Pesquisar este blog

Carregando...

sábado, 2 de novembro de 2013

Onde estão os seus evangelistas entre os pagãos? Uma provocação de Vinson Synan aos cessacionistas!

Por Vinson Synan

John MacArthur, o calvinista , o fundamentalista, o pregador cessacionista da Califórnia fez isso de novo. Com seu mais recente ataque contra os pentecostais e carismáticos, no Strange Fire, MacArthur, como Dom Quixote contra os moinhos de vento, continua sua busca desesperada para pôr fim ao grupo mais enérgico e de rápido crescimento entre os cristãos no planeta. MacArthur nunca desiste. Este é seu terceiro livro sobre o assunto, e talvez, seja o último.

Seu primeiro ataque foi em The Charismatics: A Doctrinal Perspective [Os Carismáticos: Uma Perspectiva Doutrinária] que foi publicado em 1978. Sua segunda investida veio em um livro similar intitulado Charismatic Chaos [O Caos Carismático], que foi publicado em 1993. Este último Strange Fire, publicado no final de 2013, é uma continuação dos dois primeiros com os mesmos argumentos velhos, surrados e retocados para uma nova geração de leitores. Em todos os três livros ele destaca os piores e casos extremos que conseguiu encontrar e tenta marcar todos os cristãos carismáticos como fanáticos que oferecem "fogo estranho" em sua teologia e estilos de adoração. Se usasse as mesmas observações [sobre os fanáticos] do seu próprio movimento presbiteriano, também, estaria sujeito à mesma crítica, pois sempre houve extremos em todos os movimentos religiosos, incluindo os seus companheiros calvinistas. Talvez seja válido lembrar que muitas das práticas contestadas entre os carismáticos ocorreram em sua própria tradição calvinista. Há testemunhos de gritos e pessoas caídas sob a pregação do puritano calvinista Jonathan Edwards na Nova Inglaterra e, também, latidos, ruídos e “caídos” no Avivamento de Cane Ridge em Kentucky entre os presbiterianos. Talvez MacArthur precisa oferecer as mesmas correções para a sua própria tradição.

Os pentecostais mais sérios vão reconhecer que tem havido alguns extremos ao longo dos anos. Mas eles sempre vieram ao abrigo do discernimento e foram corrigidos no decorrer do tempo. Mas, ao julgar e condenar centenas de milhões de cristãos sólidos que amam Jesus de todo o coração e que estão evangelizando o mundo em uma escala nunca antes vista, vemos aí a essência do preconceito cego. Afinal, Satanás nunca foi conhecido por fazer amantes de Jesus. Além disso, os próprios dons espirituais que MacArthur condena, em sua maioria, são os mesmos que impulsionaram o enorme crescimento das igrejas pentecostais e carismáticas de todo o mundo. Os milagres de línguas estranhas e interpretações, além do exorcismo de demônios e da cura divina, tem convencido centenas de milhões de pagãos que Jesus Cristo é o Senhor. Estima-se que mais de 80% das conversões do paganismo para o cristianismo são creditados aos ministérios pentecostais e carismáticos. Alguém poderia perguntar sobre os registros de evangelização mundial dos seus próprios colegas fundamentalistas em comparação com os pentecostais.

MacArthur é um dos poucos hipercessacionistas ainda em pé. Olhando para trás, há uma longa lista de ataques semelhantes que têm sido feitos ao longo dos anos por fundamentalistas e igrejas clássicas da Santidade que rejeitaram o falar em línguas depois da Avivamento da Rua Azusa entre 1906-1909. Um dos piores ataques veio do livro Demons and Tongues (Demônios e Línguas) de Alma White publicado em 1910. Apesar dessas colocações, o Movimento Pentecostal continuou a crescer exponencialmente em todo o mundo. Com o advento do Movimento Carismático depois de 1960, uma nova geração de críticos surgiram, incluindo MacArthur. Mas cada vez mais, são vozes solitárias em seu próprio deserto fundamentalista, largamente ignorados pelos líderes estupeficados no resto da cristandade.

Quando MacArthur publicou seu primeiro ataque, The Charismatics em 1978, já havia cerca de 100 milhões pentecostais e carismáticos no mundo. Até o momento que ele apresentou o seu segundo ataque, Charismatic Chaos em Tulsa, Oklahoma, em 1993, o número havia crescido para 450 milhões. E agora, com a publicação de seu terceiro ataque, Strange Fire, o número chegou a nada menos do que 628 milhões. Tudo o que posso dizer é que, quanto mais MacArthur nos ataca, mais nós crescemos.

Escrever outro livro John.

_________
Vinson Synan é professor emérito em História da Igreja na Regente University School of Divinity. Synan possui mestrado e doutorado em educação pela Universidade da Geórgia.

