Pesquisar este blog

Carregando...

domingo, 6 de outubro de 2013

Reteté pós-graduado ou Schleiermacher carismático?

Por Gutierres Fernandes Siqueira


Há algum tempo tenho observado dois tipos de seminaristas assembleianos. E cada um traz para mim uma grande preocupação. O elo entre eles é, normalmente, o analfabetismo bíblico e até, em muitos casos, o analfabetismo funcional. Alguns saem como o reteté pós-graduado e outros como o novo Paul Tillich carismático.
Quem diria? O pai da Teologia Liberal é
querido de alguns seminaristas pentecostais!
No primeiro grupo há aqueles que buscam na academia apenas um título para enfeitar o currículo como pregador itinerante- essa estranheza institucional da igreja carismática contemporânea. É teólogo no papel, mas continua um menino no púlpito. No
sermão há alguma exegese, mas para puro exibicionismo. O hebraico e o grego são até citados, mas o português continua maltratado. A interpretação bíblica séria é simplesmente inexistente. E o que sobra é a velha gritaria de sempre com mensagens de autoajuda, exortações legalistas, fundamentalismo como parâmetro teológico e triunfalismos desconectados com a realidade. Assim, são teólogos com muitas aspas.

No segundo grupo a erudição é sinônimo de liberalismo teológico. Ludibriados pela suposta inteligência dos professores, alguns pentecostais abraçam com afinco a hermenêutica desconstrutivista, a ética relativista, a engenharia social e o secularismo do iluminismo francês como parâmetro de relação entre a Igreja e o Estado. Ao término do seminário esses bipolares pentecostais liberais ou mudam para igrejas “progressistas” ou mergulham na pior espécie de ressentimento para com o cristianismo. Sim, esses viram fundamentalistas da causa moderna.

Insisto que esse é o preço que o pentecostalismo brasileiro paga pelo longo e persistente anti-intelectualismo. Enquanto isso, os seminaristas comprometidos com a boa teologia continuam esquecidos do púlpito assembleiano. Isso significa apenas que o buraco ainda é mais embaixo. Como dizia Kafka: “Esperança? Esperanças há muitas, mas não para nós”!

15 comentários:

Felipe de Souza disse...

Texto legal! Parabéns!

Felipe de Souza disse...

Parabéns! Texto Legal!

Ventura Neto disse...

Parabéns Irmão Gutierres, sempre com uma visão coerente e relfexiva sobre a a atualidade do Pentecostalismo.

Ventura Neto disse...

Que Deus continue te abençoando Irmão, vc sempre vem com uma visão coerente e reflexiva sobre fatos atuais.

Erick Lima disse...

Muito bom, a primeira parte do artigo. Acho fantástico esclarecer isso aos nossos irmãos. Existe um livro de John Piper chamado "pense", que esclarece muito a mente do cristão envolvido em anti-intelectualismo. Outra coisa que não aprecio no meio reteté, é a questão de se convidar alguém de surpresa para fazer um sermão. A pessoa vai sem ter preparado nada. Ou pior ainda, a pessoa sabe que vai pregar mas tem como fé não preparar nada.
Quando a segunda parte do artigo, eu acho que o artigo foi um pouco evasivo no que tange a identidade do segundo grupo. Tive dificuldade de entender a trajetória que o seminarista faz até se tornar um progressista.

Djalma Cerezini Filho disse...

Sou teólogo e assembleiano, tenho que concordar infelizmente devo concordar com que o irmão diz. Qualquer pregação que exorte e mostre que o verdadeiro sentido da palavra é libertar e salvar "almas" é motivo de repreensão por parte das lideranças e até dos membros de banco. Mensagens carregadas da pura essência da palavra são vistas como massantes, já outras com umas poucas repetições de palavras em língua estranha sem interpretação ganham uma dimensão enorme. Enquanto a verdade é deixada de lado os líderes de torcida suam a camisa para o povo extravasar glórias e aleluias sem nem mesmo saber porque. Com certeza é o cumprimento de II Timóteo 4:3-4
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.
Infelizmente irmão essa não é uma particularidade somente da Assembléia de Deus.

