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domingo, 7 de abril de 2013

A questão homossexual e os evangélicos

E os demais pecados?
Por Gutierres Fernandes Siqueira

A homossexualidade está em alta. É o assunto das principais revistas e jornais deste final de semana. O programa Fantástico deste domingo parecia um catecismo da causa. Hoje ser homossexual já não é um peso como antes. É até cool. Mas, biblicamente, continua a ser um pecado. Algumas igrejas embebecidas pela modernidade e encantadas com o presente século tentam relativizar o pecado. Erro grotesco é uma comunidade dita cristã que esquece a missão profética e se comporta como uma ONG.

Agora, também sejamos sensatos. Há alguns equívocos sérios por parte dos evangélicos quando tratam desse tema. Vejamos:

1. Sexualidade não é identidade. Nós, como cristãos, não podemos alimentar a mesma fantasia que militantes do Movimento LGBT levantam. Sexualidade não é destino de identidade. Na verdade, não existe “o homossexual”. Essa identidade é mera criação cultural, mas fantasiosa. Criação que serve apenas para criar uma militância e uma cultura Queer. O que existe é a pessoa com desejo sexual pelo mesmo sexo.

O escritor e jornalista português João Pereira Coutinho expressa isso muito bem:
Não existe o “homossexual”. Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. [1]

Ora, por que o heterossexual (a pessoa que se relaciona com o sexo oposto) não é uma identidade? Simplesmente porque não faria sentido. Assim, qualquer ser humano que sente atração pelo mesmo sexo não precisa fazer disso uma identidade. É difícil entender isso quando já fomos criados numa cultura que fez do sexo uma questão identitária.

2. A prática homossexual é pecado, mas não é mais pecado do que os outros.

Nós, cristãos, passamos a impressão para a sociedade que a prática homossexual é um pecado mais pecado do que os outros. Ora, biblicamente tal prática é tão errada como a idolatria, o adultério, a avareza, o exagero no consumo alcoólico, a ser maldizente etc. (cf. 1 Co 6.10). Quantas pessoas que se dizem cristãs (ou até eu e você) podem ser enquadradas em pecados semelhantes? Jesus disse que se eu olho para uma mulher e a cobiço como meu prazer sexual, logo sou um adúltero (cf. Mt 5.28).

Portanto, por que alguns cristãos espalham cartazes com dizeres contra a prática sexual e não faz o mesmo com o adultério? Ora, tal prática é estúpida. Não é pregação do Evangelho. É apenas moralismo vazio, pois é incapaz de levar alguém para Cristo. Além disso, traz a impressão que, para o evangélico, a prática homossexual é mais pecado do que outros pecados.

(Esse texto continua...)

Referência Bibliográfica:

[1] COUTINHO, João Pereira. Avenida Paulista. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2009. p 177.


6 comentários:

Adeliny disse...

Estava falando exatamente isso para a minha irmã um dia desses, ela como cristã tem enfrentado algumas dificuldades com relação ao tema na universidade onde estuda. Tem tido medo de se posicionar e ser agressiva(ou mesmo agredida!rs)ou não se posicionar e ser omissa(o que tambem é pecado). A solução é resolvermos a questão primeiro na nossa cabeça,e tenho percebido quando leio os seus posts, que nós temos uma mesma leitura de algumas situações e de alguns temas... Creio que essa questão da 'homossexualidade', tem impedido a Igreja de 'militar legitimamente' pregando o Evangelho e denunciando a todas as formas de pecado.

Célio de Castro disse...

O último parágrafo do texto me despertou para algo que eu não havia notado antes, que é o fato de estar impregnado em nossa concepção cristã uma gravidade maior nesse tipo de pecado do que em outros igualmente significantes. E o que é pior, esta constatação me leva a imaginar que muitos de nós cristãos somos reprodutores de um moralismo fruto de um discurso fundamentado em um partidarismo alheio à essência do Evangelho.

Ivair José Lehm disse...

a Paz

basta dar uma olhada nos comentários e veremos que alguns parecem estar impregnados sutilmente para a aceitação da homoxessualidade...
eita igreja cheia de falsos cristãos de PORTAS BEM LARGAS.....

isso é o fim...

Célio de Castro disse...

Ivair José Lehm, em resposta ao seu posicionamento, deixo aqui um pequeno trecho do artigo acima.
"Quantas pessoas que se dizem cristãs (ou até eu e você) podem ser enquadradas em pecados semelhantes?"

Não estou "impregnado sutilmente para a aceitação da homossexualidade", mas concordo com o posicionamento do autor quando argumenta que "nós, cristãos, passamos a impressão para a sociedade que a prática homossexual é um pecado mais pecado do que os outros".

Izabel disse...

Embora eu entenda perfeitamente que qualquer instituição necessite de uma organização, ainda fico um tanto entristecida com a eleição em si, fica evidente qual a verdadeira intensão ali.

Aprendiz disse...

Gutierres

Não concordo com o seu texto. Você e outros cristãos aderem a uma narrativa falsa da situação.

A quinze anos atrás, jamais aconteceria, no Brasil, de um grupo evangélico fazer publicar em outdoors as afiramções bíblicas sobre o homossexualismo. O que mudou?

Veja, não existem grupos de "ativistas adulteros" pressionando pela prisão de cristãos que afirmem que adulterio é pecado. Da mesma forma que não existem em relação a nunhum outro pecado, grupos de ativistas querendo prender os cristãos simplesmente por dizerem aquilo que acreditam. O ativismo gay é claramente uma estratégia de guerra cultural com dois objetivos: influenciar crianças e calar os cristãos.

Como os cristãos podem reagir a um ataque desses? Percebo que você discorda da reação exemplificada na imagem, mas não vejo você propor nunhuma outra estratégia. O que você propõe? E porque funcionaria?