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sábado, 22 de junho de 2013

Oralidade e escrita na Teologia Pentecostal: Acertos, Riscos e Possibilidades


ORALIDADE E ESCRITA NA TEOLOGIA PENTECOSTAL: ACERTOS, RISCOS E POSSIBILIDADES

Claiton Ivan Pommerening é doutorando em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST), bolsista da Evangelisches Missionswerk da Alemanha. Possui mestrado em Teologia pela EST (2008), graduação em Teologia pelo Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix/Faculdade Evangélica de Teologia - FATE (2009), graduação em Ciências Contábeis pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (1990). Membro do RELEP – Rede Latino-americana de Estudos Pentecostais e do NEPP – Núcleo de Estudos e Pesquisa do Protestantismo. Presidente do CEEDUC – Associação Centro Evangélico de Educação Cultura e Assistência Social em Joinville (SC); diretor da Faculdade Refidim; editor da Azusa Revista de Estudos Pentecostais (ISSN 2178-7441) e pastor auxiliar na Assembleia de Deus em Joinville (SC).


RESUMO
A Igreja Evangélica Assembléia de Deus doutrina seus fiéis especialmente através da oralidade. Tenta-se mostrar as principais características das culturas orais, o poder e a dinâmica da linguagem e do som, como estas culturas se apropriam da oralidade para disseminar sua sabedoria e como se dá a interface entre cultura oral e cultura escrita é o tema abordado no primeiro capítulo. Explicitam-se também as características principais da oralidade na Assembléia de Deus e suas formas de expressão através da poimênica, testemunhos, pregação, glossolalia, Harpa Cristã e a mistura entre cultura oral e escrita na utilização da Bíblia e das lições da Escola Bíblica Dominical. Como estas características atuam juntas e separadamente em comunidades pobres e elitizadas. Finaliza-se propondo como deveria ser uma teologia pentecostal que preserve a oralidade e ao mesmo tempo permita uma reflexão teológica formal.


Palavras chave: oralidade, escrita, teologia pentecostal, pentecostalismo.


Introdução


O tema e eixo semântico deste artigo serão a cultura oral e a cultura escrita com seus desdobramentos dentro do pentecostalismo. A primeira, ainda que não seja compreendida como o único fator de importância, mas um dos principais, será analisada de modo mais específico na Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Antes porém será visto como a cultura oral e a cultura escrita atuaram e atuam antropológica e sociologicamente.
Oralidade é um termo empregado em relação a sociedades inteiras que se utilizam da comunicação oral como base das relações entre pessoas e/ou grupos, sem o uso da escrita ou com uso restrito dela; bem como para identificar certo tipo de consciência criada pela oralidade em sociedades letradas, porém regidas por ela. O discurso oral sustenta toda comunicação verbal, assumindo a escrita um papel de complemento dele, e que nunca pode prescindir da oralidade, pois observa-se que, na maioria das vezes, a oralidade existiu sem a escrita, mas nunca a escrita sem a oralidade.


1. Interfaces e comparações entre cultura oral e cultura escrita
Originalmente a escrita era restrita às elites clericais e comerciais, enquanto que a justiça, o governo e a vida cotidiana eram regidos pela oralidade. Ivan Illich propõe uma diferenciação entre “cultura escrita leiga” e cultura escrita clerical, esta última com a capacidade de ler e escrever. Os processo cognitivos da cultura escrita, deixam de ser concretos e situacionais, provocam mudança na percepção, na representação, no raciocínio, na imaginação e na autoconsciência. A linguagem oral é sempre rítmica e narrativa, descreve uma ação ou uma paixão, nunca princípios ou conceitos. A cultura escrita, porém desenvolveu a ciência, a filosofia, a lei escrita e a literatura.

Nas sociedades orais, o narrador adequava sua fala ao contexto da enunciação e à platéia que o ouvia. Da mesma forma, o mensageiro ajustava o que o remetente lhe mandou dizer de acordo com o estado de humor e a receptividade do destinatário. Ao contrário dessa maleabilidade da transmissão oral, a transmissão escrita é rígida, unilateral e descontextualizada. Na mensagem escrita a intenção do autor torna-se muitas vezes ambígua e incerta, exigindo a interpretação do leitor.
A tradição oral apela para a memória, a abstração, a adaptação às necessidades do ouvinte, assumindo a forma de arte com a “história oral” enquanto a escrita estimula outras partes do cérebro, reestrutura a consciência, estimula o visual e “encerra” o texto. Na cultura escrita a memória torna-se independente do indivíduo e da coletividade, pois existem mecanismos externos de inscrição, sendo assim, todo saber pode ser consultado e disponibilizado posteriormente.

A palavra proferida é investida de um poder de realização, isto porque essa palavra vem imbuída de hálito, de vida, da carga emocional, da história pessoal e do poder daquele que a profere, ao contrário do texto escrito, que guarda a palavra oferecida circunstancial e solitariamente a seu leitor, que com ela estabelece ou não vínculo de prazer, de saber e de reescritura. Já a palavra oral existe no momento de sua expressão, quando articula a sintaxe contígua através da qual se realiza.
Quando uma lenda ou história é escrita, cristaliza-se a história na escrita. A oralidade não se cristaliza, logo, se adapta e se contextualiza facilmente ao meio, não se encerra como na forma escrita. Walter Ong argumenta que a escrita faz a transição do som para o visual e causa o encerramento do texto.


2 A impressão da palavra falada: possibilidades na relação entre escrita e oralidade na Assembléia de Deus
Como já foi mencionado anteriormente, atualmente está se resgatando entre os estudiosos o valor da oralidade, pois se percebeu que, apesar de a cada dia a taxa de analfabetismo estar baixando diante de esforços de alfabetização, comunidades inteiras vivem num mundo semi-oral, pois não têm acesso à leitura por questões econômicas, sociais ou geográficas. Nestas comunidades o pensamento é organizado de forma oral, valorizando-se o discurso, a memória, a narração de histórias, a dramaturgia leiga e a emotividade.
Pelo fato de ter surgido entre classes pobres e oprimidas, e como uma reação à marginalidade social e à institucionalização protestante e católica, a oralidade no pentecostalismo necessita de formas menos elaboradas e racionalizadas de religiosidade, abrindo mão até da necessidade do estudo acadêmico da teologia em alguns casos, pois a maioria dos fiéis não tem acesso a educação formal, aderindo assim ao caminho menos exigente da emoção.
Segundo Hollenweger, o movimento pentecostal é revolucionário porque oferece alternativas à teologia escrita e permite que o pensamento cristalizado na forma escrita se torne fluido no culto através da oralidade, oferecendo possibilidades para pessoas que somente podem falar, que não conseguem se expressar de forma escrita. O acesso à palavra permite a democratização do saber, pois suprime a abstração sistemática e racional dos conceitos. O autor também salienta que a teologia oral tem igualdade de direitos sobre a escrita. Argumenta que Deus não criou faculdades mentais inferiores umas às outras, se compararmos a razão com a emoção, a devoção contemplativa com a dança, etc.
Alguns pesquisadores tentam retratar os pentecostais como povo inculto, porém Havelock afirma que constitui engano descartar qualquer herança oral de uma comunidade, pois sua organização mental é diferente da cultura escrita, necessitando de uma estrutura bem organizada, embora subjetiva. Afirmar o contrário é uma “[...] subestimación ignorante de la riqueza de la cultura popular y una sobreestimación etnocéntrica”.
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2.1 Características da oralidade pentecostal
Numa cultura de massas a memória desempenha um papel muito importante, pois é acionada para “guardar slogans, palavras de ordem, provérbios, axiomas repetidos como se fossem verdades capazes de fundar sistemas de pensamento e de ação.” Na repetição de slogans guardados na memória, se “detona os sistemas compactos, que a pessoa traz consigo [...], ao mesmo tempo, propicia bases sobre as quais se dá a aproximação entre o orador e os receptores de seu discurso.”
Os jargões, adágios e provérbios, presentes em culturas orais, como também no pentecostalismo, servem de recursos mnemônicos para implementar e memorizar entendimentos teológicos importantes. Sempre se recorre:

[...] ao ritmo, à música e à dança, à repetição e à redundância, às frases feitas, às fórmulas, às sentenças, aos ditos e refrões, à retórica dos lugares-comuns – técnica de análise e lembrança da realidade – e às figuras poéticas – especialmente a metáfora. Sua oralidade é uma oralidade flexível e situacional, imaginativa e poética, rítmica e corporal, que vem do interior, da voz, e penetra no interior do outro, através do ouvido, envolvendo-o na questão. Nessa cultura, os homens e mulheres sabem escutar e narrar, contar histórias e relatar. E isto com precisão, claridade e riqueza expressiva. De um modo cálido e vivo, como a própria voz. São mestres do relato, das pausas e das brincadeiras, da conversa e da escuta. Amam contar e ouvir histórias, tomar parte nelas.

