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domingo, 5 de janeiro de 2014

Escondidos com Cristo em Deus

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Sermão pregado na Igreja Evangélica Assembleia de Deus Um Novo Tempo.

Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória. [Colossenses 3.1-4 NVI]

A salvação não é apenas um ato no pós-vida e post mortem, ou como disse A. W. Tozer, a salvação não é apenas uma apólice de seguros contra o inferno. A salvação é um ato presente e, assim, traz efeitos imediatos para a nossa vida hoje.

1. A Ressurreição não é apenas um ato escatológico, ou seja, de um futuro desconhecido. A ressurreição é presente. A salvação é ressurreição. Nós morremos para o pecado, ou seja, para a completa dominação da natureza humana pela rebelião contra Deus (cf. Rm 6.2) e ressuscitamos com e mediante Cristo. Nem sempre é possível marcar o tempo exato desse grande acontecimento, mas certamente é uma ação divina que marca a vida de qualquer um.

2. A salvação presente demanda desfrutar- em deveres - o céu imediatamente. A salvação é vida sagrada, santificada. “Procurem as coisas que são do alto”, diz o apóstolo. Ou literalmente “busquem e continuem buscando a cada dia”. Não é mera abstração, utopismo ou idealismo. É buscar sentido eterno nas atividades triviais do dia a dia. É “manter o pensamento” no sentido celestial da vida, ou seja, onde vivemos como acreditando realmente que estamos diante de Deus. É fazer tudo para a glória de Deus (cf. I Co 10.31). Buscar é pensar, é anelar. Um exemplo maravilhoso de anseio pela glória de Deus pode ser vista no hino Alfa e Ômega de Asaph Borba.

Tu que estás assentado no trono
Sempre reinando, soberano
Anjos cantando, homens louvando
Deus reunindo o seu povo

Ó, ó, Alfa, Ômega
Cristo, filho
Ó vem, ó vem, ó vem
Senhor Jesus (bis)

Ansioso espero a Tua volta
O grande dia em que Tu virás
Então subiremos, contigo estaremos
Pra todo o sempre, Aleluia
Maranata, Cristo
Filho, Mestre
Ó vem, ó vem, ó vem
Senhor Jesus (bis)
Ó, ó, Alfa...



3. Por enquanto o céu e a terra são duas dimensões separadas e diferentes, mas intercambiáveis. A salvação é viver o céu mesmo em vida. O céu e o inferno começam a ser vividos ainda em vida e continuam na eternidade. O céu não é pensado na cosmovisão bíblica apenas como um lugar depois da morte. É, também, o hoje vivido na plenitude da vida cristã em Cristo mediante o Espírito Santo. Logo, não devemos viver pautados pela vida terrena. Vida essa onde o pecado, quando não explícito, já está aculturado em nossas vidas como sociedades e nem nos damos conta.

4. Escondidos com Cristo em Deus. A salvação é um refúgio com Cristo. “Escondido com Cristo em Deus” é uma expressão soteriológica.  Et vita vestra abscondita est cum Christo in Deo. A salvação é um refúgio com Cristo. Junto a Ele. E o local do encontro é Deus. É um lugar de morte que implica em nossas vidas, como bem pregou Antonio Vieira:

Quem vive em Deus não vive em si, quem vive com Cristo não vive com o mundo, e quem não vive em si nem com o mundo, este verdadeiramente vive como morto. O morto tem olhos, e não vê; tem ouvidos, e não ouve; tem língua, e não fala; tem coração, e não deseja; e, posto que o morto vivo pode desejar, falar, ouvir e ver, nem vê o que não é lícito que se veja, nem ouve o que não é lícito que se ouça, nem fala o que não convém que se fale, nem deseja o que não convém que se deseje, porque é morto às paixões e aos apetites, e, posto que viva o sentimento, não vive à sensualidade. Isto é viver em Deus, e não em si. E que é viver com Cristo, e não com o mundo? É estar morto a tudo o que o mundo ama, a tudo o que o mundo estima, a tudo o que o mundo venera, a tudo o que o mundo adora, a tudo o que chama honra, a tudo o que chama interesse, a tudo o que chama boa ou má fortuna, porque tudo o que é próspero ou adverso, alto ou baixo, precioso ou vil, pesado na balança da morte viva, é vaidade, é fumo, é vento, é sombra, é nada. E a todos os que assim vivem, ou viverem, podemos dizer com S. Paulo: Mortui estis- Morto está [Sermão pregado em 1634].

Cristo é a nossa vida. Portanto, o cristão morto é aquele que, paradoxalmente, mais vive. A salvação é morte e vida hoje. É a transformação no presente, mesmo cônscios da necessidade constante de santificação.

Um comentário:

AROLDIN DE jESUS disse...

É impressionante que uma matéria profunda ,mo assunto da nova vida em Cristo passe por mais de dois anos sem comentários. Isto mostra como a Igreja se transformado numa extensão do mundo, se o assunto fosse prosperidade ou sobre as muitas feitiçarias aplicadas por algumas "igrejas"e que se dizem evangélicas certamente teria uma participação muito maior.