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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A reação arminiana

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A última década foi marcada pelo avanço do calvinismo no Brasil. Tal fato se deu, principalmente, pelos blogs e editoras temáticas. O pioneiro blog O Temporas O Mores, por exemplo, ajudou a popularizar a cosmovisão calvinista. De tão popular, os posts foram publicados duas vezes em formato de livro pela editora Mundo Cristão. Editoras como Cultura Cristã e Fiel cresceram em influência e a própria CPAD, órgão confessional das Assembleias de Deus, passou a publicar nomes como Piper, Carson, MacArthur, Driscoll, Keller, Packer, Pearcey etc.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, ganhava força o chamado neocalvinismo. Era o  velho calvinismo com linguagem acessível, sem cessacionismo, sem fundamentalismo, envolvido criticamente na cultura pós-moderna e sempre atento às plataformas tecnológicas. O neocalvinismo vem sendo uma rica experiência entre a rígida tradição e a flexível linguagem pós-moderna. Apesar da popularidade dos autores neocalvinistas no Brasil, ainda é raro achar uma congregação nesses moldes por aqui. Neste país ainda impera o velho calvinismo.

E os arminianos? Ora, arminianos dificilmente são militantes. Isso é um ponto positivo, pois raramente você achará um arminiano que resuma a sua vida por essa corrente doutrinária. Em compensação haverá uma maior ignorância sobre essa mesma doutrina. Enquanto um teólogo calvinista fala da Soberania de Deus a cada cinco minutos, os seguidores de Armínio ficam quietos e crescem na inércia de uma doutrina mais fácil de ser compreendida. Mas o cenário parece ensaiar uma pequena mudança.

Há alguns anos o site Arminianismo.com vem empenhado em trazer mais conhecimento sobre essa corrente doutrinária. É visível nas redes sociais o crescimento de pentecostais, metodistas e até alguns batistas pelo aprofundamento nessa matéria. Recentemente a Editora Reflexão publicou o livro Teologia Arminiana: Mitos e Realidades do teólogo norte-americano Roger E. Olson. Parece que os arminianos começaram a reagir sobre o avanço calvinista.

Tudo isso é muito bom. A tensão entre calvinismo e arminianismo tende a trazer uma teologia mais equilibrada em nossa terra. Sem o determinismo arrogante e fatalista do  hipercalvinismo e nem o deus sem divindade do hiperarminianismo. Se você acha estranho ouvir que Deus não conhece o futuro na boca de um teísta aberto (eu também fico espantado), igualmente repulsivo é ouvir a blasfema ideia que Deus seja o autor do pecado. Portanto, vamos deixar os extremos para os fanáticos militantes. Certamente que o caminho mais saudável passa pelo equilíbrio, pois Deus não é nem limitado e nem um déspota fatalista.

Eu saúdo a reação arminiana assim como o avanço do neocalvinismo. Que Deus seja louvado.

8 comentários:

Leonardo Mazzo disse...

Leonardo Henrique Mazzo:

"Ora, arminianos dificilmente são militantes. Isso é um ponto positivo, pois raramente você achará um arminiano que resuma a sua vida por essa corrente doutrinária. Em compensação haverá uma maior ignorância sobre essa mesma doutrina. Enquanto um teólogo calvinista fala da Soberania de Deus a cada cinco minutos, os seguidores de Armínio ficam quietos e crescem na inércia de uma doutrina mais fácil de ser compreendida."

Tá fácil, em?
Com o avanço do calvinismo, os arminianos vem se tornando cada vez mais militantes. Antes, quando arminiano, achava que os calvinistas que eram os militantes. Depois de crer nas doutrinas da graça, pude perceber como os arminianos criados aos moldes de sites como o "arminianismo.com" são militantes!

Outro ponto é: uma doutrina que é facilmente compreendida?
O arminianismo é cheio de malabarismo filosófico! Para entender o calvinismo basta ler o texto bíblico, direto e claro! Sem malabarismo.
O arminianismo para entender tem que fazer um curso de filosofia, pois, isso é a base do arminianismo: o raciocínio da razão humana. Mas, se formos, como disse Lutero, elevar a razão para ser algo que ela NÃO PODE ser, ela acabará por virar uma inimiga de Deus. A verdadeira lógica humana é submissa a revelação.
A razão humana é tão falha que já vi muitos "filósofos" super intelectuais se 'desconverterem' do protestantismo para o catolicismo romano, e a maioria nega as doutrinas confessadas por toda a história da Igreja.
Portanto, nossa razão não pode construir doutrina. Imagina a natureza de Cristo, a Trindade, entre outras, formuladas pela razão? Estaríamos com certeza na heresia!

Abraços,

Jeziel Marinho disse...

Mais um ótimo artigo. Que nosso Deus continue te dando graça para ser um instrumento de glorificação do seu Nome. Alguém disse uma vez: Todo crente é um calvinista quando, de joelhos, ora a Deus e ao levantar para pregar é um arminiano.

Anônimo disse...

Vou até fazer o favor de comentar, lendo este tipo de besteira acima...

Antes, quando arminiano, achava que os calvinistas que eram os militantes.

E continuam sendo. Basta ver o teor de seus blogs por aí. E basta mais ainda ver o total de desinformação que eles espalham contra o arminianismo. O Frank Brito mesmo consegue confundir um ESPANTALHO de INCLUSIVISMO com o arminianismo! Mal sabe ele que muita da besteira que ele escreveu ali era facilmente refutada por Lutero e Zwinglio...