No judaísmo antigo se verificava uma forte ênfase sobre o uso do recurso da voz na educação dos filhos e na transmissão da cultura, contrastando assim com a cultura grega que era visual, apelando à imagem de seus deuses sempre simbolizando algo no imaginário popular. Os escritos de Moisés, oriundos da oralidade cristalizada na escrita, rechaçavam qualquer absorção da cultura idólatra da Palestina da época, retratada por imagens simbólicas dos deuses, valorizando assim a palavra e o som em detrimento da visualização.
A palavra imprime poder nas culturas orais. Tal poder é manifesto na Palavra como Escritura divina, bem como na palavra proclamada e cantada que impregna os cultos pentecostais. A palavra neste sentido assume mais poder que a própria Escritura. Embora se utilize a Bíblia de forma excessivamente dogmática, atribuindo-lhe inerrância, seus desdobramentos, porém, levam ao campo visual da teatralidade e da expressão das emoções na fala. Tal produção teológica, mesmo sendo oral, será sempre mediada pela realidade social na qual a comunidade está inserida, sendo ela tanto a possibilidade quanto a limitação de sua reflexão. Valoriza-se desta forma a criatividade e o novo. Os cultos pentecostais quase sempre tendem, por serem originais e demonstrarem novidade, a manter o público cativo.


2.2 Formas de expressar a oralidade
As formas principais de manifestação da oralidade pentecostal poderiam ser denominadas de “literatura oral”, segundo Walter Ong, e são elas que divulgam sua teologia, dispensando formas mais acuradas.
Dondequiera actúen los pentecostales, ya sea  en ambientes sociales pre o postliterarios, no se utilizan las formas lógico-sistemáticas de comunicación, sino la comparación y la asociación. Los métodos usados no son solamente libros y diarios sino proverbios, coros, anécdotas, notas, historias milagrosas, y programas de radio o de televisión.
Ou ainda para citar Shaul:

A palavra falada, cantada, gritada, murmurada. Não fala apenas o pastor. Todos podem expressar-se de alguma forma, nos hinos, nos aleluias, na saudação aos irmãos, no testemunho – ou em línguas estranhas. [...]
Na verdade, a palavra vai além do sermão, complementa-se nos demais atos do culto e significa mais do que a exegese de um texto bíblico.
Um importante teólogo pentecostal americano demonstra cinco formas de produção teológica pentecostal, dentre as quais a comunicação oral “refletida nos testemunhos, revistas e livretes da igreja, na literatura da Escola Dominical, nos panfletos e nos folhetos evangelísticos”.
Passaremos a detalhar e analisar as formas de oralidade mais importantes, mencionadas acima, num diálogo entre oralidade e escrita.


2.2.1 Poimênica, conversações e boataria: as formas não convencionais
Carece de uma pesquisa mais profunda, a comunicação interpessoal e a função dos boatos no meio pentecostal, pois eles desempenham papel querigmático e têm grande poder de influência na formação de opiniões e reflexões teológicas.

Somente quando o evangelho percorre também canais de comunicação informais, pode ele tornar-se força vital que se experimenta em todas as áreas da existência.

A poimênica, muito procurada pelos membros das igrejas pentecostais e neopentecostais, torna-se fonte de orientação para a vida, geralmente carregada de conselhos baseados na experiência pessoal do conselheiro. Nas entrevistas concedidas houve pouca alusão a buscar explicações do pastor. Sinal de que está havendo um afastamento entre leigos e clero? Por quais razões? Apenas uma pessoa fez alusão ao professor e algumas a pessoas mais experientes. Duas disseram que perguntariam ao pastor como última instância.


2.2.2 Testemunhos: necessidade primeira de se expressar
Num culto pentecostal não é somente o pregador que tem acesso à expressão oral “organizada”, também o fiel pode se expressar através de testemunhos, ou seja, contar aquilo que estava acontecendo de desagradável em sua vida e como milagrosamente a situação de adversidade se modificou.

A oralidade é traço fundamental para a compreensão do pentecostalismo. Ela está presente não somente na memória preservada pelos mais antigos mas na vivência concreta e cotidiana da fé através do testemunho. Bernardo L. Campos se refere ao testemunho como “teologia oral e narrativa”: “... o testemunho é uma primeira e necessária ‘explicação’ da experiência e que, tão pronto como os testemunhos da experiência comunitária estabelecem consenso, se rotinizam e institucionalizam, derivam doutrina e catequese, fundando-se e se auto-produzindo. (...) os testemunhos adquirem o status de logos  primário dessa fé, e como são embrionária e plenamente uma teologia narrativa” (CAMPOS. p. 125).

O testemunho é uma das primeiras oralizações públicas do pentecostal, ao mesmo tempo em que causa timidez por ser necessário enfrentar um público ouvinte, causa o bem estar de sentir-se incluído no grupo daqueles que têm coragem de falar em público e terem algo importante para contar. “É que eu adoro ver os testemunhos [do culto] da vitória. [...] Nos meus anos de evangelho eu não tive uma grande bênção, [...] daí eu falo, um dia eu quero pegar o microfone e dar o meu [testemunho] também”. Para alguns gera desejo de ter algo mirabolante para contar, mas isto faz parte do triunfalismo pentecostal.


2.2.3 Glossolalia e exercício dos dons: o ápice
O movimento pentecostal enfatiza o batismo e os dons do Espírito Santo. Por batismo se entende o revestimento de poder que acontece após a conversão, compreendida também como segunda ou terceira bênção, com forte influência sobre a santificação pessoal, acompanhado pela expressão de êxtase em que a pessoa fala em línguas desconhecidas. Chega quase a ser comparável a um rito de passagem. “Uma das coisas mais importantes que tem na vida da gente. Porque muda totalmente a pessoa”.

Quando me converti, custou muito [...], tinha dificuldade de entender o evangelho e também tinha vários traumas de infância que dificultavam minha vida [...], após receber o batismo no Espírito Santo, me senti solto no tempo e no espaço e falei em línguas por algum tempo, de repente, percebi que todos aqueles medos e angústias que tinha foram embora, passei a amar mais as pessoas e miraculosamente compreendi o evangelho, e como era real para mim.

Por dons do Espírito Santo entende-se a forma dos fiéis manifestarem a operação da pentecostalidade como sendo: conhecimento e revelação de algo desconhecido, sabedoria para resolver determinada situação, fé extraordinária, curas, operação de milagres, profecia, falar numa língua desconhecida e interpretá-la sobrenaturalmente. Neste sentido a expressão oral de alguns dons confere autoridade ao fiel. “A ênfase nos dons espirituais, em oposição à riqueza material, seria uma outra estratégia de fortalecimento da dignidade do pobre”, conferindo assim um status social de riqueza espiritual.

Você está falando diretamente com Deus, está falando a língua dos anjos, não é qualquer pessoa que pode chegar e falar com Deus. [...]. É um momento íntimo com Deus.
[...] é uma evidência de que eu estou dentro do Espírito Santo, que o Espírito Santo habita em mim.

O falar em línguas desconhecidas (glossolalia ou xenolalia), a interpretação destas línguas e a profecia, onde o profeta fala geralmente na primeira pessoa, é entendido como sendo o próprio Deus falando. Portanto, trata-se de uma forte apropriação do recurso da fala para evidenciar o êxtase. É o que Bernardo Campos chama de “mediação lingüística” do inexpressável e majestoso.
Tem-se verificado que em momentos de longas orações acompanhadas do falar em línguas e muitas vezes também de êxtase, os depoimentos têm sido de uma maior convicção de bem estar, curas físicas e principalmente emocionais. Talvez a glossolalia seja “[...] una maximización de las facultades psico-lingüísticas dormidas que todos tenemos.”.

O falar em línguas também teve para aquelas pessoas uma importante função sociológica e psicológica, pois ofereceu ao adorador a oportunidade de ser possuído por uma força maior, recebendo daí uma nova identidade. A glossolalia supera as divisões da linguagem humana, na medida em que capacita os adoradores a se unirem a um sagrado transcendental.

Para o pentecostal a glossolalia é imprescindível. Além de fazer o fiel sentir-se incluso, agrega valor a si mesmo e é prova do amor de Deus. “É muito importante, isso aí é em primeiro lugar na vida. Deus deu para a gente”. Chega a ser comparado ao alimento diário. “Se nós não buscar um alimento novo cada dia, nós morremos espiritualmente”. Torna-se também fortaleza, ânimo, alívio, contato com Deus, com os anjos, enfim, transcende tudo o que é natural e penetra a dimensão do extraordinário. “É um poder que vem do céu que fica totalmente fora de si”. É a explicação para o êxtase.
2.2.4 Harpa Cristã, música e hinologia: “cantando com alegria ao Senhor”
O poder da música está no fato de que ela é uma das mais completas formas de manifestação das emoções. Aguça vários sentidos, levando a reações espontâneas diversas integrando o “[...]  toque (o audível), ação (o visível) e texto (o imaginário), triângulo relacional do rito que, quando colocado em prática, funciona como mantenedor e mediador por excelência de conteúdos religiosos e míticos”.
O clímax se dá quando a emotividade eleva todos a transcenderem para o divino, “muitas pessoas que eu conheço foram batizadas em Espírito por uma canção”. Pode ser acompanhado pela dança, palmas, glossolalia ou brados de louvor e júbilo e, de forma mais aprofundada no êxtase, acompanhado das expressões anteriores ou ainda através do “arrebatamento de espírito”, em que o indivíduo permanece inerte (como que desmaiado) por determinado tempo. “É o momento em que você se desprende [...] da tua vida”.
Neste momento acontece o ordenamento das emoções. Os entrevistados disseram que: “consola, conforta”, “mexe com o lado emocional”, “o hino mexe muito comigo”, “cada hino mexe no meu emocional”. No dizer de Antonio Gilberto, um dos teólogos mais respeitados na Assembléia de Deus:

[...] aguça a meditação nas coisas do céu; abre o coração fechado e eleva-o a Deus; inspira-nos à devoção ao Senhor; aproxima a alma de Deus; fortalece nossa fé; faz a alma prorromper em gratidão a Ele; desperta a consciência quanto ao pecado; transmite uma mensagem evangélica ao pecador e ao crente; gera um profundo desejo em nós de maior consagração e santificação; glorifica somente a Deus; afugenta a tristeza e acalma o espírito abatido e perturbado; consola, alegra, entusiasma e liberta do mal.

