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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Emocionados com os orixás

Um Moisés pós-moderno escrevia sobre a emoção de ver a expressão autêntica de fé no Bezerro de Ouro
Por Gutierres Fernandes Siqueira


Nesses últimos dias li dois textos que expressam bem a decadência de uma teologia protestante com complexo sociológico.  Em ambos, por coincidência, os autores comentavam a emoção que sentiram ao ver a expressão religiosa em cultos afrobrasileiros. Para os autores, a tolerância nasce quando você chora diante do culto alheio.

E eu choro com tamanha bobagem e hipocrisia.

A tolerância pós-moderna não é apenas o respeito pelo direito de culto para todos, a liberdade cúltica. Não e não, mas vai além! Agora precisamos apreciar qualquer manifestação do sagrado. Bom, o sujeito que não suporta nem a tia e nem a colega de trabalho, agora é simplesmente capaz de se emocionar com o primeiro deus animista da moda. Pura hipocrisia, mas "pega bem" em uma roda de conversas na Vila Madalena.

Se Moisés fosse pós-moderno ele escrevia um texto emocionado sobre a "experiência autêntica" de se adorar o Bezerro de Ouro? Risos e mais risos. E Jesus, quem sabe, poderia ter sido menos bruto com os fariseus e não chamá-los de "filhos do diabo". Será que Jesus não enxergava que todas as "expressões de fé" são validas e equiparáveis se feitas com sinceridade? Ora, e quem disse que os fariseus não eram sinceros?

E os profetas que combatiam Moloque? Será que eles pensavam em manifestações religiosas “sem autenticidade” ou todas as crenças eram válidas? E por que Paulo era tão preocupado com movimentos judaizantes? Não poderia ter sido mais tolerante com esse diálogo interreligioso entre judaísmo e cristianismo? Ou Paulo percebia o óbvio: quando duas visões diferentes e opostas começam um namoro, logo uma das visões precisará ceder ao ponto de perder a própria identidade. Ora, todo casamento não é a formação de uma “só carne”?




9 comentários:

opiniões e ideias, somente.... disse...

Em um mundo em cada indivíduo "tem seu mundo", ou seja, um consciência do que é verdade. A união da igreja se torna difícil, várias verdades contra a única verdade.
Se não lutarmos contras as ideologias que se manifestam num mundo pecado, e assim, que luta contra a realidade de Deus, baseando-se na Bíblia, encontraremos cada vez mais apóstatas, que, como nesse caso, num discurso de aceitação do oposto enganam-se no discurso tolerância cristã.

Ricardo Rocha Lima da Silva disse...

Concordo plenamente.

Agora, Gutierrez, sua prática de criticar pensamentos alheios sem dizer expressamente a quem se refere parece um reflexo do bom-mocismo pós-moderno em você.

Afinal de contas, Jesus era claro a respeito de quem considerava filhos do Diabo: os fariseus.

Esconder quem anda ensinando bobagens como essas não serve para prevenir os evangélicos de fugir desses falsos profetas; eles podem continuar sendo enganados sem saberem.

A paz

Gutierres Siqueira disse...

Robson, a paz. Realmente evito citar nomes, pois o foco do texto pode sair da idéia para a pessoa. Em algumas situações é inevitável, mas não nesse caso onde envolve autores pouco expressivos para o contexto da Igreja Evangélica.

Clébio Lima de Freitas disse...

Gutierres,

Acompanhando uma discussão sobre os pentecostais terem ou não uma Confissão de Fé, comecei a refletir sobre o porquê de não possuirmos uma. Temos um "credo", mas não uma confissão de fé. Isso é algo para se preocupar? O que acha?

Mateus Emilio Mazzochi disse...

Paz do Senhor Gutierres, hoje em busca da liberdade total de expressão para o indivíduo, estamos perdendo justamente a liberdade de expressão. Cada um pode fazer o que quiser, sem ser boicotado, permitindo com isso que todo o tipo de misturas sejam possíveis. Tudo é "ecumênico", como se Jesus fosse UMA fonte, quando na verdade Ele é A fonte da vida eterna. Deus o abençoe.

Apologeta disse...

Amado irmão Siqueira, paz da Verdade (João 14:6)!

Considero excelente o seu blog e o sigo, acompanhando seus profundos e enriquecedores artigos que sei que são para glória de Deus.

Vendo sua resposta ao Ricardo, percebi uma ideia que gostaria de esclarecimento. Você afirmou:

"Realmente evito citar nomes, pois o foco do texto pode sair da ideia para a pessoa."

Em vista da sua alegação, como então analisar Paulo que citou Himeneu e Alexandre (I Timóteo 1:20), Himeneu e Fileto (II Timóteo 2:17) e Alexandre, o latoeiro (II Timóteo 4:14) e João que cita Diótrefes (III João 9)? Será que o foco dos textos bíblicos, nesse caso, (usando suas palavras) não "saíram da ideia para as pessoas?" E se assim for, estariam os desmascaradores (Paulo e João) errados? Fazendo um "ataque pessoal desonesto"?

No humilde desejo de aprender,

Apologeta

Gutierres Siqueira disse...

Caro Apologeta, a paz!

A resposta já está na própria frase. "Nem sempre", mas algumas vezes se faz necessário. Mas creio, e esse é o padrão bíblico, é mais uma exceção do que regra.

Gutierres Siqueira disse...

Caro Clébio,

Acho que há uma pequena confusão aí, pois nenhuma denominação possui credo. Os credos são gerais e ecumênicos, ou seja, serve para a cristandade como um todo, como o Credo Niceno, Credo de Atanásio, Credo dos Apóstolos etc. Agora, as denominação tem "confissões de fé", inclusive a Assembleia de Deus. Ela é postada na página 2 do Mensageiro da Paz.

Aprendiz disse...

Gutierres

O texto quase todo foi bom, mas no fim você cometeu um anacronismo horrível.

No tempo de Paulo, não tinha o menor sentido falar em diálogo inter-religioso entre judaísmo e cristianismo. Ninguém considerava que aquilo que hoje chamamos de cristianismo fosse uma OUTRA religião. A mensagem de Cristo era apresentada como o coroamento da mensagem de Moisés e dos profetas, não como algo que existisse em oposição a Moisés e os profetas. Tanto assim que todos os apóstolos continuaram frequentando o Templo enquanto este existiu, praticando os ritos judaicos. Apenas não impunham tais ritos aos gentios crentes.