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domingo, 21 de julho de 2013

Neymar, o dízimo e o mercantilismo divino!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

O gafanhoto devorador?
Um determinado blog pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) divulga com entusiamo um trecho de uma entrevista dada pelo jogador Neymar à jornalista Marília Gabriela. Nessa conversa, Neymar diz que é dizimista desde criança e que, ainda hoje, contribui com a igreja. O blogueiro escreve sobre isso como “prova incontestável de que quem devolve o dízimo a Deus não perde e sim ganha (sic)!”

Bom, tal post seria somente mais uma peça ridícula da seita macediana se não fosse o sucesso desse “testemunho”. Eu vi, inclusive, vários assembleianos compartilhando o referido post

Vejamos:

1. Não aprendemos nada com Mateus 23.23? O dízimo passou a ser visto como uma contribuição supersticiosa. É uma oferenda dada em agradecimento a Deus e para garantir ainda mais prosperidade. Alguns usam o dízimo. Outros utilizam “pés de coelho”. Outros ainda usam um trevo de quatro folhas. Assim, você nem precisa ser um cristão praticante, pois o seu único compromisso é com o dízimo. 

2. O debate se o dízimo continua ou não na Nova Aliança é desnecessário. O importante é entender que o dízimo, mesmo se praticado, não pode ter na Antiga Aliança um modelo para a Igreja Cristã. A realidade é outra. O modelo é outro. Hoje não há o ministério levítico e a ordem sacerdotal. Não há uma cultura agrícola e pastoril. Não há a figura de autoridade humana na chancela divina. Há um princípio de descontinuidade e continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Todo o nosso respeito à religião judaica, mas somos cristãos e não judeus. Portanto, todo mundo que fala em devorador como um "espírito demoníaco" deveria ficar internado em uma faculdade de hermenêutica por dois anos.

3. Deus não se apresenta- nem mesmo no Antigo Testamento- como um deus mercantilista (nunca leram o Livro de Jó?). A relação da Aliança como troca (cf. Deuteronômio 28) é algo exclusivo à nação de Israel, mas não ao indivíduo por si ou à Igreja Cristã neotestamentária. 

Portanto, fico muito triste quando vejo pentecostais históricos divulgando falácias do neopentecostalismo enriquecido do Edir Macedo. É necessário mais respeito à Bíblia e aos princípios de interpretação de um texto antigo, mas divino.

8 comentários:

Gilmar Valverde disse...

Prezado Gutierres,

Excelente artigo (como sempre).

Já que você separou a prática do dízimo no AT do NT, pergunto se você acha que o cristão dizimista deve, obrigatoriamente, dar o dízimo na igreja que ele frequenta. Parece-me que essa forma de dizimar foi retirada de um texto do AT.

Pergunto isso porque não gosto da forma como a minha igreja administra os dízimos e ofertas que têm recebido e, por isso, gostaria de dizimar e ofertar em outros lugares, como em trabalhos missionários (sem nenhum vínculo com a minha igreja), por exemplo.

Um abraço,

Gilmar

Izabel disse...


Olha essa questão do dízimo, das relações de barganha (mesmo que veladas) que a maioria dos cristãos/igrejas tem, tem sido motivo de inquietação para mim.
Vejo claramente que até mesmo congregações bem intencionadas ainda mantem uma relação super estranha com o dízimo.
Sigo dizimando e tentando manter o foco no Senhor Jesus, e dizimando sobretudo como uma forma de não me manter excessivamente apegada ao dinheiro e consciente de que ele pode ser nocivo para minha alma se eu não souber lidar como ele, mas longe sempre longe de pensar que Deus vai me abençoar mais ou menos em função disto.

Célio de Castro disse...

Outro dia vi um veículo novo rodando pelas estradas de Goiás com um adesivo que dizia: "Resultado de Malaquias 3:10". Acontece que é uma questão estrutural esse pensamento puramente comercial a respeito do dízimo. São poucos cristãos que tem uma consciência de gratidão a respeito do contribuir, e esses são saudáveis, mas a grande maioria prefere se basear puramente na tal "lei da recompensa de Deus" para dizimar. Não vejo problema com uma tomada de consciência do verdadeiro significado do dízimo para nós, porém o medo da baixa arrecadação por parte de certos líderes é a causa de um discurso aterrorizante com base em Malaquias. Enfim, um medo que produz medo.

Gutierres Siqueira disse...

Gilmar, a paz!

Biblicamente falando não vejo nenhum problema. Alguns dizem que nós não podemos administrar o destino das ofertas e dízimos, mas isso carece de base, pois o destino é importantíssimo e a igreja que desvia os valores para vaidades humanas não merece receber um real de oferta. Agora, é importante pensar se vale a pena congregar em uma comunidade onde não se confia o destino do dinheiro. Infelizmente, a vida do evangélico brasileiro não está fácil.

Anônimo disse...

Caro Gutierres você foi muito preciso no assunto. Por ser um tema palpitante, aproveito o gancho para acrescentar que os beneficiários impróprios, estruturaram uma forma de arrecadação em cima de versículos isolados, descontextualizados e mal interpretados, de maneira tal que aliena os fiéis ao administrarem as finanças com mão de ferro e total intransparência. Esta é a amedrontadora "doutrina do dízimo" apresentada nas EBDs, Cultos de doutrina e antes dos "recolhímentos das ofertas". Que a nossa Doutrina Assembleiana esteja unicamente sob o SUPREMO INTERESSE DE DEUS e não de alguns pastores. Abraços, ROBERTO

Jess disse...

Amigo seu texto foi muito sensato, embora eu discorde de um ponto, temos sim que "discutir" sobre o dizimo na nova aliança, de todo o resto, fica uma questao para você irmão, tem certeza que você é pentecostal? porque não parece, e isso foi um elogio viu? Beijos e paz!

Valdemir Pires. disse...



E que me adianta ganhar o mundo inteiro e perder a minha alma. Mesmo ainda sendo eu um dizimista.

Anônimo disse...

Do que adianta o dízimo ou oferta de quem não leva uma vida de santidade?

Basta um famoso postar um "tristemunho",que logo as Igrejas começam a fazer alardes.A verdade é que na maioria das vezes não são conversões genuínas.