Emoções de todas as espécies são produzidas pela melodia e pelo ritmo. Através da música, o homem se acostuma a experimentá-las, assim, ela tem o poder de formar o caráter.

Os vários tipos de música, baseados em vários estilos, distinguem-se pelos efeitos sobre o caráter - um, operando na direção da melancolia, outro na efeminação [sensibilidade], um incentivando a renúncia, o outro o domínio de si, um terceiro o entusiasmo, e assim por diante.

Platão, no diálogo A República, salienta que a música forma ou deforma o caráter, de modo tanto mais profundo e perigoso quanto mais inadvertido. A música tem o poder de mudar a opinião das pessoas, e que assim, pouco a pouco, molda a sua mentalidade. Mudando as mentalidades, a música termina por transformar os costumes, o que determina a mudança das leis e das próprias instituições. Por isto, dizia Platão, é possível conquistar ou revolucionar uma cidade pela mudança de sua música. Certamente esta posição de Platão é o que permeia subjetivamente a mentalidade pentecostal ao apropriar-se exaustivamente do uso da música.

O processo de cativar a platéia, de deixar registrado nela a realidade da estória, é uma das principais características da educação nas culturas orais. As instituições sociais nessas culturas sobrevivem, em sua maioria, graças ao som, ao que a palavra falada ou cantada pode fazer para converter indivíduos a determinadas crenças, expectativas, papéis e comportamentos.

Na Assembléia de Deus usa-se preferencialmente a Harpa Cristã. “Eu gosto muito dos hinos da Harpa”. É o seu hinário oficial, adotado pela primeira vez com este nome em 1922, contendo 100 hinos. Algumas comunidades acham-na ultrapassada, adotando músicas mais recentes em seu repertório musical, outras mais tradicionais admitem somente ela, mas em sua maioria utilizam-se ambos os estilos de música. Porém, é a Harpa Cristã que formata a compreensão bíblica e teológica da maioria destas comunidades. Trata-se de literatura escrita, entretanto se torna recurso mnemônico oral para ensinar e relembrar doutrinas importantes adotadas pela mesma. “Eu não era muito fiel, daí eu comecei a escutar esse hino ‘Eu quero ser fiel’, daí eu fui pensando num monte de coisas, que eu não fui fiel, e fui aprendendo muito”.
Interessante a observar é o fato de que apenas 23 cânticos da Harpa Cristã, num total de 524, falam do tema mais recorrente no pentecostalismo, o Espírito Santo e suas manifestações, portanto, apenas 4,3%. Seria porque os autores estavam equivocados? Ou porque não era necessário cantar sobre este assunto, por já ser bem conhecido e experienciado?
A influência da música é tão marcante, que mesmo os que negaram a influência da mesma em sua compreensão teológica e vida diária, paradoxalmente afirmaram que “alegra muito a pessoa quando está triste”, “na minha vida isso tem surtido muito efeito” e “enche a alma”.
Logicamente que a música não é somente utilizada para educar ou mudar opiniões, é também um reflexo da cultura na qual está inserida. Conhece-se um povo pela sua musicalidade e a forma como a expressa. Como do converso ao pentecostalismo, na maioria das vezes, é exigida uma mudança radical de estilo de vida, ela serve quase prioritariamente como doutrinamento.

[...] você vai apagar aquilo que você aprendeu no mundo, isso aconteceu comigo, [...] você escutava aqueles hinos, pam, pam, pam [badalados], [...] a partir do momento que você começa a cantar louvores e hinos de adoração, hinos que levam teu espírito ao contato com o Pai, você vai regravando, vai apagando aquelas, aquelas melodias que você cantava no mundo, acompanhava no mundo, e vai apagando aquilo e vai regravando louvores a Deus, [...] então por isso é importante você apagar o que foi velho, aquelas que não agradam a Deus e trocar por coisas que agradam a Deus.
A minha conversão foi assim através de um hino, eu escutei um hino e comecei a cantar aquele hino achei bonito. [...] “tua face eu quero ver” [...]. A principal influência que eu sofri foi a minha conversão.

A musicalidade pentecostal tem o propósito de preparar o ouvinte para o que vem depois, a pregação da palavra. “A pessoa já vai se preparando para a palavra, daí depois vem a parte principal, mas o louvor é essencial”. Um líder entrevistado disse que o papel dos cânticos é “preparar o pessoal, a comunidade, a igreja em si reunida, para ouvir a mensagem”.
Assim, ela serve para quebrar paradigmas e compreensões que não servem aos propósitos da pregação pentecostal, tornando os ouvintes susceptíveis à sua teologia.


2.2.5 Pregação, ensino bíblico, retórica e história oral: “a parte mais importante do culto”
O pentecostalismo atingiu as massas brasileiras, pois conseguiu falar a mesma linguagem delas. A simplicidade e força com que opera a retórica pentecostal, algumas vezes carregada de erros de português, facilita sua compreensão e recepção por parte de pessoas, em sua maioria, destituídas de melhores condições de articular pensamentos mais complexos e compreender discursos muito elaborados, como em igrejas históricas tradicionais. O discurso pentecostal sempre é mediado por palavras e símbolos, embora seja fundamentalista e redundante. “Eu tenho uma mensagem de Deus que vai mudar a sua vida, vai mudar a sua história”.
A oralidade pentecostal explora recursos retóricos, para causar fixação da atenção do ouvinte e assim conseguir com que apreenda o conteúdo do que está sendo dito; a modulação da voz, as mudanças de tonalidade e velocidade, as inflexões, enfim os mais variados recursos fazem parte deste apelo. Assim toda a atenção, tanto do orador quanto do ouvinte, se volta para a forma como a mensagem é transmitida, tornando o conteúdo de assimilação quase subliminar. A redundância é utilizada para permitir assimilação do conteúdo e ajuda no prosseguimento de discursos improvisados.
A retórica pentecostal se apropria do improviso, ornamentando assim o discurso para dar maior vivacidade e atender aos anseios da platéia. Porém o sermão pentecostal tem a mesma força e a mesma ênfase que toda a liturgia do culto, pois a oralidade transcende o sermão.
O orador torna o discurso individualizado através de frases de efeito, como: “Meu irmão, meu amigo, você que está aqui, entregue seu problema a Jesus!” “Você que está triste, fale com Jesus!” “Basta crer que conseguirá!” “Entregue-se completamente!”, etc. Assim, o “individualismo coletivo” domina a platéia levando-a a comportar-se como uma massa única. “Com a boca fechada você não recebe nada”, assim o pregador incentiva a platéia a participar do culto numa oralidade coletiva.
Associada à retórica pentecostal estão presentes outros recursos mnemônicos através dos cânticos repetitivos, dizeres e provérbios populares facilmente memoráveis e associados com coisas ou situações geralmente paradoxais, e jargões, utilizados pelos pregadores, que exageram e triunfalizam situações do cotidiano ou apontam para soluções de problemas difíceis. “O mistério de Deus na tua vida é tão grande, mas tão grande, que é por isso que o diabo lhe persegue. [...] Deus vai escrever hoje a história de um campeão”.
Mendonça ao referir-se aos grandes avivalistas dos séculos XVIII e XIX, fala da oralidade que ainda hoje se vê nos púlpitos pentecostais:

Sermões longos, veementes e emocionalistas. Não é difícil imaginar-se o casamento feliz que houve entre o estilo avivalista dos missionários e a oratória latina dos brasileiros bem na tradição das academias de direito. O sermão avivalista pretendia convencer o indivíduo de seu pecado, desencadear suas emoções e levá-lo a uma decisão existencial e, por isso, quanto mais dramático o pregador, melhores os resultados.

