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domingo, 14 de abril de 2013

A principal praga do fundamentalismo teológico

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Como cristão eu creio nos fundamentos do cristianismo histórico. Não posso negar a divindade de Cristo, a supremacia das Escrituras, a justificação pela fé, a doutrina do pecado, a vinda do Nosso Senhor etc. Mas, ainda assim, não me defino como fundamentalista. Sim, eu creio nos fundamentos, mas sem o espírito fundamentalista.

Neste blog há inúmeras críticas ao modernismo teológico contemporâneo disfarçado sob uma nova linguagem relativista e pós-moderna. Agora, como quero distância da teologia modernista não quer dizer que eu abrace o fundamentalismo. O motivo? Ora, a principal praga do fundamentalismo teológico é tornar primária questões secundárias.

Exemplo disso é a paixão com que os fundamentalistas defendem determinada tradução como superior e chegam ao ponto de chamar outras de heréticas. A tradução bíblica preferida é a Almeida Revista Fiel (ARF), que é de fato muito boa. Alguns sites fundamentalistas vivem a demonizar todas as demais traduções, especialmente a Almeida Revista Atualizada (ARA) e a Nova Versão Internacional (NVI). Ora, é possível defender uma tradução como melhor ou predileta sem demonizar outras. As traduções são complementares e nenhuma é perfeita. Eu, por exemplo, gosto bastante da NVI e da Tradução Brasileira (TB), mas nada tenho contra as demais traduções (ARC, ARA, BJ, ARF, A21, AC, etc.) ou paráfrases (NTLH, BV, A Mensagem). 
Quer outro exemplo? O criacionismo. Ora, se o cristão não professar o Criacionismo da Terra Jovem é tido como um liberal pelo fundamentalista clássico. Mesmo se creia no Design Inteligente, no Criacionismo da Terra Antiga ou, ainda pior, se defenda o Evolucionismo Teísta. Ora, o teólogo B. B. Warfield, que foi pastor da conservadoríssima Igreja Presbiteriana Ortodoxa, teria sido um “liberal” dos mais perigosos para esses sites fundamentalistas.
Os fundamentalistas interpretam tudo literalmente, pensam alguns. Na verdade, não. Alguns textos são interpretados simbolicamente. Mas será que tais textos devem ser assim interpretados? Ora, o fundamentalismo muitas vezes é igual ao exegeta modernista, pois sem explicar muito bem o critério sobre algum ponto diz que tal texto é literal e outro simbólico. Exemplo disso são alguns cessacionistas fundamentalistas que dizem ser os dons espirituais figuras dos dons naturais para o trabalho no Evangelho. Não parece a mesma forçação de barra de um modernista? A questão não é tanto branco versus preto. O cenário é mais cinza. Ora, isso em parte acontece porque muitas passagens bíblicas são interpretadas segunda a conveniências teológicas ou ideológicas, mas não textuais. 

Quando um modernista interpreta o dar a outra face como literal para defender o utópico pacifismo, logo esse sujeito lembra o fundamentalista que enxerga simbologia no mesmo texto para defender o militarismo. Qual dos dois grupos é mais fiel segundo uma exegese e hermenêutica séria? Ou será que tal dilema se resolveria com o clichê que a “verdade está no meio”? O modernista pacifista que interpreta a expressão de Jesus literalmente é o mesmo que interpreta simbolicamente os milagres do mesmo Jesus. Ora, o nosso desafio hermenêutico e exegético é ler como o autor quis dizer, ou seja, ler simbologia onde o autógrafo escreveu como simbologia e ler literalmente onde o autor escreveu relato factual. 
A fidelidade à Palavra de Deus não depende do fundamentalismo. O fundamentalismo é apenas uma lente que pode distorcer as Escrituras assim como um teólogo modernista. É evidente que numa escala o modernismo teológico é bem pior que o fundamentalismo. Mas, isso não isenta o fundamentalismo dos erros crassos.

7 comentários:

matozinho disse...

O fundamentalista possui um zelo sem amor e compaixão, por isso se apegam a questiúnculas que atrapalham até no entendimento do que outros pregadores dizem sobre o evangelho, são capazes de chamar quem discorda de sua visão escatológica de apoiadores do anticristo...veja alguns exemplos aqui: http://www.discernimentobiblico.net/Expos%E9s.html

O autor do site coloca heréticos ao lado de John Piper e Paul Washer por questões medíocres...

Fernando A. Lima Jr. disse...

Muito bom o post. Sem contar a defesa da sacrossanta doutrina do pré-tribulacionismo dispencionalista. Ai de quem questionar um til da mesma. Pra guilhotina...

Fernando A. Lima Jr. disse...

Muito bom o post. Sem contar a defesa da sacrossanta doutrina do pré-tribulacionismo dispencionalista. Ai de quem questionar um til da mesma. Pra guilhotina...

Luccas Andrade disse...

Irmaos, creio q devemos ser menos inflexiveis em certos pontos, principalmente, quando tratamos de rotulos. Fundamentalismo é um termo cunhado na teologia, para designar aqueles que buscam na Biblia Sagrada (fundamento) a verdade. Isso em contraposição aos que procuram a verdade em outros lugares (razão humana, historia humana, enfim). Foi o movimento ateísta que deu a esse termo o significado pejorativo dos dias atuais, de uma pessoa que nao reflete racionalmente sobre suas posições, o que nao foi , de fato, caracteristica de um fundamentalista. Por exemplo, hoje se fala em "fundamentalista islamico". Pela raiz da palavra, eles nunca poderiam ser fundamentalistas porque não estão sobre a Sagrada Escritura, mas sobre ensinamentos humanos que vieram depois e que não são fundamentos nem raízes.
Veja que essa maneira de tratar o assunto não é teologica. Eu nao vi ideias serem discutidas neste post, mas sim um rotulo, mal colocado alias.
É a crítica que tenho a fazer. Gostaria de ver algo que ao invés de rotular e desmoralizar pessoas, analisasse racional e teologicamente idéias e pensamentos.

Aprendiz disse...

Lucas

Gostei muito das suas palavras. Sempre entendi fundamentalismo no seu sentido original. Para mim é praticamente sinônimo de método histórico-gramatical de interpretação bíblica. Então vejo o VERDADEIRO fundamentalismo como algo muito bom.

Fico triste em ver o termo usado como rótulo para desqualificar pessoas. Se pessoas que se afirmam fundamentalistas agem mal, ou tem idéias de que alguém discorda, que se discuta essas idéias e essas ações, em vez de usar rótulos para desqualificar pessoas.

Finalmente, devo dizer que os primeiros a serem chamados de fundamentalistas não criam no dispensassionalismo. Seria conveniente que aqueles que fazem esses comentários procurassem conhecer um pouco melhor a história. E, não digo isso para desqualificar os dispensassionalistas, mas só para afirmar a verdade histórica.

Aldo Fagundes disse...

Acho que não é ARF e sim ACF.

Rodrigo Gomes disse...

Ótimo post! Mostra exatamente o problema que os dogmas do "fundamentalismo" pode trazer. Pior: creio que tais dogmas que fazem com que cristãos se tornem ultraconservadores mais afasta as pessoas de conhecerem o Evangelho do que atrai.

Sou autor de um site que traz uma visão "diferenciada" do tema criação vs evolução. Acredito que vc vá gostar. É o http://genesisum.blogspot.com

Deus te abençõe!!