heresias.

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres,

O que dizer de ações corriqueiras numa igreja como a disciplina? Aqui nós temos duas grandes Convenções. Numa um obreiro divorciado, por qualquer motivo fica escanteado, na outra se o motivo for causa da mulher e ele for divorciado conforme a Lei, o obreiro volta às atividades após casar novamente. Ou seja, não há um documento da CGADB ordenando a questão. De uma forma ou de outra.

Abraços!

Anônimo disse...

Sou membro da A.D. Belém há 12 anos.
E também me pergunto a mesma coisa. Quanto mais distante dos grandes centros, mais a igreja é adepta dos “usos e costumes”. Visitar uma AD do interior é sempre imprevisível.

Gilvan Albuquerque

Gutierres Siqueira disse...

Caro Daladier,

O caso que você traz é uma amostra gritante da anarquia assembleiana...

Will Guedes disse...

Realmente quando se trata de "Teologia" as AD precisam melhorar esta necessidade. Eu acho que a grande influência dos usos e costumes se dá mais no norte e nordeste do Brasil. Atualmente no campo teológico houve um avanço mas acho que foi muita energia gasta atoa durante um século inteiro. Graça e paz.

Missionario Cezar Costa disse...

Conheço dois pastores que se divorciaram e o caso de um deles conheçemos pois era super bruto com a mulher, foi tão sério o problema que ela chegou a entrar em profunda depressão. O que me incomodou foi a negligência das autoridades eclesiásticas, já fazem anos e até hoje ele segue como pastor convencional e dirigindo igreja. O outro se divorciou e segue como co pastor de um ministério muito grande em Brasil por que seu pai é Pr presidente, tudo isso é uma vergonha para a instituição.

tadeu disse...

Existe uma preocupação muito grande para "não parecer com o mundo". Evangélicos querem provar do que "não são capazes de usar". Há um orgulho escondido aí. Na Índia, os SADUS têm muitos motivos para se gloriarem:1)passar 34 anos sem abaixar um braço!! 2) passar 20 anos sem cortar as unhas. 3) viver 30 anos sem cortar a barba. 4) passar dezenas de anos com as pernas cruzadas. Os usos e costumes tornou-se uma obsessão em muitos assembleianos porque é como se fosse uma maneira de resistir ao mundo, de não se conformar com este século. Uma irmã rejeitar usar calça comprida no trabalho será uma forma de mostrar espiritualidade. Negar-se vestir um short na educação física é sinônimo de fidelidade. Um jovem me disse: Irmão tadeu, semana que vem vou me apresentar no quartel, mas não quero ficar. Por quê? Ele disse: " Porque lá tem que usar bermuda!!! Rejeitar passar maquiagem para trabalhar, mesmo que perca o emprego, é visto como possuir a mesma coragem dos três jovens que não se dobraram diante da estátua de nabucodonozor. Isso só vai mudar, quando a bíblia se tornar a única regra de fé e prática.

Fernando Cálculo disse...

Gutierres
A Assembleia de Deus decidiu se formou, intencionalmente ou providencialmente, não sobre um sistema teológico mas sobre uma cultura religiosa. Em um sistema de fé Deus é uma ídeia, em uma cultura de fé Deus é uma pessoa; em um, a salvação é um conceito, no outro ela é uma experiência; em um, a religião é ética no outro é relacinamento com o sagrado; em um, o crente encontra entendimento, no outro ele encontra significado. Quando a fé é inteiramente sistematizada a igreja se transforma em um centro de ética e não de mística; Cristo deixa de ser uma pessoa e se torna um materia de estudo. Isso ocorre porque na academia, de forma sutil e paulatina, o homem passa a ser o sujeito do processo teologico. Dai a não existência de uma teologia de Deus, mas cada teologo tem a sua - por uma razão simples: porque é a teologia "dele".
Os problemas que você citou existem e devem ser atacados, mas o modelo de igreja não. O povo judeu sobreviveu a dois milenios de diaspora porque se apoiou em sua "cultura de fé", não em sistemas de pensamento. A cultura de fé da Assembeia de Deus é, em grande parte, a fonte de seu vigor.