Todos estes elementos aqui relatados, presentes na pregação pentecostal, levam os ouvintes a reagirem de forma similar ao relatado no item 2.2.3, em que numa grande massa de oralidade espontânea todos se expressam com reações emocionais e corporais, tornando o culto pentecostal um meio de satisfação pessoal. Preserva-se assim a cultura oral do ouvinte que prefere ouvir uma mensagem do que ler.
2.2.6 A Bíblia: ainda é a única regra?
Quando se lê a Bíblia em público, pode-se usá-la como autoridade máxima da linguagem escrita e falada (lida) ao mesmo tempo, ratificando a autoridade da linguagem falada que assume assim autoridade superior à linguagem escrita (da Escritura). Ao mesmo tempo em que se usa a Bíblia como fonte de autoridade máxima, sua autoridade é mediada pelo pregador quando utiliza a frase: “o que Deus quer nos dizer aqui é...”, fazendo com que a oralidade suprima e se estabeleça como superior a escrita.
Vive-se uma nostalgia dos sons, valorizando palavras antigas e arcaicas que foram estabelecidas como sagradas, simulando conforto e segurança de tempos miticamente idealizados. Se dá importância à utilização da Bíblia Almeida Revista e Corrigida que freqüentemente apresenta vocabulário e formas de expressão arcaicos, muitas vezes com significado desconhecido aos leitores.
Entre os pentecostais, a Bíblia já foi um objeto que todos tinham o “sagrado” dever de ler. Quem não sabia ler, aprendia a fazê-lo lendo a Bíblia. Ela era normativa em termos de conduta, religiosidade e devoção. Numa igreja com cultura oral, a Bíblia era o acesso de todos a escrita, todos se esforçavam para assim fazê-lo. Atualmente, mesmo com a relativa elitização pela qual setores da Assembléia de Deus passam, esta realidade mudou. Numa pesquisa constatou-se que, em um grupo de 104 fiéis, apenas 7,7% leram a Bíblia toda, 5,7% eram analfabetos e 10,5% nunca leram sequer partes da Bíblia. Este fato revela que há uma maior tendência de oralização entre os fiéis.
Embora a leitura da Bíblia comece a não ter mais tanta relevância, ainda é considerada um livro importante. “Se a gente não seguir as Palavras Sagradas o que importa a gente estar vivendo”? “Fundamental! Primeiro lugar. Muito importante”. Porém, em grande parte não se a usa mais como um guia de orientação moral ou espiritual, como no passado, mas como um amuleto: “Na Bíblia tu encontra tudo [...]. Se tu tiver triste, se tu tiver... Tu vai na Bíblia, tu encontra uma palavra de consolo, uma palavra de conforto”. “Todo dia eu leio a Bíblia, a palavra de Deus, não estudo ela, eu leio, tem que ler um versículo, pelo menos uma palavra”. Percebeu-se nas entrevistas uma certa dificuldade em citar e até mesmo lembrar os textos bíblicos que a pessoa achava importante para sua vida: “Não consigo lembrar, mas tem vários que são importantes”. “Hum! São tantos que eu nem sei qual. Não sei”. A mesma pessoa entrevistada chegou a afirmar: “Eu nasci num lar evangélico mas a gente não entende quase nada de coisa de Bíblia”.
Desta forma, torna-se evidente a tendência pela oralidade no meio pentecostal. Outros livros (além da Bíblia) também não são lidos. Em relação à pergunta 7 da entrevista - “Você costuma ler livros de estudos bíblicos ou teológicos? Com que freqüência? Qual o último e quando?” - poucos disseram que têm o hábito de ler outros livros, alguns nunca leram.


2.2.7 Escola Bíblica Dominical como imposição da reta doutrina: convergência entre oralidade e escrita
[...] depende do ensinamento que a pessoa está recebendo ela fica tão alegre, tão contente, tão grata por aquilo que ela está recebendo, que ela começa a falar em línguas, ela se sente tão edificada, tão maravilhada, que ela começa a falar em línguas.
Certamente as lições bíblicas utilizadas pela Escola Bíblica Dominical (EBD) são os melhores componentes de convergência entre a escrita e a oralidade no pentecostalismo, pois através delas o professor/ensinador lança mão tanto do texto escrito quanto de suas considerações próprias (de forma oral) acerca do texto lido e ainda pode conduzir a uma reação de êxtase por parte dos alunos. É também um espaço relativamente livre de manifestação da oralidade, onde os alunos efetuam perguntas e expõem suas idéias. “Na escola dominical é um lugar muito bom para você sanar esta dúvida porque você pode perguntar e questionar”. Estas lições exercem grande autoridade sobre os fiéis, considerando-se até mesmo ser mais crente quem freqüenta a EBD.
As lições bíblicas utilizadas na EBD certamente são a maior fonte de imposição verticalizada do pensamento pentecostal assembleiano. É também uma perfeita combinação de boa convivência entre oralidade e escrita. A escrita – lição bíblica – é o norteador do discurso oral, ou seja, a partir dela, como teologia escrita, o professor transmite na forma de teologia oral o que a liderança nacional maior pensa sobre a doutrina pentecostal. É “doutrinariamente ortodoxo, sadio, simples, direto e contextualizado. Ela [a EBD] mostra aos crentes a relevância dos eventos, fatos e temas bíblicos”. Este foi o objetivo perseguido pela instituição da EBD e que, segundo a liderança eclesiástica responsável, tem sido alcançado.


2.3 Convergência e dualismo entre reflexão formal e oralidade
O dualismo entre escrita e oralidade tem sua origem histórica no ethos sueco, que dizia que a igreja tinha a função de contracultura e, portanto, deveria manter-se afastada do letramento teológico, e no ethos coronelista que negava o acesso ao mesmo por medo de insurgências. Em um artigo escrito na revista “A Seara” pelo pastor Francisco Assis Gomes percebe-se como este assunto foi motivo de controvérsias. Escreve o autor que “muitos têm horror ao vocábulo INSTITUTO BÍBLICO [sic] nos meios pentecostais”. Contra outros artigos por ele escritos surgiram reações “um tanto pesada[s].” Argumenta que em outros países a Assembléia de Deus possui institutos bíblicos e que a “tendência da geração moderna é progredir no conhecimento, é estudar.” “A alegação de que o Instituto Bíblico é fábrica de pastores, não é justa. Trata-se de um exercício no estudo da Palavra de Deus em local que em outra parte tornar-se-ia difícil conseguir”. Toda esta discussão parece não atentar para o fato de que a simples impressão de um folheto evangelístico já é uma reflexão teológica escrita, embora escrito de forma homilética e de orientação leiga. A fonte de inspiração é que é diferente, a reflexão formal se fundamenta em escritos anteriores, a reflexão oral se fundamente na experiência vivencial.
Percebe-se que, mesmo havendo uma considerável defesa por parte do autor da realização de estudos formais em teologia, na verdade a ênfase está sobre o estudo bíblico, com tendências apologéticas, fundamentalistas e com material produzido a partir de reflexão oral. Assim mesmo, se considerava, e uma minoria ainda hoje assim pensa, que o instituto bíblico produziria pastores desqualificados, pois lhes tiraria a “unção do Espírito”. Neste aspecto a reflexão teológica escrita tiraria o lugar do improviso espiritualizado da oralidade.

Quase nada temos pensado sôbre [sic] a arte de escrever. Preocupamo-nos com a pregação improvisada e dizemos – “No momento o Espírito Santo usa”. – Até para esta, precisa haver um pouco de preparo. O Espírito Santo inspira e encoraja, mas a pronúncia cabe ao estudo que o indivíduo tiver feito, ainda que seja de modo prático.

Neste texto está presente a razão do desprezo histórico dos pastores assembleianos pelo estudo e manifesta a opinião do autor da dupla cooperação entre o pregador e o Espírito Santo.
O autor relaciona ainda a produção da escrita pentecostal com a criação de institutos bíblicos.

Qual a razão por que não produzimos literatura? A resposta é simples: Porque nos falta o necessário conhecimento bíblico, histórico e literário. Pensemos nisso, e havemos de concordar que há necessidade de termos instituições para o estudo de nosso povo.

Fato importante a destacar é a capacidade de editores e escritores pentecostais de, ao produzirem literatura, esta ser marcada por uma orientação leiga, algumas vezes escrita por autores que estudaram em faculdades e institutos bíblicos, utilizando sua verve literária para defender e difundir a teologia pentecostal, sempre num estilo apologético e alinhado com a liderança maior.
Num artigo escrito no periódico Boa Semente, estando a Assembléia de Deus fundada há dezenove anos, o autor faz uma crítica ao “grande teólogo” [sic] Chateaubriand, numa alusão ao fato de que teólogos desconhecem o amor com que os crentes se reunem para render culto a Deus. Embora Chateaubriand não fosse teólogo, esta afirmação demonstra a clara orientação da igreja na época de não apoiar o estudo teológico formal. O artigo é escrito a um povo pobre, sem acesso a letramento adequado, utilizando-se de palavras difíceis para os crentes da época entenderem, como: “columnas encimadas”, “capitéis corinthicos”, “pilares gothicos”, “arcadas grandiosas”, cita personagens gregos e a Guerra de Tróia, como se os leitores fossem familiarizados com estes assuntos. Trata-se de um paradoxo entre o escritor, certamente com alguma formação acadêmica, e sua negação do estudo formal da teologia, demonstrando o mistério de palavras difíceis presentes em alguns escritores e pregadores pentecostais, fazendo com que o sagrado pareça extraordinariamente majestoso.
Os principais argumentos utilizados para não apoiar a criação de institutos são esclarecidos na Convenção Geral das Assembléia de Deus de 1948, quando se argumenta que para exercer o serviço pastoral “o ministério é dado pelo Senhor,” baseado em Efésios 4.11, assim, portanto, não é preciso preparo formal, devendo-se evitar o “formalismo”, “permanecer nos moldes antigos”, e os institutos bíblicos fogem da “órbita da igreja local” gerando “dualidade de poderes” porque a direção “vem do Espírito Santo”. Percebe-se nesta mesma convenção uma contrariedade de posições entre missionários suecos e americanos, os primeiros defendendo escolas bíblicas nas igrejas locais, que não escapassem ao controle da liderança, com duração de até 15 (quinze) dias, e os americanos tentando provar a necessidade de institutos bíblicos formais. Somente dez anos depois é que se cria o primeiro seminário teológico, o IBAD – Instituto Bíblico da Assembléia de Deus, em Pindamonhangaba (SP), fundado por missionários americanos.
Na Convenção Geral de 1966 novamente o assunto vem a debate, afirma-se que os assuntos de criação de institutos bíblicos deveriam ser tratados “a priori” e não “a posteriori”, que o IBAD foi criado “a contragosto de muitos líderes brasileiros”, que “o melhor educandário é o Colégio do Espírito Santo”, que os institutos são “fábricas de pastores”, fala-se do “perigo de alguns ficarem com as cabeças cheias e o coração vazio”, que os missionários “da outra América não foram enviados para estabelecer institutos bíblicos, mas para ganhar almas para Jesus”, que há o perigo de se fazer um “trabalho psicológico nas Assembléias de Deus” (lavagem cerebral?) e que a Assembléia de Deus cresceu durante 55 anos sem “o concurso dos institutos bíblicos”. Alguns pastores brasileiros se uniram a favor dos missionários americanos, que defendiam o apoio aos institutos bíblicos, com argumentos de melhor preparação de obreiros, porém com a finalidade de promover expressamente o ensino bíblico e evitando usar a palavra teologia. Novamente percebe-se, agora mais claramente, o calor da controvérsia, chegando o presidente na ocasião a encerrar a discussão. Somente na Convenção Geral de 1973 é que, finalmente, depois de 15 (quinze) anos de sua criação, o IBAD é reconhecido, após uma comissão “fiscalizá-lo” e se reunir 08 (oito) vezes para conseguir deliberar favoravelmente.