Mais que militância, uma péssima apologética...

Depois de crer nas doutrinas da graça,

Ou naquilo que você acha que é a doutrina da graça. Ah é, tem que deixar a massa cinzenta de fora ao 'estudar' o calvinismo, ops, o 'evangelho puro'...

pude perceber como os arminianos criados aos moldes de sites como o "arminianismo.com" são militantes!

Você mal deve conhecer o arminianismo.com. O Paulo Cesar é basicamente um tradutor de artigos estrangeiros, não um militante enlouquecido. Pelo contrário, ele e o Clovis mesmo se dão superbem, e são igualmente "militantes" de suas teologias. Você só pode estar falando isto por ser... um militante!

Outro ponto é: uma doutrina que é facilmente compreendida?
O arminianismo é cheio de malabarismo filosófico! Para entender o calvinismo basta ler o texto bíblico, direto e claro! Sem malabarismo.


Isto é falso até para o calvinismo! Basta ver o malabarismo que eles fazem em Mateus 23:37.

Aliás, que calvinismo? O infra ou o supra? O de 4 ou o de 7 pontos? O compatibilista ou o determinista? O ocasionalista ou o não-ocasionalista?

Mais uma coisa: que padrão você usa para dizer o que é ou não malabarismo? A SUA opinião iluminada pelas supostas doutrinas da graça?

O arminianismo para entender tem que fazer um curso de filosofia, pois, isso é a base do arminianismo: o raciocínio da razão humana. Mas, se formos, como disse Lutero, elevar a razão para ser algo que ela NÃO PODE ser, ela acabará por virar uma inimiga de Deus. A verdadeira lógica humana é submissa a revelação.

Nominalista agora? Que coisa, não? Uma filosofia 'puramente humana', sem muita base bíblica (exceto o 'truísmo da soberania', como diria o católico Chesterton), sendo usada para defender uma teologia... Gostei disso!

A razão humana é tão falha que já vi muitos "filósofos" super intelectuais se 'desconverterem' do protestantismo para o catolicismo romano, e a maioria nega as doutrinas confessadas por toda a história da Igreja.

Como, por exemplo, o pelagianismo embutido na Confissão de Fé de Westminster? Senta lá, Claudia. Ah é, como todo bom calvinista, você vai dizer algo como 'Westminster não me representa'.

Aliás, o seu argumento acima é racional?

Portanto, nossa razão não pode construir doutrina.

Então sua opção é o irracionalismo? Alguma espécie de doutrina kierkegaardiana/fideísta?

<>

Que coisa, não? São justamente calvinistas que tentam enquadrar estas coisas em sua 'teologia não-filosófica'...

E como todo bom calvinista, você confunde IRRACIONAL com SUPRA-RACIONAL. Tão primário...

Kisses!
A.T.

Ricardo Rocha disse...

Se a desinformação sobre o arminianismo, no Brasil, impera e, com isso, isso se dá por conta do PÉSSIMO trabalho que grandes editoras e igrejas, como a CPAD, fazem para divulgar essa corrente teógica, que é a sua teologia histórica.

E o que é pior: além de não publicar praticamente nenhum grande trabalho de teologia arminiana (exceções louváveis são a TS do Geisler e o Teologia de John Wesley, do Collins) ela ainda, ao publicar autores como Piper, Packer, Edwards e Sproul, FORTALECE a propaganda calvinista, como se ela já não fosse forte o suficiente.

E não só a AD e a CPAD falham: igrejas como a Metodista Unida, denominação tão tradicional e que tem uma conceituadíssima faculdade de teologia, não está preocupada em divulgar o pensamento do arminiano Wesley, mas apenas em falar as velhas bobagens sobre teologia negra, feminista, latino americana e etc.

O livro teologia arminiana caiu como uma luva no contexto evangélico brasileiro. Tomara que as altas vendas desse livro incentivem as editoras, especialmente a CPAD, a publicarem o vasto material de teologia arminiana que existem nos países alienígenas.

Edinei Siqueira disse...

Existe também um livro do Dave Hunt, (What Love Is This? - que amor é esse?)o qual sugeri a várias editoras a tradução e publicação.

Edinei

George Gonsalves disse...

Quantos calvinistas estariam dispostos a concordar com as palavras de Spurgeon:"
"Embora nossa percepção sobre a doutrina da graça difiram dos declarados pelos metodistas arminianistas, em geral, descobrimos que nas grandes verdades evangélicas estamos em total concordância e somos confrontados pela crença de que os wesleyanos eram sólidos em suas doutrinas centrais" (em A revolução protestante, Alister McGrath, Ed. Palavra, p. 506)

Teólogo disse...

Verdade Edinei, esse livro do Hunt, destroça o calvinismo.

Mas nós optamos em fazer uma apologia positiva (divulgação do arminianismo) e não uma apologia negativa (Refutando o calvinismo). Que é o caso do livro do Hunt.

Rocildo Caracas Blog disse...

Estou muito contente com o despertar - antes tarde do que nunca - do conhecimento de nossas raízes arminianas.O crente brasileiro, em quase sua totalidade, é arminiano, mesmo sem saber. Mas isso é bom. Significa que somos ortodoxos(conformamo-nos com o que é ensinado nos escritos sagrados). Se cremos na soteriologia bíblica, tal qual descrita pelos Apóstolos, e essa soteriologia descobrimos que é a mesma que foi defendida por Jacob Armínio, então somos todos Arminianos, sim.