Fernando Cálculo disse...

Gutierres
A Assembleia de Deus decidiu se formou, intencionalmente ou providencialmente, não sobre um sistema teológico mas sobre uma cultura religiosa. Em um sistema de fé Deus é uma ídeia, em uma cultura de fé Deus é uma pessoa; em um, a salvação é um conceito, no outro ela é uma experiência; em um, a religião é ética no outro é um relacinamento com o sagrado; em um, o crente encontra entendimento, no outro ele encontra significado. Quando a fé é inteiramente sistematizada a igreja se transforma em um centro de ética e não de mística; Cristo deixa de ser uma pessoa e se torna um materia de estudo. Isso ocorre porque na academia, de forma sutil e paulatina, o homem passa a ser o sujeito do processo teologico. Dai a não existência de uma teologia de Deus, mas cada teologo tem a sua - por uma razão simples: porque é a teologia "dele".
Os problemas que você citou existem e devem ser atacados, mas o modelo de igreja não. O povo judeu sobreviveu a dois milenios de diaspora porque se apoiou em sua "cultura de fé", não em sistemas de pensamento. A cutura de fé da Assembleia de Deus é, em grande parte, a fonte de seu vigor.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Fernando,

Permita-me discordar, pois não existe cultura religiosa sem estrutura doutrinária (teológica). A questão na AD é: qual doutrina? Pelo post mostro que os costumes estão em um patamar de doutrina superior. Mas a AD (e nem o pentecostalismo) é um movimento desprovido de institucionalidade e/ou sem corpo doutrinário.

Sobre a sua contrariedade a sistematização da teologia, eu relembrei uma leitura que fiz há poucos dias do teólogo Machen, que escrevendo sobre a igreja primitiva disse:

"Se há um fato bem claro, de acordo com essas evidências, é que, em sua origem, o movimento cristão não era somente um estilo de vida, de acordo com o conceito moderno, mas uma vida fundamentada em uma mensagem. Não era meramente baseado em sentimentos, bem em um programa de deveres, mas sim em um relato de fatos. Em outras palavras, era baseada em doutrina." [MACHEN, J. Gresham. Cristianismo e Liberalismo. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2012. p 24.]

Abraço

Aprendiz disse...

Fernando

A nutureza nacional da religião judaica levava a essa falta de unidade doutrinária.

Até concordo que a doutrina deve ser mais livre em algumas igrejas. Por exemplo, basera a unidade denominacional numa crença recente e peculiar, que reinterpreta inúmeros textos, como o calvinismo, não parece fazer sentido. Em asssuntos como esse, é muito melhor manter aberta a questão.

Quanto à cultura religiosa, veja que havia uma cultura religiosa na época de Yeshua, e era motivo de pujança de sua religião, mas Yeshua considerou essa cultura, em muitos aspéctos, anti-bíblica e anti-humana. Veja que a dureza dessa cultura era considerada motivo de espiritualidade por muitos mestres judeus, mas Yeshua a considerava, em muitos aspéctos, motivo de desencaminhamento e pecado. Pense sobre isso.

Anônimo disse...

n entendo a cabeça das pessoas que acham ruim uma igreja que tenta ter seus membros bem vestidos,e com identidade definida ninguem é obrigado a ficar em determinada igreja,eu sei q vcs preferem as irmazinhas com roupas sensuais,mostrando td,mais igreja é lugar de adorar e de vergonha na cara,gente sem vergonha e sem carater vai pra essas igrejas liberais,querendo ou n as igrejas conservadoras sao as mais respeitadas pela forma de ser,eu admiro igrejas conservadoras,quem tem as praticas de um verdadeiro cristao,compare a AD,com essas outras ai o povo td cheio de tatu,homem de brinco,n estou jugando,mais comparando prefiro a minha AD mil vezes Deus abençoe