2.3.1 Neopentecostalização e maior afirmação da oralidade
Certamente a ênfase dada à teologia da prosperidade no neopentecostalismo, tem valorizado mais a oralidade que o próprio pentecostalismo. Nela passa-se a trocar a busca pelo consolo das coisas que faltam, na passividade do encontro místico com o divino, para o que é palpável aqui e agora, incorporando assim valores do mercado consumidor e afastando-se da visão mítica que transferia para o pós-morte as maiores aspirações do fiel, os bens simbólicos são substituídos por bens reais.

O ensino bíblico diminuiu e foi substituído pelo grito de guerra ‘O Senhor é o Salvador! É o libertador’. Então os gritos de guerra funcionam como elementos de inspiração para as pessoas. Substituíram o ensino. O ensino dá mais trabalho, demanda estudo, articulação, pesquisa. O grito de guerra, não. É inspiração e “alimento”.

A Bíblia, ao invés de servir para instrução e se tornar apetitosa à leitura, se torna como que um amuleto de onde se extraem frases isoladas para reforçar gritos de guerra repetitivos, jargões e frases de impacto, utilizadas tanto pelos fiéis quanto pelo pregador. Sendo assim, percebe-se uma clara dificuldade entre uma teologia oral e sua mais nova concorrente, a teologia escrita e reflexiva, oriunda da elitização e do academicismo pentecostal.
A fé passa a ser uma religião de mercado, onde se “vendem”, com ofertas públicas como de um leilão, mercadorias simbólicas para um mercado consumidor religioso, que exige um pronto atendimento da divindade, não como graça, mas como merecimento. Desta forma, a oferta de venda é feita pelo “vendedor”, utilizando-se de todos os recursos da retórica, e testemunhada publicamente pelo “comprador” para incentivar, com estratégias de marketing, mais “vendas” do produto para outros “consumidores”. Este tipo de “negócio” somente encontra sucesso com a utilização maciça dos meios de comunicação e com argumentos retóricos persuasivos. Assim se dá um novo formato à utilização da oralidade na religião pentecostal.
Esta constatação não é somente observada em igrejas neopentecostais, mas também em igrejas pentecostais, que, não dispondo de uma reflexão teológica escrita cristalizada, se acomodam às novas tendências de “mercado” com maior facilidade.
Doutrinas pentecostais clássicas como a preocupação escatológica e a glossolalia desaparecem deste contexto para dar lugar a este novo tipo de oralidade pentecostal. Em reação à pergunta 3 do relatório de entrevistas, ninguém falou de batismo no Espírito Santo ou nos dons que marcam o pentecostalismo, nem sobre a vinda de Jesus. Certamente pelo fato do pentecostalismo estar se acomodando às novas doutrinas do neopentecostalismo!?
As novas gerações não tiveram o mesmo ensino que as velhas gerações tiveram. O ensino foi substituído por hinos, por bandas, por estes instrumentos eletrônicos, e eventos, e foi diversificando isto, [...] foi cortando o tempo dedicado ao estudo. [Os pastores] não estavam preparados para levar o mesmo nível de ensino que os velhos pregadores missionários deram à igreja. A igreja tinha um nível de conhecimento bíblico alto, não só de conhecimento bíblico, como de conhecimento da história da igreja. [...]
Eles não escreviam a não ser os americanos [...], os suecos não escreviam nada, [...] mas J.P. Kolenda fazia essas apostilas e deixava, Virgil Smith deixava também suas apostilas [...]. A maior parte dos ensinos era oral, e o que nós fazíamos? Nós tínhamos cada um um caderno e anotava tudo, cada um, e anotava mesmo, e dali a gente criava nossos esboços, guardava nosso conteúdo para nós, é o que me ajuda até hoje.

Percebe-se assim a manutenção da oralidade pentecostal entre quase todas as camadas sociais. Uma pessoa analfabeta entrevistada referiu-se ao fenômeno da glossolalia assim: “Se não tem a língua estranha, ou a pessoa não está buscando. Porque a pessoa está fraca. [...] Eu gosto de sentir a presença de Deus, gosto de sentir”.


2.3.2 Letramento: afirmação e afastamento da oralidade pentecostal
Será que um maior acesso ao letramento, à cultura formal e a conseqüente elitização de algumas igrejas da Assembléia de Deus não acarretariam uma restrição de espaço à oralidade? Com isto não se perderiam os pobres, abandonando assim seu legado histórico de inclusão social?
Vê-se uma preocupação por parte de alguns líderes em promover o acesso à educação, prova esta atestada pelos cursos de alfabetização implantados em várias igrejas, a criação de cursos e seminários teológicos e a criação de faculdades mantidas por igrejas. Em décadas passadas muitas foram as pessoas que aprenderam a ler após terem contato com o pentecostalismo, pois ler e interpretar a Bíblia sempre foi critério de inclusão na igreja. Atualmente, porém, embora ainda haja analfabetos em menor porcentagem na sociedade, a Bíblia já não assume tanta importância quanto no passado. O letramento e a elitização têm levado as pessoas a, num certo sentido, abandonarem a leitura bíblica. Neste aspecto vê-se o distanciamento de uma interface entre oralidade e leitura bíblica, praticados no passado, na construção da teologia pentecostal em grande parte oral, porém abstendo-se daquela que sempre foi sua principal fonte: a Bíblia.
Há que se levantar a questão da elitização de algumas igrejas da Assembléia de Deus, que começam a abandonar formas emotivas de expressar sua religiosidade para abraçar formas mais racionais, porém em menor grau ainda se utilizam da oralidade, contrariamente ao que Hollenweger detectou:

Não somente pela lealdade à sua própria tradição mas também porque se trata da linguagem do pobre. Aqui a opção pentecostal se torna automaticamente política. Usando uma linguagem oral, expressam sua solidariedade com suas próprias raízes, com os pobres e perseguidos de seu país.

O progresso social experimentado por algumas igrejas pentecostais e a conversão de pessoas de classe média e alta passa a mudar, em certos círculos pentecostais, esta necessidade de expressão oral, tornando as reuniões de culto em cerimônias mais solenes, contemplativas e menos participativas. Neste sentido fala-se em “despentecostalização” do pentecostalismo. Esta realidade não se verifica em comunidades pobres. Eles (os pobres e menos estudados) “são mais usados por Deus do que aquelas pessoas que têm um curso teológico, que estão fazendo uma faculdade teológica”. Neste sentido, pratica-se uma elitização e exclusão de quem estuda teologia, atitude esta tomada da parte de quem não teve acesso à educação teológica formal.
Uma pessoa entrevistada que teve acesso a maior grau de estudos e melhor nível de vida econômico e um dos ensinadores da igreja disse: “Eu não sinto necessidade nenhuma de línguas estranhas. Parece meio paradoxal para quem é pentecostal”.
Os escritores e líderes, que editam os materiais escritos utilizados pela Assembléia de Deus no Brasil, negam qualquer relação histórica e atual do pentecostalismo assembleiano com a pobreza, pois este fato é considerado vergonhoso. Por este motivo, há uma preocupação, sendo até objeto de falas públicas, em alcançar pessoas bem estabelecidas socialmente, pois isto facilitaria a divulgação do evangelho e sua maior aceitação pela sociedade. Há um esforço consciente para elitizar o pentecostalismo. Certamente, este pensamento remonta às décadas iniciais do pentecostalismo quando este sofria perseguições, chacotas e zombarias e era rotulado como religião alienante para as massas pobres do país. Nega-se assim a origem do pentecostalismo e sua enorme contribuição para o ordenamento social de pessoas marginalizadas.


