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sexta-feira, 22 de março de 2013

Marco Feliciano e a sagrada liberdade de expressão!


Pluralismo verdadeiro é conviver com a pluralidade de crenças morais. A definição de pluralismo como "todos concordando em não diferenciar entre normal e anormal" gera violência, porque exclui todas as crenças morais que não compartilham de uma forma relativista de crença moral ligada à cultura "Queer". Essa definição é ingênua e irrealista, pois não percebe que a divergência de crenças morais é incorrigível e independente da vontade humana. É também uma expressão de violência cultural, pois desencoraja a diversidade de crença moral e interfere no livre trânsito entre crenças morais. Um pluralismo melhor seria reconhecer que "todos concordamos em discordar sobre o que é normal e anormal". Apenas nesse caso teríamos um pluralismo humano e realista, honesto e não-utópico. [Guilherme de Carvalho, teólogo, em Doze Teses Sobre o Pluralismo Social]

Por Gutierres Fernandes Siqueira
Esse rapaz chama o Feliciano de fundamentalista. Então, ok!
Mas ao mesmo tempo defende o fechamento do Congresso. É o AI-6?
É lamentável ver como o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) precisa ser escoltado por seguranças em cada conturbada reunião da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM). Aqueles que o acusam de fundamentalista - o que é verdade na conotação mais negativa do termo - agem pior que uma turma de fanáticos do Taleban no interior do Afeganistão. Ou seja, fundamentalista sempre é o outro. Entre os manifestantes na última reunião havia um que pedia o fechamento do Congresso Nacional pela ONU (sic)! Será o AI-6?

A liberdade de expressão é a liberdade até mesmo para bobagens. A liberdade só é real quando boçais podem expor suas crenças. A doutrina do livre-arbítrio (e que os calvinistas e a Revista Galileu me perdoem) mostra que Deus leva muito a sério a liberdade. Se as pessoas falassem somente aquilo que apreciamos, logo seríamos tiranos de um mundo uniforme. Se hoje calam o Feliciano (mesmo pela sua boçalidade) amanhã poderá ser você e eu, pois sempre existirá um grupo contrário aos nossos pensamentos. Se você acha que ele merece ser silenciado não ouse reclamar pela liberdade, pois o seu conceito de liberdade é o próprio ego. Assim como, também, não podemos calar o outro lado. Aliás, nada mais autoritário do que uma militância.

Talvez você interprete que estou em solidariedade com esse senhor, mas não estou. E, ainda espantado, você pense que estou contradizendo o último post. Não, talvez você não tenha entendido a ideia do texto anterior. Em nenhum momento peço a renúncia do referido deputado e nem acho que a boca dele deve ser calada pela imposição de leis e coerção política. Ele é indefensável quanto deputado e pastor, mas a liberdade de expressão é totalmente defensável. E é bom lembrar que no último texto já menciono a importante da liberdade de pensamento. Mesmo para bobagens, ouso insistir!

Fundamentalismo religioso. No sentido histórico, podemos definir como um movimento norte-americano reativo do início do século XX ao forte modernismo teológico europeu. No sentido vulgar e popular, é a manifestação religiosa intolerante, sectária, autoritária e anti-intelectual. O fundamentalista religioso interpreta a Bíblia segundo uma lente específica de ideias e ideologias, mesmo sob um falso moralismo e um pseudoconservadorismo. A voz da tradição e da experiência muitas vezes se sobrepõe à Sola Scriptura.
Fundamentalismo secular. Pouco falado, mas igualmente existente. Da mesma forma que o religioso, é a manifestação intolerante, sectária, autoritária e portadora da verdade única, mesmo sob a capa do relativismo cultural e da pluralidade. Nesse contexto, a tolerância não é suportar a opinião contrária, mas fingir que nenhuma opinião é contrária. E, também, o pluralismo deixa de ser a convivência pacífica com o diferente para ser a aceitação completa do diferente. O fundamentalismo secular é naturalmente déspota, autoritário ou totalitário.


Atenção! Só procuro mostrar que eu não saio em defesa de quem realmente deve. Ora, por quê? Pelo simples fato que o Feliciano não é um perseguido apenas por suas opiniões, mas também porque tem nome controvertido na praça. Ele interpreta a Bíblia vulgarmente. É complicado defender alguém que colhe a sua própria plantação. Além disso, o Feliciano é um filhote bastardo do petismo. O mesmo petismo que hoje impede ele de falar na Comissão. E, infelizmente, ele não se porta de maneira irrepreensível como seria de se esperar de um ministro do Evangelho. Ou já esquecemos dos elevados padrões episcopais relatados na Bíblia (cf. 1 Timóteo 3.1-7)? Não é preciso lembrar que Feliciano não é apenas deputado, mas um pastor que precisa agir com responsabilidade. E responsabilidade exige autolimitação dos próprios direitos. [Leia o texto aqui].

