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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Habemus capitalis aeterna: o que representa a reeleição de José Wellington Bezerra da Costa?


Por Gutierres Siqueira
Unha e carne. Só que não!
1. A força política do pastor José Wellington. Apesar de duas décadas no poder, o pastor cearense apresenta grande força política-eclesiástica e, também, secular. Político que é, Wellington não “brinca em serviço” e mantém uma força extraordinária na Convenção Geral. É importante destacar que quem está no poder tem maior facilidade de fazer valer a candidatura, logo porque pode contar com a “máquina” da Convenção. E há ainda a força midiática, pois nunca antes a imprensa secular (principalmente Folha de S. Paulo, O Globo, Tv Globo e Revista Época) acompanharam com tanto afinco essas reuniões.
02. Samuel Câmara, apesar da derrota, apresentou grande número de votos. Câmara recebeu mais de sete mil votos. É muito provável que em eleições futuras, caso ainda concorra, ele conseguirá realizar o grande sonho de presidir esse concílio.
03. A convenção de pastores está polarizada radicalmente. Essa frase é tão óbvia que nem cabe comentário. Parece existir pouco espaço para consensos. Ora, como uma convenção de pastores é necessário maior espaço para construção de debates saudáveis e menor polarização partidária. E só lembrando que tal polarização é apenas por partidos (o partido do Samuel e o partido do Wellington). Pode ocasionar eventuais divisões no futuro como em 1989?
04. Não existe essa suposta divisão entre conservadores (apoiadores de José Wellington) e “liberais” (apoiadores de Samuel Câmara). Essa é uma tremenda bobagem eleitoreira. O que representaria esse conservadorismo? Ou liberalismo? Em doutrina? Em liturgia? Ora, ambos indicaram pequena preocupação teológica-apologética-litúrgica nessa Convenção. Além disso, os dois possuem apoios e apoiadores controversos, ou seja, pessoas que poderiam ser facilmente classificadas de hereges no contexto da fé cristã histórica.
Outra coisa. Quem é “conservador” em usos e costumes? Ainda existe esse negócio? Ora, por acaso a igreja do Belenzinho (presidida por José Wellington) é tão diferente assim em usos como a igreja em Belém (presidida por Samuel Câmara)? Só quem não conhece pessoalmente compra essas histórias bobas.


05. É briga apenas por poder. Ninguém se importa com espiritualidade, responsabilidade social e cultural, desafios contemporâneos, estrutura teológica, bioética, democratização do espaço de poder etc. Não importa quem ganhasse, pois a motivação é apenas o poder temporal. Quem se ilude com uma suposta revolução do pastor Câmara? Ora, e aquele feudo no norte do país? Critica o caciquismo do Wellington acertadamente, mas faz igual em sua região. É, de fato, o sujo falando do mal lavado e vice-versa. 
Se faz necessária uma terceira via diferente disso tudo!
É isso.

9 comentários:

jurandir alves disse...

Caro Gutierres,
Terminado mais um "embate" entre postulantes a lideranca da CGADB, os espirituais dirao que "...foi a vontade de DEUS..."(sera?). Lamento sentir que nao havera expectativas de algo novo para o proximo periodo com desafios serios e a estagnacao permaneca. Entao, viva a mesmice.

Anônimo disse...

este vai ficar + tempo no poder do que qualquer papa....
e eu continuo não sabendo como chama o presidente da minha denominação batista... muda tanto, que nem sei quem é... (e já teve pessoa presidindo "minha" denominação que conhecia pessoalmente a ponto de nossas familias se encontrarem para jantar e nem fiquei sabendo quando ele virou chefe da denominação...)
Mas conheço o chefe da ADs: Habemus papa Wellington
Matias

Wallace Silva disse...

Hoje em dia Igreja Evangélica é sinônimo de Poder, Política, Dinheiro e algumas até Estrelismo.

Wallace Silva disse...

Hoje em dia Igreja Evangélica é sinônimo de Poder, Dinheiro, Política e algumas até com Estrelismo.

Pr Alessandro Garcia disse...

Na altura do campeonato José Wellington está desafiando como Golias: "Dai-me um homem, para que ambos pelejemos" e Samuel está respondendo parafraseando o texto bíblico "Alguém falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a José Wellington". Brincadeira à parte, mas eu acredito que precisamos da 3ª, 4ª e até da 5ª via, para que se espante para bem longe este continuísmo que até na política secular não é bem aceito.

Germano Nascimento disse...

Li a entrevista Dele no portal UOL, é a típica situação do deixe-me aqui e farei o que vocês querem, como sempre. A CGADB não acrescenta nada a nossa sociedade, um braço político da Assembléia de Deus e só. O Sr. José Wellington se encantou com o poder e age, premeditadamente, para mantêm-lo sem pudor nenhum. Quando falou do Feliciano, o entregou aos 'leões',deixou claro que as suas atitudes são orientadas por interesses políticos e não pela causa de Cristo - o que é verdade! - contudo deixou transparecer que não o apóia politicamente, se o fizesse talvez o tratamento fosse outro.

Izabel disse...

Embora eu entenda perfeitamente que qualquer instituição necessite de uma organização, ainda fico um tanto entristecida com a eleição em si, fica evidente qual a verdadeira intensão ali.

Aprendiz disse...

Como batista, me causa estranheza esse poder todo concentrado nas mãos de um presidente de um convenção. Se é apenas uma convenção, então seu poder deveria ser bastante limitado. É muito estranho considerar um presidente da convenção como uma especie de chefe da denominação. Porque as igrejas lhe dão tanto poder? Soube que no mundo todo, com exceção do Brasil, a AD é uma igreja de governo congregacional. O que aconteceu aqui?

Outra coisa que causa estranheza é a direção do fluxo do dinheiro na AD, da perifieria para o centro. Qual o sentido disso?

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres, fiz uma crítica em meu blog à entrevista do nobre pastor à Folha de São Paulo, se puder dá uma olhada. Quanto às suas afirmativas, eu diria que são irretocáveis. Infelizmente, as práticas não diferem da política secular. Quem saiu perdendo foi a Igreja!

Abraços!