Conclusão
Percebe-se, que ao mesmo tempo em que as igrejas pentecostais crescem, especialmente a Assembléia de Deus, elas buscam manter, de um lado, uma linha doutrinária homogênea em alguns aspectos, como por exemplo, na questão dos dons. Por outro lado, pelo fato da oralidade não permitir a cristalização, há uma constante renovação de interpretações, o que facilita ao pentecostalismo corresponder às aspirações de seus membros. Certamente esta realidade faz com que cada vez mais o pentecostalismo clássico assimile valores de sua maior dissidência, o neopentecostalismo, visto que lhe falta, com algumas exceções, a cristalização de sua Teologia através da escrita.
Para continuar alcançando a população marginalizada em nosso país, que muitas vezes não encontra nas igrejas cristãs históricas o atrativo necessário para expressar sua religiosidade, o pentecostalismo deveria seguir enfatizando a reflexão teológica na oralidade, esforçando-se por articulá-la adequadamente com a escrita. Não pode perder seu foco de atuação enquanto passa por um processo de sistematização de suas teologias, práticas cúlticas e culturais, enquanto agrega pessoas com melhor nível cultural, propõe novos modelos de fé, enquanto se institucionaliza, e participa mais ativamente na política. Deve dar esperança onde há ausência de políticas públicas apropriadas, onde as igrejas cristãs tradicionais geralmente adotam modelos eclesiais engessados e não contextualizados com a complexa e multifacetada realidade social brasileira, onde um grande contingente de pessoas vive em situação de extrema precariedade existencial.
O crescimento da reflexão teológica escrita não representa risco ao pentecostalismo, desde que permaneça com caráter de igualdade com a oralidade ou saiba dialogar na mesma “linguagem”, sempre consciente de que a oralidade chegou primeiro. A passagem de uma reflexão teológica oral para uma reflexão teológica escrita, reforçaria um caráter de racionalidade em detrimento do caráter fortemente emocional da pregação pentecostal. Há ainda o perigo de a reflexão teológica escrita, quando baseada em linhas fundamentalistas, se fechar e não abrir espaço para a emotividade, ridicularizando-a e desprezando sua espontaneidade presente no pentecostalismo que valoriza mais a oralidade.
Tendo em vista a reflexão teológica oral e escrita, é possível pensar-se numa teologia pentecostal, visto que alguns estudiosos afirmam que não? McGee alega que o pentecostalismo tem uma “tradição teológica bem elaborada”. Já Bernardo Campos propõe uma “hermenéutica del Espíritu” em que se interpreta a realidade (experiência de vida) a partir de uma interpretação das Escrituras sob a luz da iluminação do Espírito Santo. Uma contribuição importante neste sentido é feita através da dissertação de mestrado de Reginaldo Leandro Plácido, em que o autor propõe uma teologia pentecostal do Espírito, comparando o pensamento de Paul Tillich com escritos teológicos elaborados no contexto da Assembléia de Deus.
A reflexão teológica pentecostal é baseada prioritariamente na fé em um Deus que se revela através de seu Espírito aos homens, fundado em uma experiência religiosa básica. Estes homens autodenominam-se “povo de Deus”, conforme Bernardo Campos. Assim a teologia pentecostal busca elaborar-se a partir da práxis religiosa, pois o Espírito se manifesta de forma concreta na vida do fiel pentecostal. “Através da oração. [...] Deus toca em teu coração, [proporcionando] aprendizado do Espírito que é o principal”. “Vou orar e normalmente o Espírito Santo me dá a explicação. [...] O Espírito Santo, se você deixar ele falar, ele te revela muitas coisas extraordinárias. [...] ‘Espírito Santo, e agora?’ [...] ‘Eu não entendi isso aqui’. [...] aquela resposta me vem quando uma criança, quando um moço, numa conversa simples, num aconselhamento”. “Fico pensando e pedindo para Deus ajudar. [...] até que uma hora Deus ajuda e a gente entende”.
Para falar de Deus (teologia oral) o crente pentecostal primeiro vivencia uma experiência de fé (teologia prática). Em seguida, a práxis pentecostal se transformará em prática testemunhal verbalizada (oralizada) no encontro com o outro. Assim a reflexão partirá da experiência do indivíduo para o compartilhar desta experiência com o outro, para assim poder repartir oralmente o que se recebeu, estabelecendo a difusão do aprendizado adquirido. Só num estágio mais avançado poderá se tornar numa pregação ou num cântico. A última instância, bem mais difícil, será a transformação de toda esta bagagem em reflexão escrita, geralmente num caráter mais homilético, ou seja, como se estivesse pregando. Na maioria das vezes, somente acadêmicos especialmente treinados estão potencialmente em condições de estabelecer outro caminho, ou mesmo o inverso, mas ao assim fazerem, correm o risco de perder o caminho do encontro com pessoas destituídas da capacidade ou dos meios para uma reflexão teológica formal.
Além da característica oral e emocional da teologia pentecostal, ela tem caráter experiencial, ou seja, é construída através de experiências pessoais próprias e de outrem, sendo passadas adiante em forma de testemunho oral em suas várias formas. Esta é a forma racional de explicar a fé, tornando-se assim sua teologia, embora paradoxalmente, através das emoções. É assim que o pentecostal vai aprendendo e apreendendo seus conteúdos vivenciais, sempre na circularidade entre a experiência manifesta em uma revelação (profecia ou visão) ou um fato da vida (que se transforma em história oral), em seguida é expressa a alguém ou à comunidade de forma oral (testemunho ou cântico), e no falar à comunidade se torna doutrina, que de novo se renova na revelação. Nesta circularidade se forma a teologia pentecostal. Entretanto sempre alinhada com a hermenêutica pentecostal da Bíblia.
Pode-se chamar isto de teologia oral pentecostal, pois Bernardo Campos diz que:

La teologia es el lenguaje de la religión, en tanto que la religión es el lenguage de la cultura; no hay cultura sin religión, como no hay teologia sin religión. De igual forma, la teologia es la cultura puesta em lenguage religioso.

Tem-se assim que a teologia pentecostal é corroborada pela experiência, tendo como ponto de referência a doutrina do Espírito Santo, que,

mediante a fé e a obediência, passa a ser uma ‘realidade da experiência’ baseada na Bíblia, como eficácia na vida diária, ao invés de uma teologia que não passa de mero motivo de discussão.