Agora, sejamos realistas. Se defendemos a liberdade de expressão isso também significa a liberdade do outro, ou seja, de deputados que defendem a chamada "causa LGBT".  Pedir a renúncia do Marco Feliciano é uma atitude ridícula, assim como pedir a renúncia de um deputado ex-BBB, o Jean Willys. E é igualmente vergonhoso ver cristãos divulgando mentiras sobre o ex-BBB como uma suposta entrevista onde ele defenderia a pedofilia. O cristão de verdade não compactua com mentiras, mesmo que essa venha a expor um sujeito que representa a pior militância do secularismo fundamentalista.  Devemos abraçar o velho conceito da tolerância em Voltaire quando disse: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. [Sobre intolerância leia mais aqui].

Prevejo que alguns ficarão confusos, especialmente se leram o último texto que escrevi. Lamento informar que tal incompreensão depende de um conceito pobre da liberdade de expressão. O fato de eu achar que o deputado Feliciano é indefensável como parlamentar e pastor não quer dizer que eu seja contra a sua liberdade de pensar, falar e andar por aí. A democracia demanda tolerância, mas tolerância não significa aceitação. Eu sei, por exemplo, que ele representa certos anseios, mas lamento quando os próprios evangélicos levantam essa briga como "algo nosso". Mesmo discordando dele, defendo o direito que ele tem de falar. Agora, eu também tenho o direito de achar que ele traz bastante prejuízo para o meio evangélico, logo porque a Bíblia é mero livro de autoajuda para aquele rapaz.


PS: Enquanto perdemos tempo com esse assunto que divide a pior ala evangélica com os mais obscuros secularistas fascistas, dois missionários brasileiros continuam presos no Senegal. Enquanto fotinhas do Jean Willys e Marco Feliciano enchem as redes sociais e blogs, podemos gastar um precioso minuto para assinar a petição que pede a libertação desse casal. [Assine a petição aqui].

9 comentários:

Pr. Josias Almeida disse...

Contradição demais para meu gosto desse blogueiro... Ora morde, ora assopra...

Gutierres Siqueira disse...

Caro pastor Josias,

Leia e releia mais uma vez cada texto. Obrigado!

Carlos Roberto Silva, Pr. disse...

Caro amigo Gutierrez Siqueira,

A Paz do Senhor,

Creio que o comentarista acima, nosso amigo e pastor josias Almeida (para mim, o outro, esse é irmão e amigo, mas não é o meu pai- rsrs), quando ler integralmente o texto entenderá melhor.

Marco Feliciano consegue a façanha de complicar quem queira contraria-lo u até mesmo defende-lo. Nada ;e simples ou raso, pelo contrário, tudo muito complicado, mas seu texto não tem como ser mais claro.

Estou escrevendo algo para publicar, e isso com muito cuidado, principalmente porque quem me conhece sabe das minhas discordâncias com ele no "intramuros" denominacional, agora, não posso me aproveitar disso para apoiar o linchamento dele, bem como a sua renúncia só por causa dos petistas que ele insistiu em apoiar, contra tudo e todos que nutriam bom censo cristão na época da eleição. A cobrança veio rápido e não foi a cavalo não, veio de avião a jato! rsrs

Meu sentimento é o mesmo seu. Parabéns pela elucidação da lavra. É necessário ler com muita atenção e cuidado mesmo, afinal, o caso é complicado.

Um grande abraço,

Pr. Carlos Roberto

Wallace Sousa disse...

apz, Gutierres.

com a devida venia, acho q vc se contradisse sim.

mas, não estou aqui para massacrá-lo ou coisa do tipo. admiro seu trabalho e seu talento literário.

todavia, o que faltou vc dizer no post anterior sobre o Marco Feliciano era q a liberdade de expressão deveria ser defendida mesmo em relação a ele, e que os q o combatiam estavam sendo muito mais intolerantes.

ao meu ver, tb faltou vc citar outros exemplos de pessoas muito mais reprováveis q o Feliciano na CDHM, como JP CUnha e Genoíno (além de Maluf) na CCJ.