___________________

[O texto é uma tradução do John MacArthur Strikes Again with Strange Fire escrito pelo historiador Vinson Synan no blog da Regente University School of Divinity. O artigo é uma provocação, pois não procura argumentos teológicos para rebater as ideias de MacArthur. Isso pode ser lido em outros textos, especialmente em inglês. E como provocação levanta algumas questões práticas sobre a própria espiritualidade cessacionista: Onde estão os seus evangelistas entre aqueles que não conhecem a Cristo? Eis uma pergunta instigante e que não pode ser desprezada.]

Leia Mais:

John MacArthur e os Pentecostais de J. Lee Grady (em inglês) (em português).

Strange Fire – A Charismatic Response to John MacArthur de Adrian Warnock (em inglês).

As Sandices de John MacArthur de Silas Daniel (em português).

O Fogo Estranho de John MacArthur por Victor Leonardo Barbosa e Gutierres Siqueira (em português).

See You In Seattle, pastor John MacArthur? por Mark Driscoll (em inglês).

11 comentários:

Erick Lima disse...

A crítica é pertinente, legítima e merecida. Porém o autor, que criticou o fundamentalismo e a generalização de comportamentos num determinado grupo, fez o mesmo neste artigo.

Vandim disse...

Vinson reconhece que “alguns extremos ao longo dos anos. Mas eles sempre vieram ao abrigo do discernimento e foram corrigidos no decorrer do tempo”. Bem, que existem pentecostais e carismáticos que fazem isto é verdade, ma no todo acho q tá mais p o q MacArthur descreveu. MacArthur pode ter generalizado em suas criticas, sem bem que elogia o movimento Calvary Chapel, logo não é tão genérico assim.

Anônimo disse...

McArthur: calvinista, fundamentalista, salvação de senhorio, odeia pentecostais, muçulmanos, homosexuais, Billy Graham, Joel Osteen, Bill Hybels e Mark Dirscoll...
Mas a conferencia Strange Fire deu uma boa dica: McArthur, Steve Lawson, Todd Friel falavam tão mal do Jesus Culture que fui inspirado a comprar um cd deles e estou curtindo para valer... obrigado, frielpsycho,macacoarthur e steveobcecado5pontos pela dica...Matias

Luccas Andrade disse...

Otimo texto. Bem embasado e equilibrado.

Anônimo disse...

Muito obrigado por traduzir textos como esse! Esses caras (McArthur e outros), chegam à ser engraçados .... falam dos desvios no neo e pentecostalismo, e não enxergam a tragédia nas igrejas reformadas...
Marco Davi

Marlon Marques disse...

Só uma correção. MacArthur é batista, e não, presbiteriano! No mais, um texto muito bem elaborado, pois o pentecostalismo é o segmento cristão que mais cresce e precisa ser entendido, e não, jogando no mesmo saco com pentecostais do reteté e neopentecostais!

Graça e Paz!

Erick Lima disse...

Marlon,

O pentecostalismo não é o movimento que mais cresce. O que mais cresce é esse que você não quer estar no mesmo saco. Reteté e os Neopentecostais.

Welbert Roberto disse...

não curto!

alvaro disse...

Macarthur só esta vendo um lado da moeda,ele precisa estudar a historia do pentecostalismo a fundo!

Aprendiz disse...

Fazendo uma crítica da crítica:

O autor, embora tenha alguma razão, erra bastante. Vejamos:
"Com seu mais recente ataque contra os pentecostais e carismáticos, no Strange Fire, MacArthur, como Dom Quixote contra os moinhos de vento, continua sua busca desesperada para pôr fim ao grupo mais enérgico e de rápido crescimento entre os cristãos no planeta."
Vejo dois erros: Será que MacArthur tem realmente a pretensão de acabar com todo o movimento carismático? De onde o autor tirou isso? Em segundo lugar, será que ele está combatendo moinhos de vento? Os problemas dentro do pentecostalismo são apenas pequenas falhas, ou erros retumbantes que merecem ser atacados de frente?
"Em todos os três livros ele destaca os piores e casos extremos que conseguiu encontrar e tenta marcar todos os cristãos carismáticos como fanáticos que oferecem "fogo estranho" em sua teologia e estilos de adoração."
O problema é que os "piores casos" são em número imenso dentro de pentecostalismo (pelo menos aqui no Brasil) e todos nós sabemos disso.
”Se usasse as mesmas observações [sobre os fanáticos] do seu próprio movimento presbiteriano, também, estaria sujeito à mesma crítica, pois sempre houve extremos em todos os movimentos religiosos, incluindo os seus companheiros calvinistas. Talvez seja válido lembrar que muitas das práticas contestadas entre os carismáticos ocorreram em sua própria tradição calvinista. Há testemunhos de gritos e pessoas caídas sob a pregação do puritano calvinista Jonathan Edwards na Nova Inglaterra e, também, latidos, ruídos e “caídos” no Avivamento de Cane Ridge em Kentucky entre os presbiterianos. Talvez MacArthur precisa oferecer as mesmas correções para a sua própria tradição.”
Ai, ai, ai, Synan pisou feio na jaca. Em muitos avivamentos ocorrem, além das manifestações reais do Espírito Santo, também manifestações dos demônios. Mas os antigos presbiterianos não se engavam facilmente. Gente latindo não era confundida com “cheios do espírito” mas consideradas desiquilibradas ou influenciadas por espíritos imundos. Já dentro do pentecostalismo, muitas vezes nem o obvio ululante é visto...
“Os pentecostais mais sérios vão reconhecer que tem havido alguns extremos ao longo dos anos. Mas eles sempre vieram ao abrigo do discernimento e foram corrigidos no decorrer do tempo.”
Que mundo róseo é esse descrito por Synan? Desvios e erros não tem sido eventuais, mas quase dominantes dentro do pentecostalismo. Geralmente demoram décadas para serem corrigidos, e muitas vezes são apenas substituídos por outros erros diferentes.
“ Mas, ao julgar e condenar centenas de milhões de cristãos sólidos que amam Jesus de todo o coração e que estão evangelizando o mundo em uma escala nunca antes vista, vemos aí a essência do preconceito cego.”
Será o foco da crítica de MacArthur é realmente atacar todos os pentecostais no mundo todo? Se ele estiver criticando os pentecostais americanos, talvez eles realmente precisem dessas críticas.