Certamente pode-se enquadrar este modo de fazer teologia, praticada no pentecostalismo, como teologia narrativa. Jesus utilizou-se quase que exclusivamente deste meio em seus ensinos.
A teologia pentecostal tem dificuldade em se tornar sistemática, pois é baseada na experiência e na oralidade, e dificilmente uma experiência e uma fala serão sistematizadas. Uma mente unicamente racional não compreenderá isto, pois existe diferença entre teologia racional e teologia do Espírito, embora ambas tratem do mesmo objeto. Rudolf Otto entende que a sistematização e a escolástica achatam o processo religioso básico e o expulsam da vivência humana, extinguindo o numinoso. Desta forma a oralidade, através de palavras glossolálicas e outras expressões orais, expressa (manifesta experiencialmente) o numinoso no pentecostalismo.
NOTAS:
[1] Sobre o autor, veja acima.
[2] Além da cultura oral e da cultura escrita, uma terceira surge no século XX com a midiatização. Trata-se da cultura áudio-visual, porém esta, embora também presente em novas formas de pentecostalismo, como no (pseudo) neopentecostalismo, não será abordada neste artigo. Esta cultura tende a substituir as outras duas no sentido de apelar para a beleza das imagens e dos sons, ressignificando as anteriores e em muitos momentos prescindindo e desprezando a cultura escrita.
[3] Daqui por diante tratar-se-á esta denominação como Assembléia de Deus.
[4 ]OLSON, David R.; TORRANCE, Nacy (Orgs.). Cultura escrita e oralidade. São Paulo: Ática, 1995,     p. 17.
[5] ONG, Walter J. Oralidade e cultura escrita: a tecnologização da palavra. Campinas: Papirus, 1998. p. 16.
[6] OLSON; TORRANCE (Orgs.), 1995, p. 27-28, 36.
[7] A ESCRITA. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/projetos/digital/aescrita.html. Acesso em: 30 dez 2006.
[8] BURKE, 2002, p. 139-140.
[9] A ESCRITA. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/projetos/digital/aescrita.html. Acesso em: 30 dez 2006.
[10] ILVA, Acildo Leite da. Memória, tradição oral e a afirmação da identidade étnica. Disponível em: http://www.lpp-uerj.net/olped/documentos/0760.pdf. Acesso em: 30 dez 2006.
[11] BURKE, 2002, p. 140-141.
[12] MENDONÇA, Antônio Gouvêa; VELASQUES FILHO, Prócoro. Introdução ao protestantismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1990. p. 240.
[13] HOLLENWEGER, Walter J. El pentecostalismo: historia y doctrinas. Buenos Aires: La Aurora, 1976. p. 23.
[14] HOLLENWEGER, 1976. p. 26-27.
[15] OLSON; TORRANCE, 1995, p. 27
[16] CAMPOS, Bernardo. Da reforma protestante à pentecostalidade da Igreja. Sinodal/CLAI, 2002. p. 146. “[...] subestimação ignorante da riqueza da cultura popular e uma superestimação etnocêntrica.“ [Tradução própria]
[17] CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e mercado: Organização e Marketing de um Empreendimento Neopentecostal. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Simpósio e Umesp, 1999. p. 310.
[18] ONG, 1998, p. 45-46.
[19] LOPES, José de Sousa Miguel. Cultura acústica e letramento em Moçambique: em busca de fundamentos para uma educação intercultural. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97021999000100006&lng=pt&nrm=iso#1. Acesso em: 03 nov. 2007.
[20] CAMPOS, 2002, p. 132.
[21] ONG, 1998, p. 20, 91.
[22] HOLLENWEGER, 1976, p. 21. “Onde quer que os pentecostais atuem, seja em ambientes sociais pré ou pós-literários, não se utilizam formas lógico-sistemáticas de comunicação, mas a comparação e a associação. Os métodos usados não são somente livros e revistas, mas também provérbios, músicas, anedotas, notas, histórias milagrosas e programas de rádio e de televisão.” [tradução própria]
[23] CESAR; SCHAULL, 1999, p. 67, 72.
[24] MCGEE, Gary B. Paranorama Histórico. In: HORTON, Stanley M. (ed.). Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal. 3. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. p. 21-22. As demais características listadas pelo autor são: a experiência pessoal, a espontaneidade, o repúdio ao mundanismo e a autoridade das Escrituras.
[25] JOSUTTIS, Manfred. Prática do evangelho entre política e religião: problemas básicos da teologia prática. São Leopoldo: Sinodal, 1979. p. 56.
[26] JOSUTTIS, 1979, p. 55. Quando Josuttis se refere a boato/boataria quer dizer que o “processo da transmissão de informações e normas, da formação de opinião e mudança de opinião, ocorre também em veículos não institucionalizados e, conseqüentemente difíceis de serem controlados e observados.” Certamente a tradução correta para o português seria “conversação” ou uma palavra similar.
[27] JOSUTTIS, 1979, p. 66.
[28] JOSUTTIS, 1979, p. 114
[29] Entrevista 5, pergunta 14.
[30] Entrevistas 5 e 7, pergunta 13.
[31] SANTOS, Lyndon de Araújo. Protestantismo e pentecostalismo no Maranhão – séc. XIX e XX. Disponível em: http://bmgil.tripod.com/sla32.html. Acesso em: 25 set. 2007.
[32] Entrevista 12, pergunta 20.
[33] Entrevista 5, pergunta 16.
[34] Entrevista 14, pergunta única. Não se preservou a íntegra desta entrevista
[35] Conforme lista não exaustiva utilizada pelos pentecostais que se encontra em 1 Co 12.8-10.
[36] O termo glossolalia (ou heteroglossolalia – para mais de um língua) provém de dois vocábulos gregos: glóssa e laliá, cujo sentido literal é falar em línguas ou ainda falar em palavras estrangeiras. Este fenômeno ocorre entre os pentecostais, sendo entendido como um dom ou manifestação do Espírito Santo na vida do crente. A linguagem glossolálica é considerada analogamente a uma comunicação não lingüística que acontece em rituais religiosos. A glossolalia pode ser considerada uma linguagem porque é realizada com os órgãos vocais e tem finalidade de comunicar um conteúdo interior. É como a expressão mais íntima do próprio eu, embora seja uma linguagem pré-racional ou pré-conceitual. O glossólalo tem clara consciência de que está se comunicando com Deus. SOUZA, José Zacarias de. “O sinal de Deus”: a experiência de glossolalia em carismáticos católicos e as transformações identitárias. 2006. 100 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade São Marcos, São Paulo. p. 49-50.

Estas línguas podem também ser chamadas de xenolalia (ou xenoglossolalia) em que o indivíduo aprende a falar milagrosamente um idioma de outro país ou cultura com o propósito de evangelizar. Era freqüentemente praticado entre os irmãos morávios por ocasião de seu fervor missionário em outros países. A mais usual entre os pentecostais, é a glossolalia já definida acima, em que o indivíduo fala uma língua também desconhecida, porém, geralmente sem qualquer vinculação com um idioma de outro país ou cultura e que se destina ao que se chama de “edificação pessoal”, ou seja, serve apenas para o próprio indivíduo se identificar como tendo recebido o batismo no Espírito Santo e através disto receber “poder”.
Outros termos empregados para semelhanças deste fenômeno são: akolalia (compreender um idioma desconhecido); echolalia (repetição inquietante das palavras ditas por outra pessoa); ermenoglossia (interpretação de línguas). ARAUJO, 2007, p. 331-332.