Anônimo disse...

Excelente leitura da nossa realidade teológica Gutierres.
Deixa eu contar meu "tristimunho" sobre uma faculdade teológica de propriedade de um pastor assembléiano aqui pelas bandas do planalto central.
Certo dia eu apareci por lá interessado em fazer o Bacharelado em Teologia, ao solicitar informações o tal pastor me disse que seu eu estivesse precisando do certificado para alguma consagração ministerial ele poderia dar um jeitinho de acelerar o processo, quando eu respondi que meu interesse era em obter conhecimento eu percebi uma certa surpresa no olhar dele. Não sei como ainda me matriculei depois disso e estudei por 5 meses, nesse tempo constatei que o foco era de se obter lucro, pois as apostilas eram de péssima qualidade, não havia nenhum incentivo à leitura e produção, sem falar que as avaliações eram de consulta nas apostilas e muito mal elaboradas, nem no ensino fundamental numa péssima escola era daquele jeito.
A gota d´água pra mim foi quando o único professor realmente didático foi afastado só por ser calvinista e quando indagada na sala de aula apresentou a base dessa doutrina de maneira ética.
Daí podemos ter uma noção de como funciona alguns cursos que formam os teólogos da AD.


(Célio)

Anônimo disse...

Os problemas da pregação no meio pentecostal no geral são dois: A platéia deseja que o pregador pregue o que ela deseja ouvir. O pregador por sua vez, para não cair no limbo e perder agenda, prega o que a platéia deseja que ele pregue. Assim o ciclo sempre se repete, com um sistema alimentando o outro e as ovelhas cada vez mais fracas e rasas.
Em tempo: Pregador intinerante me parece contradição em termos. ALEXSANDRO

Anônimo disse...

Ops: Pastor itinerante é contradição em termos. ALEXSANDRO.

Daladier Lima disse...

Infelizmente, é a realidade. Tenho compartilhado esta mesma preocupação em meu blog. Uma das últimas postagens registra, com outras palavras, a impotência da CGADB de propor ao menos um currículo, um ENADE teológico, ou algo assim. Mas qual? Há outras preocupações em andamento.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Erick,

Quanto a segunda parte, leia:

Primeira parte
http://www.teologiapentecostal.com/2012/08/os-jovens-pentecostais-os-teologos.html

Segunda parte
http://www.teologiapentecostal.com/2012/08/os-jovens-pentecostais-os-teologos_8.html

Aprendiz disse...

Os pontos fundamentais do fundamentalismo, conforme definido originalmente são:

A infalibilidade das Escrituras;
A divindade do Jesus Cristo;
Seu nascimento virginal;
Seu sacrifício expiatório na cruz em substituição pelos pecados humanos, e
Sua ressurreição física e logo retorno.

Não consigo ver em que essas convicções possam ser criticáveis.

Digo isto, porque muitas vezes "fundamentalismo" é usado como uma palavra negativa, praticamente um xingamento.

Izabel disse...

E essa não é uma tristeza apenas de quem prega não, eu não prego nem nada, mas fico desanimada com a maior parte das pregações desprovidas de conteúdo.

Erick Lima disse...

Gutierres,

Agora entendi, existiam outros dois artigos. Minha dúvida principal foi sanada. Não havia entendido sua real posição em relação as obras sociais, mas agora entendi;

"O conservador consciente desafia a ideia de progresso que faz engenharia social (utopias políticas), mas não nega a necessidade de avanços. "

A.P.S disse...

Sou membro de uma igreja "Pentecostal". Acredito que a única maneira de melhorar algo na mesma é uma reforma geral nela. Isto inclui desmanchar todo o sistema "doutrinário chave" e começar de novo! E desta vez completamente embasado na Palavra.
Digo porque o principal pensamento dos mesmos é que só teremos a salvação através das nossas boas "obras". É patético.
A maioria não sabe qual foi o plano de salvação e tão pouco a maravilhosa graça que nos foi concedida. Para a maioria não é graça e sim Preço.