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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Religião: graça ou desgraça?

Por Gutierres Siqueira


O Evangelho é diferente da religião, pois enquanto o primeiro é "Deus em busca do homem", o segundo é "o homem a procura de Deus". Bom, mas não há como negar a nossa natureza religiosa. Logo, se somos cristãos temos uma religião chamada "cristianismo". O cristianismo é uma prática religiosa com mensagem "arreligiosa". Não é à toa que os primeiros cristãos eram acusados de ateísmo. Como temos credos, confissões, sacramentos, hierarquia etc. e tal, também, temos uma vivência religiosa. O legal é saber que ela deve ser a consequência da nossa fé, e não a sua causa primária.

Assim, não coloco uma visão negativa na palavra "religião", mas a vejo como um substantivo ambíguo, pois expressa a nossa busca por Deus quando o Evangelho mostra a nossa incapacidade para alcançar o Senhor. Ao mesmo tempo, a religião é como ar, ou seja, é inevitável ao homem. Mesmo o ateu é um religioso em relação à ciência ou a um modelo socioeconômico, como disse Chesterton: ""Quando as pessoas deixam de acreditar em Deus, não passam a acreditar em nada - acreditam em qualquer coisa."

Sou religioso? Sim e não. Sim, pois pratico rituais, canto louvores, oro, participo do templo etc. e tal. Não, por que a minha busca por Deus sempre depende do toque de Sua graça.

Nesse sentido, acho legal quando enfatizamos que a nossa religião é consequência da graça, e não o contrário. Se sou religioso para alcançar Deus, logo sou o pior dos homens, mas se sou religioso porque já recebi a graça do Senhor, então bem-aventurado estou. Assim, a religião é uma palavra neutra. Depende a posição de sua importância, pois se ela vem primeiro do que a graça então ela é desgraça. Se vem depois, logo é o agir de Deus em nossas vidas.

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus." [Efésios 2.8]
"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo". [Tiago 1.27]

3 comentários:

Luccas Andrade disse...

Muito bom o post, eu nao carimbo tudo o que foi dito, pois creio que é difícil dar à palavra religião esse significado: "a busca do homem por Deus". Na minha opinião, "religião" significa apenas a ponte, quem construiu é outro assunto. Por exemplo: ser salvo pela graça é religião, pois a graça é a ponte criada por Deus à base do seu próprio sacrifício para reconciliar os homens consigo mesmo. Nós somos de fato religiosos. O problema é que nós temos ouvido que o o mal dos fariseus era a religião, no entanto, Jesus disse claramente nas Escrituras que o mal dos fariseus era a hipocrisia. Portanto, o problema de uma religião não é ser religião e sim ser falsa. Por isso o texto de Tiago fala na "verdadeira religião", porque existe a falsa religião. E qual é a falsa religião? A religião que não é capaz de reconciliar o homem com o Deus Eterno. A obra de Cristo na cruz nos reconcilia com Deus e nos capacita a viver uma nova vida de acordo com os seus mandamentos.Por isso o cristianismo é a verdadeira religião.

Marcos Bandeira disse...

Excelente post!

Jones F. Mendonça disse...

Os primeiros cristãos eram chamados de ateus não porque o cristianismo tinha uma mensagem "arreligiosa", mas porque negavam os deuses do Estado romano. Entre os romanos, negar os deuses significava negar o Estado. Vale ler: "A cidade Antiga" de Fustel de Coulanges.