Aprendiz disse...

....continuando

“Afinal, Satanás nunca foi conhecido por fazer amantes de Jesus. Além disso, os próprios dons espirituais que MacArthur condena, em sua maioria, são os mesmos que impulsionaram o enorme crescimento das igrejas pentecostais e carismáticas de todo o mundo. Os milagres de línguas estranhas e interpretações, além do exorcismo de demônios e da cura divina, tem convencido centenas de milhões de pagãos que Jesus Cristo é o Senhor. Estima-se que mais de 80% das conversões do paganismo para o cristianismo são creditados aos ministérios pentecostais e carismáticos. Alguém poderia perguntar sobre os registros de evangelização mundial dos seus próprios colegas fundamentalistas em comparação com os pentecostais.”
Finalmente Synan deu uma dentro. Ee argumenta que os dons tem sido importantes na luta contra as trevas e na vitória do Evangelho.
“MacArthur é um dos poucos hipercessacionistas ainda em pé. Olhando para trás, há uma longa lista de ataques semelhantes que têm sido feitos ao longo dos anos por fundamentalistas e igrejas clássicas da Santidade que rejeitaram o falar em línguas depois da Avivamento da Rua Azusa entre 1906-1909. Um dos piores ataques veio do livro Demons and Tongues (Demônios e Línguas) de Alma White publicado em 1910. Apesar dessas colocações, o Movimento Pentecostal continuou a crescer exponencialmente em todo o mundo. Com o advento do Movimento Carismático depois de 1960, uma nova geração de críticos surgiram, incluindo MacArthur. Mas cada vez mais, são vozes solitárias em seu próprio deserto fundamentalista,largamente ignorados pelos líderes estupeficados no resto da cristandade.Quando MacArthur publicou seu primeiro ataque, The Charismatics em 1978, já havia cerca de 100 milhões pentecostais e carismáticos no mundo. Até o momento que ele apresentou o seu segundo ataque, Charismatic Chaos em Tulsa, Oklahoma, em 1993, o número havia crescido para 450 milhões. E agora, com a publicação de seu terceiro ataque, Strange Fire, o número chegou a nada menos do que 628 milhões. Tudo o que posso dizer é que, quanto mais MacArthur nos ataca, mais nós crescemos.”
Em vez de demonizar MacArthur por ser hipercessacionista, talvez fosse mais útil mostrar as incongruências teológicas e históricas dessa corrente. Quantos aos números, esse não é um argumento forte. Os seguidores do anticristo serão, provavelmente, bilhões, e nem por isso estarão certos.
“John MacArthur, o calvinista , o fundamentalista, o pregador cessacionista da Califórnia fez isso de novo. John MacArthur, o calvinista , o fundamentalista, o pregador cessacionista da Califórnia fez isso de novo. Com seu mais recente ataque contra os pentecostais e carismáticos, no Strange Fire, MacArthur, como Dom Quixote contra os moinhos de vento, continua sua busca desesperada para pôr fim ao grupo mais enérgico e de rápido crescimento entre os cristãos no planeta. MacArthur nunca desiste. Este é seu terceiro livro sobre o assunto, e talvez, seja o último.”
A insistir no rótulo “fundamentalista” Synan nem percebe que absolve MacArthur (e todos os fundamentalistas) da acusação de serem cegos aos erros de sua própria tradição. Fundamentalismo, na sua concepção original, é a rejeição do liberalismo teológico, que é a fonte da maioria dos principais erros das igrejas históricas. Assim, o rótulo “fundamentalista” usado para desqualificar, acaba sendo um elogio, nesse sentido.
Certamente Synan não percebe como a acusação que ele faz aos tradicionais recai sobre os próprios pentecostais, os quais são (em sua maioria) bastante cegos e pouco reativos em relação aos terríveis erros de sua própria tradição.
PS: Sou pentecostal, rejeito o cessacionismo.
Ps2: Ele é batista, não presbiteriano.