IMHO, isso contribuiu um pouco para minar a força da argumentação deste post.

entenda, não estou dizendo q suas críticas ao Feliciano no primeiro, nem sua defesa à liberdade de expressão - aplicada a ele - neste estão errados.

acho q faltou aquele link entre ambos, e isso transparece um pouco como contradição. mas, não considero isso de forma alguma como hipocrisia de sua parte.

no mais, considero q a polêmica vai servir para amadurecê-lo ainda mais (assim como tem sido comigo tb), e isso é muito bom, pois precisamos de pensadores que tenham um raciocínio afiado como o seu e uma pena de grosso calibre, como a que vc empunha.

infelizmente, hoje percebo, MF foi colocado lá com o propósito de gerar mal-estar e a arquitetação da campanha difamatória foi muito bem orquestrada para gerar manchas e respingos na bancada evangélica (já combalida com outros escândalos).

infelizmente, não soubemos perceber essa manobra e entender o que estava por trás de tudo isso: desviar a atenção dos bandidos empossados na CCJ e um ataque frontal e direto à bancada evangélica.

pena: votos e mandatos perdidos... quatro anos de alguns mandatos jogados fora. precisamos aprender a votar e escolher melhor nossos representantes, colocando lá pessoas q façam diferença e façam diferente. escolher sem ufanismo, mas conscientemente, para não sofrermos essas decepções e sermos manipulados dessa forma.

no mais, bola pra frente, vc é uma voz sensata e ponderada em meio a um mar de mediocridade. erros acontecem e todos erramos, mas podemos aprender com eles e sermos melhores no futuro.

e essa é a certeza q tenho em relação a vc: um grande atalaia no futuro próximo e, para isso, esses acidentes de percurso são bastante úteis. às vezes, até necessários...

vai por mim: vc está no rumo certo. essas pequenas correções de rota são normais.

abs,

DEus o abençoe,

wally.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Wallace,

Não há contradição. E nem um erro feito por um blogueiro jovem e, portanto, imaturo em suas palavras. [como se maturidade fosse dependente de idade].

O fato é: a) Feliciano é um pastor e deputado que fala bobagens e é perseguido por isso. Nesse aspecto, ele não tem minha defesa. Não me identifico com ele. b) Feliciano é um cidadão que opina e precisa ser tolerado por isso. Agora sim, nesse aspecto ele tem a minha defesa, mas não é a defesa de sua pessoa, mas sim da liberdade de expressão, pensamento e religião.

Portanto, onde está a contradição? Talvez estejamos muito contaminados pelo conceito de tolerância da Revolução Francesa, onde tolerar é aceitar sem contraponto.

Forte abraço e obrigado pelo comentário.

Gutierres Siqueira disse...

Pr. Carlos,

Obrigado pelo comentário. O senhor captou bem a mensagem! Abraços!

Anônimo disse...

Liberdade de expressão é algo incontestável, mas o caso do Marco Feliciano é diferente.
A posição de presidente da Comissão de Direitos Humanos não é pra ele. Ele suja a imagem dos cristãos e da própria Comissão, porém a Igreja hoje em dia esta cada vez mais faminta por poder e ter um "evangélico" a frente de um cargo importante vale mais do que se preocupar com seriedade da Igreja. O resultado disso é:
"Bancada religiosa: a mais ausente, inexpressiva e processada"
http://www.sul21.com.br/jornal/2012/06/bancada-religiosa-a-mais-ausente-inexpressiva-e-processada/

Anônimo disse...

eu acho que este gutierres, pressisa ler mais a biblia, levitco18vc22 fala claramente sobbre este assunto omosexual,nao podemos empulçinar tais praticas, como a midia da efaze-a estes asunto, e sim conssientisalos que e pecado,e ajudalos a tirar do caminho da perdicao. este e o dever dos cristao,ajudalos, com amor mas sempre mostrando a verdade a luz da palavra do senhor Deus

NAIR disse...

São coisas que eu tenho dito aos que me questionam sobre o assunto.

Não aprovo certas idéias e atitudes tanto do Marco Feliciano quanto do Silas Malafaia, e no início dessa guerra contra o casamento gay, eu até critiquei muito a postura deles.

O fato é que (na minha opinião, talvez a própria postura agressiva que eles tomaram inicialmente) essa história tem gerado uma iminente e cega perseguição às idéias cristãs em geral. Os inimigos da fé viram nisso um "gancho", uma oportunidade para calar a voz dos crentes. Começa lá no Marco Feliciano e no Malafaia, com a desculpa de que eles estão falando "besteira". Mas as leis que querem usar para calá-los serão as mesmas que COM CERTEZA serão usadas para calar a todos os cristãos. Antes isso não parecia tão óbvio. Mas nos últimos dias, tenho visto isso e tenho me assustado. Nossas bocas estão prestes a serem caladas pelas leis brasileiras (com apoio da mídia e das empresas) contra o evangelho... eles não pretendem calar a voz do Feliciano ou do Malafaia. Eles querem calar a voz dos cristãos.