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domingo, 26 de maio de 2013

O descaso com a pregação

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O pentecostalismo tradicional em nada difere do neopentecostalismo no descaso com a pregação. Infelizmente, pregadores que honram a Jesus Cristo com uma boa interpretação bíblica são minoria. Há toda uma cultura de desvalorização do bom e velho sermão. Vejamos:

Exegese é extrair a mensagem do texto.
A perversa eisegese é colocar a sua própria ideia no texto.
a) O esboço é raro. É quase tudo na base do improviso. E o pior, ainda colocam o Espírito Santo para justificar a preguiça de preparar um sermão. Todos sabem que preparar uma mensagem estruturada é um baita trabalho. Além disso, Deus em nada ficará impedido de falar por uma mensagem previamente estudada, pois Ele fala pela Palavra e ela não volta vazia.

b) A tônica é a performance artística. Os gritos, gestos, histórias e danças com os braços trazem para o pregador pentecostal a performance de um artista. Mas, é claro, profeta não é artista e artista não é profeta. Infelizmente, muitos cultos se assemelham a um circo. Nunca leram I Coríntios 14?

c) O texto bíblico? Um mero detalhe. A pregação não é conduzida pelo texto bíblico, mas o texto bíblico é conduzido pela "mensagem" do pregador. É a famosa eisegese. Essa palavra vem do grego eisegesis e significa "ato de introduzir, propor, de dar conselho”. Ou seja, é alguém que quer introduzir uma mensagem no texto lido. E deveria ser justamente o contrário, pois a mensagem deveria surgir a partir do texto lido. Essa é a boa exegese.

Nada do que falei é novidade, mas parece que a mente dos pregadores pentecostais está cauterizada. Quando isso acontece é um caso sério para orações.

8 comentários:

César Aguiar disse...

Prezado irmão Gutierres, paz! Boa palavra essa sua sobre pregação. Ultimamente tenho ficado perplexo por esse despreparo dos pregadores pentecostais. Fica muito, mais muito aquém de uma exposição, pregadores históricos são muito mais exigente e mais bíblicos em seus sermões, que aprendamos mais e mais com eles! São exemplos para nós! Abraços irmão. Fica na Paz!

Leandro Lopes disse...

Eu sou pentecostal e concordo com tudo o que você disse, mas será se esses problemas que você citou, a qual repito concordo plenamente está somente nos pregadores pentecostais?

Anônimo disse...

fico imaginando como eram os esboços de sermões de Paulo, Filipe, Timóteo, Apolo e o de Pedro no dia de Pentecostes... alguém traduza pra mim por favor... seus comentários tem sentido e são necessários, mas Deus não pode ser reduzido a uma caixinha de regras (veja Isaías 55:8-9 e Filipenses 01:15-19). Dimic

tadeu disse...

Isso acontece, principalmente, porque as oportunidades para pregar são de surpresa, não há uma agenda; Isso acontece mais a nível de igreja local.

Emerson em ação! disse...

Para não falar do pouco tempo dedicado à oração. Ótimo texto irmão, que DEUS continue te usando.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Leandro,

Creio que o problema não é somente pentecostal, mas é gritante (literalmente) em nosso meio. Falo por experiência própria, pois na maior parte das vezes que visitei uma igreja tradicional vi maior preocupação com o sermão. Já em nosso meio isso é raro. Como pentecostal convicto fico triste.

Anônimo disse...

Como o irmão Tadeu falou Gutierres, também creio que isso ocorra porque as oportunidades são dadas de surpresa. Na minha denominação (que não é Assembleia de Deus, mas é pentecostal), como não há muitos obreiros (por ainda sermos um ministério recente), o pregador já sabe que é ele ou não que vai pregar. Assim , o mesmo prepara um bom sermão para a igreja.
Tenho pena de ver a palavra ser tão desprezada dentro das igrejas pentecostais, mas fazer o que, se o que importa hoje para a maioria dos pentecostais é apenas gritar, pular, marchar, rodopiar, fazer movimento, e etc ?! Oremos pra que Cristo abra os olhos deste povo.

Pedro, Olinda, PE

Neemias Fagundes disse...

Caro irmão, como você sou pentecostal desde o ventre, tenho sim uma grande preocupação com está acontecendo dentro de nossas igrejas, ha um grotesco desvio da bases doutrinárias. Os que exercem funções de preletores se quer dominam o evangelho. A palavra de Deus se limitou a eisegese dos tais, e como haverá operação genuína do Espirito Santo se Ele não tem por onde atuar? Apesar de está desde minha infância na assembleia de Deus, tenho uma visão reformada sobre a fé, e refuto sempre nos púlpitos estas famigerada novas "teologias" que mais adoecem do que curam. Recentemente ministrei em uma igreja onde contestei estes movimentos e para minha surpresa após o culto membros de uma igreja tradicional me perguntaram seu era mesmo pentecostal, pois ministrava em direção oposta a visão do "pentecostais" do século 21. Que Deus nos ajude a refutar com veemência, pois hoje mais do que nunca urge o chamado aos 7 mil que não se dobraram a sair do anonimato e fazer a diferença neste presente século. O Senhor continue te usando com graça meu irmão.