[37] BOBSIN, Oneide. Produção religiosa e significação social do pentecostalismo a partir de sua prática e representação. Tese de mestrado, PUC, São Paulo. Apud: MARIZ, Cecília Loreto. Pentecostalismo e a luta contra a pobreza no Brasil. In: CAMPOS, Leonildo Silveira; GUTIERREZ, Benjamim, (Ed.). Na força do espírito – os pentecostais na América Latina: um desafio às igrejas históricas. Trad. Júlio Zabetiero. São Paulo: Pendão Real, 1996. p. 175.
[38] Entrevista 3, pergunta 16.
[39] Entrevista 7, pergunta 16.
[40] CAMPOS, 2002, p. 148.
[41] “[...] uma maximização das faculdades psico-lingüísticas adormecidas que todos possuem”. CAMPOS, 2002, p. 135.
[42] CAMPOS; GUTIERREZ, 1996, p. 100.
[43] Entrevista 9, pergunta 16.
[44] Entrevista 10, pergunta 16.
[45] Entrevista 4, pergunta 16.
[46] Entrevista 8, pergunta 16.
[47] Entrevista 4, pergunta 16.
[48] Entrevista 5, pergunta 16.
[49] PINTO, Tiago de Oliveira. Som e música. Questões de uma antropologia sonora. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77012001000100007&lng=pt&nrm=iso#top1. Acesso em: 26 nov. 2007.
[50] Entrevista 12, pergunta 9.
[51] Quando se fala em “dança” no pentecostalismo, não se trata de uma dança planejada, mas a que vem do “Espírito”, pois a planejada seria imprópria para alguns. Esta “dança” pode ser expressa no chacoalhar do corpo, andar cambaleante pelo meio do templo, fazer gestos desconexos, etc. Algumas igrejas mais contemporâneas já admitem a dança planejada, mas paradoxalmente não expressa a mesma alegria da “dança no Espírito”. Este mesmo entendimento também é válido, em comunidades mais conservadoras, para o bater palmas, entendido por alguns, quando feito fora do “Espírito”, como errado, pois Deus não deve ser aplaudido na “carne” mas no “Espírito”.
[52] Entrevista 1, pergunta 9.
[53] Entrevista 4, pergunta 9.
[54] Entrevista 8, pergunta 9.
[55] Entrevista 10, pergunta 9.
[56] Entrevista 13, pergunta 9.
[57] GILBERTO, Antonio. Ação do Espírito Santo na igreja. Revista Pentecostes, Rio de Janeiro, n. 2, agosto 1999, p. 15.
[58] ARISTÓTELES. Apud: WARREN, Rick. Uma igreja com propósitos. São Paulo: Vida, 1997. p. 338.
[59] PLATÃO. A república. São Paulo: Martin Claret, 2008. p. 94.
[60] EGAN, K. Literacy and the oral foundations of education. Harvard Educational Review, v.57, n.4, p. 445-472, nov.1987. Apud: GALVÃO, Ana Maria de Oliveira; BATISTA, Antônio Augusto Gomes. Oralidade e escrita: uma revisão. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-15742006000200007&script=sci_arttext&tlng=en. Acesso em: 30 dez 2006.
[61] Entrevista 6, pergunta 10.
[62] “Tem de ser um hino mais da Harpa. [...] dá inspiração para a gente.” Entrevista 9, pergunta 9.
[63] Entrevista 11, pergunta 9.
[64] HARPA CRISTÃ. 51ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
[65] Entrevista 5, pergunta 9.
[66 ]Entrevista 7, pergunta 9.
[67] Entrevista 8, pergunta 9.
[68] Entrevista 1, pergunta 9.
[69] Entrevista 3, pergunta 9.
[70] Entrevista 4, pergunta 9.
[71] Entrevista 13, pergunta 9.
[72] Esta frase é geralmente dita antes de se ouvir a pregação no culto, pelos introdutores do pregador.
[73] CAMPOS, 1999, p. 300.
[74] BONINO, José Míguez. Rostos do protestantismo latino-americano. São Leopoldo: Sinodal, 2003.  p. 68. O fundamentalismo pentecostal é diferente do fundamentalismo praticado pelas igrejas históricas. Pois no pentecostalismo, ao mesmo tempo que a Bíblia assume função normatizadora única da fé, ela é abandonada quando do discurso oral que se sobrepõe e contradiz em alguns pontos a Bíblia. Se torna assim um fundamentalismo simbólico.
[75] FELICIANO, Marco. Pregação sem título. Joinville: gravação pessoal, 2007. (1h33m20s)
[76] BLANCHE-BENVENISTE, Claire. Estudios linguísticos sobre la relación entre oralidad y escritura. Barcelona: Gedisa, 1998. p. 51.
[77] ONG, 1998, p. 50.
[78] VANOYE, 1987, p. 48.
[79] CESAR; SCHAULL, 1999, p. 72.
[80] PASSOS, João Décio. Teogonias urbanas: os pentecostais na passagem do rural ao urbano. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392000000400014#back7. Acesso em: 02 nov. 2007.
[81] FELICIANO, Marco. Pregação sem título. Joinville: gravação pessoal, 2007. (1h33m20s)
[82] FELICIANO, Marco. Pregação sem título. Joinville: gravação pessoal, 2007. (1h33m20s)
[83] MENDONÇA, 1990, p. 198.
[84] Na pergunta da entrevista: “Você acha que os irmãos preferem aprender o que ensina a Bíblia lendo-a ou ouvindo sua pregação?” Todos os entrevistados responderam que se prefere ouvir a ler.
[85] Como exemplo cita-se: “borrachices” (1Pe 4.3); “imarcescível” (1Pe 5.4); “poucochinho” (Hb 10.37); “beneplácito” (Ef 1.5); “varão” (Mc 6.20); “mancebo” (At 7.58); “côvado” (Mt 6.27); “alparca” (Mc 6.9); “azorrague” (Jo 2.15); “compungir” (At 2.37); “inefável” (2Co 9.15); “outeiro” (Ex 17.9); “ósculo” (1Ts 5.26); “orla” (Mt 14.36); “padejar” (Is 46.16); “esquife” (Lc 7.14); “rixosa” (Pv 21.19); “ditosa” (Gn 15.15); “gozar” (Ec 5.19); “vitupério” (Hb 11.26); etc.
[86] CAMPOS, 1999, p. 311-312.
[87] LEANDRO, Jairo Roberto. Os valores cristãos e a história oral no cotidiano da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. 2006. 41 fl. Monografia, Faculdade Teológica Refidim, Joinville (SC). p. 30, 35. A pesquisa de campo efetuada pelo autor entrevistou 104 (cento e quatro) fiéis, de um total de 241 (duzentos e quarenta e um) membros, da congregação Ulisses Guimarães da Assembléia de Deus em Joinville (SC). A pergunta respondida pelos entrevistados foi: “Você já leu a Bíblia?” Esta pesquisa certamente requer maior rigor científico, porém, demonstra o que já se havia constatado empiricamente.
[88] Entrevista 12, pergunta 11.
[89] Entrevista 4, pergunta 11.
[90] Entrevista 6 pergunta 11.
[91] Grifo do autor, pois percebeu-se uma ênfase legalista e ao mesmo tempo mágica.
[92] Entrevista 10, pergunta 11.
[93] Entrevista 9 pergunta 11.
[94] Entrevista 2, pergunta 12.
[95] Entrevista 2, pergunta 17.
[96] Entrevista 1, pergunta 19.
[97]  Entrevista 1, pergunta 15.
[98] Em todas as Assembléias de Deus no Brasil, acontece aos domingos pela manhã a Escola Bíblia Dominical (EBD), utilizando-se uma revista de conteúdo bíblico-teológico, dividida em várias faixas etárias e escrita por pessoas criteriosamente escolhidas, que transmitam de forma uniformizada a teologia pentecostal. Em 2007 estão sendo produzidas 2,3 milhões de revistas da EBD por trimestre (Fonte: CPAD. Relatório 2007. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 07.). Seu uso é de consenso nacional, com raras exceções. A revista é produzida pela CPAD – Casa Publicadora das Assembléia de Deus (órgão vinculado administrativa e ministerialmente à Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil). Uma das missões da CPAD é “educar a sociedade através da Escola Dominical, pois o objetivo primevo desta é evangelizar enquanto ensina.” (Fonte: CPAD. Relatório 2007. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 11.)
[99] CPAD. Relatório 2007. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p. 16.
[100] Esta expressão foi oficialmente utilizada pela primeira vez na Assembléia de Deus na convenção geral de 1948 e foi verbalizada pelo Pr. Francisco Pereira. CPAD. História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p. 254.
[101] GOMES, Francisco Assis. Que significa instituto bíblico. In: A Seara. Rio de Janeiro: CPAD, 1962. n. 28, set. e out. 1962. p. 07.
[102] GOMES, Francisco Assis. Que significa instituto bíblico. In: A Seara. Rio de Janeiro: CPAD, 1962. n. 28, set. e out. 1962. p. 45.
[103] GOMES, Francisco Assis. Que significa instituto bíblico. In: A Seara. Rio de Janeiro: CPAD, 1962. n. 28, set. e out. 1962. p. 45.
[104] MCGEE, Gary B. Paranorama Histórico. In: HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia sistemática. Uma perspectiva pentecostal. 3. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1997. p. 22.
[105] [?]. Templos. Boa Semente. Belém: janeiro 1929, ano XI, n. 92, p. 3.
[106] Este jornal era editado pela Assembléia de Deus de Belém (PA) até o ano de 1930, quando foi substituído, juntamente com o Som Alegre editado no Rio de Janeiro, pelo Mensageiro da Paz.
[107] O autor está ironizando e se referindo na verdade a Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo (Umbuzeiro, 4 de outubro de 1892 — São Paulo, 4 de abril de 1968) foi um jornalista, empreendedor, mecenas e político brasileiro. Era mais conhecido por Assis Chateaubriand ou por Chatô. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_Chateaubriand. Acesso em: 27 fev. 2008.
[108] CPAD, 2004, p. 252-254.
[109] CPAD, 2004, p. 380-381.
[110] Esta troca de centralidade da adoração a Deus, onde o adorador assume a posição de dependente da graça divina, para a centralidade nas necessidades materiais, em que o crente passa a depender do que Deus dá, é analisado pelo autor em: POMMERENING, Claiton Ivan. O poder da pregação cristã – uma analogia entre o evangelho cristocêntrico e o antropocêntrico. 2004. 68 p. Monografia (Especialização em Teologia e Bíblia) – Faculdade Luterana de Teologia.
[111] SOUZA, Alexandre Carneiro de. Pentecostalismo: de onde vem, para onde vai? Viçosa (MG): Ultimato, 2004. p. 77.
[112] CESAR; SCHAULL, 1999, p. 74.
[113] “Qual o ensino mais importante que você aprendeu até hoje na igreja? Porque?”
[114] Entrevista 13, pergunta 2.
[115] Entrevista 9, pergunta 19.
[116] HOLLENWEGER, 1976, p. 205.
[117] 
BOBSIN, Oneide. ALTMANN, Walter e Lori, (Ed.). Globalização e religião: desafios à fé. [S.I.]: CLAI, 2000, p. 23.
[118] Entrevista 3, pergunta 22.
[119] Entrevista 13, pergunta 16.
[120] MCGEE, Gary B. Panorama histórico. In: HORTON, 1996, p.11.
[121] CAMPOS, Bernardo. El post pentecostalismo: renovación del liderazgo y hermenéutica del Espíritu. Disponível em: http://www.pctii.org/cyberj/cyberj13/bernado.html#_Toc57341950. Acesso em: 17 jan. 2008.
[122] Trabalho em fase de conclusão na Escola Superior de Teologia.
[123] CAMPOS, 2002, p. 124.
[124] CAMPOS, 2002, p. 126.
[125] Entrevista 3, pergunta 8.
[126] Entrevista 13, perguntas 14, 8 e 15.
[127] Entrevista 9, pergunta 13.
[128] CAMPOS, 2002, p. 128.
[129] CAMPOS, 2002, p. 136-137.
[130] CAMPOS, 2002, p. 130. “A teologia é a linguagem da religião, entretanto a religião é a linguagem da cultura; não há cultura sem religião, como não há teologia sem religião. De igual forma, a teologia é a cultura posta em linguagem religiosa.”
[131] RAILEY, James H.; AKER, Benny C. Fundamentos teológicos. In: HORTON, 1996, p. 62.
[132] Utiliza a pessoa humana como contador de histórias para levar à reflexão e à assimilação. GRENZ, Stanley J.; GURETZKI, David; NORDLING, Cherith Fee. Dicionário de teologia. São Paulo: Vida, 2000. p. 129. Esta teologia substitui a lógica do raciocínio sistêmico pela linguagem própria da narração. Não pode ser confundida com teologia apofática em que Deus só pode ser conhecido através da experiência espiritual, prescindindo da razão.

REFERÊNCIAS:


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Um comentário:

Anônimo disse...

Prezado pesquisador,

Realizo pesquisas há alguns anos sobre os pentecostais da Assembleia de Deus e a relação deles com a cultura escrita e a oralidade. Li seu artigo. O Sr não cita nenhum dos trabalhos (capítulo de livro publicado em 2007, trabalhos em anais publicados entre 2004-2009, dissertação de metrado defendida em 2010) que realizei em co-autoria com a Professora Ana Maria de Oliveira Galvão, minha orientadora.
O Sr cita publicações dela, mas em nenhum momento menciona algum trabalho produzido por nós duas. Não me atrevo a julgar o porquê do Sr não ter mencionada nossos trabalhos (de 2004 a 2010) que tratam de tema bastante similar ao que o Sr vem realizando como tese de doutorado em Teologia.
Não sei quais foram seus critérios,
cabe ao Sr refletir sobre eles.

Cordialmente,

Sandra Batista de A. Silva